70
Eu estava sentada perto de Brian, segurando sua mão enquanto ele tatuava na costela.
Estávamos na droga de um estúdio de tatuagem.
E ele estava fazendo uma.
Ele quase não tem mais lugar para tatuar, ficou longos minutos procurando um que encaixasse a nova.
Muito doido da cabeça e corajoso.
— Tá doendo bastante. — ele falou e apertou minha mão. — Sério.
— O único culpado é você.
Ele estava escrevendo uma frase com um idioma estranho e eu nem ousei querer saber o que era, é melhor assim.
O tatuador estava bem tranquilo, claro, não era ele que estava sendo rasgado por diversas agulhas e Brian seguia sofrendo.
Isso não deve ser nada, na verdade deve ser apenas charme, pelo tanto de tatuagem que ele tem não tem que ficar choramingando porque está doendo.
Muito dramático.
Meu celular começou a tocar então eu usei a mão livre para pegar e atender, era o Johnny.
— Oi, querida. — ele já foi logo dizendo. — Acabei de chegar.
— Que bom. — fiquei feliz em ouvir sua voz, eu já estava sentindo sua falta. — Estou com Brian fazendo uma tatuagem.
— Os dois juntos?
— Não, gatinho, eu estou apenas segurando sua mão e dando apoio.
— Entendo. — ouvi uma porta se fechando então tudo ficou mais silencioso. — Como você está?
— Bem. Com saudades.
— Eu também, meu bem. — ele suspirou. — Quer vir ficar comigo?
— Mesmo?
Eu iria agora mesmo se ele quisesse, é claro que sim. Não estava nem aí para Brian e sua tatuagem, escolho mil vezes Johnny.
— Sim.
— Tudo bem. — sorri toda boba. — Te vejo mais tarde?
— Sim, baby, vou pedir para o Sean ajeitar tudo.
— Tá bom. Eu te amo.
— Eu sei.
Finalizei a ligação toda feliz.
Vou ir atrapalhar ele com toda minha gostosura, é sério.
Olhei para o Brian que ainda segurava minha mão e ele já me olhava emburrado.
— Já vai me abandonar, não é?
— Claro que sim, nunca que eu perderia essa oportunidade.
— Chata.
— Fico com você até terminar. — falei. — Não se preocupe.
— Não faz mais que a sua obrigação, boneca.
Abusado.
Brian queria me prender a todo custo no estúdio porque inventou de fazer outra tatuagem, só porque eu estava ansiosa demais para ir embora.
Ele ainda estava decidindo o que iria fazer e eu soube que finalmente decidiu quando ficou sorrindo todo bobo para o celular.
Era mulher. Eu sabia que sim.
Mas agora, qual?
— Eu já sei! — ele se levantou e foi até o tatuador dizer o que tinha planejado. — Eu quero um nome, em letra cursiva, não muito grande, e... — ele pensou um pouco. — Eu tenho que ver aonde vai ser.
Claro, não tem mais lugar. E calma, o nome de quem?
— O nome de quem, Brian? — perguntei por que sou consciente. — Tá maluco?
— Você fica quieta que Johnny tem seu nome, ele pode e eu não?
— Eu e Johnny somos casados. Você vai tatuar o nome de quem pelo amor de Deus?
— Kate.
Ele falou. Simples assim.
Ele tá muito maluco da cabeça.
Depois não vou vir segurar a mão de ninguém para cobrir essa ideia maluca, já aviso.
— Você não vai fazer isso, Brian.
— Por que não?
Meu deus, eu tento ajudar, juro que tento.
— Por que você é assim?
— Eu gosto dela, é proibido gostar das pessoas agora?
— O que isso tem a ver?
— Nada, então eu vou fazer sim.
— Seu...
— Vê se você gosta. — o tatuador, outro maluco, falou assim que terminou o decalque, mostrando a nós como se não estivesse ouvindo nossa discussão. — Bom, não é?
— Sim!
É só um nome meu deus, não tem o que sair errado.
Antes que ele começasse, decidiu fazer bem no pescoço, não seria grande, seria bem pequeno na verdade, teria que se aproximar bem para distinguir o que é.
Menos mal. As vezes tem consciência graças a Deus.
E mesmo assim eu fiquei igual uma tonta segurando sua mão enquanto ele fazia o nome de uma doida que acabou de acontecer.
Vai dar muita merda.
Eu sinto.
Antes de irmos embora, a última tatuagem do Brian tinha me dado um gatilho então em um momento de loucura eu decidi fazer uma também.
Para o Johnny.
Se ele não gostar eu não sei o que faço.
E Deus, como doeu.
Eu não sei por que faço essas coisas comigo mesma.
Sei que o negócio dói e mesmo assim faço...
Quase quebrei a mão do Brian do início ao fim e por isso ele me odeia mais ainda.
Reclamou o caminho inteiro de volta até em casa.
— Te odeio. — ele falou uma última vez assim que passamos pela porta e foi lá para cima.
Nem ligando para ele, fiquei feliz quando sorvetinho soube que chegamos e veio todo feliz latindo e balançando o rabo.
— Oi, neném. — falei com ele e me abaixei para pegá-lo no colo. — Também senti saudades.
Subi até meu quarto porque tinha que arrumar minhas coisas para sair. Sean falou que até às onze iríamos.
E enquanto arrumava minhas coisas, eu falava com meu cachorro.
— Infelizmente vou ter que te deixar com seu padrinho maluco, mas você vai perdoar a mamãe não vai? — e ele latiu em resposta, entendo tudo. — Bom garoto!
Terminei de arrumar tudo, me troquei e mandei uma mensagem ao Sean dizendo que estava pronta.
Assim que desci as malas, fui atrás do Brian para avisá-lo do sorvetinho.
E eu o encontrei na cozinha.
— Você vai ter que cuidar do sorvetinho. — falei. — Você faz esse favor?
— Sim. — ele não olhou pra mim, estava comendo e mexendo no celular ao mesmo tempo.
— Você vai cuidar bem dele, não é?
— Claro, boneca. Vamos ficar bem.
Duvidoso.
— E você vai para algum lugar?
— No momento não. — ele então olhou pra mim e eu soube que ele iria aprontar. — Agora vai logo e deixa tudo comigo.
— Vê se não vai destruir a casa, Johnny ficaria muito bravo.
— Blá, blá, bla. — resmungou. — Vai logo, vai, estou feliz que vou ficar sozinho.
Ele é muito folgado...
Eu estava pronto para brigar com ele e jogar tudo na sua cara, porém Sean apareceu na cozinha.
E eu fui com ele.
Chegamos em Vancouver de madrugada.
E eu soube que Johnny estava dormindo porque mandei mensagem quando desembarquei e ele não me respondeu.
Compreensivo, já está tarde...
Sean contou que Johnny tinha alugado um apartamento no centro e estávamos indo para lá, avisou que Jerry já tinha avisado na portaria.
O caminho até o prédio foi rápido.
E quando chegamos, Sean me ajudou a carregar tudo até lá em cima.
Talvez eu tenha exagerado na bagagem porque trouxe bastante coisa, porém Johnny não falou por quantos dias me queria e eu presumi que seria até o fim das gravações.
E agora como sei que ele alugou um apartamento...
Eu me iludo sozinha, eu sei. É mais forte que eu.
— Obrigada, Sean. — agradeci. — Até amanhã.
Ele balançou a cabeça se despedindo e eu fechei a porta.
Olhei em volta e até que o lugar era bonitinho.
Como que eu vou achar o Johnny aqui?
Em frente já tinha a visão da sala e a esquerda dava para ver a cozinha, e a direita tinha um corredor com algumas portas.
Tinha uma escada também, bem no canto perto das janelas, porém não sei para onde vai, é claro.
Deixei minhas coisas no meio do caminho mesmo e com toda minha curiosidade fui subir as escadas para ver até onde ia e me surpreendi.
Uma aérea com uma piscina retangular, não muito grande e com uma vista muito bonita.
Legal.
Desci porque comecei a sentir frio e Johnny só poderia estar lá embaixo.
Tinha algumas luzes acesas e eu agradeci porque se não teria que chamar por Johnny e eu não queria acordá-lo.
Provavelmente ele teria que acordar cedo e quanto mais tempo ele dormir, melhor, e assim não se atrasa também.
O mais silenciosa possível fui até o corredor e parei, olhando as quatro portas. Para que tudo isso?
Abri a primeira, era um quarto, e ele não estava. A segunda um banheiro que também não tinha ninguém. A penúltima, era tipo um escritório com um sofá e um puff azul muito atrativo...
Depois eu volto aqui.
E finalmente a última porta.
Se ele não estivesse aqui poderia estar fazendo apenas uma coisa...
Abri a porta e já senti seu cheiro, e o de cigarro.
Maravilha, ele está aqui.
As luzes estavam apagadas, porém tinha um abajur aceso, com certeza pegou no sono enquanto esperava por mim. As janelas estavam fechadas e a cortina escura também.
Me aproximei um pouco e tive a visão perfeita dele deitado, sem camisa e com o edredom cobrindo até sua cintura. Suas feições eram calmas e ele ainda tinha o celular no peito.
Muitas saudades minhas, eu sei.
Sentei na beirada da cama, peguei seu celular e o coloquei perto do abajur e fiquei toda boba vendo ele dormir.
Ele respirando baixo.
Seu peito subindo e descendo.
Paradinho e bonitinho... Nem parece que me odeia.
Toquei seu rosto, acariciando, e ele se mexeu um pouco, mas não falou nada e muito menos despertou.
Tirei da sua testa os cachinhos bonitos que ele tinha agora, e, suspirei, toda apaixonada. Foi aí que ele abriu os olhos e me deu um tapão na mão.
— Ai. — reclamei. — Abusado!
— Puta merda, Chloe! — ele falou exasperado e até se afastou um pouco. — Que susto, porra! Como você entrou aqui?
— Sean me trouxe. — falei. — Estava pensando em aprontar né, safado?
Ele é safado, tô falando.
— Eu não, maluca.
— Que bom. — sorri e subi na cama pra dar um beijinho nele. — Oi.
— Oi. — todo bobo ele sorriu pra mim e me abraçou apertado, beijando minha cabeça. — Fez boa viagem?
— Uhum.
Fiquei abraçada a ele inalando seu cheiro até quando ele quisesse me soltar e ficamos assim por um bom tempo.
Abri meus olhos um momento depois quando senti um beijo na minha cabeça.
— Que foi? — tive a visão de Johnny sentado na cama. — Estou com sono.
Fechei meus olhos. Vou dormir.
— Pode voltar a dormir. — ouvi sua risada e senti o edredom me cobrir totalmente. — Estava tirando sua roupa.
— E como você ia me seduzir se eu estava dormindo?
— O que? — ele riu. — Dorme, Chloe, dorme.
Apenas dizendo...
Um momento depois ele se deitou atrás de mim e me abraçou ficando de conchinha, beijou minha cabeça e ainda pegou no meu peito.
Tem coisa melhor? Tem. Mas quero apenas isso.
Só assim para eu dormir feliz.
Quando eu acordei já estava de manhã.
E eu estava sozinha na cama.
Peguei meu celular, iria dar dez da manhã, e, ainda tinha uma mensagem do Johnny dizendo que saiu cedo e que voltaria a tarde.
E vamos de solitária o dia inteiro.
Levantei, tomei banho, escovei os dentes, me troquei e fui tomar café. E, explorar o apartamento é claro.
Já não estava mais tão frio como de madrugada então eu coloquei um short e uma blusinha.
Tinha café pronto e algumas torradas.
Nada bom de verdade.
Mas comi uma só para caso Johnny pergunte se eu comi, eu sei que vai.
E, seria uma grande desfeita não comer sendo que foi ele que fez.
Andei um pouco pelo apartamento, fucei tudo que consegui e quando comecei a ficar entediada quis ir atrás de Johnny.
Mas não fui.
Na hora do almoço eu liguei para o Sean e fiz ele vir almoçar comigo. E trazer o almoço é claro.
Ele muito gentil perguntou o que eu queria e eu fiz ele me trazer batata e hambúrguer. Ele trouxe o mesmo para ele e ainda me trouxe suco de morango.
Ele é tão legal.
Comemos e conversamos.
Ele não falava muito comigo, só ó essencial mesmo, porém ele me ouvia falar todos os dias e eu não sei como ele não se demitiu ainda.
É porque eu sou muito legal. Eu sei.
E nada de Johnny chegar.
— Qual seu filme preferido do Johnny? — perguntei enquanto mastigava. — Todos são bons, eu sei, mas, escolha um.
— Hum... — ele pensou um pouco. — Não sei. Gosto daquele com a Angelina Jolie, o plot é bom.
— Nossa! Eu também amo esse.
Será que ele e os outros seguranças tem uma salinha em que se sentam para ver os filmes do patrão? Eu espero que sim e que me convidem quando se juntarem para o próximo.
Depois que acabamos de comer, eu lavei tudo e fomos dar uma volta.
E ir ao mercado comprar algumas coisas.
Peguei tanta coisa boa e fiquei tão feliz.
Porém, não tão boas quanto chocolate.
Deixei no carrinho chorando o pobre chocolate.
Odeio tatuagem. Odeio. Não sei por que fiz.
Agora eu não posso fazer nada por que se não morro infeccionada.
Maravilha.
Sean me ajudou a colocar as sacolas para dentro e sumiu.
Ele tinha comentado que tinham um apartamento aqui no prédio também, uns andares abaixo.
Assim que ia começar a guardar as coisas, Johnny me enviou uma mensagem dizendo que em uma hora estaria chegando.
Então eu larguei tudo em cima da bancada e fui me produzir.
Eu queria mostrar minha nova tatuagem para ele.
Não acho que ontem ele tenha visto, mesmo que ele tenha trocado minha roupa antes de dormir, não acho que estava claro o suficiente.
Tomei banho, fiquei cheirosa e ainda vesti uma lingerie bonita por baixo da saia. Nem coloquei uma blusa por que né, quanto menos roupa melhor.
Vou seduzir ele, estou sentindo.
Voltei a guardar as coisas e esperei.
Sentadinha, bonitinha e atenta na porta.
Ele demorou mais de uma hora.
Três horas depois eu fiquei entediada e subi para a piscina.
Estava quase escurecendo então a vista está bonita.
Me sentei em uma das espreguiçadeiras e esperei.
Por uma eternidade.
Levantei-me para comer depois de muito cansada e para vestir uma blusa, estava começando a sentir frio.
Desci as escadas e corri até o quarto porque estava meio escuro na sala e eu fiquei com medo, porém assim que liguei a luz fiquei mais calma.
E, fui atrás de uma roupa.
Troquei a saia por um short porque já quero dormir e ficar quentinha. Vesti um moletom verde que estava em um canto jogado do quarto, provavelmente dele, e coloquei meias.
Não estou gostando desse tempo.
E não estou gostando dessa demora do Johnny.
Peguei meu celular e liguei para ele querendo muito saber onde ele se enfiou para não ter chegado ainda e que ele aparecesse logo para eu não ter que ficar mais sozinha e acender a maldita luz da sala.
— Onde você está, gatinho? — perguntei assim que ele atendeu.
— Estou atrasado, eu sei, mas já estou chegando.
— Tá bom... — suspirei e me sentei na cama para esperar. — Está cansado? Trabalhou muito?
— O de sempre...
— Onde exatamente você está?
— Chegando, amor, quase perto.
Vou morrer entediada até lá.
— Estou com fome.
— Você almoçou?
— Sim. Com o Sean.
— Comeu bem?
— Sim. Eu amo hambúrguer só que...
Agora eu percebi que não deveria ter comido, não era tão legal assim com uma tatuagem recém feita...
Eu vou morrer.
— O que?
Claro que ele quis saber, é curioso.
— Nada. Chega logo que eu estou com fome.
— Ok.
E ele desligou na minha cara.
Se isso fizesse ele chegar mais rápido, ótimo.
Alguns minutos depois eu ouvi sua voz me chamando e eu saí correndo do quarto até ele.
Poderia ter caído por estar descalça e de meia, porém nem liguei e fiquei muito feliz quando o vi e pulei em seu colo e o abracei com braços e pernas.
— Oi. — ele riu e me segurou pela bunda. — Isso tudo é saudade? Eu te vi de manhã.
Não parecia.
Eu beijei seu pescoço e resmunguei sobre não gostar quando ele está longe.
Ele me botou no chão e segurou meu rosto para me beijar.
— Estou aqui agora, querida.
Agora sim eu tô feliz.
Enquanto ele tomava banho eu fui ver o que iríamos comer.
Pensando se cozinhava algo ou pediria algo.
Como eu estava com preguiça, eu liguei para um dos diversos folhetos de alimento que tinha na bancada da cozinha e pedi.
Eu estou com fome de verdade.
Queria morango.
— Puta que pariu. — xinguei. — Esqueci do morango.
— O que foi? — ele perguntou quando me abraçou por trás e eu senti o cheirinho gostoso dele pós banho. — O que você esqueceu?
— De comprar morango. — me virei para ele. — Estou triste agora.
— Amanhã você compra, querida. — ele beijou minha cabeça e me soltou, se afastando e indo até a geladeira. — O que você pediu?
Nem o respondi.
Fiquei olhando suas costas bonita, e a tatuagem enorme de árvore com o esqueleto que é a maior de todas que ele tem.
Ele tem muitas tatuagens e ele fica tão bem com elas, porém ele mais novinho sem nenhuma ficava tão gato também...
Graças a Deus gosto dele de qualquer jeito.
Sempre foi gostoso e nunca vai deixar de ser.
— Você pode ir comprar para mim? — pedi. — Queria muito.
— Mesmo, baby? — ele se virou para mim com a garrafa na mão. — Não pode deixar para amanhã?
Eu só dei de ombro. Consigo superar, tá tudo bem.
— Pede ao Sean. — ele falou. — Ele vai para você.
— Eu não vou pedir a ele para sair e me comprar morango, Johnny, temos uma amizade sincera, se eu fizer isso ele vai me odiar.
E com certeza não vai me chamar quando ele e os outros se reunirem para ver os filmes do Johnny.
— Que legal. — ele riu irônico. — E eu posso sair para fazer isso?
— Você é meu marido.
Não faz mais que a obrigação dele.
Eu sou uma boa esposa. E, talvez, se fosse ao contrário, ele pedindo , eu iria.
— Querida, se eu for sair, ele também vai ter que ir, sabe disso, não é?
— Droga.
Amanhã eu como esse morango.
Tá ficando tarde, não vou fazê-los saírem.
Um pouco triste eu fui me sentar na sala e procurar algo para ver enquanto a comida não chega.
Eu supero.
Quando a comida chegou, sentamo-nos pra comer e começamos a conversar.
— Quando você alugou esse apartamento?
— Hum... Ontem?
— Antes de me chamar para cá?
— Não. — ele olhou pra mim. — Depois.
— Legal.
Que bom que fez.
— Você não gosta quando estou longe, eu também não... E ainda tenho que ficar alguns meses por aqui, então...
Isso e o fato dele não me querer no mesmo lugar que Victor.
Tenho quase certeza que é por isso que estou aqui e ainda bem que ele me chamou, eu não iria sair de casa nunca mais.
Só quando Brian me obrigasse porque eu sei que ele faria.
Voltei a comer em silêncio, não porque isso me incomodava, mas sim por ele ter que se preocupar com mais uma coisa. E agora por minha causa.
— O que foi agora, Chloe? — ele segurou minha mão, me impedindo de comer. — Fala.
— Não é nada. — dei de ombro e tive que olhar pra ele para passar confiança. — Só gosto de estar com você. Fiquei feliz por ter me chamado.
— Tá. — ele segurou minha mão e a beijou. — Quando vamos falar sobre seu ex?
É uma boa pergunta.
Não tínhamos falado sobre o que tinha acontecido. Ele estava muito preocupado comigo para falar sobre o assunto e por mim, nunca faríamos.
— Pode ser nunca?
— Você sabe que não, amor.
— Agora eu não quero.
— Está bem...
Ele tocou minha perna e acariciou minha coxa, deixando a mão ali até quando acabamos de comer.
Jogamos todas as embalagens fora quando terminamos e quando íamos ficar fazendo absolutamente nada, o telefone dele tocou e ele se afastou para atender.
Tá muito danadinho esse velho, muito.
Só por que eu ia mostrar minha tatuagem para ele...
Perdeu.
Ele nem foi tão longe assim, da cozinha eu conseguia ouvir sua voz, eu que estou fazendo drama.
E queria muito morango.
Na verdade, eu queria chocolate, mas, como não posso...
— Que tristeza.
Fui resmungar e me lamentar perto de Johnny, sentei-me em seu colo e fiquei ouvindo-o falar.
Com Stephen.
— Estou bem agora. — ouvi ele dizer e me segurar. — E sim, faria tudo novamente.
Ouvi a voz abafada do homem dizer que meu ex-namorado estava com a cara arrebentada e querendo muito denunciar Johnny, e que estava sendo difícil convencê-lo do contrário.
E eu que não vou sair daqui para perder a informação toda.
Por isso sigo me fazendo de sonsa, porém prestando atenção em tudo.
Stephen quis continuar o assunto, porém Johnny o interrompeu.
— Depois falamos sobre isso, tá? Eu estou cansado, vou dormir.
E desligou na cara dele.
Adorei.
Ele jogou o celular no sofá e me envolveu com os dois braços.
— Te amo. — ele sussurrou contra meu rosto e me apertou mais. — Te amo demais.
Droga, eu também amo ele demais.
Mesmo.
Fiz Johnny me carregar no colo até a cama só para ficar de chameguinho com ele.
E assim que ele se deitou também eu o abracei com braços e pernas e não o soltei mais.
A televisão estava ligada em um volume baixo, porém não estávamos assistindo, e eu só estava olhando para ele.
— Como foi seu dia? — perguntei quando ele fechou os olhos, e eu soube que ele dormiria. — Me conta.
Eu só queria ficar mais um pouquinho com ele acordado, só para matar minha saudade mesmo.
Ele resmungou e me abraçou, enfiando o rosto no meu pescoço e o beijando.
— Normal. — ele falou com a voz abafada. — Não fiz nada de diferente. — ele me apertou mais junto a seu corpo e arrepiei quando tocou minha cintura e desceu a mão para segurar minha bunda. — E você, baby?
— Nada. apenas fiquei esperando por você.
— Hum...
Nem se eu quisesse seduzir ele conseguiria, soube que ele dormiu com menos de um minuto quando senti sua respiração baixa e ele não falou mais absolutamente nada.
Deixei ele dormir, fazer o que... Oportunidade não irá faltar.
— Ei! — ouvi. — Acorda!
— Estou dormindo.
— Mamãe! — ouvi o berro no meu ouvido e quis morrer. — Vai Chloe, acorda!
Abri meus olhos e me deparei com Lily-Rose e Jack na minha frente.
— O que? — perguntei ainda meio dormindo meio acordada. — O que está acontecendo?
— Como você não me falou que tinha um ex tóxico? — minha melhor amiga subiu em cima de mim. — Quando você iria me falar?
O que rolou?
— Depois de amanhã. — menti. — O que vocês estão fazendo aqui?
— Vim saber sobre isso! — ela me empurrou no ombro. — E diz Jack que viria bater no cara também.
Olhei para o Jack, porém ele estava olhando o quarto em volta, talvez procurando por algo.
— Onde está meu pai? — mais perguntas. — Chloe, oi, acorda!
— Amiga, eu acabei de acordar. — bufei. — Como eu vou saber onde ele está?
Ela levantou da cama e foi fazer sei lá o que.
Peguei meu celular para ver as horas e mal tinha amanhecido.
Eu vou matar eles.
Expulsei Jack do quarto e fui me trocar, depois de feito, fui atrás dele e os encontrei na sala.
— Já comeram? — perguntei, não que eu fosse fazer, mas sim para pedir ao Sean, eles falaram que não então eu mandei mensagem para ele. — E aí, como estão?
— Bem. — Jack falou e deu de ombro pegando o controle da televisão. — Estou com fome.
— Estou bem, Chloe. — minha amiga falou. — Vim cobrar explicações sobre o assunto do seu ex! Eu já sou uma boa amiga por não te obrigar, não mais, a ir morar comigo, e você ainda me esconde as coisas?
Muito dramática, não aguento.
— Eu ia te falar! Só que eu esqueci.
— Sei. — ela ficou emburrada. — Te odeio.
— Quem foi que te falou sobre isso?
— Lenz. — foi Jack que respondeu, aparentemente prestando atenção na nossa conversa. — Ele é um fofoqueiro.
— Fofoqueiro não! — LIly respondeu. — Somos confidentes!
Muito fofoqueiro esse Lenz, sim! E eu nem sei quem é.
— Afinal, quem é esse?
— Meu segurança. — ela finalmente falou. — E meu melhor amigo. Sean falou ao Lenz, Lenz me falou e eu falei ao Jack.
Ou seja, Sean o maior fofoqueiro de todos.
E ele nunca me contou fofoca nenhuma, que absurdo!
— Entendi... — suspirei. — Bom saber que Sean é fofoqueiro.
— Ele é. — minha amiga falou. — E ainda bem que é, né? Se não, como eu iria saber? Quando vamos falar sobre isso?
— Depois... como está Timothée?
Ela começou a falar muito animadamente sobre o namorado até o momento que Sean trouxe nosso café e comemos felizes.
Assim que terminamos de comer, ainda ficamos na mesa conversando, porém, meu celular vibrou e eu peguei para dar uma olhada.
Era Johnny;
oi, querida, eu saí muito cedo e esqueci de te avisar... vc está bem?
lembrou que tem mulher? estou tomando café com seus filhos e fofocando... vc sabia que o sean é o maior fofoqueiro de todos?
lily e jack?
tem mais filhos que eu não sei?
temos o sorvetinho.
vc é fofo. eu estou bem e estou com saudades dele e com saudades de vc também.
também, baby.
Eu amo tanto ele.
— Chloe! — Jack me chamou. — Da para parar de ficar sorrindo igual boba para o celular? Estou ficando com medo.
— Cala a boca.
— Oh! — ele ergueu um dedo. — Não é assim que a madrasta deve tratar o enteado!
— Eu não aguento você, Jack, é sério. — eu ri. — Você é tão fofinho, te adoro.
Ele levantou fazendo careta e me deixou sozinha com sua irmã.
Droga.
Ela vai querer conversar.
— Pode começar. — ela mandou. — Agora.
— Bom, meu último relacionamento foi complicado, mas acabou, porém, aparentemente meu ex não superou.
— Hum... — ela balançou a cabeça. — O que aconteceu exatamente no aniversário do tio Brian?
Eu ri por causa do tio Brian, mas voltei a ficar séria porque ela ficou também.
— Eu encontrei Victor lá, meu ex, e ele entrou comigo. Não porque eu quis, mas porque Brian me odeia e não me deixou entrar. — contei. — E então meu ex começou a falar muitas coisas, pediu para a gente voltar e blá blá blá. Acho que ele surtou quando disse que estava com Johnny.
— Ele te machucou? — ela quis saber preocupada. — Você está bem?
—É. — eu ri nervosa. — Estou levando, é bem complicado isso. E não, ele não me machucou. Ele só não me segurou com tanta gentileza, e, acredito que não daria tempo de ele fazer alguma coisa porque Johnny chegou e foi uma confusão tremenda.
— E como meu pai está?
— Bem. — dei de ombro. — Eu espero que bem, na verdade. Ele já tem tanta coisa na cabeça, não quero que isso seja um problema também.
— Lenz contou que seu ex ainda está no hospital. — falou. — E que quer processar meu pai por agressão.
Que inferno.
— Eu não sei o que fazer. — respirei fundo. — Não queria nada disso acontecendo.
— Eu sei... — ela segurou minhas mãos. — Mas amiga, o cara tá todo arrebentado e meu pai não tem um arranhão se quer além das mãos machucadas, isso não é bom.
— Eu sei...
— Mas vai dar tudo certo. — ela sorriu tentando me encorajar. — Meu pai tem bons advogados, nada pode dar errado.
— Eu espero que não.
Fomos almoçar no shopping e fazer compras.
Nós três e Sean de longe.
Não compramos tanta coisa assim, porém comprei o mais importante; morango.
E vodka.
Vai ficar uma delícia.
Lily-Rose queria muito sair para algum lugar mais tarde, porém eu a convenci de que ficar em casa era melhor, e como Jack também não queria e ficou do meu lado, decidimos por ficar em casa e beber em casa.
Não tem coisa melhor que isso.
Compramos mais coisas boas para comer, bebidas boas e uma bebida ruim para o Johnny; vinho.
Sou uma esposa maravilhosa, por isso ele me dá valor.
Assim que passamos pela porta Jack pegou a sacola em que ele tinha colocado seus doces e sumiu.
Eu não sei por quantos dias eles vão ficar, porém espero que seja bastante para eu não morrer de tédio sozinha enquanto Johnny está trabalhando.
Nunca fui triste.
Como ainda estava um solzinho bonito, Lilly quis beber na piscina então depois de colocarmos nosso biquíni e feito algumas bebidas fomos para a área de lazer.
Jack ficou conosco por algum momento, porém nem lembro quando foi que ele se retirou.
Sei que meu copo com vodka, morango e açúcar estava uma delícia.
E provavelmente eu já tinha bebido uns três.
E eu estava me sentindo maravilhosa.
Ficamos na piscina por algum momento, porém agora estávamos sentadas enquanto dávamos risada de qualquer coisa.
— Vou pegar um cigarro. — ela falou do nada e se levantou acenando. — Me espera que eu já volto.
— Não vou a lugar nenhum. — falei por que sei que toda vez que ela falava que já voltava, ela nunca voltava. — Toma cuidado para não cair na escada.
Ela saiu resmungando e eu peguei meu celular, daqui a pouco estaria anoitecendo e nada de Johnny ainda.
Não tínhamos mais nos falado desde manhã e eu espero que ele esteja bem e com saudades minhas.
Minha amiga voltou um momento depois com um maço de cigarro na mão e se sentou perto de mim.
Eu sabia que ela fumava, mas era muito raramente.
Não que seus pais não gostassem, Vanessa e Johnny até que são muito liberais, mas é algo dela mesmo de fazer só quando está com vontade.
Eu era muito tranquila. achava o máximo e muito atraente quem fumava, Johnny é um gostoso quando tá fumando, porém eu não vejo graça em fazer.
Por isso apenas fiquei vendo-a fumar e sentido o cheirinho, surpresa, muito bom que vinha.
— Isso é melão? — perguntei curiosa por que realmente tinha um cheiro bom, peguei o maço perto da perna dela e olhei e realmente era. — Legal.
O cigarro do Johnny tinha um cheiro doce também, porém acho que não seja de fruta igual a esse.
— Experimenta. — ela falou e tirou um cigarro de dentro do maço, e depois de apertar em cima e ascender, ela me entregou. — É bem bom.
Sem muita escolha e muito curiosa, eu peguei e experimentei para ver como era. E, até que não era ruim. Provavelmente minha boca ainda ficaria com o gosto forte de nicotina e demoraria a sair, mas, o gostinho de melão e a refrescância que ficou na minha garganta valeria um pouco a pena.
E ficamos fumando e bebendo por muito tempo.
Eu sabia que Johnny tinha chegado por que ouvi sua voz falando com Jack.
Só que eu estava muito louca para descer e ir até ele.
Eu ainda estava na piscina.
Não estava fumando mais e nem bebendo, porém isso não me fazia menos bêbada.
Acho que Lily acabou de descer, mas não tenho certeza.
E eu estava sentadinha bonitinha olhando para o céu estrelado.
Eu tinha que arrumar a bagunça que tínhamos feito aqui em cima, porém o céu é tão bonito... É, não vai dar para arrumar isso agora não.
Johnny demorou um pouquinho para subir.
Não que eu estivesse contando, mas, como eu estava ansiosa para vê-lo, achei que ele demorou sim.
E, quando ele finalmente apareceu eu fiquei com taquicardia.
Eu amo ele.
Demais, de verdade.
E eu tenho tanta sorte de ter esse gostoso só para mim e infelizmente para as atrizes que ele ainda vai beijar.
Que tristeza.
— Oi. — ele sorriu pra mim quando se sentou em minha frente. — Cheguei.
Graças a deus ele fez.
Ele se inclinou para mim e segurou meu rosto, para me beijar de leve por um momento.
— Você fumou? — ele perguntou assim que se afastou. — Você tá cheirando a cigarro e dá pra sentir o gosto.
— Uhum. — dei de ombro e estiquei uma das pernas para o seu colo. — Eu também bebi.
E parando para pensar agora eu nem deveria ter feito.
— Claro que sim. — ele tocou minha perna em seu colo e senti seus olhos por meu corpo, eu usava só o biquíni então ele tinha muita coisa pra ver. — Você está bem?
— Estou. — sorri e observei ele, estava todo simples usando uma camiseta e uma bermuda, provavelmente trocou de roupa assim que chegou, e minha nossa, ele é gato demais. — E você?
— Também, querida.
Eu voltei a olhar o céu enquanto ele continuava acariciando minha perna e, olhou as estrelas também.
Cansada de fazer isso, eu me levantei e fui recolher as coisas.
— Viu a Lily? — perguntei enquanto pegava as coisas do chão e colocava na lixeira que tinha perto da escada. — Você sabia que ela vinha?
— Não sabia querida, fiquei feliz por vê-la e a Jack também, acredito que eles vão dormir agora.
E eu também.
Já estou com sono.
— Não jantamos. — falei e parei, cansada de recolher as coisas já. — E eu to com fome.
— Vem cá. — ele chamou com a mão e sorrindo feliz da vida eu fui até ele, de pé em seu frente eu me coloquei entre suas pernas e segurei em seus ombros, e ele me abraçou pela bunda, e com o queixo apoiado na minha barriga, olhou para mim. — O que você quer comer?
— Qualquer coisa boa. — falei e toquei seu rosto, sua barba arranhando a ponta dos dedos. — Você viu que eu fiz uma tatuagem?
— Não. — ele arregalou os olhos um pouquinho. — Quando e onde?
— Quando o Brian foi fazer a dele. — contei e sorri, porque apesar de tudo estava com saudades dele e tenho que lembrar de ligar para saber como está o sorvetinho. — E, eu fiz aqui.
Me afastei dele um pouquinho só para conseguir levantar a lateral da parte de baixo do biquíni e ele ver.
O nome dele.
Bem na virilha.
Igual ele tem gatinho na dele.
E eu juro que não aguento toda vez que vejo e penso sobre.
— Sou sua. — falei e ele finalmente desceu os olhos para ver. — E eu te amo.
— Porra... — ele riu de nervoso e tocou com os dedos, acariciando o local. — Isso é mesmo sério?
— Claro que é.
Eu ri e toquei seus ombros, enquanto ele ainda muito fascinado olhava e tocava.
Ele não estava acreditando.
Na hora que estava no estúdio eu quis fazer muito e não tinha ninguém para me impedir, Brian até me incentivou e no final eu gostei.
E seu nome estava em mim agora, seis pequenas letras de forma, na horizontal.
— Eu gostei. — ele falou depois de um bom tempo, apenas olhando. — Eu também sou seu e te amo, você sabe disso.
— Eu sei gatinho. — beijei sua cabeça toda feliz e me soltei dele. — Preciso fazer xixi!
Larguei ele sozinho e sai correndo, eu precisava mesmo ir ao banheiro se não iria fazer na roupa.
E eu o deixei para trás falando sobre não correr para não me machucar.
Não tenho culpa se estou apertada, tenho que correr.
Desci as escadas o mais calma que consegui e depois disso passei correndo por Jack que estava no corredor e entrei no primeiro banheiro do corredor.
Depois de feito e lavado as mãos, eu saí e por algum milagre, queria que o jantar estivesse pronto.
Mas é claro que não estava.
E Jack veio todo choramingando para perto de mim, assim que seu pai apareceu no fim da escada, para saber o que seria.
— Vamos escolher juntos. — falei ao garoto e o chamei para sentarmos lado a lado na cozinha para escolhermos. — Estou com fome também.
E onde é que foi parar a Lily? É óbvio que ela gostaria de estar presente nesse momento.
— Aliás, cadê sua irmã?
O garoto nem me respondeu, estava focado escolhendo o que iríamos comer. Senti Johnny se aproximar e parar ao meu lado, porém não dei muita atenção porque Jack enfiou o folheto de comida japonesa na minha cara.
— Pode ser isso? — ele perguntou inocente, como se não tivesse acabado de praticamente esfregar o papel na minha cara implorando para ser isso.
Fiquei boba quando ouvi a risada baixa de Johnny ao meu lado e sua mão segurar minha cintura.
— Pode ser isso sim, filho. — meu marido respondeu antes de mim e isso fez com o garoto se levantasse feliz da vida e deixasse a tarefa de ligar e pedir comigo. — Eu ligo, pode deixar.
— Ok. — virei o rosto para ele e juntei nossos lábios por um momento. — Obrigada.
— Vai querer algo mais?
Ele perguntou todo carinhoso e desceu mais um pouco a mão para tocar minha bunda.
É lógico que eu já fiquei toda imbecil e só balancei a cabeça negando.
— Ótimo. — ele deu um tapa de leve. — Agora vai colocar uma roupa e lavar o cabelo.
— Mas...
Ele me deu uma olhada e eu já fiquei emburrada e me retirei com ódio.
Não vou mais comer e vou ir dormir.
Eu tinha tomado banho e estava pronta para dormir.
Lily-Rose sumiu, não sei onde ela foi parar então se ela não aparecer até amanhã irei começar a imprimir folhetos de procura-se.
Estou falando sério.
Mandei uma mensagem ao Jack, perguntado se seu pai estava na cozinha e ele falou que não. Pedi então que ele me avisasse quando a comida chegasse. Enquanto isso, fui deitar e esperar.
Meia hora depois a comida chegou e depois de Jack falar que o caminho estava liberado eu fui até lá, peguei tudo que era bom, água e voltei a me trancar no quarto.
Eu preciso parar de comer essas coisas porque senão eu vou morrer.
Eu não sou tão burra assim, não sei o que está acontecendo e não pode dar ruim nessa tatuagem.
Mas só se vive uma vez.
Eu vou precisar um remédio.
Quando eu voltar a falar com Johnny peço a ele para comprar.
Sentei na cama feliz e comecei a comer.
Quando acabei, fui levar as coisas de volta a cozinha porque sei que ele é chato e brigaria comigo, e, assim que estava voltando foi mais forte que eu e eu tive que perguntar a seu filho por ele.
Ele tinha meio que sumido, eu sabia que ele estava no apartamento, porém longe dos meus olhos.
— Eu acho que ele está lá em cima, Chloe. — o menino falou e colocou o travesseiro debaixo do braço e se levantou. — Vou dormir no quarto já que Lily não está aqui.
Eu só balancei a cabeça concordando, mas não acho que ele tenha visto.
Enfim, vou atrás de Johnny ou não?
Se bem que estou com saudades...
Mas ele é tão imprevisível. Não que eu não seja, mas...
Quando vi já estava subindo as escadas.
Não consigo ficar longe dele, é mais forte que eu.
O encontrei deitado em uma das espreguiçadeiras, estava fumando claro, e, com seu celular por perto dava para ouvir uma música baixa tocando.
Até que hoje não estava tão frio, ou seja, um milagre.
Queria só dar uma olhadinha nele mesmo, ver se estava bem, só que ele é tão bonito que não consegui deixar de me aproximar.
Ele estava no seu mundinho, provavelmente perfeito, quando eu me aproximei e me sentei ao seu lado.
Ele levou o cigarro a boca e tragou, logo soltando a fumaça pelo nariz e com isso, fazendo eu começar a passar mal.
— Comeu? — ele quis saber quando tocou minha perna.
— Sim. Jack também.
— Legal. — ele apertou algo no celular e a música parou. — O que aconteceu?
— Sobre o que?
— Você está com raiva de mim. Você sumiu e você nunca faz isso quando eu chego. E eu não fiz nada, então o que aconteceu?
Por que ele tem que me conhecer tão bem? Eu não falei absolutamente nada.
Me entrego de bobeira.
Mas ele gosta de ficar me mandando e eu aceito, sou muito cadelinha.
E provavelmente ele só estava preocupado. E ciumento.
— Não é nada. — falei. — Vim avisar que vou dormir.
E então ele me puxou para perto, e segurou.
— Fica comigo. — pediu. — Estou com saudades.
Quando ele pede assim com jeitinho não tem como negar.
Ele deu espaço para mim ao lado dele e eu me aconcheguei, feliz.
Não o soltei em nenhum momento e fiquei bem de pertinho vendo ele inalar a fumaça e soltar.
Eu vou ficar cheirando igual a ele por estar tão perto, mas não ligo.
E sério, é algo de outro mundo ele fumando.
Ele fica tão descontraído que não sei.
Eu apenas gosto muito.
Gosto tanto que em algum momento eu enfiei a mão por baixo de sua camisa e o toquei no peito.
Na maior inocência, claro.
Só quero ficar juntinha do meu amor.
— Como foi seu dia?
Ele perguntou logo depois de descartar o cigarro e se virar para mim, ficar bem juntinho e tocar meu rosto, acariciando.
— Acordei no susto com Lily e Jack. Saímos, nos divertimos e voltamos. Bebemos, fumamos e aí você chegou.
— Por que você fumou?
Acho que não era uma crítica nem nada, ele estava é curioso.
— Não sei, tinha cheirinho e gostinho de melão, fiquei curiosa.
— E você gostou?
— É. — dei de ombro. — O gosto demora a sair, não gosto tanto dessa parte.
— Não gosta? — ele se afastou um pouco para me olhar melhor. — Então, você não gosta dos meus beijos?
Eu amo os beijos dele. Mesmo.
E, eu nem lembro desse fato quando faço isso.
E, mesmo assim, ele tem um gostinho único e eu amo.
— Eu amo, gatinho. Não sinto tanto assim em você, é diferente.
— Hum... — ele sorriu voltando a ficar mais perto e me segurou pela nuca para juntar nossos lábios. — Você é incrível.
Eu sei que sou.
— Igual a você. Te amo muito, Johnny.
— Eu amo mais, querida. Sempre mais.
Acordei do nada porque senti algo vibrar.
Constantemente.
Sabia que estava na cama porque Johnny não é tão macio assim, muito menos a espreguiçadeira da piscina.
Provavelmente adormeci em algum momento e ele me trouxe para cama.
Agradeço.
— Desculpa te acordar, baby. — eu ouvi sua voz perto. — Volte a dormir.
Abri meus olhos e o olhei como a claridade do quarto, não muita, me permitia.
Ele não parecia ter acabado de acordar e por ele estar com o celular em mãos, confirma tudo.
— É Brian? — perguntei já preocupada se algo aconteceu com meu cachorro, mas ele apenas balançou a cabeça negando. — Lily?
— Não é ninguém, Chloe, volte a dormir.
Eu o observei colocar o celular no móvel do seu lado da cama e se virar para deitar-se de costas pra mim.
Algo aconteceu.
E eu até iria ignorar, juro.
Eu iria ignorar e abraçar ele para gente dormir agarradinho, eu juro que ia.
Mas, seu celular voltou a vibrar em cima do móvel.
E não foi pouco.
E então meu estômago embrulhou.
Não queria pensar que fosse uma certa pessoa...
Mas, se não é nosso melhor amigo, e sua filha supostamente desaparecida, quem seria além dela?
Eu juro que se fosse Polina, eu iria saber lidar.
Iria ficar brava, claro, mas, nada que não fosse impossível de resolver.
Mas, o que eu faço agora?
As vibrações pararam por um momento, mas logo voltou ao inferno.
Então, tremendo um pouco, com medo do que eu iria encontrar, me inclinei por cima dele e peguei o celular.
— Chloe... — ele chamou e se ergueu. — Não é ninguém.
Eu o ignorei.
E, o número desconhecido estava lá na tela de bloqueio.
Diversas ligações e diversas mensagens.
Fala comigo.
Me responde.
Por favor, me atende.
Eu te amo, Johnny, vamos conversar.
E muitas outras coisas que me deixaram mal.
— Amor... — ele tentou segurar minha mão, porém eu dei um tapa, impedindo. — Chloe, eu nem a respondi e muito menos a atendi.
— Mas também não apagou e não bloqueou.
Claro que eu iria chorar. Sou chorona e esse é um assunto delicado. Mais para ele do que para mim, e, eu me sinto mal por ele.
Eu imagino um pouco sobre como ele se sente agora.
Ele está seguindo em frente. Feliz. Comigo.
Por que ela continua fazendo isso?
Respirei fundo e com lágrimas nos olhos olhei para ele.
— Você quer responder?
— Não! — ele falou alto e finalmente ligou um dos abajures. — Claro que não, Chloe, eu apenas...
— Então eu respondo.
Eu até pensei em escrever uma mensagem, porém, uma única ligação tenho certeza de que será suficiente.
Obriguei ele a me dizer sua senha. Depois de brigar por ele falar que eu não deveria responder nada. Mas eu vou, vou demais.
Ele não vai me impedir.
Tremendo, desbloqueie o celular e apertei para chamar no número sem nome.
E, ansiosa, com o coração quase saindo pela boca e quase vomitando, esperei completar a ligação...
E aconteceu...
— Johnny ainda bem que...
Eu ouvi a voz enjoada, porém não a deixei continuar, e, muito nervosa por esse momento; falei.
— Primeiramente; para de passar vergonha.
— Eu ligo depois...
Que mulher abusada!
— Não. Você vai me ouvir. Você não ligou? Então, vamos conversar.
— Eu não...
— Como você consegue viver sabendo que fez tão mal a um cara tão legal? Porque Johnny é muito legal, a gente tem que concordar e jamais, mesmo, jamais ele faria tão mal a alguém como você fez a ele. E eu te pergunto; por quê? Por que você fez isso?
É claro que ela ficou em silêncio.
Nem ela deve saber o porquê.
E tremendo bastante e sentindo os olhos de Johnny em mim, eu continuei.
— Você é podre. Malvada. Não merece amor na sua vida. Você o quebrou. O machucou. Abusou dele. E para que? Tipo, o que você ganharia com isso? Você não se sente mal depois de tudo? Olha o que você está fazendo agora, já não bastou tudo que você fez? Supera por favor, e dá até um pouco de pena por você sabe, ficar insistindo em algo que acabou por sua própria causa. Johnny finalmente está bem, feliz, comigo. Ele não pensa em você, ele não quer você, para de insistir, para de perseguir. Acabou. Vá viver sua vida. Não tem ninguém te perseguindo, tudo que está acontecendo agora é por sua causa então você tem que aprender lidar com isso. Johnny não ama mais você, para de ficar falando que o ama, ele não sente o mesmo, e, mesmo não devendo sinto um pouco de dó porque amor não correspondido é complicado. E, mesmo não devendo eu sinto algo por você; pena. Não te desejo nada de ruim, mas, para de encher a porra do saco, por favor.
E desliguei na cara dela.
E fiquei feliz por saber que ela tinha ouvido tudo.
Alguém precisava falar.
Respirando fundo eu fiz o possível para me acalmar e antes de fazer alguma besteira eu deixei o celular dele na cama e peguei meu travesseiro e puxei o edredom.
— Aonde você vai?
Não conseguia olhar para ele.
Estava triste. Muito triste.
— Para sala chorar até dormir.
— Querida...
Eu ouvi sua voz baixa, porém com dor no coração o ignorei e sai do quarto, grata por ele não ter vindo atrás de mim.
Precisava ficar sozinha.
Chorar.
E pensar.
Enrolada no edredom, eu coloquei o travesseiro no sofá e me joguei logo em seguida, ficando completamente coberta e imóvel.
No escuro.
Merda, no escuro.
Antes que eu pudesse me desesperar, a luz foi acesa e Johnny veio até mim.
Ele se sentou em minha frente e apenas segurou minha mão.
Ele está triste, claro que está.
Se eu pudesse faria qualquer coisa para que ele nunca tivesse vivido esse relacionamento.
Não teve nada de bom e só lhe causou mal.
Então sim, eu faria qualquer coisa.
Ele entrelaçou nossos dedos e chorosa eu fiquei vendo-o todo cabisbaixo pertinho de mim. Não queria que ele estivesse assim.
Que merda.
Por que nada na vida é fácil?
Ele encostou a cabeça bem pertinho de nossas mãos e ficou murmurando o quanto me amava.
E eu não duvidava, juro que não.
Só que...
É difícil.
— Sinto muito por tudo. — ele falou com a voz abafada. — Não queria que você se sentisse assim...
Eu ri de nervoso porque tadinho, eu me sinto assim desde o momento em que percebi que ele realmente tinha passado por isso.
E doeu. Doeu bastante. E ainda dói e provavelmente sempre irá.
Isso não são coisas que são esquecidas.
Sempre iremos lembrar.
— Eu te amo apesar de tudo, Johnny, está tudo bem. — toquei seu cabelo, querendo tocar seu rosto mas não conseguindo por estar escondido. — Eu apenas a odeio por tudo.
— Eu sei. Eu também.
Até quando ela irá continuar insistindo?
Deixei que Johnny deitasse comigo e ficamos juntinhos fazendo carinho um no outro até que ele dormisse.
E eu fiquei olhando seu sono, ele totalmente agarrado a mim talvez com medo que eu fugisse.
Eu não faria isso.
E se fizesse seria apenas para ir bater em quem merecia e muito.
Mas eu fiquei com ele.
E vou ficar para sempre.
— Ei! — ouvi a voz da minha amiga. — Vamos comer, queridinha, vai dormir até que horas?
Por Deus...
Não senti o corpo de Johnny comigo então fiquei triste e surpresa por assim que abri os olhos, vi que estava no quarto.
— Cadê seu pai? — perguntei ainda sonolenta, tentando lembrar em que momento viemos para a cama.
— Saiu. — ele falou e se jogou, se deitando ao meu lado. — Eu sumi e você não foi nem atrás, não é? Assim que conhecemos as amizades.
Coitadinha...
— Eu iria atrás de você assim que acordasse, juro.
— Bom, já que estou aqui... — ela se levantou. — Vamos comer!
A mesa já estava colocada com o café da manhã. E tinha bastante coisa.
Jack já estava acordado e comendo.
— Bom dia, mamãe. — ele desejou de boca cheia. — Papai comprou muitas coisas boas, mas ele esqueceu do seu bolinho e foi buscar.
Achei muito fofo ele falando papai e bolinho.
Então eu me derreti toda e tive que ir abraçá-lo e enchê-lo de beijos.
— Sai! Sai! — ele reclamou. — Me deixa comer!
Me sentei com Lily nos lugares vagos e sentindo uma fome absurda eu peguei um pouco de tudo.
E comemos enquanto conversávamos.
E foi legal. Gosto de passar um tempo com eles. E fico muito feliz por eles estarem aqui agora, nesse momento.
Acho que todos precisamos.
Johnny demorou um pouquinho a chegar, porém quando fez, não foi de mãos vazias.
Ele tinha trazido bolinhos, é claro, e também, um lindo buquê de rosas vermelhas.
E eu já fiquei toda boba.
E fiquei mais boba com o sorriso que ele deu para mim, e, mais boba ainda com o sorriso que ele deu para Lily-Rose e Jack.
— São para mim, pai? — minha amiga perguntou toda feliz logo que ele se aproximou de nós. — Obrigada!
— Claro, princesinha. — ele deu um beijo em sua cabeça e lhe entregou as flores. — E os bolinhos para Chloe.
Ele deixou a embalagem na minha frente e um beijo na minha cabeça também, logo se afastando.
Feliz, abri o pacote e antes que eu pudesse escolher um, Jack intrometido pegou primeiro.
— Muito bom, Chloe... — ele falou de boca cheia. — De verdade.
— Te odeio, Jack.
Nem ligando para nada ele pegou mais um e saiu.
— Isso que era meus bolinhos... — resmunguei e suspirei, olhando todos muito apetitosos. — Você não vai querer, não é Lily? — tive que oferecer a minha amiga por que eu sou uma boa amiga, mas, torcendo muito para ela dizer não.
— Quero!
— Te odeio também.
Encontrei Johnny no banheiro tomando banho.
Queria saber se ele estava bem.
Então, quando Lily-Rose falou que iria procurar um vaso para colocar suas flores eu saí correndo.
E Johnny estava no quarto ainda bem.
Ele me viu assim que passei pela porta do banheiro, porém não falou nada.
E eu também não.
Deixei que ele ficasse tranquilo em seu banho.
Abaixei a tampa do vaso e me sentei, virando na direção do box e esperando.
Não conseguia ver muita coisa por causa do vapor, mas sei que ele é gato.
Muito gato.
Ele é gostoso. Muito.
E fiquei encarando mesmo, ninguém falou que eu não podia e que eu saiba não é proibido.
E, tenho certeza de que quando eu estava quase babando, ele desligou o chuveiro e eu me endireitei.
Ele pegou a toalha que estava no lado de fora no gancho e secou o corpo, logo em seguida enrolando na cintura.
— Tudo bem? — ele foi o primeiro a falar assim que se aproximou, parando em frente ao espelho da bancada.
— Sim. Tudo bem com você?
— Sim, baby. — ele abriu uma das gavetas e tirou uma toalha de dentro para secar os cabelos. — Tudo certo.
Que bom...
Fiquei vendo-o ficar cheiroso para mim, espero que sim, e assim que ele se virou para sair eu fui atrás.
E me deitei na cama.
— O que vamos fazer hoje? — ele perguntou enquanto procurava por uma roupa.
— O que você quiser, amor.
Ele então olhou para mim e sorriu, e, eu sorri também porque aparentemente ele tem planos.
— Vamos sair então.
Ele falou só que eu quase não ouvi porque ele tirou a toalha para se vestir, e, se ele tá ficando pelado na minha frente é por que vamos sair pra fazer safadeza.
Tenho certeza.
— Tá bom... — falei quando a hipnose acabou por um momento. — Com as crianças?
— Não. — ele sorriu. — Apenas nós dois.
A gente vai para um motel.
Tenho certeza.
Mas, como que se entra no motel com uma equipe de segurança?
Vou descobrir hoje.
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