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- Pode vir me ajudar a pegar as coisas no carro?

Ele tinha acabado de chegar.

E ele demorou tanto que quando eu pensei em ligar para saber se estava tudo bem, ele chegou.

Eu estava mais calma e feliz, porque eu sabia que ele me amava.

Então, não vou deixar mais nada me abalar.

- Não posso. - falei e olhei pra ele. - Está frio e eu estou com preguiça.

- Vamos lá, querida! - pediu. - Eu comprei muitas coisas pra você...

- Então, você pode trazer todas as coisas pra cá.

A cama estava tão quentinha, eu não queria sair.

Porém, estava curiosa pra saber o que ele trouxe.

Sem que eu esperasse ele me puxou pela perna e eu gritei, ele me tirou da cama e me pegando no colo, me carregou até seu carro lá fora.

E nossa, estava frio.

Ele me colocou no chão e abriu o porta-malas e caramba, muitas sacolas.

- Eu trouxe muita coisa. - ele falou. - Como eu só sabia um chocolate que você gostava, eu trouxe vários pra você decidir qual quer e também muitas outras coisas que eu achei que você fosse gostar.

- Estou vendo.

Peguei algumas sacolas, ele outras e levamos até a cozinha. Eu despejei tudo na bancada e minha nossa, nunca vi tanto doce na minha vida.

- Eu só não trouxe sorvete por que ainda tem. - ele tocou minha cintura e beijou meu rosto. - É tudo que você precisa?

- Tudo e muito mais. - o beijei. - Obrigada.


Depois de ficar analisando o que eu iria pegar, carreguei tudo nos braços até o seu quarto e joguei tudo na cama.

Felicidade é isso aqui.

Ele tinha trago tanta coisa que foi difícil escolher o que eu iria comer agora. Por que lógico, eu amo comer e vou comer tudo mais...

- Eu trouxe isso também. - ouvi ele falando e o olhei, ele estava com uma embalagem na mão, ele se aproximou e me entregou. - É mousse de chocolate.

Essa noite está melhorando cada vez mais.

- Muito obrigada, meu bem. - sorri. - Você sabe que eu amo demais.

Ele tinha trocado de roupa e puxou o edredom pra se deitar na cama, ele pegou o controle da televisão e ligou.

Olhando e pensando no que eu iria comer primeiro, decidi comer o mousse. Abri a embalagem e peguei a colher pra saborear essa belezinha.

- Cuidado pra não sujar minha cama e se sujar.

- Tá.

Tá tranquilo.

Assim que eu mergulhei a colher no mousse e ergui pra comer, não sei o que rolou que a colher caiu bem em cima do lençol da cama.

- Que merda! - xinguei e olhei pra ele. - Juro que não foi por querer!

- Porra, Chloe, eu acabei de falar.

- Sinto muito! - eu me levantei pra não derrubar mais nada e aproveitei que estava de pé pra pegar um pouco da sobremesa e comer. - Hm, isso aqui tá bom demais, quer um pouquinho?

- Não. - ele bufou e se levantou. - Pode trocar a roupa de cama.

- Mas eu estou comendo e...

- Chloe...

Não foi nem preciso ele falar uma segunda vez por que do jeito que ele me olhou foi tenso. Quase chorando por ter que abandonar meu doce, antes de entregar a ele eu comi mais um pouquinho.

- Sem estresse meu bem, sem estresse! - falei e tirei todas as coisas de cima e puxei o lençol. - Tá tudo bem, não foi na sua cama inteira, foi só um pouquinho, não tem por que se estressar.

- Não estou estressado.

- Sei... - eu me virei pra ele com o lençol embolado na mão. - Agora, onde eu deixo isso e onde eu acho outro?

Eu não sei exatamente onde que ele guarda essas coisas, a fronha eu tinha achado em umas das gavetas porém não lembro de ter visto lençol.. Ele revirou os olhos e disse que ele mesmo faria. Então tá né, bom pra mim por que eu posso comer em paz.

- Trás água pra mim quando você vier! - pedi antes que ele saísse. - Tô com sede!

E mais uma vez, o jeito que ele me olhou não foi nada bonito.

Sorte a minha que ele me ama.

Mas provavelmente eu mesma terei que pegar água.



Ele voltou, porém, foi sem água.

Eu já sabia.

Ele arrumou a cama de volta e não quis minha ajuda, eu ofereci, mas, aparentemente ele está irritado demais. Não sei se por que sujei a cama dele ou se algo aconteceu.

Deixei o potinho de lado e peguei um chocolate que eu nunca tinha comido na minha vida pra experimentar e, bom, é aceitável.

Ele voltou pra cama e se deitou de costas pra mim.

Droga, queria estar vendo a beleza dele.

Eu larguei o chocolate e me aproximei o abraçando.

- Meu bem, você está bravo?

- Não. - ele respondeu. - Eu deveria estar?

- Não. - beijei seu rosto. - Mas você parece bravo.

- Impressão sua. - ele suspirou. - Eu quero dormir, querida, por favor.

- Tá legal.

Aconteceu algo.

E sinto que ele me odeia, porém não estou surpresa.

Eu me afastei dele e realmente, um momento depois ele dormiu.

Vai ver ele está só cansado.

Coloquei um filme pra assistir e vi enquanto comia minhas deliciosas guloseimas.

Estou muito feliz.


Quando o filme acabou, eu peguei meu celular e vi as horas.

Era quase meia noite, eu me levantei e peguei todas as embalagens dos doces que eu tinha comido pra jogar fora e fui beber água.

Eu voltei para o quarto e fechei a porta atrás de mim. Johnny ainda estava dormindo e em silêncio fui pra cama para não incomodá-lo.

Eu apaguei as luzes e quando deitei e me cobri, suspirei.

O que será que está acontecendo?

Eu não fiz nada, eu acho.

Tentando não pensar nisso eu me aproximei dele e o abracei apertado e beijei sua cabeça, ele era tão perfeito e tão cheiroso...

Eu amo ele demais.

Nem fui embora e já estou com saudades dele.

Droga, eu tenho que parar de ser tão dependente das pessoas.



Acordei por que meu celular estava tocando.

Abri os olhos e Johnny não estava na cama.

Eu peguei meu celular e atendi.

- Oi.

- Oi, onde você está?

Era Lily-Rose.

- Dormindo?

- Ah, entendo, mas já está tarde e eu quero ir ver as coisas logo, sabe?

Eu afastei o celular para ver as horas e não era nem dez da manhã ainda.

- Ainda é cedo, Lily-Rose.

- Eu sei! Podemos ir logo?

Eu suspirei por que ela não iria desistir tão rápido.

- Tá, eu vou me arrumar.

- Ok! Você passa aqui?

- Claro.

- Então até daqui a pouco, beijinhos!

Ela nem me deu tempo de se despedir.

Essa menina ainda vai me deixar louca.

Me sentei na cama e olhei em volta, Johnny não estava mesmo aqui. E ele poderia estar em qualquer lugar. Eu me levantei e fui ao banheiro, fiz xixi, lavei o rosto e escovei meus dentes. Voltei para o quarto e fui escolher uma roupa pra ir logo me encontrar com Lily-Rose.

Não posso esquecer de tomar café.

E muito menos de achar o Johnny e avisar a ele.


Depois de pronta, dez e pouquinho da manhã eu peguei meu celular e saí do quarto pra encontrar Johnny. E não achei.

Tá, eu não procurei em todo lugar, mas, ele não estava na sala e muito menos na cozinha. Eu deixei meu celular na bancada e enquanto eu ligava pra ele, fui pegar um pouco de leite na geladeira.

- Oi.

Ele não tem meu número salvo não? Cadê um oi minha querida namorada incrível?

- Oi, onde você está?

- Eu saí, por que?

Uh, ok.

- Por nada. Só estranhei que quando eu acordei estava sozinha.

- Eu te avisei querida, mas, você não ouve nada que eu digo quando você está dormindo.

- Claro que não, eu estou dormindo.

- Não, estava acordada, por que você olhou pra mim e disse ok te amo seu gostoso.

Que merda, porém um fato.

- Entendi. Vou me encontrar com Lily.

- Tudo bem.

- Tudo bem.

Queria que ele me levasse até lá.

Ouvi vozes de fundo mas não soube decifrar de quem.

- Você está sozinho? - perguntei, curiosa.

- Não.

Ok. E provavelmente ele também não iria me dizer com quem estava e onde estava.

- Legal. - até perdi a fome. - Posso pegar um carro?

- Sim, claro, só toma cuidado.

- Eu sempre todo cuidado.

- Então não tem com que eu me preocupar.

Claro que ele não tem.

Só comigo mesmo, e com o fato de eu estar sozinha no momento.

- É. Eu te amo, até mais tarde.

- Também.

E ele desligou.

É isso, ninguém falou que iria ser fácil.

Será que ele tá me traindo?

Espero que não.

Está tudo bem, eu estou surtando de graça tenho certeza.

Vou logo encontrar minha amiga e resolver tudo que devemos resolver.



Me encontrei com Lily-Rose.

Passei o dia inteiro com ela.

Ela me levou até nosso apartamento e fiquei encantada.

Ela estava muito feliz e ansiosa e eu comecei a ficar também.

Era em um bairro bom que tinha diversos prédios e era perto da casa da sua mãe.

Claro que ela não iria querer ir pra tão longe, eu que estou muito, muito longe dos meus pais.

Já quero chorar de saudade.

Mas eu gostei muito do prédio, e vou adorar morar aqui com ela.

Tinha alguns móveis, mas eu concordei com Lily-Rose em trocar alguns e por isso fomos em algumas lojas de móveis planejados e fizemos alguns orçamentos.

Concordamos em algumas coisas mas deixaríamos pra decidir em alguns dias, ela iria falar com seus pais e eu tinha que falar com os meus.

Até que foi tudo bem e eu estava gostando da ideia.

Estávamos comendo em um food truck e nossa eu amo comer.

- Eu gostei muito do último que a gente foi. - ouvi minha amiga. - Você também não é?

- Sim.

Todos eram muitos bons.

Porém, eu não prestava tanta atenção assim por que eu estava mais preocupada com o fato de Johnny não ter me ligado ou mandando uma mensagem.

Eu não liguei, porém mandei uma mensagem dizendo que estava bem mas fui ignorada.

Ele estava me evitando.

Porém, ele disse que estava tudo bem em relação a eu ir morar com a Lily, mas eu sei que não é verdade por que se não isso não estria acontecendo.

Droga, o que eu faço da minha vida?



Fui pra casa da Lily-Rose por que não queria voltar logo pra vila.

Fiquei o restante do dia com ela e foi divertido, consegui me distrair um pouco pois ela não parou de falar um segundo sobre Timothée e sobre os projetos futuros que tinha.

Foi muito bom.

Sai pra jantar com ela, seu irmão e sua mãe e consegui me distrair. Voltamos pra sua casa e eu fiquei conversando com minha amiga e seu irmão. Estava com saudade deles e nem sabia.

Eles foram pegar algo pra comer e eu suspirei, sentindo saudades de um geminiano safado que não falou comigo o dia inteiro.

Peguei meu celular, esperançosa, de que teria algo mas não tinha absolutamente nada.

Surpresa, mas nem tanto.

O que será que ele está fazendo?

Inferno, eu queria estar junto com ele.

Meu celular começou a vibrar na minha mão e eu me assustei, estavam me ligando, ele estava me ligando. Meu coração começou a bater muito rápido, ansiosa, e deixei tocar um pouquinho pra só depois atender, pra ele não achar que eu estou desesperada.

- Oi.

- Oi, Chloe, onde você está?

- Hm, eu estou com a Lily e com o Jack, por que?

- Por nada.

É só isso?

- Quando você vem pra casa?

- Acho que daqui a pouco, por que?

- Por nada. - ele repetiu. - Queria que você estivesse aqui.

Droga.

Que droga, eu amo ele demais.

- Já estou indo.

- Obrigado.

Esse homem ainda vai me deixar louca.

Avisei a Lily e ao Jack que estava indo embora, eles me levaram até o carro e nos despedimos.

- Quando você vai embora? - minha amiga perguntou quando Jack se afastou pra atender o celular. - Ou você não vai mais?

- Acho que domingo já vou, ou segunda, não sei ainda estou vendo.

Minha mãe pediu que eu avisasse quando estivesse indo mas eu vou fazer uma surpresa pra ela e, já que estou aqui na França um lugar que ela gosta muito, vou comprar um presente. Não sei o que ainda, mas irei.

- Certo. - ela sorriu. - Acho que Timo vem me ver amanhã, e vamos sair pra beber algo, quer vir?

- Não, obrigada, quando você está com ele você esquece de tudo e eu não quero ficar de escanteio. Mas, estou muito feliz por você, ele é uma gracinha e não julgo por que sou assim com seu pai.

Nossa.

Eu namoro o pai dela, meu deus.

Que loucura.

- Isso é estranho. - ela olhou pra mim com uma careta mas logo riu. - Mas eu te amo mesmo assim por que você é incrível e eu não poderia estar mais feliz por ele. E por você, claro.

- Eu também.

Eu a abracei uma última vez, entrei no carro e dirigi até a vila.



Quando cheguei, as luzes estavam acessas e Johnny não saiu pra me receber.

Ou seja, não está com tanta saudade assim.

Mas tudo bem, eu supero.

Achei que iria morrer de saudade hoje então não tem problema, senti a saudade por nós dois.

Passei no quarto porém ele não estava.

Aproveitei pra tomar um banho e trocar de roupa por que fiquei o dia inteiro na rua, e até lavei o cabelo. Porém iria pedir pra Johnny secar pra mim pois estou com preguiça.

Me sequei e coloquei a toalha na cabeça pra secar o excesso e me troquei, coloquei uma calcinha, vesti minha legging escura que minha bunda fica espetacular e coloquei um moletom.

Aqui dentro do quarto estava quentinho mas como eu vou ter que ir atrás dele por que ele não apareceu até agora, lá fora o tempo está ruim e eu estou me prevenindo. Tirei a toalha da cabeça e passei a escova pra ajeitar e sai atrás do Johnny.

Andei até a casa principal e antes mesmo de entrar, eu escutei risadas;

Altas.

E femininas.

Quem estava aqui?

Eu me aproximei da porta e quando entrei, não acreditei no que estava vendo.

Elas estavam sentadas no sofá e entre elas estava o meu namorado.

Até aí tudo bem.

Só que, elas estavam perto demais dele e lhe tocando. Não é em nenhum lugar comprometedor, mas mesmo assim, estão tocando nele.

Uma loira e uma morena, uns trinta anos talvez e muito, muito risonhas.

Droga, acho que conheço elas, mesmo assim, com que direito elas estão tocando no meu gatinho?

Elas ainda não tinham me visto e muito menos o safado do Johnny então, por isso, elas ainda estavam tocando nele e falando e rindo. E pareciam estar vendo algo que ele mostrava no celular.

É demais pra mim.

Ele não parece desconfortável nem nada, mesmo assim, parando pra pensar agora, ele ficou com elas o dia inteiro e não comigo?

Sério que eu ainda pergunto, a resposta é bem óbvia.

- Que merda é essa? - perguntei e isso fez com que elas parecem de rir e olhassem pra mim, Johnny automaticamente ficou de pé. - Boa noite.

Tem que ser educada né.

- Oi, querida. - ele veio até mim e me beijou no rosto. - Que bom que você chegou! - ele sorriu, agora ele está dizendo isso, pilantra danadinho, não falou comigo o dia todo. - Elas estão me deixando louco. - ele falou, a voz baixa.

- É. - olhei pra ele. - Quem são? - me referi as duas mulheres que de canto de olho eu conseguia ver que olhava pra nós dois. - E por que elas estão sozinhas com você?

E tocando em você.

- Nós já voltamos. - ele falou a elas e segurou minha mão, me levando pra fora da casa e fechando a porta. - Minhas amigas. - disse. - E as duas são casadas.

Como se isso fosse algo.

- E daí? Podem ser adúlteras.

Se eu fosse casada e um homem como ele me propor algo espetacular, tipo, qualquer coisa eu com certeza não pensaria duas vezes em aceitar.

Ele riu e tocou meu rosto.

- Não precisa ter ciúmes querida. - ele sorriu. - Bom, eu não sou e jamais faria isso com você.

- Eu sei. - suspirei. - Só que... Você passou o dia todo com elas?

- Sim. E com meus amigos, marido delas.

Tudo bem. Menos mal.

E onde eles estão que não estão juntamente das esposas?

- Entendi.

- Vem cá. - ele me puxou e me abraçou forte. - Senti saudades, querida, que bom que você chegou.

Agora ele diz isso né.

- Eu também. - falei, por que é verdade. - Eu também.

Ainda abraçada a ele, ouvi quando uma das mulheres chamou seu nome e ele me soltou para olhar ela, era a morena, e ele disse que estava indo.

Por que?

- Vamos? - ele se virou pra mim. - Elas querem conhecer você.

Não, obrigada.

- Sério? - fingi animação. - Eu vou só secar o meu cabelo e já volto, ok?

- Eu vou com você...

- Não precisa, gatinho. - eu o beijei rapidamente. - Vai ser rapidinho.

- Certo. - ele sorriu e me olhou. - Volta logo.

Eu sorri pra ele e balancei minha cabeça.

Vou voltar só amanhã.


Eu voltei para o quarto e fiquei enrolando, enrolei pra secar o cabelo mas quando eu finalmente fiz, enrolei mais um pouquinho pra não ter que sair.

Mas eu sabia que iria acontecer em algum momento por que eu sinto que Johnny virá atrás de mim.

Então, enquanto eu espero por ele, estou procurando por algo pra assistir.

Assim, não estou nem um pouco afim de ir lá ficar com eles pelo simples fato de que, eu odeio isso, o fato dele ter ficado com elas o dia inteiro e não comigo e ainda mais, elas são bonitas e aparentemente amigas dele.

Me julgue, mas eu sou assim.

Mas não me julgue tanto por que eu não era assim.

Isso aconteceu depois do meu ex e é mais forte que eu.

Eu sei que Johnny não é igual a ele, é muito, muito melhor, mesmo assim não consigo não pensar nisso.

E ele estava muito confortável com elas então por que eu iria atrapalhar?

A melhor coisa que eu faço mesmo é ficar aqui e procurar um filme legal pra assistir, e por que não um do meu namorado gostoso?

E foi isso que eu fiz, coloquei Sweeney Todd pra ver pelo simples fato de que amo quando ele corta a garganta do juiz. Pesado, eu sei, mas eu gosto mesmo assim e o plot é incrível.

Porém enquanto eu estava deitada, admirando e assistindo, Johnny entrou do nada no quarto e eu desliguei a televisão por que eu sei que ele não gosta de ver. E me levantei correndo, pra enrolar e dizer que não estou pronta ainda.

- Estou quase pronta. - falei, indo até o banheiro, vou enrolar mais aqui, por que eu sei que agora ele vai me levar até lá, fiquei me olhando no espelho, enrolando, fingindo que estava fazendo algo.

- O que você estava assistindo? - ele perguntou e eu olhei pra ele.

- Nada. - respondi. - Por que?

- Por nada, querida, só fiquei curioso.

- Hm... - sorri. - Não era nada, eu já estava indo te encontrar, sabia?

- Realmente?

Eu senti ironia na sua voz, mas, não retruquei.

- Sim, realmente, querido. - olhei pra ele. - Por que, você não acredita?

- Chloe, já tem umas duas horas que você disse que iria secar o cabelo.

- Jura? - merda. - Eu nem reparei, meu cabelo é enorme você sabe não é? É trabalhoso pra secar, por isso eu demoro tanto, você entende né?

- Sim. - ele se aproximou e me virou pra ele. - Qual o problema?

Ficar pertinho dele assim ainda me deixa desconcertada, e ele é tão perfeito e tão cheiroso e tão gatinho que...

- Chloe? - ele me chamou.

- Você é tão gostoso e tão perfeito, sabia disso?

- Sim, querida, eu sei. - ele sorriu tímido. - O que você estava assistindo? Por acaso era pornografia?

Eu ri alto e o abracei por que meu deus, ele não sabe como ele é?

- Baby, quem precisa de vídeo pornô quando se namora você? Não tem necessidade nenhuma e não, não era pornô, se bem que, olhar pra você é como assistir pornô mesmo por que nossa, me dá até calor sabe? E se ver Sweeney Todd é assistir pornô então eu estava sim.

- Cala a boca, querida. - ele tocou meu rosto. - Eu te amo mas odeio quando você me deixa sem jeito.

- Faço isso por que te amo. - falei sorrindo. - E por que você é fofo demais.

Droga, eu amo ele pra caramba.

- Podemos ir? - quis saber. - Vamos comer, você não está com fome?

Um pouquinho.

- Não, eu já comi.

Era verdade, mas eu comeria outra vez por ele.

Mas só se suas amigas já tivessem ido embora.

- Mesmo? Vamos lá pra você ficar comigo então, por favor.

Droga, ele pedindo com jeitinho é irrecusável.

- Tudo bem. - suspirei. - Vamos então.

Ele sorriu e pegou uma das minhas mãos e a beijou. Nós então saímos de mãos dadas e fomos até os dois casais que estavam na sala de estar.

Reconheci Stephen e Adam e foi aí que eu me liguei que as mulheres eram esposas deles, mas assim Johnny maior e melhor e com certeza as danadas fica admirando-o. Não julgo, faço o mesmo só que...

- Pessoal, essa é a Chloe mas acredito que vocês já sabem e ela também, quem vocês são.

- É um prazer conhecer todos vocês. - tive que sorrir pra eles não acharem que eu sou anti social e que odeio todo mundo.

Eles foram bem receptivos.

As mulheres, Gina e Barbara são muito falantes e eu não aguento mais falar absolutamente nada que seja com elas.

Por que meu deus, falamos sobre tudo.

E eu nem tenho certeza se se passou uma hora ou mais, mas acredito que tenha sido mais que isso. Eu só sei que eu estou cansada de falar e de ouvir.

E detalhe, elas só falam do Johnny.

Ou melhor, Gina fala muito sobre ele. Ou qualquer coisa que envolva ele.

Eu não falo tanto assim dele. E olha que eu sou eu.

Fiquei super assustada.

Porém, quando elas me fizeram perguntas que não fazia sentido algum eu tive que me retirar por um momento pra conseguir respirar.

Minha nossa, é demais pra mim.

Eu não sei sobre o que os homens falavam pois eles estavam afastados fumando charutos e bebendo vinho caro e ruim, então não tinha por que me intrometer.

Acho que gostei mais da Barbara do que da Gina pois eu sentia o "carinho" que ela tinha por Johhny e não gostei nada disso. Eles são amigos, tá, eu entendi isso, mas não gostei.

Aliás, tive que agradecer a ela por todas as fotos que ela postava do safado no instagram pois isso salva vidas.

Esse velho safado não tem uma rede social pra postar fotinha então eu tinha que me alimentar de fotos tiradas por terceiros.

Enfim, vim beber água por que não aguento mais.

Tô cansada e quero dormir.

- Você não consegue ficar cinco minutos com meus amigos? - ouvi a voz do Johnny e me virei. - Qual o problema, Chloe?

O que?

- Como assim?

- Você não está confortável. - ele se aproximou. - Da pra perceber.

- Eu estou ótima. - falei. - Não tem problema nenhum.

- Tem. - falou. - Bom, eu consigo ver.

- Bom, eu estou tranquila.

- Você não pode fazer um esforcinho? - pediu. - Eu trato bem seus amigos.

Que amigos gente?

Eu só tenho a Lily e o Jack de amigos.

Ai que triste.

- Que amigos, Johnny?

- Lily, Jack.

- São seus filhos!

Esse homem é doido.

- Tem o Brian.

- Ele é seu melhor amigo!

- E daí? Não é seu também?

Parando pra pensar agora e meu deus, eu realmente não tenho amigos. Mas também, sem tempo pra amizade quando se namora o Johnny Depp e tem Marilyn Manson a todo momento em todo lugar que estou.

Mesmo assim, queria mais amizades.

Nunca fui de muitos amigos mesmo, então quase não sinto falta de outras pessoas mas...

- Chloe, por favor querida, por mim, você pode ser gentil?

- Eu estou fazendo o possível. - suspirei. - Mas ela só quer falar de você! Nem eu falo tanto assim de você.

- Achei que você gostasse de falar sobre mim.

- E eu gosto! Não ache que não por que sim, eu gosto, mas ela falando de você é diferente e eu fico com ciúmes!

- Ela quem?

- Gina!

- Deus, Chloe, não precisa ter ciúmes, ela é só uma amiga.

- Eu sei disso, mas e se ela sentir...

- Nem termina. - ele me interrompeu. - Não fala merda.

- Ok.

- Ela é casada. - ele tocou meus ombros. - E mesmo se ela não fosse, eu vejo ela apenas como uma amiga. Nada além disso. E, tem você. Você é tudo que eu quero.

- Isso não quer dizer nada. - bufei. - Você vai enjoar de mim.

- Um pouquinho. Mas, tenho certeza que você sempre vai fazer algo para que eu esqueça que estou me enjoando de você.

Merda, eu amo ele.

- Isso é bom né? - tem que ser, por que se não eu choro.

- Claro que sim. - ele me beijou. - Apenas seja gentil com eles, eles querem interagir mas você não deixa.

- Eu fiquei horas falando com elas, eu não aguento mais.

E o que mais eu posso fazer além de ouvir?

- Você está muito aérea hoje, se você ficou quinze minutos foi muito, querida.

Droga, eu jurava que tinha se passado horas.

- Tudo bem. - suspirei, decidida. - Vou fazer um esforço por você e vou interagir, mas, me responda algo.

- Diga.

- Eles vão embora hoje?

- Não, vão dormir aqui. Por que?

Que merda.

Isso significa mais tempo com ela e mais tempo ouvindo ela falar. Ela não está me julgando ou algo do tipo, eu sei, não tem motivo nenhum pra eu não ser legal e comunicativa com Gina e também com Barbara, mas eu só queria estar sozinha com Johnny. Só isso.

Quero que a gente vá dormir logo.

- Por nada. - sorri. - Vamos lá.


Por algum motivo estávamos lá fora, na piscina.

Não na água.

Mas nas espreguiçadeiras.

Eu conseguia ver Johnny daqui e é isso que importa.

Eu sei lá que horas são, queria muito estar dormindo mas estamos aqui.

No frio de sei lá quantos menos graus do lado de fora quando poderíamos estar na lareira quentinha, eles tomando vinho e eu fazendo qualquer outra coisa que não seja tomar vinho.

Mas não, estamos aqui.

- Chloe, o que você faz mesmo? - foi Barbara que perguntou, eu disse eu gostava dela, não fazia pergunta difícil e estava sempre mudando de assunto. - Acho que Johnny comentou algo com Adam mas eu não me lembro exatamente.

- Bom, eu não faço absolutamente nada. - sorri, por que era verdade. - Seja lá o que Johnny disse ao Adam, não sei se é realmente o que eu faço.

Meus pais me bancam, não faço absolutamente nada.

Tentando mudar isso ao poucos.

- Ele falou algo sobre você tirar umas fotos ou algo assim. - Gina se intrometeu. - Você não acha muita exposição?

- Exposição ao Johnny? - me virei pra ela. - Bom, pelo que eu me lembre ele é ator. E eu não estou posando nua, não é algo que vá prejudicar ele.

Tô falando, não gosto dela.

Não gosto.

- Mesmo assim, não é bom e ele...

- Johnny está me chamando! - me levantei impedindo que ela continuasse a falar, e é óbvio que ele não está me chamando. - Eu já volto!

Não dei chance delas falarem algo e caminhei até ele que estava do outro lado da piscina, sentado em uma das cadeiras e Adam estava ao seu lado.

Quando eu me aproximei, eles pararam de falar então eu me liguei que falavam de mim.

- Se vocês quiserem eu posso voltar daqui a pouco.

- Não tem necessidade. - Adam sorriu fraco. - Sente-se conosco, Chloe.

Stephen não estava aqui no momento, acho que ele saiu pra pegar mais vinho. Johnny colocou o cigarro no cinzeiro em cima da cama e me chamou batendo na sua perna de leve pra eu me sentar em seu colo.

É claro que eu fiz.

Eu me sentei de lado e o abracei forte, beijando e cheirando seu pescoço.

- Tudo bem? - ele perguntou baixinho e beijou minha cabeça. - Que foi?

- Nada. - falei e suspirei, deitando a cabeça no seu peito. - Só estou cansada. Fiquei o dia inteiro vendo coisas do apartamento com a Lily e tal...

- Quer que eu te coloque na cama, querida?

- Adoraria. - mas tenho certeza que ele não vai deitar comigo pois precisa fazer sala para as visitas. - Mas daqui a pouco.

Ele beijou minha cabeça novamente e tocou meu braço, esfregando. A temperatura diminuía cada vez mais então era muito bom estar juntinha dele. Ele cheirava a colônia e ao seu cigarro preferido, sou apaixonada.

Olhei para Adam que estava ao nosso lado e ele estava nos observando. Sério, porém nem tanto. Com certeza não gosta de mim ou, apenas não gosta de mim nesse momento pelo fato de ter interrompido eles de falarem sobre mim.

A audácia.

Eles começaram a falar sobre algo que eu acredito que seja chato e por isso nem prestei tanta atenção. E eu até dormi.

Porém, tenho certeza que ouvi alguém falando.

- Ela é muito jovem, você tem que terminar com ela logo.


Acordei.

E Johnny estava comigo na cama.

Felicidade é isso aqui.

Ele ainda estava dormindo, tinha uma das mãos no próprio peito e a outra estava bem perto do meu.

Danadinho.

Eu me aproximei dele e o beijei no ombro e no rosto, queria que ele acordasse logo pra nós dois aproveitarmos o tempo perdido de ontem longe um do outro.

Mas, não aconteceu.

Então, eu o deixei dormindo.

Levantei e fui até a janela ver como estava o tempo e surpreendente, estava fazendo um solzinho.

Vou na piscina.

E, espero não encontrar convidados indesejados.

O que eu tô falando? A casa nem é minha.

Não sei que horas Johnny me colocou na cama ontem, eu nem senti, estava tão cansada que provavelmente eu tenha dormido no se colo e ele me colocou na cama, como sempre.

Nada de novo.

Fui no banheiro e escovei meus dentes e joguei uma água no rosto pra acordar definitivamente. Quando voltei para o quarto fui atrás do meu celular pra ver as horas e era quase dez da manhã.

Ou seja, cedo.

Eu deveria deitar e dormir mais, ou nem isso, apenas aproveitar que Johnny está aqui e ficar todo o tempo possível ao seu lado, antes que ele acorde e vá voltar a ficar com seus amigos.

Mas, não fiz.

Coloquei um biquíni e saí do quarto para aproveitar o sol e me esquentar um pouquinho.

Pensei em ir até a cozinha pegar algo pra beber e comer, porém fiquei com preguiça de talvez encontrar alguém e ter que falar e ser educada e manter uma conversa pra ser gentil e não decepcionar Johnny.

E eu não queria decepcionar ele.

Eu tomei um pouco de sol, nadei um pouco e aproveitei.

Não sei quanto tempo fiquei sozinha olhando o céu, as árvores distantes e ouvindo o som dos pássaros que não reparei que tinha alguém no mesmo ambiente que eu.

- Bom dia. - era Stephen, ele estava parado perto de uma das espreguiçadeiras e tinha uma xícara na mão. - O dia está bonito.

- Bom dia. - falei e saí da água por que não queria que ele começasse uma possível conversa, mas me xinguei no mesmo momento por que não tinha trago uma toalha e agora eu teria que ficar esperando me secar naturalmente, de biquíni, com Stephen. Se eu fosse até o quarto do Johnny ele iria me xingar por molhar tudo, então, eu tive que esperar. Na presença de seu assistente. - Está sim.

Que ele não puxe conversa comigo, por favor.

- Johnny ainda está dormindo? - ele quis saber para a minha tristeza. - Já tomou café?

- Sim está e não, não tomei.

Por que ele quer conversar meu deus?

Eu me sentia desconfortável em estar pouco vestida perto dele, não que ele esteja me olhando com segundas intenções, longe disso, eu apenas me sinto exposta demais.

Por que eu estava.

- Como você está? - por algum motivo ele quis saber. - Tipo, com essa relação com o Johnny.

Mais um querendo falar sobre o Johnny.

- Bem. - dei de ombro. - Realizada.

- Ele falou que você é uma fã.

- Acredito que eu era uma fã, faz um tempinho que eu deixei de ser mas eu gosto muito dele. Como pessoa e como ator.

- Você nem o conhece direito. - ele meio que riu. - Ele parece gostar muito de você. Brigou muito comigo por causa disso e quase não me escuta mais.

Uh, isso é novo.

- Acredito que Johnny é responsável o suficiente pra saber o que é bom pra ele.

- Sim, isso é verdade. - ele me olhou. - Sua vida privada, sim, sua vida pública, não, isso é comigo. E diria que até um pouquinho da sua vida privada também.

Onde ele quer chegar com tudo isso?

- Bom, eu não tenho nada com isso.

- Na verdade, você tem tudo. No momento tem tudo. - ele revirou os olhos por algum motivo. - Ele está passando por muitas coisas, você sabe, e adivinha, você é mais uma dessas coisas. É muita coisa pra ele, entende?

- Sim.

Não.

- Não que isso seja ruim, mas, eu apenas gostaria de agradecer por que ele está mais leve e menos preocupado com tudo.

O que?

Esse homem é doido.

- Obrigada?

Nem sei se devo agradecer.

- Gosto muito dele e quero que ele seja feliz e ele parece gostar de você, só que, eu acredito que esse relacionamento não vá dá certo por que você é bem mais jovem que ele e a qualquer momento pode muito bem deixá-lo. Eu não quero isso, ele não quer isso. Mas as chances de isso acontecer são muitas.

- Por que você acha isso?

Ele só está falando merda, mas mesmo assim tive que perguntar. Que motivos eu dou que vou deixar Johnny algum dia?

É mais fácil ao contrário.

Algo que já aconteceu.

O que ele anda falando de mim?

- Intuição, eu acho.

- Sua intuição também sente que Johnny já terminou comigo duas vezes? E isso em menos de um mês juntos?

Eu nem sei exatamente quanto tempo estamos juntos, depois preciso parar pra analisar isso.

- Não.

- Pois é, ele já fez. E acredite, não acho que seria motivo pra um término, mas mesmo assim ele fez e mesmo assim, voltou pra mim. - falei. - Não que eu me orgulhe disso, mas, se fosse outra pessoa eu não aceitaria. Eu gosto muito dele e ele sabe disso, isso é o que importa. Não tenho que provar nada a você e nem a ninguém. Eu e ele temos um relacionamento, se vai durar muito? Eu não sei, espero que sim, mas não penso muito nisso.

Mentira, penso sempre.

Tenho certeza que vamos nos casar em no mínimo seis meses.

Mas Stephen não precisa saber de nada.

Falei o que tinha que falar e estava seca o suficiente pra sair dali. Ele não falou mais nada e mesmo que fosse falar, eu não queria ouvir.

Estava chateada e cansada de viver.

Eu sabia que não iria ser fácil namorar uma pessoa famosa, mas eu não achei que fosse ser difícil lidar com os conhecidos do famoso.

Johnny me paga.

Quando cheguei no quarto, o bonito já estava acordado e a cama estava feita e arrumada.

- Estava desfilando por aí de biquíni? - ele perguntou assim que me viu mas eu não respondi e segui para o banheiro prendendo o cabelo no alto, não queria molhar por que aí eu teria que secar e eu não estava afim. - Chloe?

- Eu não. - falei alto pra ele ouvir, por que ele não me seguiu. - Impressão sua. - ele apareceu na porta do banheiro e eu olhei pra ele. - Que foi?

- Vista algo comportado. - pediu. - Temos visita.

- E qual o problema? Não estava andando pelada por aí.

- É como se fosse. - ele revirou os olhos. - Por favor.

- Tá.

- Eu vou comer algo. - ele falou. - Já volto.

- Ok.

Aham que ele volta.

Ele voltou.

Logo que eu me troquei, ele apareceu com uma xícara na mão e se sentou na cama.

- Cuidado pra não derrubar na cama. - provoquei. - Isso acaba com relacionamentos!

- Exagerada. - ele sorriu. - Você não comeu não é?

- Não. - balancei a cabeça. - Depois eu como algo.

- O que você quer? - perguntou. - Eu pego.

- Não precisa. De verdade, depois eu vou lá.

- Eles vão embora mais tarde. - falou e ergueu a xícara. - Pra sua felicidade.

- O que? - eu parei e olhei pra ele. - Por que pra minha?

- Por que seria pra minha? - ele ergueu uma sobrancelha. - Você não quer isso?

- Não! - falei, por que era verdade. - São seus amigos e sua casa, não tem que expulsar ninguém por minha causa!

- Eu não tenho?

- Johnny! - eu queria sacudir ele. - Você não tem que fazer algo só por que eu não gosto ou não vou gostar, meu bem, é a sua casa você faz o que você quiser.

- Eu pensei que... - ele parou por um momento. - Eu só...

Ele não terminou de falar e largou a xícara na mesa de cabeceira ao seu lado e esfregou o rosto.

- Johnny? - chamei mas ele não respondeu e muito menos olhou pra mim, eu me aproximei e tirei suas mãos do seu rosto e me sentei em seu colo, tocando sua face fazendo com ele olhasse pra mim e afastando os fio de cabelo da sua testa. - Você não tem que fazer as coisas pra me agradar. Tá legal, não esse tipo de coisa. Não tem que expulsar qualquer pessoa que seja da sua casa só por que eu não quero interagir com ou qualquer coisa do tipo. Você tem que ir pelo que você quer, não pelo que eu quero ou pelo que eu acho. Entendeu?

- Sim.

- Coisas que envolve nós dois você tem que perguntar a mim, não algo que envolva você. Não faça nada precipitadamente, se quer a minha opinião me pergunte antes o que eu acho.

- Tudo bem, eu só achei que você quisesse isso. - ele me beijou. - Eu te amo, obrigado por isso.

Cara, cada vez mais eu acho que seu casamento com a Amber foi a pior coisa que aconteceu na sua vida.

- Eu te amo também, gatinho. - abracei ele. - Muito.

Ele me levou pra comer algo e me deixou sozinha na cozinha quando Gina o chamou.

É.

E não voltou até agora.

Não sei por onde andavam os convidados, não tinha visto mais ninguém e não sei se isso era bom ou ruim.

Johnny poderia ter falado algo e aí se eles já me odiavam antes agora não devem me suportar.

Maravilha.

Cansada de esperar, assim que terminei de comer lavei o meu prato e guardei pra não deixar bagunça. Sai da cozinha e logo de cara vi os dois sentados no sofá.

Só os dois.

Gina falava algo a ele em voz baixa e tinha uma das mãos na sua perna.

Muito contato, muito contato.

Ele olhou pra mim, sabia que eu estava ali, porém me ignorou totalmente igual ela fez. Sequer olhou pra mim.

Parei e observei os dois me ignorarem e quando se deram por satisfeitos, ela se levantou, ele também, e o abraçou.

Tá, não tem mal nenhum em um abraço.

Tô ficando maluca.

Mesmo assim voltei para o quarto e deixei eles. Sozinhos. Cadê o marido dessa mulher pra contê-la?

Estava na cama, tinha acabado de falar com Lily-Rose da minha indignação em relação a Gina Deuters, - que não adiantou, a garota não me ajudou em nada - quando Johnny entrou já quase anoitecendo o dia.

Eu deixei ele com os amigos o dia inteirinho e agradeci por ele não ter vindo atrás de mim pra ficar com eles. Eu iria, e até faria o esforço que ele tinha pedido pra interagir e tal, mas ainda bem que não fez.

- Eles já foram. - falou e se aproximou. - Tudo bem?

- Sim.

Por que não estaria?

- Ok. - ele se inclinou e beijou minha cabeça. - Vou tomar banho.

- Vai.

Quando ele se afastou pensei seriamente em ir atrás só pra olhar a beldade que ele é mas não fiz, deixei que ele tomasse banho em paz.

Quando ele saiu um momento depois com o cabelo molhado e com a toalha na cintura pra se trocar eu não tive como não olhar. Olhei, olhei e muito. Não ligo nem um pouco em olhar.

Sério, amo o fato dele ter quase sessenta anos e mesmo assim estar tão conservado e bonito e ele.

Apenas ele.

Ele se trocou rápido demais para o meu gosto, porém ficou sem camisa então compensa.

Eu amo ele sem camisa.

- O que? - ele sorriu quando subiu na cama e olhou pra mim.

- Nada, meu bem. Estava só te olhando, gosto das suas tatuagens.

E de todo o resto.

- Bom, gosto das suas também. - ele segurou meu pulso e passou o dedo sobre a flor de lótus que eu tinha feito com Lauren. - É fofo.

Claro que era. Além dessa tinha a minha preferida, claro, e a que tinha feito com ele e Marilyn. E mesmo a dor sendo absurda, me vi dizendo que deveríamos fazer uma de casal, juntos.

- Já temos uma juntos. - ele falou. - E você morre de medo, não sei se aguenta.

- Aguento. - olhei pra ele. - E não é de casal se o Marilyn também tiver.

- Oh, ok. - ele sorriu. - Ele vai ficar com ciúmes. Achei que Marilyn fosse ciumento, mas nada se compara ao seu ciúmes por mim.

- Cala a boca. - eu ri de nervoso. - O Marilyn é único, nada se compara a ele.

- Ele vai adorar saber que você falou isso.

Maldito seja... Já estou com saudades do babaca.

- É só você não contar que ele não vai saber.

- É o meu melhor amigo, eu conto tudo pra ele.

Claro que conta. Tive vontade de revirar meus olhos, mas não fiz. Por que eles são muito amigos e eu entendo. Não falei mais nada e peguei o controle da televisão pra ligar e procurar algo de bom pra assistir.

- Querida? - ele chamou. - Você está brava com isso agora?

Meu deus, o que eu fiz agora? Nem brava estou.

- Gatinho, não estou brava com nada. - olhei pra ele. - Mas sobre o que?

- Eu contar tudo ao Brian.

- Por que eu estaria brava com isso? É o seu melhor amigo e eu não vejo problema nenhum em contar coisas para pessoas que confiamos.

- Mesmo?

- Mesmo. E também, ele é impossível, não dá pra fazer nada sem ele perceber. Logo no final do dia ele vai estar enchendo o saco.

- Você gosta dele?

- Gosto. Ele é legal as vezes.

- Muito?

- Muito o que? Se eu gosto muito dele? Eu não! Um pouco já é suficiente pra ele me infernizar, imagina muito.

Eu tenho amor a minha própria vida.

- Ele gosta de você. - falou. - Tenho um pouquinho de ciúmes.

- Jura?

- Sim.

- Eu odeio o Brian, se te serve de consolo.

- Sim, serve. - ele sorriu e segurou meu rosto. - Você é incrível. Eu não quero te perder nunca.

Nem eu a ele.

- Você não vai. Só se você terminar comigo, você faz muito isso.

- Não vou fazer mais. - ele me beijou de leve. - Prometo.

Eu espero que não.

Ele falou que queria se deitar por que estava cansado e nós fizemos isso. Ele deitou a cabeça no meu peito e dormiu enquanto eu mexia no seu cabelo. Mas, quando ele me largou e se virou de costas pra mim eu fiquei triste.

Mas, fiquei pensando.

Na vida. Em tudo.

Tentei lembrar quanto tempo exatamente eu e Johnny estávamos juntos mas sem sucesso, não consegui lembrar.

E isso já era quase uma da manhã. Meu deus, por que não anotei em algum lugar? Isso é algo importante.

Eu vou acordar ele.

- Johnny! - eu mexi no seu braço pra ele acordar mas ele nem se mexeu. - Acorda por favor!

Merda, por que ele não acorda logo?

É algo importante!

Eu me inclinei por cima dele e liguei o abajur do seu lado pra ver se ele acorda logo mas parei quando senti sua mão na minhas costas, finalmente.

- Que foi, Chloe?

Eu olhei pra ele e suspirei.

- Você dorme demais. - falei. - Mas, agora que você acordou, deixa eu perguntar algo, você sabe quando... - parei de falar quando ele segurou firme na minha nuca. - Uh, o que foi?

- Eu quero dormir. - ele fechou os olhos. - O que você quer?

- Deixa pra lá. - suspirei e deitei a cabeça de volta no travesseiro, posso esperar até amanhã. - Amanhã eu falo.

Ele não me respondeu e ainda me deu as costas.

Tá difícil, tá muito difícil.

Mas vou deixar ele dormir mesmo assim, tem que descansar né.

Ele precisa.

Mas eu também preciso de amor e carinho.

- Você pode me abraçar ao menos ou você prefere seu travesseiro?

Eu ouvi quando ele respirou alto e se inclinou pra acender a luz do abajur.

- Puta merda, Chloe. - ele se virou pra mim, bem acordado. - Fala o que você queria falar.

- Pra que? Amanhã eu falo, pode voltar a dormir tranquilo.

Agora eu não quero incomodar ele.

- Agora eu já estou acordado e quero saber.

- Bom, eu esqueci.

- Pois lembre!

- Vou fazer o possível! - falei e sorri. - Enquanto isso você pode me abraçar pra eu dormir quentinha?

- Vai a merda.

- Tudo bem, gatinho, sem estresse. - toquei seu rosto. - Eu abraço você, não tem problema.

Ele me ignorou, desligou a luz e voltou a se deitar. Eu fui pra juntinho dele e o abracei. Eu toquei sei peito e nossa, durinho.

- Tá fortinho você meu bem, gostoso né?

De verdade, ele é incrível.

Não canso de dizer.

- Cala a boca e vai dormir, Chloe.

Um anjo ele, perfeito.

- Tá legal, só que, eu posso perguntar algo antes?

- Pode.

- Quanto tempo nós estamos juntos, tipo, você sabe exatamente o dia em que começamos a namorar?

- Isso é algo importante pra você?

- Nem tanto.

- Que bom, por que eu não lembro e também não sei.

- Maravilha! Eu também não. - eu apertei ele e beijei sua nuca. - Depois podemos escolher algum dia.

- Uhum.

- Agora eu vou te deixar dormir, ok? Te amo

- Te amo mais.

Agoraeu posso dormir em paz.

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