50


Acordei cedo e deixei Johnny dormindo.

O tempo não estava tão bonito assim, mas ao menos não está chovendo.

Tempo doido, um dia tá sol e no outro nublado.

Doideira.

Acho que vamos embora hoje.

Eu desci e me sentei na varanda da casa, e fiquei sentindo o vento no rosto e o cheiro forte do mar.

Odeio praia, mas é um lugar tão bom e calmo.

Tem seus benefícios.

Eu vi que Holy estava saindo de sua casa então eu me levantei e corri pra dentro, pra não precisar falar com ela.

Me julgue, mas ela era perigosa. Muito perigosa, ainda mais em relação ao Johnny.

Eu imagino a reação dela quando descobrir que eu e Johnny estamos juntos...

Ela vai me odiar e muito, já estou sentindo seu ódio.

Se futuramente eu souber da existência de uma fanbase do ódio sobre mim ela é a mandante e criadora, tenho certeza.

Quando voltei para o quarto, Johnny já estava acordado e sentado na cama. Assim que me viu sorriu sonolento e abriu os braços, e eu fui.

Sentei em seu colo e o abracei apertado, e ele retribuiu.

- Eu te amo. - ele sussurrou e tocou minha nuca, me apertando junto a seu corpo. - Me desculpe.

- Está tudo bem. - falei. - Aos poucos você vai entendendo o quão importante é isso.

- Uhum. - ele segurou meu rosto e fez menção de me beijar, mas não fez. - Eu posso te beijar?

- Claro, Johnny, que pergunta besta.

E ele fez.

Quando se afastou, beijou meu pescoço e ficamos assim. Abraçados e aproveitando o momento.

- Você pode dizer que me ama? - pediu. - Você não disse de volta.

Deus do céu...

- Te amo, gatinho, você sabe disso.

- É sempre bom ouvir.

Nós tomamos café e não fizemos absolutamente nada depois disso.

Marilyn ainda não tinha acordado e isso era bom, quanto mais tempo com ele longe melhor.

Eu gostava do Marilyn, mas os momentos que eu tinha a sós com Johnny era incríveis, eu amava e gostaria de continuar amando.

Mas, ele era muito sem noção e não ligava pra nada. Então, qualquer oportunidade que eu tinha de estar a sós com meu gatinho, eu aproveitava ao máximo.

Johnny estava muito quieto, mais do que o costume.

Tinha trocado poucas palavras comigo e no momento parecia muito interessado em preparar o seu cigarro, mas ele é assim sempre então não estou surpresa.

E não julgo.

Eu gosto.

Acho muito excitante então ele pode fazer isso sempre que quiser.

Quando cansei de ficar apenas olhando me aproximei mais dele e deitei a cabeça em seu colo.

- Você está bem? - perguntei o olhando.

- Sim, querida. - ele levou a seda até a boca e lambeu, pra enrolar. - E você?

- Também.

E ele não falou mais nada.

Não sei se ele ainda está um pouco inseguro em relação a ontem ou algo assim, mas, eu quero apenas que ele seja ele mesmo.

Apenas isso.

- Que gosto isso tem? - perguntei apenas pra puxar assunto, gostava de ouvir sua voz. - Tipo, é bom? É ruim?

- Eu gosto. - ele deu de ombro. - É meio doce e bem suave, sabe?

- Não.

Mas isso é interessante, pena que mata.

Eu nunca tive curiosidade de experimentar coisas lícitas, apenas vodka, vodka era meu ponto fraco, porém nossa, só de olhar pra ele, sei lá, acho tão satisfatório o jeito que ele traga e solta a fumaça...

- Você quer experimentar?

- Nah. - toquei sua perna. - Gosto apenas de te observar.

- Bom.

Ele realmente deveria estar arrependido.

Quero que ele volte ao normal logo.

Eu me sentei de volta ao seu lado quando vi que ele iria fumar e suspirei, atenta, olhando pra ele e feliz por estar usufruindo disto.

Eu amo ele demais apesar de tudo, porém, ele fumando perto de mim...

Passo mal.

O jeito que ele solta a fumaça pelo nariz...

Eu fico com vontade de morrer.

Sou muito sortuda.

Marilyn apareceu um momento depois e ficou bravo por que não tinha café pronto.

Que pena, tadinho, eu esqueci.

Porém não movi um músculo pra ir ajudar ele com algo.

Sou um pouco má, me julgue, mas eu estava com tanta preguiça que só saio do lado de Johnny se ele sair também.

E eu não sei o que ele ficou fazendo na cozinha, mas logo apareceu com um prato no colo.

Acho que tinha ovo, queijo e algo a mais que eu não sei distinguir.

Bom, se está bom pra ele quem sou eu pra julgar?

Eu, claro, por que eu tenho esse direito.

Mas não vou fazer isso, por que tadinho né.

Meio-dia, Marilyn perguntou se poderíamos ir embora pois tinha um compromisso em Los Angeles.

Eu aposto que é mulher.

Eu ainda quero entender como ele consegue conquistar elas por que meu deus, ele é uma pessoa pública, como que as pessoas não comentam?

Ao menos eu nunca ouvi mas mesmo assim, pra não ter essa falação toda sobre ele e mesmo assim, ele ainda conseguir sair com elas, ele deve ter algo muito incrível nele.

O que será que é?

Ele não contou o que era então apenas concordamos e nos arrumamos pra sair.

Quando chegamos na cidade e fomos pra casa do Marilyn inútil Manson, Johnny pediu que eu ficasse com ele mas eu disse que não.

- Vou pra casa. - falei. - Estou com saudade dos meus pais e quero ver eles.

E dar um pequeno espaço pra ele pensar e ver se quer isso mesmo.

Mas eu não disse isso, ele tem que perceber sozinho.

E também tenho medo da sua escolha e resposta.

Mas ele concordou sem problemas e me levou pra casa.

Na despedida, ele me abraçou por tempo demais e eu não reclamei claro, é sempre bom ter ele por perto.

Mas, ele ainda deve estar meio confuso e um pouco inseguro sobre o que conversamos ontem. Porém ele vai se achar e vai entender que precisa disso, não mudar totalmente mas se adaptar ou algo assim.

- Eu te amo. - ele beijou minha cabeça. - Já estou com saudades.

- Eu também, fofo. - sorri contra seu peito. - Você não vai voltar pra casa hoje não é?

- Não. Amanhã.

Merda.

- Bom, já estou com saudades. - falei e olhei pra ele. - Vem me ver amanhã?

- Se você quiser...

- Claro que quero.

- Então eu venho.

Tentei não chorar por que sabia que amanhã ele iria embora e sabe-se lá quando que ele volta pra me ver, mas fui forte e não fiz.

Mas não significa que amanhã quando ele realmente vir se despedir, eu não faça.

Quando subi e entrei no apartamento chamando por Lauren, ela logo apareceu e me abraçou forte quanto me viu e disse o quanto sentiu minha falta.

- Eu também. - abracei ela de volta. - Meu pai, está bem? Já chegou?

- Sim está, e estou indo me encontrar no restaurante com ele, vamos comigo? - convidou.

- Claro, deixa só eu trocar de roupa e já vamos.

Eu deixei minhas coisas no meu quarto e rapidamente troquei de roupa, peguei um casaco e meu celular e desci de volta pra Lauren.

Quando estávamos no carro, saindo da garagem, meu celular começou a tocar e quando peguei, vi que era Lily.


- Olá, querida melhor amiga, como está?

- Chloe, o negócio é o seguinte, ou você vem morar comigo ou você vem morar comigo.

- O que?

Ela pirou de vez.

- Você não entende, Chloe, não entende!

- Então me explique...

- Eu preciso de você, muito, eu me sinto tão sozinha e só não vou me sentir sozinha se você vier morar comigo e...

- Você não está sozinha.

- No momento não mas... Hoje eu fui em uma loja de móveis e encontrei abajures idênticos e foi mais forte que eu, eu tive que comprar e... - e ela fungou, tenho certeza que ela está chorando. - E não podemos usar em casas separadas, temos que usar no nosso apartamento.

Meu deus...

- Você está de TPM?

- Talvez... - ela suspirou. - Eu só queria morar com você, apenas isso, é pedir demais?

- É sim.

- Mas... Você vai estar perto de mim, não é pedir de mais, eu te amo e só quero que você more comigo, juntas, para sempre, sabe?

- Eu sei, mas eu tenho que pesar.

- Você já pensou muuuito, e eu vou morrer de ansiedade desse jeito, me dê uma resposta.

- Você não vai gostar da minha resposta.

Por um lado eu sinto que devo me mudar e ir morar com ela, mas por outro eu sinto que vou morrer de saudades dos meus pais. Literalmente. Mas mesmo assim, eu não quero morar com eles pra sempre porém me dá um aperto no coração deixá-los, não que eu não vá ver eles sempre, por que sim, farei o possível, mas só que, eu não sei.

Não sei mesmo.

- Sua resposta tem que ser sim, tem que ser. Se não for eu vou ser a pessoa mais triste dessa cidade.

- Que exagero...

- Chloe, eu estou falando sério...

- Amiga, é muita pressão pra cima de mim.

- Tudo bem, tudo bem. - ela respirou fundo umas duas vezes e soltou a respiração. - Eu já entendi, já entendi tudo.

- O que você entendeu exatamente, Lily-Rose?

- Que você me odeia e que a sua consideração por mim não existe. - ela chorou e chorou mais. - Eu achei que fossemos amigas.

- E nós somos e eu não te odeio, isso é a sua TPM me colocando contra você.

- Tudo bem, tudo bem. - ela respirou fundo uma terceira vez. - Está tudo bem, sério, eu vou ver o que faço com o apartamento já que minha melhor amiga me odeia e não quer morar comigo.

- Eu nunca falei isso...

- Mas também nunca disse absolutamente nada.

Meu deus, eu vou surtar com essa garota.

Eu não sei o que fazer.

- Tá certo. - bufei. - Eu vou ver e te aviso, vou falar com meus pais e aí, dependendo, eu te dou uma resposta.

- Sério? - acho que ela estava sorrindo. - Você é incrível, eu vou voltar na loja e comprar os abajures pra nós, vai ficar incrível!

- Espera... O que?

- Amo você e estou ansiosa aguardando você me ligar de volta, beijo, tchau.

E ela desligou na minha cara.

Maldita garota chantagista.


Quando chegamos ao restaurante as cinco, ainda não estava totalmente aberto, apenas o bar estava funcionando e encontramos meu pai lá, com o colega de trabalho.

Lauren disse que já voltava e eu me sentei na recepção e pensei, pensei muito em como contar a eles sobre minha decisão, decisão essa que eu ainda não tenho certeza de qual é.

E não cheguei a um consenso, mas, quando Nicole passou pela porta eu deixei de pensar nisso um pouco.

- Olá, Chloe. - ela cumprimentou. - Como vai?

Ela estava uniformizada e isso significa que ela ainda trabalha aqui, droga.

- Estou bem e você?

- Estou bem. - ela sorriu fraco e colocou sua bolsa no balcão. - Eu poderia estar melhor se seu amigo Marilyn não tivesse terminado o nosso lance.

- Ah, sim.

Como ela mesmo disse, eles só tinham um lance, não era um relacionamento sério, por que ela não está incrivelmente bem?

Mas ainda fico chocada com o quão cafajeste aquele homem é.

Não tem nem como defender.

Quando ela começou a falar sobre coisas que não me interessam e essas coisas serem exatamente sobre Marilyn, eu dei um jeito de sair e deixá-la falando sozinha.

Passei pelo salão que meu pai ainda estava e fui em direção as salas privadas, quero ficar sozinha pra ver se consigo pensar com clareza.

Entrei na primeira porta do corredor e me sentei no sofá que tinha no canto, e observei o lugar, aqui é um bom lugar.

Particular, aconchegante e bonito.

Eu poderia dormir aqui tranquilamente, mas as chances de ficar entediada são enormes. Porém, eu poderia ficar entediada aqui com Johnny, sem problema nenhum.

E eu já estou com saudades.

Eu espero que ele bote a cabeça no lugar e entenda que eu quero apenas o bem dele, nada além disso.

Que eu estou do lado dele, que eu o amo e que eu o acho o cara mais gostoso do mundo.

Meu deus, só de pensar nisso me dá uns negócios bom que minha nossa, me deixa com calor.

Eu peguei meu celular e liguei pra ele, precisava conversar.

No terceiro toque, ele atendeu, ou melhor, seu melhor amigo inútil Brian atendeu.


- Boneca, não tem nem três horas que vocês se viram, poderia por favor, apagar o número do Johnny e nunca mais ligar pra ele?

- Cala a boca, Brian.

- Estávamos tendo um momento legal entre melhores amigos e você acaba de atrapalhar.

- Posso falar com ele?

- Hm... Acho que, não é um bom momento.

- Por que?

- Bem, quer que eu seja sincero?

- Sempre, Brian.

- Ele está tocando e não quer ser incomodado.

- Ele disse isso?

- Tá, ele disse que não quer ser incomodado por ninguém além de você, que droga, eu o odeio.

- E eu o amo. - sorri. - Você pode pedir pra ele me ligar depois, ou então me mandar uma mensagem?

- Tá, tá. - ele bufou. - Posso desligar agora? Eu tenho que ensaiar e estou perdendo meu tempo falando com você.

- Vai a merda, Brian.

- Por favor, boneca, Marilyn. Adeus, delete o número do Johnny, ok?

E se Johnny quisesse mesmo isso, que eu o esquecesse?

Marilyn é seu melhor amigo, conhece ele muito bem. Então, ele deve dizer coisas para ele que não fiz para mim.

Eu ainda vou acabar enlouquecendo por causa desse homem.

- Você falar essas coisas me deixa muito triste por que eu vou achar que ele quer mesmo isso e então eu vou me...

- Merda, merda, merda! - ele xingou. - Eu tô sentido um aperto no peito, não diga isso, minha consciência tá pesada já e você sabe que eu estou brincando. Assim que ele acabar eu peço pra ele te ligar.

- Tudo bem

Menos mal.

Porém te odeio Marilyn te odeio.

Johnny ainda não tinha me ligado.



Eu já tinha acabado de comer com meus pais e tínhamos conversado bastante, mas não sobre o que eu realmente quero falar.

Contei o que fizemos em Malibu, como Marilyn é insuportável e essas coisas todas, menos, o fato de Johnny ter terminado comigo, não aparentar estar arrependido e nem dado nenhum indício de que queria concertar as coisas, apenas quando eu fiz isso primeiro.

E falar sobre isso a eles, faria com que eles o odiassem, então, achei melhor não contar. E muito menos pra Lily, ele é o pai dela, eu tenho que saber separar as coisas.

Depois do meu pai ter contado sobre como foi o dia no seu escritório e Lauren, ter contado sobre os novos pratos que ela está pensando em fazer, quando a sobremesa chegou eu decidi que era a hora.

Mexendo no meu mousse de chocolate preferido, comi uma colher e deixei e lado, me ajeitando e olhando pra eles.

- Eu tenho algo pra falar. - soltei.

Eu não sei exatamente o que quero dizer, mas sei que tenho.

- O que? - meu pai quis saber, e ele tomou um gole da sua água.

- Ai, meu deus... - Lauren olhou para mim e eu vi o sorriso chegou aos poucos em seus lábios. - Você está grávida?!

- O que? - gritei. - Não!

Minha nossa... Eu não acredito nisso.

- O que? - ouvi a voz baixa do meu pai e Lauren, que me ignorou completamente o abraçou apertado e não parou de repetir que eles iriam ser avós. - Chloe, eu tô passando mal...

Eu imagino, eu também estou.

Só de pensar nisso eu já fico...

Depressiva?

É, um pouco.

Eu não quero ter filhos nunca, nunca mesmo.

Mas se for Johnny pedindo um bebê...

Não, não quero ter filhos nunca.

- Gente. Gente! - chamei a atenção deles de volta pra mim. - Eu não estou grávida, sério!

Meu pai respirou aliviado e minha mãe ficou séria, soltando-o.

- Que chato. - ela suspirou. - E por que não?

De verdade, não entendo ela.

- Mãe, você disse que não estava preparada pra ser avó ainda, que era muito nova. - a lembrei.

- Sim, mas, pensar em ser avó agora me deixa tão feliz...

- Sinto muito.

- Acho que preciso de um copo de rum. - meu pai falou. - Pra passar esse susto, eu realmente passei mal de verdade.

Quando ele se levantou pra buscar sua bebida, eu olhei pra Lauren.

- Você quase matou o velho.

- Eu não! - ela riu. - Você que não sabe contar as coisas.

- Não é sobre isso que quero contar...

- É sobre o que então?

- Não é bem contar, eu quero mais saber a opinião de vocês dois.

Quando meu pai voltou com a sua bebida, eu decidi que essa era a hora.

- Então. - comecei. - Quero a opinião de vocês em algo. - eles não disseram nada, ficaram apenas me olhando então eu continuei. - Lily-Rose está morando na França, vocês sabem e, ela comprou um apartamento e quer que eu vá morar com ela!

Meu pai baixou o copo e colocou na mesa.

- E? - ele perguntou. - E você vai ir?

- Não sei.

Eu não sabia mesmo.

- Você quer ir? - ele mudou a pergunta.

- Talvez.

- Morar com Lily-Rose é? - olhei pra minha mãe e ela estava sorrindo. - Sei...

- Você não está me ajudando, Lauren...

- Eu não falei nada demais, filha. - ela sorriu. - Por mim, você pode, sabe que sempre vai ter sua casa aqui, conosco. Eu apenas vou morrer de saudades, mas, nada que facetime e horas de voo que não resolva.

Lauren era a pessoa mais compreensiva que eu conhecia, eu amo ela.

- Você vai fazer vinte e dois anos, Chloe. - meu pai falou. - Já é maior de idade e sabe o que faz, se precisar de algo sabe que eu e sua mãe estamos aqui, e achamos que você é bem grandinha e sabe tomar suas próprias decisões. - suspirou. - Claro que, eu iria preferir que você ficasse aqui, comigo, pra conhecer a empresa e...

- Pai, eu te amo, mas eu não suporto pensar em administração. Eu sei que parei a faculdade, que ainda não voltei, e ainda não sei o que fazer, mas eu tenho certeza que a parte administrativa não é. Sinto muito, sei que você adoraria isso, mas eu não suporto.

- Eu sei.

- Lauren deveria ter um bebê, e aí, se fosse um menino, ele iria ser o cara certo pra isso.

- O que? - Lauren gritou. - Não, obrigada, te criar foi o suficiente pra ver que, preciso apenas de você. Agora, cuidarei apenas de meus netinhos por que eu posso devolver eles a você no final da noite.

Coitadinha, ela ainda acha que vai ser avó.

- Obrigada por vocês dois serem tão incríveis. - seguirei a mão de cada um. - Não poderia pedir pais melhores, eu amo vocês.

Não poderia ser mais grata a eles.

E agora, por saber a opinião deles sobre a minha possível mudança, eu tenho que decidir o que quero.

Voltei pra casa cedo.

Lauren ficou no restaurante e meu pai me deixou em casa e logo em seguida voltou pra lá, para lhe fazia companhia.

Acho que iria dar oito da noite ainda, então eu desfiz minha mala e guardei as roupas limpas.

Deixei pra ligar e contar para Lily-Rose o que eu tinha decidido amanhã por que eu tenho certeza que ela já está dormindo e fui terminar de fazer minhas coisas.

Logo que terminei, tomei banho e me ajeitei pra dormir e por te acordado cedo, logo que deitei senti sono então logo adormeci.

Meu celular estava tocando.

Ainda de olhos fechados, eu procurei pelo celular e quando finalmente achei, atendi sem olhar.

- Oi.

- Está acordada?

- Não.

Era Johnny.

Ele riu e ouvi a porta de algo batendo, acho que, de um carro?

- Desculpa te acordar, meu bem, mas já é amanhã.

- Que horas são?

- Meia-noite e três.

- Nossa, eu te amo.

- Eu sei. - ele riu. - Eu estou subindo, você pode abrir a porta pra mim?

- Tudo bem, vou levantar e já vou.

- Obrigado.

Ele desligou e eu me sentei, feliz e fui ficar apresentável para ele.

Fui no banheiro e joguei uma água no rosto e usei um pouco de Listerine e antes de sair do quarto, peguei um casaco pois estava sentindo um frio bom.

Logo que desci as escadas, as luzes não estavam acesas então eu corri até o interruptor e liguei.

Muito melhor a claridade.

Eu fui até a cozinha e peguei um copo de água e fui pra porta esperar Johnny, eu abri a fiquei esperando encostada no batente, de olho no elevador apenas esperando por ele.

Um minuto depois ele apareceu todo galante e cheiroso, ele nem estava tão perto assim pra sentir seu cheiro mas eu tenho certeza que ele está por que ele exala isso.

Cheiro de perfume caro e tabaco.

Delícia.

- Oi. - ele falou quando parou na minha frente e realmente, ele estava cheiroso. - Isso é vodka?

- Meu sonho. - eu ri e bebi do copo. - É água, eu acabei de acordar lembra?

- Sim, mas eu espero tudo de você.

Nós entramos em casa e logo que deixei o copo na pia eu fui até ele e o abracei. Deitei a cabeça no seu peito e inalei seu cheiro delicioso, já estou com saudades.

- Tudo bem? - ele afagou minhas costas. - Desculpa te acordar, eu senti saudades.

- Fofo. - eu olhei pra ele. - Você é incrível, gatinho.

- Você é mais, querida.

Eu o beijei de leve e o convidei para ir até meu quarto, e claro, ele aceitou.

Como ele vai embora hoje, tenho que aproveitar ao máximo.

Eu queria perguntar quando iriamos nos ver por que eu já estou com saudade, mas não fiz. Então estou torcendo pra que seja logo.

Decidi não contar a ele ainda, o que eu tinha decidido sobre morar na França por que não tenho certeza e não quero que ele crie expectativas.

Porém já sabemos a resposta.

Eu peguei o controle da televisão e subi na cama.

- Deita comigo. - pedi puxando o edredom. - O que vamos assistir?

- Onde estão seus pais? - ele tirou o casaco.

- Acho que aqui, ou então não sei. Eles são imprevisíveis.

Ele tirou o que tinha que tirar e subiu na cama, se cobrindo com o edredom esse deitando perto de mim.

- Como foi seu restante do dia? - ele se virou pra mim e quis saber. - Me conta.

- Eu apenas jantei com meus pais. Voltei pra casa, desfiz minha mala e deitei pra dormir.

- Bom.

- E como foi o seu?

- Toquei bastante. Brian até que estava aceitável e isso era muito bom, mas, agora de noite ele não parou de falar um segundo sobre Chantel então eu só esperei a oportunidade certa e saí de lá.

- Muito bom. - ri. - Então, você não está aqui por que sentiu minha falta e sim por que seu melhor amigo é péssimo?

- Talvez...

- Johnny! - o empurrei de leve. - Que audácia.

- Estou brincando. - ele sorriu. - Mas você conhece ele, você sabe...

- Eu sei.

Eu voltei a mexer na televisão, procurando algo de bom.

- O que vamos assistir? - voltei a perguntar. - Que tal um filme seu?

Deus, eu amava quase todos os seus filmes.

E assistir um com ele, nossa, seria incrível.

- Nah, outra coisa. - falou. - Não quero me assistir.

- E por que não? Você é gato, deveria se assistir sempre.

De verdade, ele é lindo, sempre foi.

Tá meio acabadinho meu velhinho no momento, mas ele não vai estar sempre assim. E mesmo assim, lindo demais.

- Mesmo assim, não vamos me assistir.

- Tudo bem.

Triste mas feliz.

- Vai ficar chateada?

- Claro que não, Johnny. - suspirei. - Mas, posso perguntar algo?

- Qualquer coisa.

- Certo. - olhei pra ele. - Em Cry Baby...

- Não. - ele me interrompeu. - Não sobre esse filme.

- Por que? - droga, estou curiosa. - Não é nada demais.

- É sobre o beijo?

- Talvez.

- Então é demais sim, não quero falar.

- Por que? Eu só quero saber se tipo...

- Querida, do jeito que você é ciumenta se eu falar sobre, seja o que for, você vai ficar possessa e eu não quero isso, você quer?

Talvez ele esteja certo mas a curiosidade fala mais alto.

- Eu só quero saber se tipo, foi bom pra você, se foi...

- Não vamos falar sobre isso, por favor.

- Você não querer falar sobre significa que foi bom?

Eu sou masoquista e paranoica.

- Não, não significa isso. Mas, eu acho que você é masoquista por que meu deus, sério que você quer falar sobre isso?

Tá vendo, ele me conhece bem.

- Sim, sério.

- Tudo bem... - ele bufou. - O que quer saber?

- Foi bom? - se ele falar que foi eu choro.

- Foi estranho.

- Estranho não é ruim, pode ser um estranho bom.

Eu me odeio.

- Próxima pergunta.

- Aquele beijo foi uma vez só ou foi mais de cinco?

- Por que cinco em específico?

- Eu acho que cinco são muitas vezes, claro, se fosse eu no lugar dela não estaria reclamando por que nossa, você estava gatinho viu.

- Eu não me lembro exatamente quantas vezes foram. Faz muito tempo.

- Sim, você tá velho né? Mas tudo bem, tá conservado e é tão lindo quanto àquela época.

- Velho, Chloe? Sério?

- Meia-idade, desculpa.

- Sério que você me ama?

- Com todo meu coração. - eu me aproximei dele e o beijei. - Idade é só um número, você sabe, e eu não ligo, mesmo. Eu te acho incrível, um gostoso e acho que você tem muita sorte em me ter por que primeiro que eu sou linda e segundo que sempre vou te lembrar isso.

- Que você é linda?

- Não, que você é um gostoso.

- Meu deus... - ele sorriu tímido e ajeitou o cabelo. - Você é incrível.

- Você é mais, gatinho.

Ele segurou meu rosto e me beijou de leve.

- Algo mais que você queira perguntar? - ele se afastou e acariciou meu rosto.

- Sim, quando você e a Penélope...

- Não, chega, não vamos falar sobre nada que envolva atrizes que já beijei no meu trabalho.

- Tudo bem. - suspirei. - Futuramente, será que você vai beijar alguma? Não que eu esteja preocupada com isso, eu não estou, é só pra eu me preparar psicologicamente pra quando eu ver sabe?

- Eu vou procurar saber, querida, e te aviso, pode ficar tranquila.

- Muito obrigada. Mas, quais são seus próximos projetos?

- Mês que vem começa às gravações de um filme, e no ano que vem de outro.

Perfeito, filmes dele pra eu ser feliz e muito bem alimentada por mais um personagem seu

Maravilha.

- Muito bom, já estou ansiosa.

Eu voltei a atenção pra televisão e coloquei a noiva-cadáver pra assistir.

- Eu pensei ter falado que não queria ver um filme meu.

- Sim, mas você nem aparece.

Eu amava esse filme, era incrível e eu amava sua voz.

- Não, mas fui eu que dublei.

- Sim. - sorri. - Perfeito né? Amo sua voz e amo o Victor.

Ele não discutiu e eu dei play, feliz.

Eu me aconcheguei junto a ele e o beijei
no rosto, eu disse que o amava e deitei a cabeça em seu peito pra assistir. Ele fez carinho no meu cabelo por muito tempo e acho que dormi, por que não lembro de ter visto o final do filme.




Senti beijos no meu rosto, e depois no meu pescoço e depois no meu rosto de novo.

Estava tão quentinho seu abraço.

- Chloe?

- Hmmm?

Eu abri meus olhos e pela claridade é cedo e já amanheceu.

Droga, eu dormi demais.

Ainda bem que ele está aqui pra se despedir por que se não eu iria chorar mais ainda.

- Você pode olhar pra mim? - pediu. - Eu quero propor algo.

Ai meu deus, ele vai me pedir em casamento?

Eu sinto que vai, eu sinto.

E droga ele foi mais rápido que eu, eu queria pedir primeiro.

- O que? - me virei rápido demais, ansiosa. - Em casamento?

Ele olhou pra mim e riu, jogando a cabeça pra trás.

Ele tá rindo de nervoso eu tenho certeza.

- Você tá nervoso né? - me sentei. - Eu sei, mas saiba que a minha resposta é sim, claro. Cadê o anel?

- Querida... - ele deitou a cabeça no travesseiro, risonho. - Eu posso falar?

- Eu pensei em um de ouro branco, com diamantes e uma pedra azul, o que você acha?

Eu não era exigente, mas, nossa, a que eu tinha visto era linda e eu fiquei apaixonada. Vi outra também só que era com rubi, vermelho vivo e fiquei muito apaixonada.

Qual será que ele comprou?

Nem estou acreditando.

Estou nervosa.

- Você foi muito específica, andou pesquisando?

- Com toda certeza! Você não?

- Bom, ainda não.

- Então, você não está me pedindo em casamento? - droga. - Não é isso que você está me propondo?

- Não.

Que vontade de me matar.

Eu gemi frustrada e me deitei, me cobrindo pra esconder a vergonha.

Que vontade de me matar, mesmo.

Sou muito emocionada mas sério, o que mais ele iria me propor além de casamento?

Tá, tem muitas coisas mas mesmo assim, tô querendo é casamento pra ser feliz até que a morte nos separe.

Mas, do jeito que ele termina comigo sempre eu não posso nem sonhar com casamento.

Tem que rir pra não chorar mesmo.

- Tudo bem. - suspirei. - Eu não estava tão preparada assim pra aceitar seu pedido então ainda bem que não é. Então, é sobre o que?

- Olhe para mim. - pediu e demorei um pouquinho para fazer, mas fiz. - É muito bom saber que você está pronta para dizer sim, mesmo. Mas, o que eu quero pedir mesmo é se você quer ir morar comigo, você quer?

- Oi? - o que? - Pode repetir?

O que ele disse?

- Por que você está surpresa?

Por que eu não estaria?

- Eu não estava esperando...

- Querida, você achou que eu iria te pedir em casamento.

- Eu sei, mas é diferente, ir morar com você é outra coisa.

- Por que é diferente?

- Por que sim, não sei explicar, mas é diferente.

Isso era um passo enorme.

A gente se conhece a o que, um mês mais ou menos?

E ele já terminou comigo duas vezes.

Se ele terminar comigo uma terceira vez eu quebro, totalmente.

E seria ainda pior se ele terminasse comigo e eu estivesse morando com ele, o drama seria maior.

- Eu sei que é cedo, mas eu te amo e quero muito isso. Se você não quiser morar comigo na França eu posso me mudar pra cá, você pode escolher a casa, o apartamento, o que você quiser. Eu compro.

É cedo demais pra eu pensar nisso.

- Que horas são?

- Não faço ideia.

Eu respirei fundo e me sentei e respirei fundo mais uma vez.

- E se você terminar comigo de novo?

Isso era algo que eu tinha medo, muito medo. Eu não queria ser tão dependente dele, só que eu estava começando a ser e isso não era bom.

Eu sinto que vou quebrar totalmente se passar por algo assim de novo, eu sinto.

- Eu não vou.

- Como você sabe?

- Eu não sei. - ele se sentou e pegou minhas mãos. - Eu não sei mesmo. Mas eu não quero isso então eu não pretendo isso, você vai ter que confiar em mim.

Isso era fácil, mas ao mesmo tempo parece tão difícil.

- Marilyn falou que você estava pensando em se mudar pra cá, pra ficar perto de mim.

- Sim, estou. Mas como última opção, apenas se você não quiser mesmo morar comigo lá. Eu gosto muito da minha casa, porém gosto mais de você e faria esse esforço por você.

Eu amo esse homem.

Ele é perfeito, tudo que eu poderia querer.

Perfeito pra mim.

- Eu tenho que pensar.

- Não se sinta pressionada, eu te convidei, tudo bem se você não quiser. Nós damos um jeito, eu apenas quero ficar ao seu lado e ser feliz.

Eu não aguento.

- Tudo bem. - suspirei. - Eu vou pensar com carinho.

- Obrigado.

Agora que eu preciso pensar de verdade e seriamente.

Agora, a nossa relação está ficando séria e vamos ter que começar a resolver as coisas em consenso.

Mas primeiro eu tenho que decidir isso.

E ainda tinha Lily-Rose.

Meu deus, o que eu vou fazer da minha vida?

- Lily-Rose me pediu pra morar com ela e eu estava cogitando aceitar. - olhei pra ele. - O que você acha que eu devo fazer?

- Não sei, o que você quer fazer?

- Não sei.

Eu não sei mesmo.

- Querida, não precisa saber agora. Eu vou pra casa hoje e que tal, nesse final de semana você ir ficar comigo? - propôs. - Sem pressão, apenas nós dois.

- Sem o Marilyn?

Sem o Marilyn era tentador de mais.

- Sim, sem ele. - sorriu. - Aviso que seria bom você aceitar por que ele vai estar em show e não vai conseguir viajar pra te importunar.

Ainda bem que ele conhece o amigo que tem.

- Tá, eu vou.

Não pode perder as oportunidades que a vida nos dá.

Agora, eu tenho que pensar o que eu vou fazer da minha vida e qual decisão tomar.

Eunão queria ser eu.

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