49
Eu não quero passar por isso de novo e não pretendo deixar acontecer.
Já basta o que aconteceu no meu antigo relacionamento e agora isso?
Eu jurava que iria ser diferente.
Então, me recusei a chorar.
Duas vezes.
Uma vez só e foi o suficiente pra tentar ficar bem.
Mas, ainda me sinto mal.
Porque meu deus, dói tanto.
Chorei muito.
Ele não voltou para o quarto e eu nem saí.
Eu realmente achei que ele fosse voltar e não sei, se desculpar talvez e conversar.
Mas não, não aconteceu.
O que eu faço da minha vida agora?
Depois de secar minhas lágrimas eu peguei meu celular pra ver as horas e ainda iria dar dez da manhã.
Abri as cortinas do quarto e o tempo estava meio nublado e o mar estava agitado.
Que dia mais lindo, perfeito.
Eu vesti minha blusa por que eu precisava ir ao banheiro e ver o que vou fazer da minha vida.
Antes que eu pudesse pensar nisso, a porta se abriu com tudo me assustando.
- O que você fez? - era Marilyn e ele estava aparentemente bravo. - Que merda você fez, boneca?
- Ah, vai a merda, Brian. - mandei. - Não me estressa.
Eu não fiz nada de errado.
- O que aconteceu? - ele insistiu. - Por que Johnny está triste?
Piada, é piada tenho certeza.
- Ele está é? - perguntei com desdém. - Bom pra ele, tem que estar mesmo.
Se ele está triste eu estou com o pior de triste, estou desolada.
E eu nem tinha feito nada de errado, e agora é sério.
- O que você fez?
- Merda, eu não fiz nada! - quis gritar. - Ele que terminou comigo!
- De novo?
Irritada, eu peguei o travesseiro e joguei nele.
- Ai. - se lamentou. - O que aconteceu?
- Segundo ele, eu estou começando a afastar ele, e ele chegou a está conclusão pelo simples fato de que não quis transar com ele hoje!?
Acho que era isso.
E nem conversar ele quis.
Nem me explicar ele deixou.
- Sério? - ele fez uma careta. - E por que você não quis? Ele é todo bonitão e...
Eu peguei o outro travesseiro e joguei nele.
- Cala a boca, Brian. - rosnei. - Você não sabe de nada.
- E por isso quero saber! Sério, eu não vou aguentar mais ouvir ninguém chorando perto de mim e nenhuma lamentação.
- Problema seu.
Estou com ódio, muito ódio.
Eu que tenho todo o direito de estar triste, não ele.
Foi ele que terminou e deve estar muito feliz com sua atitude.
Vai ver essa isso que ele queria o tempo todo.
Se interessou por mim, viu que eu era fácil pelo simples fato de gostar dele e usou isso a seu favor.
Hipoteticamente, claro, eu não sei o que ele pensa.
Mas no momento, sinto apenas o desprezo.
- Sim, meu mesmo, sou amigo dos dois e preciso consolar os dois.
- Não me importa. - me levantei. - Eu vou ir embora mesmo.
Era a melhor coisa que eu fazia.
- O que? Por que? - Marilyn quis saber. - Você...
- Sério que você tá me perguntando isso? - me virei pra ele. - Sério?
- O que exatamente você disse? - ele quis saber. - Me conta.
- Hm... - parei pra pensar um pouco. - Ele falou algo, eu falei algo e então ele falou de novo, e eu disse a ele que se algo o estava incomodando, que fizesse algo em relação a isso.
- E?
- E ele fez, Brian! Ele fez! Terminou comigo.
- Uh, isso é péssimo. - ele coçou o rosto. - Mas por que você falou isso? Não que eu esteja do lado dele, não estou do lado de ninguém. Estou apenas querendo entender.
Foi bom ele falar isso por que eu iria jogar a mesa na cara dele se ele tivesse falado que estava do lado do amigo.
- Eu apenas... - respirei fundo. - Eu não sei! Não achei que ele fosse realmente terminar comigo, eu só...
Não deu tempo. Não deu tempo de fazer nada e de falar nada.
Ele não queria ouvir e eu...
- Você o desafiou, ele não gosta disso.
- Foda-se também, não me importo.
Ele que lide com isso sozinho, eu não aguento mais.
- Você vai se arrepender. - Marilyn falou. - Não faça nada precipitada, você não precisa ir embora.
- E o que eu devo fazer, Brian? - perguntei. - O que eu vou ficar fazendo aqui se não tem mais motivo?
Eu vim com ele, e vou embora sem ele.
Maravilha.
- Eu estou aqui, porra! Você vai ficar comigo.
- Não, obrigada. Prefiro ir embora.
- Assim você me magoa. - ele tocou o peito. - Vamos lá, vamos sair e nos divertir, beber ou algo assim.
- Acho melhor não... - suspirei. - E beber essas horas?
- Claro que sim, vai ser muito bom porque vai ser mais horas bebendo. - ele sorriu. - Vamos, Chloe, vamos beber até esquecer.
Relutante, eu concordei.
As vezes era bom estar na companhia de Marilyn e são nesses momentos assim que eu gosto mais dele.
- Tudo bem.
- Isso! Vê se dá um jeito nessa cara inchada, não quero assustar as pessoas.
- Cala boca.
Eu odeio ele.
Mas é um caso mais de amor e ódio.
Ele saiu e eu fui pegar uma roupa e uma toalha pra tomar banho.
Que eu consiga me distrair e não pensar nisso.
Quando eu estava pronta e preparada pra qualquer coisa, passei no quarto do Marilyn pra chamar ele.
Eu ainda não tinha visto Johnny e agradeci por que talvez eu fosse chorar e não queria que ele visse, então, eu estou agradecida.
A porta do quarto de Marilyn estava aberta e eu bati no batente pra chamar sua atenção.
- Ei. - chamei. - Tô pronta.
Ele estava com uma xícara de café na mão e estava bebendo, sentado na cama.
- Vou só me trocar. - ele avisou e se levantou. - Já comeu?
- Não.
Não quero e não estou com fome.
- E você não vai?
- Nah, não estou com fome.
- Ok... Mas, você vai passar mal por que iremos beber e se você estiver de estômagos vazio...
- Eu sei, mas, eu não quero, não agora. Mais tarde eu como algo.
- Certo.
Eu iria perguntar sobre Johnny, onde ele estava e se estava bem mas me seguirei e achei melhor não saber.
- Aqui. - Marilyn pegou a chave do carro e jogou pra mim. - Me espera no carro que eu já vou descer.
- Ok.
Eu balancei minha cabeça e sai.
Desci as escadas e a casa estava muito silenciosa, não tinha um único barulho e isso era ruim demais.
Eu saí da casa e caminhei até o carro destrancando e abrindo, colocando o sinto e me ajeitando no banco do passageiro esperando Marilyn aparecer.
Eu esperava que fossemos pra um lugar legal.
Um momento depois, Marilyn apareceu e eu quis sair do carro no mesmo momento, ele não estava sozinho.
Johnny estava com ele.
- Merda. - xinguei. - Merda, merda.
Eu abaixei o vidro do carro e tentando não chorar, chamei Marilyn.
- Achei que tivéssemos um trato. - consegui dizer e não olho na direção oposta a dele, eu sabia que ele estava lá. - Que seria apenas nós dois.
- Eu não lembro de termos feito trato nenhum. - ele deu de ombro e deu a volta no carro e abriu a porta, mexendo no em algo no banco de trás. - Ele não vai.
Menos mal.
Se ele fosse conosco eu realmente iria embora.
Eu me virei pra frente e fiquei olhando para qualquer lugar menos pra ele, querendo que Marilyn saísse com o carro logo.
Mas ele não fez.
Eu me virei para o inútil e ele estava me olhando.
- Vamos logo. - pedi. - Por favor.
- Eu... Esqueci minha carteira. - falou e eu quis matar ele. - Volto rapidinho.
Desgraçado, nojento.
Achei que era meu amigo.
Ele saiu e eu respirei audivelmente, tentando não surtar.
Eu sabia que ele estava me olhando do lado de fora do carro, eu sabia. E por isso não me mexi um centímetro pra comprovar isso, eu conseguia sentir.
Maldito homem fodedor de coração de ex namorada.
Eu o odeio.
- Chloe.
Sua voz era baixa, particularmente perto e muito suave. Eu resolvi ignora, não quero falar com ele.
- Por favor, podemos conversar? - pediu.
- Não.
Pra não ter que ouvir ele falar mais, liguei o som do carro e coloquei em uma rádio qualquer, pra impedir de escutar qualquer coisa que ele falasse.
Mas, ele se inclinou pra dentro do carro e desligou no mesmo momento.
- Por favor. - voltou a pedir. - Um minuto apenas.
- Tempo demais, não quero ouvir.
De verdade, era ele que estava me irritando agora.
O que ele iria dizer?
Que se arrepende? Que sente muito por ter ferrado com tudo? Que não era intenção?
Sim, provavelmente é isso mesmo.
E eu não quero ouvir isso.
Ele iria dizer que queria voltar? E que não vai voltar a acontecer?
Sim, é isso.
Mas sim, iria voltar a acontecer sim.
Eu sei disso.
- Meio minuto então. - propôs. - Por favor.
Trinta segundo é muito pouco, ele não conseguiria dizer tudo e eu não conseguiria ouvir tudo.
Então, me vi concordando e torcendo pra Marilyn voltar logo para sairmos de uma vez.
- Pode olhar pra mim? - pediu. - Quero que você seja sincera.
Agora ele quer sinceridade.
Sempre fui sincera com ele, em relação a tudo. Mas, diferente dele...
- Em relação a que? - olhei pra ele de uma vez, pra acabar logo com isso.
- Você fez algo?
- Tipo o que?
- Se machucou ou algo assim?
Ah, ele queria saber se eu tinha me cortado ou não...
Tadinho, consciência começou a pesar.
- Não. Falei sério quando disse que não voltaria a fazer.
- Bom. - ele balançou a cabeça e deu um passo atrás, se afastando do carro. - Ok. É bom saber sobre isso, me sentiria mal se você voltasse a fazer e fosse por minha causa.
- Novamente. - lembrei, e era uma indireta.
- É, novamente. - ele olhou pra baixo. - Sinto muito.
Claro que se sentiria.
- Uhum. É só isso?
- Sim. Fica bem.
Ele acenou e se virou, voltando para dentro da casa.
Meu coração começou a bater muito forte por que, não achei que fosse ser apenas sobre isso.
Burra e iludida, achei que ele fosse quer conversar e entender e compreender o que tinha acontecido, mas não, ele não estava disposto a isso.
Sou muito iludida, estava muito esperançosa que seria sobre isso.
Ao menos, ele se preocupa.
Mas, a partir de hoje ele não tem mais esse direito.
Então, da próxima vez eu vou ignorar e ele vai ficar falando sozinho.
Marilyn apareceu dois minutos depois e assim que entrou no carro, eu o soquei no braço.
- O que é isso? - ele falou alto e tocou o lugar batido. - Eu estou te levando pra beber, te fazer companhia, vou pagar e ainda por cima sou agredido? Eu deveria te mandar sair do meu carro.
- Eu te odeio, Marilyn. - deixei claro. - E você demorou demais.
Eu iria dizer que estava cansada dele, que não via a hora de conhecer os outros amigos do Johnny.
Mas não deu tempo.
E eu me contento com Brian, ele é uma boa pessoa e vou agradecer sempre por ele estar comigo agora e antes, da primeira vez, e por não me deixar morrer de tanto me lamentar.
- Assuntos proibidos e atos proibidos. - ele falou assim que ligou o carro. - Nada de falar sobre Johnny e o término de vocês. Nada de se arrepender de nada e nada de agredir seu parceiro de bebedeira.
- Fechado.
Já estou arrependida de ter vindo.
Por algum motivo viemos parar em uma vinícola de degustação de vinho.
Eu nem sabia que tinha isso em Malibu.
E não menos importante, eu odeio vinho.
- Eu odeio vinho. - deixei claro pra ele assim que saímos do carro. - E você sabe disso.
- E você sabe que eu amo. - ele veio até mim e passou o braço ao redor dos meus ombros. - E claro, não é por que Johnny terminou com você que vamos fazer apenas tudo que você gosta. Vamos fazer o que eu gosto também.
- Nem ligo, foda-se.
Eu só queria me distrair e não pensar em hipótese alguma de voltar com ele.
Porém, os momentos que passamos.
O sexo intenso.
As tatuagens...
Droga, eu quero chorar.
Eu toquei na cintura de Marilyn e apertei, um gesto pra não chorar. Ele parou de andar e olhou pra mim.
- Ai, Chloe, não começa a chorar não, por favor. - ele me abraçou meio de lado e beijou minha testa. - Esqueci de dizer que você não pode chorar também, eu me sentiria péssimo e saberia que você não está se divertindo.
- Eu não estou. - funguei. - Eu só quero chorar e chorar mais, e eu odeio vinho. Não poderia ser uma fábrica de vodka ou algo assim?
- Não.
Droga, tudo bem.
- Apenas não?
- Sim.
- Tudo bem. - eu suspirei e sequei as lágrimas que queriam cair mas não deixei. - Eu supero. Mas por favor, diga que mais tarde vamos beber algo bom?
- Nós vamos. - ele sorriu. - Agora, vamos ver como funciona. Está sentindo esse cheiro de uva? Eu estou apaixonado.
Que Deus me ajude.
Era mesmo uma vinícola.
Fizemos uma pequena excursão pela área, passamos por diversas plantações de uva e viemos todo o procedimento de como é feito e depois, fomos para a parte da degustação.
Em um espaço aberto tinha diversas mesas e o lugar não estava tão cheio assim.
Pelo que entendi, nós provamos os vinhos e marcamos qual escolhemos para depois levar uma garrafa pra casa ou algo assim.
Tinha alguns petiscos na mesa como diversos tipo de queijos, pães e algumas frutas.
Absolutamente nada de bom pra comer.
Marilyn estava muito feliz com seu cartão pra marcar qual ele gostava ou não, já eu nem tanto mas era uma forma boa de me distrair.
- Aqui. - ele se inclinou pra perto e me mostrou o cartão. - Você da a nota e escreve o que você não gostou.
- Deixa eu já preencher então que já sei que não vou gostar de nenhum.
- Não seja assim. - ele fez uma careta. - Primeiro prova e depois marca, sem pressa.
- Ok. - revirei meus olhos. - Farei um esforço.
E então começou a degustação e adivinha, todos muito ruins. Ou muito doces ou então muito seco, ou então apenas ruim.
Me divertir um pouco por que Marilyn ficava indignado com a minha opinião.
Eu bebi muita água e também comi algumas frutas e nozes, até que deu pra me distrair e não pensar em coisas que vão me magoar.
Quando um garçom ou algo assim, deixou duas taças na nossa frente os olhos de Marilyn brilharam.
- Acho que desse você vai gostar. - ele empurrou a taça mais pra minha frente. - Experimenta.
Eu peguei a taça e cheirei um pouco, tinha um gosto bom de maçã verde mas não quis me iludir por que né.
E então eu provei e até que não era ruim, tinha um gostinho cítrico e era agradável.
- É, até que tem um gostinho bom. - falei. - Porém vodka é mil vezes melhor.
- Eu desisto de você, Chloe, de verdade.
Eu não duvidava, mesmo assim, ainda bem que ele ainda não desistiu.
Depois que saímos da degustação umas duas da tarde, Marilyn insistiu em irmos almoçar.
Eu não estava com fome mas fomos mesmo assim.
Ele pediu carne com legumes e eu por não estar com tanta fome assim, peguei um mousse de chocolate.
- Você deveria comer. - ele falou logo que o garçom de afastou. - Você vai passar mal.
- Não. Eu estou bem. Estou cheia de tanto vinho ruim que tomei.
- Não insulte vinhos dessa maneira. - pediu rindo. - Eles não têm culpa do seu gosto ruim.
- Claro, claro. Mil perdões, tadinho deles.
Marilyn era impossível.
Assim que terminamos de comer, saímos e logo do lado de fora do restaurante uns garotos da minha idade mais ou menos pediram pra tirar algumas fotos com ele e falaram o quão ansiosos estavam para o próximo show dele na cidade.
Tem gosto pra tudo né gente.
Antes deles saírem, um deles olhou pra mim e logo se virou para o Marilyn.
- Sua namorada é bem bonita.
Não disseram mais nada e simplesmente saíram.
Fingi uma ânsia de vômito no mesmo momento, só de pensar nessa possibilidade.
- Que nojo. - falei. - Me deu até ânsia.
- Idiota. - ele riu. - Que nojo mesmo.
- Mas eles tem razão, eu sou bonita mesmo.
Se eu não me achar, quem mais além dos meus pais vão?
- Vamos logo beber.
E nós fomos.
E bebemos.
Muito.
Na verdade, eu bebi muito.
E me senti tão bem.
E depois tão mal.
Tão mal que por algum motivo, assim que abri meus olhos eu estava em um quarto de hospital.
Reconheci por ser branco e todo o barulho dos aparelhos.
- Que grande merda. - falei e fechei meus olhos, tudo estava girando.
Meu deus, o que foi que aconteceu?
Voltei a abrir meus olhos devagar e respirei fundo, minha visita estava começando a se acostumar com a claridade do quarto.
Me sentei cansada e olhei pra janela, lá fora estava escuro.
Espero não ter apagado por muito tempo.
E onde foi que Marilyn se meteu?
Toquei meu braço por que estava com um cateter e subi meu olhar vendo que eu estava no soro pela metade.
Maravilhoso.
Odeio coisas na minha veia.
Tirando a fita que segurava a agulha, puxei para fora devagar e fiquei calma.
Bem melhor.
E agora eu quero ir embora.
Vi que meu celular estava na mesa em frente a cama e eu me inclinei pra pegar, desbloqueando vi que tinha algumas ligações da Lauren e uma da Lily.
Droga, espero que elas não estejam preocupadas.
E onde caralho Marilyn se meteu?
Eu voltei a me deitar na cama e respirei fundo, esperando.
E esperando mais, mas ele não apareceu.
Eu apertei um dos botões que tinha no controle da cama e logo uma enfermeira apareceu.
- Olá, querida. - ela sorriu amigável. - Já terminou seu soro? Seu amigo já vem, foi fazer uma ligação. - ela se aproximou e viu que eu tinha tirado o cateter, ela suspirou e foi até uma gaveta. - Você não pode tirar até ter terminado.
- Eu não gosto de agulhas na minha veia...
Ela me ignorou claro, e trocou o cateter por outro e voltou a me furar com aquilo.
Que ódio, eu iria xingar ela mas ela não tem culpa, é seu trabalho.
- Está quase acabando. - ela disse mexendo na bolsa de soro. - E aí você pode ir embora. - sorriu.
- Vai demorar?
- Um pouquinho. Você deveria se alimentar melhor.
Eu me alimento bem senhora, fique tranquila.
- Uhum.
- Eu vou trazer uma gelatina pra você. - ela afagou meu braço. - E avisar pra seu amigo que você já acordou.
- Obrigada.
Dez minutos depois, Marilyn apareceu todo risonho.
- Você está bêbado? - eu tive que perguntar.
- Não. - ele sorriu. - Eu estava falando com o Johnny.
Claro que estava.
Mas... Ele estava aqui?
Claro que não, não sou mais nada pra ele.
- Então, como você está? - ele se aproximou e se sentou na poltrona ao lado da cama. - Eu disse que você iria passar mal, você não quis comer sua teimosa.
- É, acontece.
- Mas foi bom pra você ao menos?
- Acredito que sim, eu me sinto mais leve. - toquei meu braço, querendo tirar logo essa agulha. - Mas, não queria estar aqui.
- Você bebeu muito, e vomitou mais ainda. Não achei que você fosse parar no hospital mas, você estava tão mal que eu tive que trazer. - contou. - Vai melhorar com o soro.
- Uhum.
Mas meu coração não.
Nunca mais.
Ainda bem que não fomos pra casa por que eu veria Johnny e seria absurdamente vergonhoso, eu iria ficar me atirando pra cima dele e isso será estúpido da minha parte.
Ainda bem que não aconteceu.
- Ele veio... - ouvi Marilyn dizer em voz baixa. - Ficou aqui com você, mas acabou de sair. Não queria que você soubesse, mas eu estou contando mesmo assim.
Sinceramente, não sei o que falar.
Ele é tão confuso.
- Não sei se você quer ouvir mas eu vou falar mesmo assim.
- Não quero mesmo.
Mas do que adianta se ele vai falar.
- Ele gosta de você, muito. Ele está apaixonado, de verdade. E, ele se sente todo bobo quando está com você, não sabe o que fazer. Ele te acha linda, incrível e super livre. Então, automaticamente ele se sente pequeno, velho e nada atraente.
Merda.
- Ele é cabeça dura, esquentado e impulsivo, eu sei disso. Mas, ele está aprendendo a deixar de ser assim agora, depois de ter se separado dela. - suspirou. - Eu não deveria ter falado nada ontem, não era problema meu. Mas, eu não gosto de ver ele assim e não gosto de te ver assim, eu me sinto mal. Me sinto mal por que vocês dois estão fodidos e tiveram em um relacionamento ruim, e eu torço pra nem ele e nem você passarem por isso de novo.
Isso é tão fodido.
E ele é tão fofo e compreensivo, que ódio.
Te amo Brian te amo.
- Brian, eu juro, que se ele tivesse falado, não necessariamente naquele momento mas depois, ou futuramente, sobre qualquer coisa que fosse, eu iria entender. Juro que iria. Mas eu não entendo ele, eu não fiz nada demais. Ele não quis falar sobre e não deixou nem eu me explicar, ele simplesmente não ligou.
- Eu sei.
- Ele deve estar, eu não sei, confuso, inseguro, mas eu entendo. Eu entendo qualquer coisa porque agora eu me sinto assim também, você falou sobre ele e Amber e isso mexeu comigo porque meu deus, eles namoraram, eles se casaram. Se você gosta de alguém, se você ama alguém você jura amor eterno porque é assim que as coisas são. Eu o conheço desde sempre, eu via a forma que ele olhava para ela, no começo, muito apaixonado, muito... Eu não sei, não sei.
- Ele não é mais apaixonado por ela, porque ele é por você. Eu sei disso. E você também deveria saber.
- Ele não diz, ele não diz nada!
- Mas ele mostra. - falou. - Ele te trata muito bem, te protege de tudo, ele até está pensando em se mudar da França só pra ficar mais perto de você, você sabia disso?
- Não.
Eu não posso chorar, não posso.
- Ele não quer que nada de ruim aconteça com você, ele morreria.
Droga, eu não sei mais o que pensar.
Eu olhei para o teto para impedir as lágrimas de caírem.
Mas era tão difícil.
- Não quero que nada que eu tenha dito interfira nas suas escolhas e...
- E você diz isso só agora? - ri, nervosa. - Agora já é tarde.
- Chloe, sério, olha pra mim. - eu fiz. - Você é forte. Segue seu coração. Não faça nada que não queira, se quer ficar com ele ou não, você decide. Eu vou estar do seu lado seja lá qual for a sua escolha, eu te considero muito, muito mesmo. Então sim, quero que você pense com calma e nada que eu tenha te contado interfira no que você achar que deve fazer.
- O problema é que eu ainda não sei o que fazer.
- Não tem por que ter pressa, uma hora você vai saber.
- Tudo bem. - suspirei. - Obrigada por ter falado comigo.
- Claro, mas se eu não falasse você iria ficar chorando e se lamentando e eu não conseguiria passar por isso de novo, você fica chata demais.
E voltamos a programação normal.
- Se eu não estivesse com essa droga de cateter no braço eu iria te bater.
- Sei.
Eu iria pensar bem, e iria decidir o que fazer.
O que eu sabia, ou achava que sabia era;
Johnny está inseguro.
E não é pouco inseguro, é muito.
E por isso não sabe como agir e fica fazendo essas merda.
Se ele está feliz com suas atitudes?
Talvez não.
E ele faz algo pra mudar?
As vezes não.
E a maneira que ele encontra é de terminando comigo.
Ou seja, eu fico mal, ele fica mal, nós dois ficamos mal e quem sofre é Marilyn.
É sobre isso.
Mas nossa, que homem mais confuso, meu deus.
Decidida a colocar um ponto final na história, me ergui, já sabendo o que iria fazer e esquecendo do negócio no meu braço, puxei.
- Puta merda! - xinguei. - Eu odeio agulha.
Quando finalmente fui liberada, era quase meia noite.
Quando entramos no carro eu já comecei a ficar apreensiva e nervosa, ansiosa pra encontrar Johnny.
Eu iria conversar com ele e deixar tudo claro, se ele quiser ouvir, ótimo, se não quiser problema dele pois vai ouvir mesmo assim.
Quando Marilyn estacionou na garagem, eu quis desistir, eu não estava pronta.
- Vamos? - chamou, mas eu não me movi. - Chloe, vamos.
- Eu não consigo.
- Mulher, é só abrir a porta e descer. Fácil, sério que você não consegue? - ele riu e eu olhei bem pra ele, séria. - Estou brincando, calma. Você tá bem? Quer que eu fique aqui com você?
- Não, estou bem. Você pode ir.
- Certo. - ele abriu a sua porta e desceu. - Fica bem, ok? Caso precise de mim, chamar apenas se for muito urgente e você não conseguir resolver, fora isso, o que eu tenho a ver? E, tranca o carro por favor.
- Tá, Marilyn, tá e obrigada. É bom saber que posso contar com você pra tudo.
- Por nada, boneca.
Muito risonho ele fechou a porta e me deixo lá, sozinha.
Eu respirei, ainda um pouco nervosa, mas conseguindo me acalmar.
Está tudo bem.
Vai ficar tudo bem.
Era o que eu repetia pra ver se dava certo e eu acreditava nisso, pra ser mais real.
Quando finalmente abri a porta do carro e desci, fiquei mais corajosa e já quis falar tudo que eu gostaria de falar.
Não tinha por que de eu ter medo, eu conhecia Johnny e ele era muito adorável quando queria, mas eu ainda estou sentindo esse bloqueio em relação a ele.
Quando tranquei o carro e entrei na casa, o silêncio me tomou.
Passei na cozinha pra tomar um copo de água e quando sai, vi que Johnny estava deitado no sofá da sala. Ele estava com o celular no peito e suas mãos estavam entrelaçadas, ele olhou rapidamente pra mim mas logo desviou o olhar.
Receosa, eu me sentei no sofá oposto ao dele e fiquei esperando e criando coragem pra começar a falar.
Mas foi ele que tomou inciativa.
- Você está bem? - quis saber, mas ele continuava a olhar pra cima, não pra mim.
- Sim.
Isso vai ser mais difícil do que eu pensei.
- Fico feliz em saber. - ele se ergueu e levantou. - Eu vou pegar algumas coisas no quarto e você pode dormir lá, eu fico aqui embaixo e...
- Eu quero falar algo. - o interrompi. - Você pode me ouvir, por favor?
Eu pareço estar implorando, e talvez eu esteja mesmo. Mas, queria que ele ouvisse, sem eu ter que implorar por que provavelmente eu faria, por que ele precisava ouvir o que eu tenho pra dizer.
- Sim. - ele voltou a se sentar. - Eu posso.
É agora.
- Eu tenho algumas coisas pra falar e... - desviei o olhar, não querendo focar muito nele pra não perder o raciocínio e, ferrar com tudo. - E você vai me ouvir, por que o que eu tenho pra falar é importante e vai ser a última vez que eu vou dizer.
- Certo.
- Primeiro de tudo. - eu olhei pra ele. - Eu não sou a Amber, e nunca vou ser. Eu sou o oposto dela e tenho certeza que você já percebeu isso.
Ele não disse nada, ficou quieto, então eu continuei.
- Eu sou uma garota livre depois de quatro fodidos anos, e eu não queria entrar tão cedo em um relacionamento, mas aconteceu. E gosto muito dessa escolha, por que é com você, mas o que eu não gosto é no que isso envolve. Você foi tão ou mais magoado do que eu fui e até nisso nos combinamos, mas, isso não significa que vamos fazer as mesmas coisas e passar pelas mesmas coisa. Eu não quero isso, e tenho certeza que você também não quer.
- Eu...
- Não. - interrompi. - Eu estou falando agora. Você teve essa oportunidade e não quis, porque você é assim e é isso que fode com tudo. Se tem algo que te incomoda, diga, não faça o que acha que é o melhor a se fazer. Fale, converse, se não quer falar sobre isso, diga; Eu não quero falar sobre isso agora, é assim que se resolve as coisas. Ou melhor, é assim que eu resolvo as minhas coisas, e acredite, foi muito difícil até eu aprender. Não adiantava eu fazer menos que isso, ou mais que isso, do mesmo jeito aquilo me consumia e eu me sentia pior ainda. Não se deve guardar as coisas pra nós, se você tem a oportunidade de colocar pra fora, faça.
Ainda bem que ele estava escutando, porque se ele não fizesse eu iria ficar muito puta.
- Johnny, eu sei que eu sou jovem, bonita e incrível. E eu jamais faria algo pra te magoar, eu nunca faria isso. Eu te amo, e você sabe disso. Eu digo sempre e sempre vou dizer por que é verdade, eu sempre vou te amar. Não tem por que você se sentir inseguro, eu não dou a mínima pra ninguém além de você. Você é incrível, uma das melhores pessoas que eu já conheci e nada vai mudar isso, meu sentimento por você vai ser o mesmo.
Eu estava muito orgulhosa de mim por não estar chorando, de verdade.
- Você consegue entender isso? Entende que eu te amo? Que eu estou apaixonada por você e me magoa o fato de você fazer isso? - perguntei. - Essa dúvida que você tem de mim sendo que eu nunca te dei nenhum motivo, ou dei? E não tinha necessidade de você ter terminado comigo, teria poupado tanta coisa... Você entende isso?
- Sim, eu entendo.
Eu não iria pressionar ele, eu já tinha falado tudo que eu tinha pra falar e agora ele iria tomar iniciação.
- E sobre ontem... Eu apenas...
- Não precisa falar sobre isso, deixa, eu não queria te forçar a nada, eu não iria te forçar a nada. Apenas lembrei de algo que me deixou irritado, te devo desculpa, não era totalmente sobre você.
Entendo.
- Ok, que bom. - me levantei. - Era isso que eu tinha pra dizer, agora você pode ir pegar suas coisas e não sei, fazer o que quiser.
Esperava que ele se decidisse logo, que tivesse entendido tudo que eu tinha falado e que veja isso como um conselho, não um julgamento.
Nós subimos juntos para o quarto e quando eu peguei uma roupa pra tomar um banho e tirar esse cheiro de hospital, ele ficou no quarto pegando suas coisas pra descer.
Depois de limpa, quando eu voltei, ele já não estava mais lá, eu me deitei sozinha na cama de casal e tentei dormir.
Algo me acordou um tempo depois, braços ao meu redor e seu corpo quente junto ao meu. Senti seus lábios na minha cabeça e o abraço forte que ele me deu foi bom, reconfortante.
- Me perdoa, querida. - ele sussurrou.
Claro que eu perdoava.
- Caso você termine comigo uma terceira vez não vai ter volta. - falei baixo. - Se isso acontecer, você vai me perder pra sempre.
É isso.
Agora,seja o que ele decidir.
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