30


Pela segunda vez no dia eu estava em um estúdio de tatuagem.

Maravilha.

Lauren doida entrou no primeiro estúdio que ela encontrou e pra sorte dela era uma mulher e que trabalhava absurdamente bem.

- O que vamos fazer, filha? - ela quis saber.

Ela estava alegre demais, nem acredito que estamos aqui.

- Você realmente vai fazer isso, Lauren? - perguntei. - Você sabe que não é temporário isso.

- Não me diga, Chloe! - ela me empurrou de leve. - Eu sei disso! Deixa de ser medrosa e me ajuda a pensar em algo...

- Certo. - suspirei. - No que você pensou?

- Tudo bem... - ela sorriu. - Eu pensei em tatuar algo que você escrevesse sabe? E em algo nosso e também o nome do seu pai...

Ela estava empolgada demais com isso, meu deus.

- Mas você tem certeza? - perguntei de novo. - Ainda mais o nome do meu pai.

- Chloe, querida, já tem duas décadas que eu estou com seu pai e se não terminamos agora não vamos terminar nunca mais! - ela falou. - E, quero apimentar mais nosso relacionamento se é que você me entende.

- Gostaria de não entender. Nunca. - deixei claro. - Mas tudo bem, vamos pensar no que podemos fazer...

Lauren estava fazendo o que eu tinha escrito pra ela, ela não quis ver o que era e péssima escolha por que eu poderia escrever qualquer merda, mas eu não sou tão má assim. Apenas escrevi que a amo, muito.

Tínhamos uma conexão muito forte desde sempre e nada mais justo e nada mais real que isso.

- Ainda não acredito que você vai fazer três tatuagens em um único dia, mãe...



Ela estava deitada na maca enquanto a Olívia, a tatuadora, rabiscava em seu braço.

- Eu só não faço mais por que daqui a pouco temos que voltar pra casa, para o seu pai. - ela sorriu. - Por que se não eu faria várias, e você é muito mentirosa por que não está doendo nada.

- Fale por você, pra mim dói horrores.

A última tatuagem que eu vou fazer é a minha e a dela, e nenhuma mais outra.

Porém se o Johnny quiser fazer alguma de casal eu posso pensar a respeito.

Falando nele, esqueci de responder sua mensagem, droga.

Ele deve estar achando que estou ignorando-o novamente ou sei lá o que, mas eu estava tão aérea com inveja da minha própria da mãe por não estar sentindo dor alguma que me esqueci completamente.

- Já volto, mãe. - falei e me levantei. - Vou ligar para o Johnny.

- Hmmmm. - ouvi ela dizer antes de sair. - Minha filha está de namoradinho novo e agora ela está toda, toda, Olivia, você tem filhos?

Lauren falava demais.

Eu me afastei das duas e me vi ligando pra ele e no terceiro toque ele atendeu.


- Não me odeia, gatinho. - pedi. - Eu não estou te ignorando ok? Lauren inventou de se tatuar então aqui estamos...

- Uau, sério? - ele falou do outro lado. - Está tudo bem, querida, sei que teria um motivo para não me responder. E não precisa ser precisamente no mesmo momento. - ele riu.

- Eu sei. Mesmo assim estou te ligando pra dizer que não estou te ignorando e que também estou com saudades.

- Idem.

Eu ouvi a voz do Marilyn ao fundo, pedindo que Johnny saísse do telefone.

- Te atrapalho? - perguntei. - Ou Marilyn é chato demais?

- Marilyn é chato demais. - ele riu e suspirou. - Eu estou pensando seriamente em ir pra minha casa por que eu já não aguento mais ele... E estamos ensaiando, ou melhor, pausei pra te atender.

- Não vou atrapalhar mais vocês então, não quero que nosso melhor amigo me odeie mais ainda.


Nos despedimos e eu voltei pra Lauren.

Lauren tinha finalmente acabado todas suas tatuagens e eu ainda estava pasma por que ela tinha de fato feito o nome do meu pai.

- Eu estou me sentindo maravilhosa! - ela falou toda, toda e me empurrou para sentar na cama. - Agora é a sua vez...

- Tudo bem...

Tínhamos escolhido cada uma fazer uma flor de lótus, que tinha um significado muito bonito entre mãe e filha, no pulso e minha nossa que dor absurda.

Eu nunca mais piso em um estúdio de tatuagem.

Mas no final tinha ficado lindo.

Nunca mais volto aqui.

- Te amo demais, Chloe. - ele falou logo que entramos no carro. - De verdade, você é a melhor coisa que tenho na minha vida. Sou muito feliz por ser sua mãe, você é incrível. Tenho muita sorte.

- Eu que tenho muita sorte, mãe. - a abracei chorosa. - Te amo.

Que mulher incrível, meu deus.

Quando chegamos em casa encontramos meu pai na sala de estar, ele parecia ter acabado de chegar.

- Estou a dois minutos chamando vocês e só recebi silêncio.

Lauren perguntou onde estávamos e ficou muito surpreso quando ela disse.

- Mentira? - ele arregalou os olhos e riu. - Eu quero ver isso!

Ele veio até ela e a pegou no colo a levando lá pra cima, tenho certeza que ele só tinha prestado atenção na parte que envolve seu nome.

Droga, eu os amava demais.


No dia seguinte eu acordei tarde por que Lauren na tinha me chamado para ir ao restaurante e logo que voltei do banheiro eu voltei a me deitar e peguei meu celular pra ligar pra minha amiga.

- Bom dia bela. - falei logo que ela atendeu. - Nem te liguei ontem, esqueci...

- Aqui já é noite. - ela riu. - E meu, falei com meu pai ontem e ele disse que quando voltasse iria falar com a minha mãe pra ver o que acontece.

- Que bom.

- É incrível! - ela falou animada. - Finalmente vamos morar juntas!

- Ei, ei, espera. Em nenhum momento eu disse isso.

- Eu vou ir comer. - ela me ignorou totalmente. - Levante aí e vai fazer algo de produtivo, tipo comer também.

- Claro.

- Eu te amo e boa noite.


E desligou na minha cara.

Eu posso muito bem dormir mais, e talvez eu faça isso.

Mas eu estava com fome mesmo.

Quando eu saí do quarto fiquei surpresa por encontrar meu pai na cozinha e não Lauren.

- Uau. - falei me aproximando. - Você em casa dia de semana?

Meu pai trabalhava muito, menos de sábado e domingo, e as vezes. Então, ele estar em casa hoje, é surpreendente.

- Bom dia, filha. - desejou. - Eu estava só esperando você acorda pra gente conversar e eu vou para o trabalho.

Fudeu.

- Conversar sobre o que? - quis saber, apreensiva.

- Primeiro prepare o seu café e aí conversamos.

Eu peguei duas fatias de pão e muito calmamente, comecei a preparar meu café da manhã. Meu pai estava impaciente por que olhava para o relógio em seu pulso a cada dois minutos.

- Certo, Chloe. - ele deixou a garrafa de café em cima do balcão. - Eu não vou brigar com você nem nada, eu sei que você acha isso, eu só quero saber como você está, bem? Feliz? Me diga!

Que alívio.

Meu pai não era muito de conversar, ele era mais de fazer.

Não sei por que tô surpresa.

- Estou bem e feliz. - falei, aliviada. - Lauren te falou?

- Ela disse algumas coisas. - ele deu de ombro e desviou o olhar. - E eu ainda estou tentando assimilar tudo por que você sabe, mais velho e tudo mais.

- Eu sei...

- É estranho. - ele disse e pegou a garrafa novamente. - Mas que bom que conversamos e você está bem. - ele veio até mim e beijou minha cabeça. - Te amo e estou feliz por você estar feliz, agora eu preciso ir trabalhar. - ele beijou minha cabeça mais uma vez. - Se cuida.

Antes dele sair eu o abracei e disse que o amava muito e agradecia por todo apoio. Emotivo, ele saiu pra trabalhar.


Mais ou menos oito da noite eu estava no restaurante com a Lauren.

Eu não estava mais dando uma de metre e fiquei um pouquinho triste por que até que eu estava gostando.

Mas, ela tinha contratado uma mulher que aparentava ser cheia de si, e muito chique e muito educada demais e eu já na gostava dela. Não que isso fosse ruim, mas eu já não fui com a cara dela e estou brava por ter roubado meu emprego e deixei isso claro pra minha mãe.

Lauren falou algo mas eu estava tonta demais por ficar girando na cadeira da sua sala.

- Chloe! - ela gritou chamando minha atenção finalmente. - Dê uma chance e ela... - pediu.

- É claro.

- Vou ajudar minha prima hoje. - ela disse. - Quando for embora você me avisa?

- Tudo bem.

Eu iria embora com ela mesmo já que não tinha planos.

Johnny tinha sumido o dia inteiro e eu pra não parecer desesperada nem mandei nada.

E nem vou.

Mentira, se ele não der sinal de vida até oito e vinte e seis eu iria ligar, mandar mensagem, qualquer coisa.

Eu esperava que ele estivesse bem e que Marilyn não o tenha convencido a me largar.

Isso seria muito pra eu chorar e morrer de tristeza. Mas morrer só depois que matar o Marilyn por ele ser tão idiota.

Mas antes que desse meu horário meu celular tocou e eu fiquei atenta rapidamente pra entender e não transparecer minha ansiedade.

- Oi, querida. - ele foi logo falando. - Desculpa por sumir, Marilyn me alugou o dia todo, escondeu meu celular e só me devolveu agora. Você está bem?

- Sim.

Ainda bem que ele não vai me deixar, eu acho.

- De verdade? - ele quis saber. - Você está estranha.

- Não é nada. - eu ri pra descontrair. - Teve um bom dia?

- Merda, não. - ele suspirou. - Marilyn me fez fazer muitas merdas e ainda por cima provar sua comida no almoço.

- Eu sinto por você.

- Eu sei que ele tenta mas já tá na hora dele parar e contratar alguém.

- Ele tem. - concordei.

- E ainda por cima tive que ficar ouvindo ele por horas falar no telefone com a namorada e eu nem pude falar com a minha.

Eu tô passando mal.

E nunca falei tão sério na minha vida.

Eu preciso respirar.

- Baby?

Eu vou morrer de taquicardia.

- Tô aqui. - consegui dizer. - Meu Deus, o Marilyn é impossível.

- É... - ele riu. - Tem certeza que tá bem? Onde você tá?

- Estou, gatinho. - falei e peguei o controle do ar condicionado na mesa pra aumentar essa desgraça por que se não eu vou morrer. - E estou no restaurante da minha mãe.

- Bom. Eu vou ver se Marilyn quer ir jantar aí por que eu não quero que ele cozinhe mais nada por hoje, nós podemos né?

- Com toda certeza. - falei. - Minha mãe está cozinhando hoje então capaz do Marilyn topar no mesmo momento.

- Eu vou falar com ele, nos vemos daqui a pouco?

- Aham.

Eu estava toda boba e nauseada, eu tô muito apaixonada que ódio de mim mesma.

Eu só quero que a gente se case logo, só isso.

- Beijos, querida.

- Beijos.

Amo você.

Quis completar, mas se eu falasse isso agora iria ser totalmente diferente por que além de eu ser uma tonta apaixonada eu iria parecer uma desesperada acima do nível permitido.

Então, eu tinha que me ligar pra não falar nada precipitado.

Porém é só eu beber uma vodka que já me declaro loucamente.

Mas quem acredita no que bêbado diz?

Sim, o Johnny.

Que ódio.


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