25


Eu coloquei minha melhor calça, minha melhor blusa e meu melhor tênis.

Eu estava gata demais.

E eu era gata demais.

E Johnny com certeza acha isso por que ele disse né.

Nossa, eu ainda to em choque.

Mas feliz.

Isso tinha que dar certo, nem que eu me mudasse pra França.

Mentira, ele que lute.

Eu peguei meu celular e um casaco e desci, pra avisar a Lauren que eu estava saindo com a minha paixão eterna... Meu deus, ninguém pode saber sobre isso.

Eu a encontrei na cozinha ainda, mas agora ela mexia no celular.

- Vou sair com o Johnny. - falei e ela levantou o rosto, risonha. - Tá falando com meu pai?

- Sim, contando das novidades.

- Que novidades?

- Você e Johnny, ué. - ela riu. - Você não iria conseguir falar então eu já estou dizendo antes e depois você só diga que está apaixonada e blá blá blá. Estou facilitando a sua vida, deveria me agradecer.

- Claro, obrigada. - bufei. - Mas, ainda não tem essa de eu e Johnny, não totalmente sabe...

- Ainda né querida. - enfatizou. - Você deve estar se sentindo realizada né? Todos esses anos era só Johnny isso, Johhny Depp aquilo... Como você está?

- Nervosa. - falei, sorrindo. - Com muitas expectativas sendo criadas e, tentando não surtar.

- Compreensivo. - ela se aproximou e me abraçou. - Está tudo bem, só seja você mesma.

- Esse é o problema, Lauren.

Eu estava fudida.

Quando eu desci no térreo, eu comecei a ficar ansiosa.

Agora era totalmente diferente.

Nada igual antes.

Qual será a merda da vez que eu iria fazer?

Eu respirei fundo e sai do prédio, dizendo pra mim mesma que está tudo bem e que tudo daria certo.

Reconheci o carro do Johnny e fui até lá quase que correndo apenas para ver seu lindo rostinho mais uma vez.

Eu nunca ia me acostumar.

Assim que abri a porta do carro e entrei, Johnny ligou e começou a dirigir.

Tinha uma música do Beatles tocando em um volume baixo e eu só consiga olhar para ele, e babar. E pensar no quão sortuda sou.

Holy deve estar morrendo de inveja, tenho certeza.

- Johnny? - chamei, depois de um tempo apenas o admirando. - Você acha a Holy bonita?

Eu tinha que saber o seu estilo de mulher, por que eu acho que ele tá brincando comigo por que não é possível.

Foi do nada.

Tá, não do nada, mas foi.

E, eu estava curiosa.

Dependendo do que ele falasse, eu iria chorar.

- Quem diabos é Holy? - ele perguntou rindo. - Eu tenho que falar que não?

Ele era um anjinho, de verdade.

- Holy é o nome da sua fã muito admiradora sua. - sorri, falsa. - E não tem problema você falar que ela é, por que ela é bonitinha sim e, também, eu não sou ciumenta.

- Ah, sim. - ele parou no sinal e se virou pra mim. - Holy é um nome bonito ne? E, ela é bonita. Muito simpática e adorável, num acha?

Não.

Eu a odiava, e agora eu queria chorar.

- Talvez eu seja um pouco ciumenta. - tive que falar. - Mas sim, nossa, ela é maravilhosa.

De verdade.

Johnny riu já sabendo que eu a odeio e disse que eu não tinha com o que me preocupar.

O que ele quis dizer com isso?

Eu não sei.

Mas que bom né, uma coisa a menos pra eu me preocupar.

Ficamos em silêncio por um longo caminho até a casa do seu amigo e quando passamos pela entrada de um condomínio fechado, comecei a sentir fome.

Eu esperava que tivesse muita comida, tipo um buffet. E claro, tinha que ser coisas boas e apetitosas senão eu nem quero.

Quando o Johnny parou o carro em frente a uma casa grande de dois andares, eu me lembrei que Marilyn não gostava muito de mim.

Johnny tocou minha perna e eu me virei para ele.

- Tudo bem? - quis saber. - Não quer mais ficar?

- Tá sim. E quero, mas lembrei que Marilyn implica bastante comigo.

Não era nada grave, mas mesmo assim, eu não tinha feito nada.

- Ele apenas... Ele faz isso mesmo, mas ele é gente boa.

- Você diz isso por que o conhece muito bem a ponto de fazer suruba.

Mentindo eu não estou.

Eu sei que eles são muito amigos, tipo melhores, mas nossa Marilyn vai ter que me aceitar agora querendo ou não.

Que maluca, sei nem o que tô falando.

Nós saímos do carro e eu segurei no braço do Johnny e fomos até a porta e, quando nos aproximamos dava para ouvir claramente o som alto de alguma banda de rock metal.

Johnny iria tocar a campainha, mas sabia que seria inútil, seu amigo não iria ouvir então ele abriu a porta e a empurrou abrindo para nós entramos.

E fizemos.

A casa era enorme, era tudo muito amplo e aberto e tudo muito claro, com cores claras.

Uau.

Do lado esquerdo tinha uma sala com muitos quadros e uma televisão enorme e um corredor nos fundos, em frente tinha uma escada que dava para o segundo andar e, do lado direito uma porta fechada.

A música alta vinha da televisão que passava o vídeo clipe da música, com caras assustadores de máscara tocando.

Tá certo, cada um com seus gostos.

Johnny abaixou a música e chamou pelo amigo que respondeu de algum cômodo da casa. Ele abriu a porta que estava fechada e me chamou para ir junto, era uma sala de jantar com uma mesa de doze lugares e logo no canto tinha outra porta e quando passamos por ela, Marilyn Manson estava lá.

Eu segurei o braço do Johnny, receosa, me preparando para discutir com o seu melhor amigo pra ver quem iria namorar ele...

Mas o que Marilyn disse me deixou boquiaberta e, feliz?

- Porra! - ele falou e se aproximou de nós dois sorrindo e nos abraçou. - Finalmente!

Finalmente o que exatamente?

Finalmente ele chegou ou finalmente qualquer outra coisa?

- Chloe... - ele começou a dizer e pegou minha mão me levando até perto do fogão. - Querida, eu estou fazendo carbonara, você gosta? - ele indicou a panela que cozinhava a massa.

Que merda, ele estava diferente.

- Claro, amo. - sorri.

- Que bom! - ele me empurrou de leve para o lado e começou a mexer na panela. - Como você está? E sua querida mãe?

Eu olhei para ele, ele estava de cara limpa, usava roupas leves e estava com um pano no ombro e muito, muito simpático para o meu gosto.

Ele vai colocar sal a mais no meu prato, eu sinto.

- Bem. - falei. - E ela está ótima, e você?

- Porra! Eu tô bem! - ele riu e olhou pra mim. - Meu melhor amigo está aqui e ele está feliz, então eu também tô!

Eu olhei para o Johnny querendo saber o que o amigo doido dele disse mas ele apenas deu de ombro e foi até a geladeira.

Marilyn, que se aproximou mais de mim falou sussurrou:

- Nós vamos ter que dividir. - ele sorriu. - Johnny é meu, então vamos ter que fazer isso funcionar por que ele parece gostar de você e, como eu sou...

- Deixa ela, Marilyn. - Johnny pediu ao amigo e tocou minha cintura. - Não liga para o que ele diz, Chloe, ele é ciumento mesmo.

- Eu sou mesmo! - Marilyn respondeu e voltou ao fogão. - Mas, isso não significa que eu não quero que você seja feliz com mais alguém além de mim. Enfim, - ele bateu uma palma na outra e olhou para o amigo. - Ligue a droga da música e vão arrumar a mesa, a qualquer momento sai essa belezinha de comida e, vocês vão amar!

Eu estava com fome mesmo, comeria qualquer coisa.

- Onde fica os pratos? - perguntei pra não ficar parada com o olhar mortal do cozinheiro da noite sobre mim. - E tudo?

Johnny beijou minha cabeça e se afastou.

- Pode deixar que o Johnny pega tudo, Chloe. - ele falou. - Ele já está acostumado, mas me diga, quais suas intenções?

- As melhores?

- Como você sabe? - ele quis saber. - Ele é precioso, então não o magoe, por que aí eu vou ficar magoado e nós dois magoados é uma desgraça total, você entende?

- Claro, minhas intenções são as melhores.

- Então ligue a droga do meu metal e se divirta! - ele pediu sorrindo. - E se acostume com as minhas músicas, e faça o Johnny bem e nós iremos nos dar bem.

- Tá ok.

Marilyn me odeia, tenho quase certeza.

Marilyn falou que em cinco minutos poderíamos comer.

Eu estava sentada ao lado do Johnny na mesa, esperando.

- Tudo bem? - ele perguntou e tocou minha perna. - Está com fome né?

- Aham.

Comer era bom demais e comer carbonara ainda, era incrível.

- Assim... - ele começou a dizer e se virou pra mim. - Não coloca muita esperança por que ele não sabe cozinhar e, provavelmente vai estar ruim, então...

Antes que ele pudesse continuar falando Marilyn voltou todo alegre com dois pratos na mão e colocou em nossa frente.

- Eu te falei que ela não gosta de queijo. - ele tocou o braço do amigo. - Esqueceu ne?

- Merda, eu esqueci. - o amigo falou e tocou a testa. - Eu vou trocar, já volto.

Eu olhei para o Johnny, surpresa.

- Então, - ele continuou a dizer. - Não coma até ele comer por que ele vai ver que ficou ruim e vamos pedir algo, é sempre assim. - ele sorriu. - Ele está aprendendo ainda, e tem esperanças de que ainda vai ficar bom.

- Como você sabe que eu não gosto de queijo? - eu perguntei, ainda surpresa. - E tudo bem, eu não vou provar.

- Sou observador. - ele deu de ombro. - E, desculpa por ter mentido e falado que ele cozinha muito bem, ele faz tanto isso que as vezes eu esqueço que é ruim.

Eles eram muito amigos, meu deus.

Marilyn voltou com o meu prato sem queijo e me desejou bom apetite, ele voltou com uma garrafa de vinho também e saiu despejando em nossas taças.

Quando Marilyn se sentou pra comer e provou, já foi logo dizendo pra não comeremos.

- Essa merda tá uma merda! - ele falou e tossiu antes de pegar sua taça e virar de uma vez. - Não comam, é sério.

Johnny riu e se virou pra mim.

- Eu te falei.

- E você cala a boca, Johhny. - falou o péssimo cozinheiro. - E peça algo pra gente comer que eu estou com fome.

- Claro, Marilyn. - ele pegou a taça na sua frente e se virou pra mim. - O que você vai querer?

- Eu quero comida chinesa, obrigado por perguntar. - o amigo já foi dizendo antes que eu pudesse falar algo.

Eu ri e balancei minha cabeça, dizendo que poderia ser.

Marilyn voltou com um panfleto do restaurante e depois de escolhermos o que queríamos ele mesmo ligou e fez o pedido.

- Como alguém pode não gostar de queijo mas gostar de peixe cru? - Marilyn perguntou para ninguém em especial. - Imagina o quão seletiva a pessoa é.

Eu o ignorei e continuei a comer por que estava uma delícia.

- Como você é feliz, Chloe? - ele quis saber.

Johnny já tinha acabado de comer e estava em algum lugar fumando.

- Apenas sendo. - respondi depois de engolir. - Cadê a morena bonita do outro dia?

Marilyn pareceu sorrir e deixou a comida de lado.

- Viajando. - falou. - Mas foco, Johnny me falou umas coisas e, eu queria saber se é verdade.

- Hm, tipo o que?

Rolaria um interrogatório, é isso mesmo?

- Como você consegue ficar bêbada tão rápido?

Que alívio?

- Não sei, apenas fico.

- Uau. - falou. - E quando você fica bêbada, e diz que ama o meu amigo a todo momento, quão verdade você está sendo?

- Por que você quer saber de tudo isso? - ri, nervosa. - Já disse que minhas intenções são as melhores.

- Estou apenas curioso, mas então?

- Certo... - eu afastei meu prato. - Eu gosto muito dele e a muito tempo, sou muito fã sabe? Aconteceu uns negócios chatos e eu deixei de ser, eu achava isso, mas a fã habita em mim ainda está aqui e estamos vivendo um sonho, eu o admiro pra caralho e estou amando e vou amar cada momento. Então, não tem com o que se preocupar, sério.

- Ele é meu, você sabe né?

- Eu sei Marilyn, eu sei.

Eu vou ter que tentar não brigar com o Marilyn toda vez que ele respirar no mesmo ambiente que o Johnny.

Brincadeira.

- Ele fala de você sempre. - ele disse e eu me engasguei com a saliva. - Acho que, desde o primeiro dia sabe?

- Sério? - consegui perguntar, quase tremendo.

- É, - ele sorriu. - Nem sempre foi coisas boas, mas ele fala, todos os dias.

- Tipo o que?

Eu estava dormindo ainda não é possível.

Antes que ele continuasse a falar Johnny voltou e se sentou ao meu lado, os dois começaram a conversar e eu fiquei observando os dois e pensando;

uau, como isso pode estar acontecendo?

Ou é muita sorte ou é muito azar.

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