23


- Eu vou colocar a Lily na cama e depois vou no meu quarto pegar meu cigarro, e te encontro na sala. - falou. - Vai ficar bem sozinha? - ele perguntou assim que estacionou o carro na garagem da sua casa. - Chloe?

- Sim, claro.

Eu tinha que trocar de roupa porque eu já estava sentindo muito calor com essa e, fazer tudo isso antes de encontrar com ele na sala.

E eu precisava beber água.

Nós saímos do carro e esperei ele pegar a filha no colo para subirmos até o quarto e quando chegamos lá, ele a colocou deitada em sua cama e a cobriu.

E saiu.

Tenho certeza que ele tá fugindo de mim.

Eu verifique se minha amiga estava bem e respirando e fui trocar de roupa, coloquei um short e uma blusinha de alcinha e peguei um moletom porque eu sentia a temperatura da casa diminuindo.

Na mesma proporção que eu sentia calor, eu também sentia frio.

Peguei uma das pantufas da minha amiga e depois de olhar ela novamente, eu saí do seu quarto fechando a porta atrás de mim pra ir à caça.

Brincadeira.

Eu passei na cozinha pra beber água, porém Johnny ainda não estava na sala, tinha que dar tempo pra já ter voltando do seu quarto né?

Com certeza tá me dando um bolo.

Eu também faria o mesmo, quem sou eu?

Cansada de esperar o um minuto que eu o esperei chegar, eu saí da casa carregando meu moletom sem saber exatamente onde era seu quarto.

Maldita vila bonita.

Eu observei uma construção de tijolos claros muito bonitos e aquilo me chamou atenção e eu fui lá claro, e quando empurrei a porta me surpreendi.

Era um quarto.

Provavelmente o quarto do Johnny porque cheirava a tabaco em todo o lugar, dava pra sentir.

Eu me aproximei da cama dossel e me joguei, deitando nela. E deus, era a cama dele porque tinha seu cheiro.

Muito claramente.

E muito consistente, sei lá.

A porta, que eu nem lembro de ter fechado abriu de eu virei meu rosto.

Johnny estava aqui.

- Como você chegou aqui?

- Eu nem me lembro. - ri e me sentei. - Desculpa por invadir.

Ele não me respondeu e entrou no quarto, acendendo o restante das luzes. Eu o observei andar até um móvel estranho que tinha perto da cama e puxar a gaveta, tirando de lá suas essências.

- Vamos?

- Acho que se eu me levantar daqui, vou desmaiar. - dramatizei. - E tô falando sério, deveríamos ficar aqui.

Ele vai me chutar do seu quarto, eu sinto

- Chloe... - começou a dizer.

- Não vou fazer nada, juro. - me sentei sorrindo, esperando que ele não me peça pra sair.

- Não quero que você vomite na minha cama.

- Não vou.

Eu esperava que não mesmo.

Ele balançou a cabeça concordando e puxou uma poltrona para perto da cama e se sentou pra começar a preparar seu cigarro e minha nossa, eu não me canso de ver.

- Isso deveria ser proibido. - falei olhando ele enrolar e logo em seguida, acender.

- O que? - ele perguntou depois de soltar a fumaça. - Fumar?

- Não. - eu ri. - Você preparar seu negócio, é excitante.

- É?

Johnny levou o cigarro até a boca mais uma vez e tragou, logo depois soltando a fumaça.

Eu estava hipnotizada.

De verdade.

Eu sorri e suspirei, por que eu era muito doida.

- É. E digo isso nas melhores das intenções.

- Claro que diz. - acho que ele revirou os olhos. - Então, sobre o que quer falar?

Eu estava disposta a falar sobre qualquer coisa com ele até o momento que ele dissesse que está cansado e que quer dormir, ou então que me quer longe da vida dele.

Talvez eu chorasse um pouco, ou talvez não.

- Nossa, gatinho, eu tenho muita coisa pra te contar. - falei. - Muitas fofocas, você não está preparado.

- Não to. - ele riu e mexeu no cabelo, o tirando do rosto. - Mas me conte, estarei ouvindo.

- Certo, primeiro de tudo; Lily-Rose está namorando.

- O que? - perguntou, surpreso.

- Tá, não é bem um namoro. Mas, tenho certeza que vai ser.

- Meu Deus...

- Pois é! É um milagre né, mas não se preocupe que eu estou de olho. - falei. - Ele é gente boa, uma gracinha.

- Claro que é. - debochou. - Me conte de outras fofocas.

- Tudo bem... - respirei fundo e pensei bem no que eu poderia falar. - Lily quer me obrigar a se modelo.

- Hm.

- Não obrigar, de fato, mas, obrigar sabe?

- Eu sei.

- Eu não quero isso, mas eu também não sei o que eu quero.

- Eu imagino.

- Por que é tão, diferente sabe?

- Eu sei.

- Então! Mas ao mesmo tempo, quando eu paro pra pensar um pouquinho eu até gosto sabe, porém não muito. Entende?

- Claro, entendi metade das coisas que você falou, mas concordo com tudo, tá certa.

- Sério?

Droga.

- Eu tô brincando. - ele riu, descontraído. - Eu entendi e compreendi, é complicado.

- O que você acha que eu devo fazer?

- Sobre ser modelo ou não?

Eu balancei minha cabeça.

- Não acho que você deve levar em consideração o que eu acho.

- Como não? É importante saber o que você acha, gatinho.

- Sinto que você vai ser influenciada pelo que eu disser, então prefiro não dizer.

- Talvez eu nem me lembre do que você disser. - dei de ombro.

Eu esperava me lembra de tudo.

- Certo. - ele suspirou e abaixou o cigarro. - Você disse que não sabe o que quer mas você fica curiosa com o fato de modelar né?

- Não modelar desfiliar. - falei. - Modelar de apenas fotos sabe? Eu sou muito desastrada, com certeza cairia na primeira oportunidade.

- É, percebi que você é meio aérea e desengonçada. - falou. - Achei que era por minha causa, mas que bom que não.

- Uau. Muito obrigada. - agradeci. - Foi um elogio né? Muito obrigada mesmo, de coração, gatinho.

- De nada. - ele sorriu e eu quis gritar, mas não fiz. - Continuando, você quer ser apenas modelo fotográfica né?

- Nem modelo eu quero ser.

- Ah, o que você quer então?

- Não sei bem... - parei para pensar um pouco, eu queria muitas coisas. - Mas, no momento eu quero me casar com você.

- Deus me ajude...

- Ou, não sei.

Eu queria tantas coisas que agora eu não consigo lembrar em nenhuma.

- Foco, Chloe. - pediu. - Voltando ao assunto inicial e, o que eu tenho pra dizer é; Faça o que você achar melhor, quer ser fotografada? Seja. Você é bonita e com certeza vai se sair muito bem e, vai ir aprendendo muitas técnicas para se aperfeiçoar mais no assunto. E, se você não gostar você procura outra coisa que te agrade. Eu tenho certeza que você deve ser boa em algo e, ainda vai saber no que pra seguir sua carreira.

- E se eu fosse sustentada para sempre por meus pais?

- Você em algum momento iria querer sua independência, então não é bom ter esse pensamento.

- Mas eu não tenho. - falei. - Foi apenas uma pergunta.

- Sei.

Óbvio que eu não queria morar com meus pais para sempre e queria sim, ser independente, e eu já tinha meus planos. Só faltava tudo.

- O que você acha da Lily ir morar sozinha? - perguntei. - Tipo, ela ainda é bem jovem porém muito madura.

- Não acho que ela vá. - ele falou. - Ela é muito apegada a nós, sinto que ela vá desistir dessa ideia. E, ela está esperando sua confirmação. Se você falar que não vai e pronto, ela vai desistir disso.

- Então eu deveria dizer que não?

- Eu não sei, querida. Mesmo que ela vá ou não sair de casa, sei que se for na sua companhia ela ficará bem. E você também. Eu preferia daqui uns anos, mas...

- Juro que não dei essa ideia para ela. - falei e me sentei. - Às vezes é difícil tirar algo da cabeça dela, então...

- Eu entendo.

Eu não entendia era nada, queria muito um copo de água.

- Próxima fofoca. - ele pediu com um gesto e descartou o cigarro em um cinzeiro. - Me conte.

- Gatinho, você não vai acreditar.

- Não vou.

- Hoje eu quase bati em uma pessoa. - falei. - E foi por pouco viu, se bem que ela merecia.

- O que? - ele arregalou os olhos. - Por que?

- Lembra da sua fã surtada? - ele balançou a cabeça concordando. - Ela apareceu lá, e eu sinto que ela tá me seguindo...

- O que ela te fez para você querer bater nela?

- Nasceu!

- Certo. - ele sorriu. - Por mais algum motivo?

- Ela me irrita. - falei. - E te desrespeita de uma forma absurda! Não lembro exatamente o motivo, mas ela me perguntou como eu tinha feito pra se aproximar de vocês, e quando eu digo vocês digo você e sua família.

- Hm.

- Por um momento eu pensei em dar uns tapas nela por que ela acha que você é um objeto e fala de você como se você fosse um produto ou sei lá.

- Ela foi muito amigável depois daquele dia. - ele disse. - Tem certeza que não é ciúmes?

A.

Ele me odeia, tenho certeza.

- Olha o que você pensa de mim, Johnny. - me lamentei. - Pergunta pra Lily amanhã, ela te conta. E não é ciúmes, se eu fosse parar pra bater em toda pessoa que te admira e te acha um gostoso sei lá, eu já estava é morta.

Errada eu não estou.

Eu acho.

- Estava é?

- Johnny, eu tô falando sério sobre ela. Eu não gosto dela e tenho meus motivos.

- Tudo bem. - ele se levantou. - Acho que, está na hora de você ir dormir né?

Mais já?

Nem falamos sobre nada, que saco.

- Tudo bem. - eu me levantei relutante e quando e se virou pra sair eu puxei o edredom da cama e me enfiei lá, deitando. - Que caminha boa, amei.

Eu iria dormir aqui mesmo, felizmente essa cama é boa demais pra eu me retirar e eu só sair morta.

- Chloe...

Ele chamou meu nome e eu me virei na direção dele com o meu melhor sorriso, ele nos estava bravo nem nada. Mas, parecia cansado, então eu me senti um pouco péssima.

Com certeza estou atrapalhando-o e ele me odeia.

- Você sabe que eu te amo né? - perguntei.

- Eu sei. - ele suspirou e passou a mão no rosto, derrotado. - Quais as chances de você ir dormir com a Lily?

- Mínimas.

- Eu não sei por que pergunto ainda...

Observei ele ir até a porta e fechar ela, e então ele apagou a luz do quarto deixando apenas a luz dos dois abajures acesas.

- Ai, meu, deus. - falei. - Tô nervosa.

- Por que? - ele perguntou logo que voltou a se sentar na poltrona.

Ele não iria dormir comigo?

- Você vai dormir aqui?

- Não né, bobinha. - ele sorriu. - Vou apenas esperar você dormir.

- Tudo bem. - falei, triste e me acomodei mais na cama deliciosa respirando fundo. - Me sinto um pouco triste.

- Por que?

Eu me movi para o lado direito da cama, que era pra mais perto dele e estendi a mão para pegar a sua e quando menos esperei, ele segurou a minha.

- Eu acho que tô sonhando demais, sabe?

- Uhum.

- Tipo, eu te amo claro. Muito. Você é o homem mais prefeito desse mundo e eu sou apaixonada por você desde sempre, só que as vezes eu acho que tô sonhando demais e que a qualquer momento você vai se apaixonar por mim do nada e que vamos viver em um conto de fadas. - eu sorri, nervosa e apertei sua mão. - Eu acho que tô ficando maluca e, e estou mesmo por que você não da indícios de que quer algo por que você não deve querer mesmo. Então, Johnny, eu vou usar como conselho o que um barman muito legal hoje me disse; me afastar por que você vai começar a sentir falta e vai ser só sucesso. Mas, tenho quase certeza que não vai dar certo pois você é todo cheio de si geminiano cabeça dura. Mas, vou fazer mesmo assim. Porém depende por que, eu estou dizendo tudo isso agora estando bêbada por que talvez amanhã eu não me lembre, mas você irá, você está sóbrio né? E está tudo bem, eu só me sinto corajosa assim quando estou bêbada. E eu to falando demais. Mas, imagina que tudo eu e você juntinhos? Muitas viagens, muitas fotos, muitas fofocas que tenho certeza que eu iria ter pra te contar... Me diz que eu tô ficando louca e que, você não está nem um pouquinho interessado por mim? Por favor, não responde não quero chorar.

- Chloe, você sabia que hoje lançou o vídeo clipe do Marilyn?

- O que? - gritei e me sentei no mesmo momento. - Tá brincando né? Aquele que você disse que fizeram juntos?

- Exatamente.

Eu estava muito ansiosa pra ver esse vídeo desde o dia que ele falou, eu preciso do meu celular.

- Eu preciso ver, agora!

Johnny pegou seu celular de algum lugar e quando me entregou estava aberto no site do youtube. O nome da música era Kill 4 Me e quando eu dei play, pra começar a assistir já fiquei nervosa.

Já começava com um anúncio dizendo ter cenas explícitas então eu já fiquei fraca.

- Eu vou passar mal. - falei, tocando meu peito. - Vai rolar putaria né? Passada gatinho, eu tô passada.

- Assiste. - ele indicou o celular sorrindo, mas ele tinha um olhar diferente sobre mim.

Então eu comecei a ver e meu deus, eu não estava preparada de jeito nenhum. Eu pausei o vídeo umas dez vezes apenas pra conseguir assimilar tudo que eu estava vendo e não ter um ataque de pelanca.

Mas eu consegui, e foi indescritível.

- Vamos aos comentários. - eu deixei o celular de lado e me virei pra ele. - Você estava lindo como sempre, meu deus. Mas antes, me tire uma dúvida: Você estava com essa mesma roupa do vídeo quando nos conhecemos, foi no mesmo dia que vocês gravaram?

- Você é observadora. - ele sorriu e se remexeu, inquieto. - Mas sim, foi no mesmo dia.

- Isso faz de você um canalha. - falei. - Sem chance você ter conseguido me conquistar aquele dia com roupa usada para fazer uma suruba absurda, ainda bem que você não tentou.

- Você fala cada coisa, Chloe. - ele riu e balançou a cabeça.

- Não é engraçado. - falei. - Mas nossa, que clipe.

- Pois é.

- Você falou que era encantador...

- É.

- Não é tão encantador assim. - sorri. - Sim, claro, todas as vezes que você aprece é encantador, com certeza mas não o clipe em cima. - falei. - Mas minha nossa, você...

Esse vídeo é surreal.

- Gatinho, você beijou elas e minha nossa, pegou nas tetas e na bunda! - eu quis gritar. - Elas são bonitas temos que admitir, mas eu tô chocada.

- Você não gostou?

- O Marilyn é doido. - falei. - Como que, você pode ser tão tímido mas mesmo assim fazer essas safadezas toda?

Ele sorriu e tocou o rosto, coçando a barba. Com certeza ele está com vergonha, mas é um safado mesmo assim.

- Você é um danadinho. - falei rindo por que ele não me respondeu. - E um gostoso, meu deus! Como que faz pra trabalhar com um negócio desse?

- Não faz.

Ele ficou sorrindo e eu fique sorrindo também, sem dizer merda nenhuma.

Droga, eu sou muito apaixonada por ele.

Ele não falou mais nada e eu também não, eu já estava começando a ficar sonolenta então me deitei e me cobri, mas ainda o olhando.

- Não pense que não sei que você mudou de assunto só pra não responder tudo que eu te falei. - sorri e fechei meus olhos, dando a noite por encerrada.

- Não pense que, - ouvi sua voz. - eu não sei que você não está mais bêbada por que você parou de se embolar nas palavras a maior tempão. Então, provavelmente você lembre de tudo quando acordar. Caso queira repetir tudo que falou pra mim podemos conversar sobre, se não, tudo bem.

Merda.

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