14


- Uau! - ouvi da minha amiga. - Que roupa é essa?

Eu estava em frente ao espelho observando o look que eu tinha escolhido para essa noite.

Uma minissaia preta de cintura alta, que se eu não tomasse cuidado qualquer um iria ver certas coisas, que continha um zíper de cima a baixo na parte da frente. E, estava usando um cropped de alcinha que deixava meus ombros e braços amostra e, um pouco da minha barriga.

- Eu devo trocar?

- Claro que não! - ela falou na mesma hora e caminhou até mim. - Está incrível, uma gostosa!

- Obrigada.

Eu não estava tentando seduzir ninguém, minhas intenções eram muito boas. Só que aqui estava tão quente que eu precisava vestir algo assim, eu acho.

- Eu vou tomar banho e me trocar e já podemos começar a se embriagar!

Ela entrou no banheiro e eu fui até minha mala pegar um pouco de perfume para espirrar em mim. Eu voltei para frente do espelho para observar minha roupa novamente e seria certo usar isso?

Eu estava incrível, eu sei.

Mas, eu estava receosa.

Eu testei várias posições e andei diversas vezes para ver se eu não deixava nada a mostra e decidi ficar assim mesmo.

Era quase nove quando Lily-Rose terminou de se arrumar e paramos no quarto do Jack. Ele e Astaria estavam deitados na cama.

- Vocês não vêm? - ela perguntou. - Eu separei refrigerante, galerinha.

- Ela não está se sentindo bem. - ele respondeu apontando para a namorada. - Se ela melhorar nós descemos.

- Tudo bem. - minha amiga sorriu. - Eu trago chocolates e refrigerante para vocês!



- É bom se a gente misturar? - minha amiga quis saber. - Nós queremos ficar pouco loucas ou muito loucas?

- Nenhum dos dois?

- Muito loucas, isso mesmo amiga.

Ela já tinha levado algumas coisas para o quarto do Jack e agora estávamos na cozinha com ela tentando decidir o que iríamos beber.

Eu olhei para minha linda amiga que estava muito maravilhosa com sua roupa e nossa, como ela é doida.

- Será que tem algo na adega? - ela se virou para mim. - Vamos lá?

- Aqui tem uma? - perguntei e ela balançou a cabeça sorrindo. - Uau.

- Exatamente! Porém, eu acho que só tem vinhos, uísques e rum, você gosta?

- Você sabe que não.

- Mas eu sim! - ela bateu palmas. - Vamos lá.

Lily-Rose bebia tudo quanto era álcool, claro que não sempre e não em grande quantidade. Mas ela gostava muito de experimentar, não importa o que seja. Ela gostava muito de vinho e de alguns uísques, já eu, preferia uma vodka que já batia rápido e eu ficava muito louca de bêbada, e feliz.

Saímos da casa e meus pés pisaram na areia fofa, eu gostava muito disso.

- A adega fica aqui embaixo. - minha amiga explicou. - Só que se entra ali por trás.

- E vamos dar toda essa volta?

Ela parou por um momento e me olhou.

- Eu esqueci meu celular, vai indo lá e escolha algo bom!

- Amiga...

Ela não me deixou continuar falando e voltou correndo pra entrada da casa.

- Estou contando com você! - ouvi de longe.

- Claro que está.

Quando dei a volta na casa toda e cheguei nos fundos, observei a porta marrom. Quando a abri havia uma escada para descer, não estava tão iluminado lá embaixo mas mesmo assim eu desci.

Tinha que ter alguma luz. E tinha, um interruptor logo no fim da escada.

Lá embaixo era muito grande, havia muitas prateleiras com diversas garrafas de vinhos. E muitas outras bebidas que só pessoas velhas bebem.

Que com certeza deve ser ruim.

- Que mau gosto. - suspirei.

Eu caminhei pelas diversas prateleiras em busca de não sei o que exatamente e quando observei uma garrafa com um líquido azul, na última prateleira de baixo, e me inclinei para pegar.

Mas, fui impedida.

- Não faz isso! Por favor!

Eu ouvi em alto e bom som a voz dele e, me assustei, novamente.

Tentando acalmar meu coração levando a minha mão no peito eu me virei e a alguns metros de mim ele estava sentado em uma poltrona bem no canto do espaço.

Ele estava no escuro? Antes?

Eu vi que tinha uma pequena luz que vinha detrás dele, não iluminava muita coisa. Mas pela claridade total do ambiente eu via a fumaça que tinha perto, ele estava fumando.

- Você me assustou. - falei e dei alguns passos para a frente, na sua direção. - De novo. Mas, não fazer o que exatamente?

Eu cruzei meus braços no peito e só aí, lembrei da roupa que eu estava vestindo.

Droga!?

Não sei se fico feliz ou com vergonha.

- Não se abaixar, é claro. - ele falou. - Não com essa roupa e claro, não comigo aqui.

Eu tremi internamente só de pensar na possibilidade dele estar me olhando. Pensar nisso me deixa nervosa, claro que não é nada demais mas, vindo dele é tudo.

- Então você estava olhando?

Não sei por que perguntei isso já que era um fato, ele estava aqui o tempo todo, mas eu gostaria de ouvir saindo da sua boca. Para eu sonhar e pensar nisso quando eu estivesse triste, para me fazer feliz.

Eu senti seus olhos em mim, por que ele realmente estava e quando ele se levantou eu gelei e travei, o que ele iria fazer? Minha respiração falhou e eu quase me engasguei por isso.

Ele deu uma última tragada no seu cigarro, ainda me olhando, e depois de fazer isso, ele o deixou em cima do cinzeiro e saiu da escuridão.

Ele andou em passos lentos até mim, e depois passando por mim, eu me virei para ver o que ele iria fazer e vi quando ele se abaixou para pegar a garrafa azul. Ele se endireitou e veio até mim, parando apenas pra deixar a garrafa em minhas mãos, para logo voltar a se sentar no escuro.

- É vodka. - falou. - Então, vai com calma. E quando sair apague a luz.

Ele está me dando um fora, sem exatamente me dar um fora, mas é um fora.

Acho que fiquei meio minuto parada olhando para ele e pensando.

- Tá bem. - disse por fim. - Obrigada.

Segurando a garrafa como se fosse uma barra de ouro, eu fui o mais rápido que consegui em direção a escada e a subi correndo para sair logo dali e respirar novamente.

Mas antes, eu fiz o que ele pediu e apaguei a luz.

O deixando no escuro.

Sozinho.

;;;

- Eu gosto dele. - falei. - E ele é tudo pra mim, ou melhor, era. Não, acho que ele ainda é. Você entende amiga?

- Uhum.

- Ele me faz ficar nervosa, mas é um nervoso bom sabe?

- Uhum.

- Você nem sabe de quem eu tô falando né?

- Uhum. - ela respondeu e riu alto.

- Eu sei, por isso estou dizendo.

- Eu vou lembrar de tudo amanhã. - Lily falou e riu. - Você vai ver.

- Uhum. - a imitei. - Eu também.

Já tinha algumas horas que estávamos bebendo.

Tínhamos tirado muitas fotos e postado diversas delas no ig, bebemos, comemos, bebemos e depois comemos novamente e, agora estamos bebendo mais.

Estávamos na sala enquanto fazíamos isso e eu não poderia estar mais feliz por sua companhia, eu a adorava e ela era a melhor.

Eu falei que não iria beber muito, mas eu fiz. Como não iria depois do que rolou? Johnny tinha razão.

- Onde fica o quarto do seu pai?

- O que? - minha amiga se levantou rápido demais e acabou batendo a perna na mesa em nossa frente. - Ai! - reclamou. - Agora eu não consigo me lembrar.

- Ele dorme aqui? - perguntei admirando o restinho da bebida azul que ainda restava na garrafa. - Tipo, nessa casa?

- Sim, eu acho que sim. - ela se levantou rápido demais e se apoiou no sofá antes de cair. - Opa. - ela riu e se ergueu. - Eu vou no banheiro, já volto.

Observei ele caminhar em direção a escada.

- Tem um banheiro aqui embaixo? - perguntei.

- Tem. - ela falou quando se apoiou no corrimão. - Mas eu vou no do meu quarto.

- Está bem, eu te amo. - falei. - Você também me ama?

- Sim, sim. Eu já volto, Chloe.

Ela iria se deitar e ir dormir, tenho certeza.

Eu me deitei no tapete felpudo e respirei fundo, peguei meu celular que estava um pouco afrente e vi que iria dar quatro ou cinco da manhã, algo assim.

Eu me sentei e me levantei, peguei a garrafa da mesa e pensei para onde eu poderia ir.


Eu estava no terceiro degrau da escada, sentada, olhando para as últimas gotas da vodka azul quando me assustei com o barulho da porta.

- Eu não fiz nada! - falei. - Sério, já estou indo me deitar.

Eu tirei meus olhos da garrafa porque senti uma presença perto de mim e tinha mesmo, ele.

Eu olhei para cima, com a cabeça encostada na parede, eu olhei para seu belo rosto e suspirei.

- Você é tão lindo... Tipo, muito mesmo. Mas, acho que nem tanto quanto você sem camisa.

A última vez que uma foto do Johnny sem camisa, fora dos filmes, rodou na rede foi em não sei quando. Mas, ele era tão lindo de qualquer jeito que eu não me importaria dele estar de camisa ou não.

Eu segurei sua mão e a me aproximei dele, abraçando sua mão eu disse o quão amava ele.

- Eu te amo, te amo de uma forma absurda. Amava, quer dizer, não, te amo ainda só que bem lá no fundo sabe? E você é tão lindo e eu amo a sua mão.

Eu toquei meu rosto na sua mão ou a sua mão dele no meu rosto, não sei, só sei que foi bom. Muito bom.

Senti quando ele se desvencilhou de mim e se abaixou para ficar na minha altura, eu senti um toque bom no rosto, suas duas mãos estavam tocando meu rosto.

- Chloe. - ouvi. - Você está muito bêbada, eu vou te ajudar a se deitar, levanta.

- Tudo bem. - senti seus braços a minha volta e me coloquei de pé. - Mas, saiba que eu te amo. Muito. - falei. - Você pode me pegar no colo? - sorri e o abracei fortemente pela cintura. - Você cheira a tabaco e eu amo isso. - respirei fundo. - E eu te amo.

- Eu já entendi, Chloe, obrigado. Agora, vamos subir que já está tarde. Pode me soltar um pouco?

- Tudo bem.

- Suba. - pediu e segurou minha mão. - Estou logo atrás de você.

Eu subi a droga da escada com sua mão segurando a minha a todo momento, subi o mais lento que pude desfrutar desse momento da maneira certa.

- Você gostou da minha roupa? - perguntei e me virei para ele. - Me vesti única e exclusivamente para você me notar, funcionou?

O último degrau da escada me fazer ficar maior que ele, então eu poderia o ver bem isso se, eu não estivesse bêbada.

- Claro, claro. - ele falou. - Agora vamos?

- Sim!

Ele tinha gostado.

Ele tinha.

Quando chegamos no quarto da Lily ela não estava na cama, Johnny me sentou e infelizmente deixou de me tocar.

- Chloe. - me chamou. - Cadê a Lily?

- Eu não sei bonitão. - dei e ombro e joguei pra trás. - Ela disse que ia no banheiro.

- Fica aqui. - pediu. - Não sai daqui.

- Sim, meu amor, estarei aqui te esperando.

Eu ri por que era verdade, eu era muito cadelinha dele.

Um momento depois, ele voltou.

- Ela está no quarto do Jack. - falou. - Agora é sua vez de dormir, Chloe.

- Certo.

Eu me apoiei nos braços e o olhei, ele estava na minha frente. Só que ele não estava olhando para o meu corpo e sim para o meu rosto.

Bom.

Eu me levantei e comecei a tentar abaixar o zíper da minha saia, mas eu sentia que não ia conseguir.

- O que tá fazendo?

- Tirando a minha roupa. - falei. - Droga, você pode me ajudar?

- Por que vai tirar a roupa, Chloe?

Eu parei o que estava fazendo e olhei para cima, ele ainda me olhava.

- Essa roupa é desconfortável. E eu quero tirar.

- O que está vestindo por baixo?

- Eu não sei, renda?

- Acho melhor não...

- Por que? - perguntei e abaixei minhas mãos. - Eu te amo tanto por que você me trata assim?

- Chloe...

Eu me sentei e comecei a sentir meu rosto molhado.

- Está tudo bem. - funguei. - Eu posso amar por nós dois.

Eu posso fazer isso.

Eu o senti sentar ao meu lado e afagar minha costas.

- Querida, você está bêbada. - ele falou. - Eu te falei sobre isso, mesmo assim estamos aqui.

- Sim, destino.

- Não, escolha. - ele tirou o cabelo do meu rosto e o colocou para trás. - Você vai vomitar ou algo assim?

- Não.

- Então para de chorar e se deite, quando eu sair você pode se trocar. Você está bem não está?

- Sim.

- Então, vamos fazer isso.

- Sim.

Ele arrumou a cama e eu logo me enfiei embaixo do edredom. Ele foi se levantar para sair, mas eu segurei sua mão o impedindo.

- Você pode ficar? - perguntei. - Até eu dormir? - eu apertei sua mão e ele balançou a cabeça concordando e se sentou na ponta da cama. - Me desculpa. - falei. - Desculpa por tudo, você sabe que eu te amo né?

- Sim, você diz muito isso quando está bêbada.

- Por que é a verdade.

Realmente, eu o amava. Muito.

- Então por que diz apenas quando está assim?

- Quer que eu fale quando não estiver assim?

Ele virou o rosto e deu de ombros. Ele estava evitando me olhar, por que?

- Vou tentar me lembrar disso. - eu apertei sua mão novamente e isso fez com que ele voltasse a me olhar. - Acredito em você.

Não importava o que as pessoas estavam dizendo.

Johnny era uma pessoa incrível e maravilhosa.

Não tem motivo para ele estar recebendo tanto ódio.

Isso é tão fodido.

Ele deve estar muito mal.

Ele tem que ficar bem.

Ele vai ficar bem.

- Eu te amo e vai dar tudo certo, você vai ver. - falei. - Você é incrível e vamos sair dessa.

- Vamos?

- Vamos, Johnny, vamos sim. - sorri. - Agora eu vou dormir porque a sua ilha é linda e não consigo aproveitar ela dormindo.

- Boa noite, Chloe.

- Fica bem, anjinho. Eu te amo tanto que dói. Você quer namorar comigo?

- Vai dormir, Chloe. - acho que ele riu. - Você está muito bêbada para eu aceitar algo.



Quando eu acordei, eu gritei alto, e isso fez com que minha amiga pulasse da cama.

- O que foi? - ela perguntou. - O que aconteceu?

- Acho que, me declarei para o seu pai.

- O que? - ela gritou.

- Que vontade de me matar.

- Amiga, você se fudeu.

Que maravilha.

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