Capítulo 25 (extra) - Cínthia
NA: Salve, salve, minha gente! Quartou com atualização um pouco mais tarde. E para quem já esperava que viesse o capítulo do striptease da nossa doutora Andrade, sorry, só na próxima quarta.
Simbora ler.
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- Cínthia acabou de ligar avisando que vai se atrasar em quarenta em cinco minutos mais ou menos. - informa Sarah entrando na cozinha. - Houve um problema de última hora lá na editora.
- Hum... - é tudo que Juliette se limita em responder.
Ainda que tenha partido da própria cardiologista a sugestão de rolar aquele almoço com a ex de Sarah ali no apartamento delas, por achar melhor do que ser em um lugar público onde alguém poderia vê-las juntas, Juliette não se encontra muito confortável com aquilo. Esse lance de ficar de sociabilidade com ex de namorada sua não é muito do seu feitio. Seu nível de ciúmes não lhe deixa ser tão evoluída a esse ponto.
- Nossa, o cheiro tá muito bom, linda. - elogia Sarah segurando na cintura da namorada que está mexendo em uma panela no fogo.
- Te garanto que o sabor também tá muito bom. - resmunga a cardiologista.
- Não duvido. Você é muito boa na cozinha. - beija o ombro da cardiologista que desliga o fogo e se vira para a loira estampando uma cara amarrada. - Que foi já?
- Essa é a primeira e última vez que tu me faz cozinhar pra uma ex tua, visse Sarah.
- Ei! Alto lá! - a loira se afasta um pouco com as mãos erguidas e se encosta a cadeira da mesa. - Você está cozinhando porque quer. Eu sugeri da gente pedir um almoço completo daquele restaurante delivery que você gosta.
- Claro! Para sua ex pensar que eu não sei cozinhar?
Sarah tomba a cabeça para trás e encara o teto por uns segundos antes de voltar a encarar a namorada.
- E daí, se ela pensar isso, linda? - fala de maneira branda. - Se quer saber, Cínthia era um desastre ambulante na cozinha. - sorri.
- Problema dela se era. Eu não sou. Sei cozinhar e não vou servir pra ela comida pedida em restaurante, pra passar a imagem de ser um desastre ambulante na cozinha como ela. - rebate passando pela cirurgiã para ir até a geladeira.
- Então não reclama por estar cozinhando pra ela, ora. - murmura a loira.
- Que tu disse aí, Sarah?
Parada em frente a porta da geladeira já aberta, a morena indaga por não ter entendido o que a namorada tinha resmungado baixinho ao se afastar dela.
- Que eu já vou logo deixar a mesa arrumada. - mente a loira já se dirigindo ao armário para pegar os pratos, não querendo entrar em discussão besta com a namorada.
- Ótimo!
Por um par de segundos a cozinha fica em silêncio enquanto Sarah arruma a mesa e Juliette volta para o fogão.
- Juliette...
- Hum...
- A Cínthia não é de frescura, no entanto... - a loira faz uma pausa ao ver a namorada se virar para prestar mais atenção no que diz. - Não sei se ela vai curtir esse menu que você escolheu. - diz com certa hesitação.
A cardiologista tinha escolhido para fazer carne de sol ao forno, acompanhado de baião de dois, e de sobremesa arroz doce. Um menu típico de sua região.
- Pois, meu amor, o problema vai ser dela se não curtir. Ela gosta de ovo? Porque se gostar tem. Ela come ovo ou vai embora de bucho vazio. Simples assim. - se vira de volta para o fogão.
- Meu senhor! - Sarah resmunga não querendo rir da resposta azeda de Juliette e acabar deixando seu humor pior. Hoje sua namorada tinha acordado com o humor horroroso em um nível altíssimo e a loira sabe que tudo isso é motivado por ciúmes da vinda de Cínthia.
- Meu senhor, nada!... E, não venha aperrear meu juízo mais não, Sarah. Oxe!
- Tá. Falo mais nada, pronto.
É em silêncio que minutos depois a loira termina de arrumar a mesa para três pessoas e sai da cozinha sem falar com a namorada para ir ficar no quarto.
- Que foi? - a cardiologista nota Bento lhe encarando, sentado na porta que dá para a lavanderia. O animal após a pergunta da morena lança um olhar para a outra porta por onde sua outra dona saiu e Juliette entende. - Tá, eu sei que fui grossa com ela. Não precisa ficar me recriminando com esses olhos, criatura. Vou pedir desculpas depois. - o cão late duas vezes e olha para porta de novo. - Ah! Você quer que eu vá fazer isso agora? - ele late uma vez.
O mecanismo de comunicação que Sarah desenvolveu com o cão que é adestrado e que Juliette quando veio morar com ela também adotou, foi de um latido para "sim" e dois latidos para "não".
- Ok. Eu vou agora mesmo. - ela desliga o fogo do baião e se dirige para saída sendo acompanhada pelo cão. - Negativo! Fica, Bento. - ao comando o cão pára na hora e se senta. - Eu vou sozinha falar com a sua mãe, bebê. - afaga a cabeça do cão antes de sair da cozinha. De maneira obediente Bento não a segue.
"Bom garoto", pensa Juliette ao não ver Bento vir. Passando pela sala, a cardiologista nota o cômodo vazio e segue para o corredor que leva ao quarto, supondo que seja lá que sua namorada esteja. Ao abrir a porta encontra Sarah sentada a cabeceira da cama, com um semblante fechado e mexendo no celular.
- Sarah... - chama se aproximando da cama e se sentando no pequeno espaço perto da namorada.
- O que foi Juliette? - responde a outra sem tirar os olhos da tela do celular.
- Amor, desculpa por ter sido grossa contigo ainda pouco. - pede, deixando uma de suas mãos descansar sobre a coxa direita da namorada, coberta pelo tecido da calça sarja cor de café que ela usa.
- Hum... - resmunga ainda sem olhar para a cardiologista.
- Eu tô pilhada com esse almoço com a sua ex aqui. Sei que a sugestão foi minha de ser na nossa casa, mas mesmo assim me sinto desconfortável e, também com certo medo.
- Medo? - Sarah pela primeira levanta os olhos da tela do celular para encarar a namorada. - De quê já?
Ela não quis comentar antes com a namorada, mas sente certo medo da aproximação dessa tal de Cínthia com Sarah. Tudo bem que o relacionamento entre ela e sua namorada está muito mais firme e sólido, e que Sarah já deu mostras suficiente de que não têm olhos para outra pessoa senão a cardiologista, mas é inevitável não se sentir ameaçada com uma ex com quem sua namorada relatou ter tido um bom relacionamento. E caso Cínthia não tivesse ido embora, ela e Sarah será que não estariam juntas até hoje?
- Ah, dessa proximidade tua com ela. Vocês tiveram um relacionamento bacana segundo tu me disse e que só terminou porque ela foi morar lá para os Estados Unidos. Aí, lá na confraternização do simpósio, eu vi a forma toda abestalhada que ela ficava te olhando. - Sarah esboça um pequeno sorri da expressão usada pela namorada. - E se essa Cínthia só tiver feito esse convite pra ficar mais perto de tu para te reconquistar?
- Ela vai perder o tempo dela se a intenção por trás desse convite seja essa.
- Vai mesmo?
Juliette sempre foi segura em seus relacionamentos, mas em se tratando de Sarah e todo histórico de dificuldade que foi para estarem juntas, a insegurança às vezes vem bater em sua porta.
- Vai. Eu já fui conquistada há quase dez ano, doutora. Na época ela era uma curiosa estudante de medicina. - Juliette apertar os lábios um contra o outro para reprimir o sorriso que quer lhe escapar. - Hoje em dia, ela é uma ótima cardiologista, a gente namora e mora juntas. Ela é linda.
- Tu também é. - Juliette rebate segurando a mão da namorada e entrelaçando os dedos aos dela.
- Ela também é o meu amorzinho e a única pessoa que eu quero ao meu lado, mesmo ela sendo uma ciumenta de primeira.
A cardiologista se joga nos braços da namorada, abraçando-a após o fim da fala da outra. As declarações inciais ditas por Sarah fizeram o coração de Juliette entrar em festa. Às vezes a morena se pegava pensando que as coisas com Sarah poderiam ter sido mais fácies e assim elas estariam juntas há bem mais tempo. Mas aí, depois ela parava para pensar melhor e chegava a conclusão, que talvez tivesse que ter sido do jeito demorado e um tanto doloroso como foi para estarem como estão agora.
É como alguém disse certa vez por aí: "O tempo é o correio da vida, ele trará tudo aquilo que estiver destinado para você."
Sarah estava destinada à ela e vice e versa, ainda que a médica loira tenha tentado evitar isso e Juliette até desisto delas duas em algum momento. Ainda assim, o tempo se incumbiu de trazer Sarah para a cardiologista, e agora, cá estão juntas e tão unidas como nunca. Vivendo um amor intenso, avassalador e apaixonado.
- Você também é o meu amorzinho e quem eu quero comigo pelo resto da vida. - com a voz embargada, a cardiologista sussurra no ouvido da namorada. - Me desculpa por ainda pouco, baby? - pede se afastando um pouco para olhar nos olhos de Sarah.
- Desculpo, linda. - diz, ajeitando atrás da orelha de Juliette uma mexa castanha de seu cabelo. - E sobre as intenções da Cínthia... Tenho quase certeza que não há segundas intenções por trás da proposta dela. Ela não é disso.
- É o que eu espero mesmo.
- A Cínthia é uma boa pessoa, linda. Você vai ver.
- Se você diz... - resmunga dando de ombros. - Agora, posso te dar um beijo de desculpas?
- Hum... Deixa eu pensar... - a loira leva a mão ao queixo e faz uma cara de pensativa, que arranca um sorriso da namorada. - É, pode.
- Engraçadinha! - resmunga a cardiologista sorrindo antes de juntar seus lábios aos de Sarah, que logo já puxa a namorada para seu colo e em seguida a deitada na cama ficando por cima da cardiologista. - Meu óculos, Sarah. - diz a morena ao interromper o beijo dela.
- Não seja por isso. - diz a cirurgiã retirando o objeto do rosto da namorada e deixando sobre o móvel de cabeceira, para logo em seguida retomar o beijo delas.
Não passa mais que alguns segundos e elas sentem um pulo na cama e um ser peludo de quatro patas, querendo se meter entre elas e interrompendo o beijo que trocam.
- Bento! Qual é?! - indaga Sarah enquanto Juliette cai na risada e é alvo dos lambeijos do cão.
- Acho que ele veio conferir se as mamães dele já fizeram as pazes, né amorzinho? - a cardiologista afaga a cabeça do cão que se deita na cama e bem próximo da morena.
- Como assim?
A cardiologista conta para a namorada sobre o comportamento do cão após a saída da cozinha momentos atrás e que ele praticamente lhe mandou vir logo pedir desculpas a cirurgiã.
- Já fizemos as pazes, Bento. Ó! - ela puxa Sarah para si e beija a namorada. O cão se levanta tentando de novo se meter entre elas.
- Ô, Bento!... Eu acho que ele tá é com ciúmes de você, a favorita dele. - fala Sarah.
- E tu com ciúmes dele, Sarah? Não acredito nisso! - zomba Juliette aos risos.
- Não tô com ciúme dele.
- Tá sim. - acusa rindo. - Bento dá uns lambeijos aqui nessa sua outra mãe, porque ela tá com ciuminho de você, amorzinho. - a cardiologista aponta o rosto de Sarah para o cão que na hora cheira e começa a lamber a bochecha a dona.
- Hum... Não... Na boca não, Bento!
- Bento! A boca da mamãe não, porque é minha, não pode! - diz Juliette causando risada na namorada.
- Sua doida. - insulta ainda aos risos.
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- Seu pai não tem nada que ficar me dedurando. - reclama Abadia ao lançar um olhar feio ao marido que ria acomodado ao seu lado. Ela e Evandro vinham conversando com Sarah e Juliette por vídeo chamada já há uns minutos. Sarah havia ligado para saber da recuperação da mãe e ouviu de Evandro que Abadia já estava fazendo das suas estripulias.
- Tem, sim. Ele é meus olhos aí.
- Eu estou recuperada, Sarah. O médico disse que está tudo certo comigo.
- Mas não é por isso que você tem que está aprontando ao ficar subindo escada para podar árvore do quintal, mãe. - chama atenção a médica.
- Veja só, Juliette, minha filha e o pai dela me tratam como criança.
A cardiologista sorri da reclamação da sogra e é acompanhada por Sarah e Evandro.
- É que eles se preocupam com a sua saúde, dona Abadia. Ainda é cedo para essas estripulias, mulher. Tem que se resguardar mais um pouquinho. Só faz um pouco mais de um mês que se operou.
- Ouviu? Agora, brigue com a Juliette também. - diz Sarah em tom provocativo para a mãe.
Antes que Abadia diga algo, as médicas ouvem o interfone.
- Deixa que eu vejo. - diz Juliette a namorada. - Licença, gente. - pede aos sogros.
- Onde ela foi? - Abadia questiona curiosa.
- Atender o interfone. A gente está esperando uma pessoa que vem almoçar conosco. A Cínthia, lembram dela?
- Aquela sua ex namorada? - Evandro interpela, se recordando perfeitamente de Cínthia, a única namorada até então que ele e Abadia souberam ter relevância na vida da filha a ponto dela apresentar a eles.
- Sim. Ela vem conversar comigo a respeito de uma proposta pra escrever um livro.
- Nossa! Que bacana, filha.
- Sim, pai. É a Cínthia, Ju? - questiona ao ver a namorada de volta a sala.
- É, sim. Ela já tá subindo.
- Bom então a gente conversa mais depois, filha. Vá receber a visita de vocês. Depois quero saber tudo sobre isso de livro, hein?
- Pode deixar, mãe.
- Mande lembranças nossas a Cínthia. - Evandro se pronuncia.
- Mando, pai.
- Beijo, meninas. - o casal diz junto.
- Beijo. - as duas médicas acenam para os dois do outro lado da tela.
A vídeo chamada é encerrada e naquele mesmo instante a campainha toca.
- Eu atendo. - Sarah se apressa em dizer após deixa o notebook usado para falar com os pais sobre a mesinha de centro.
- Quanta pressa pra atender!
Sarah pára no meio do caminho até a porta apenas para lançar um olhar a namorada que cruza os braços enquanto lhe encara com Bento ao seu lado.
- Que foi? Tá me olhando assim, por quê? - indaga Juliette com um sorriso debochado.
A campainha toca outra vez, impedindo Sarah de responder para ir atender a porta. Ao abri-la, a cirurgiã se depara com uma Cínthia sorridente e empunhando um embrulho em celofane vermelho em uma das mãos enquanto na outra traz uma sacola de papel e uma pasta parda.
- Oi, Sweet.
"Dai-me paciência, senhor Jesus!", Pensa a cardiologista ao ouvir a visitante cumprimentar Sarah por aquele termo antes de as duas mulheres trocarem um abraço.
- Cínthia! Como vai?
- Atrasada. - brinca a ruiva ao desfazer o abraço com a cirurgiã. - Desculpa. Mas ser a chefe de uma editora dá nisso.
- Não esquenta. Vamos entrando.
Parada de pé, com os braços cruzados e próxima ao sofá maior, Juliette observa Cínthia entrar toda sorridente e com Sarah a acompanhando.
Bento vai até a visitante lhe cheirar.
- Ah, que coisa fofa. - Cínthia se abaixa um pouco para afagar a cabeça do cão, que lambe a sua mão.
- Esse é o Bento, nosso filho de quatro patas. - apresenta Sarah.
- Ele é lindo, Sweet. - elogia ajeitando a postura enquanto o cão se afasta dela para voltar a ficar ao lado de Juliette.
- É, sim. E também é agarrado a Juliette. - comenta com um sorriso.
- Olá, Juliette! - Cínthia toma a iniciativa de cumprimentar a namorada de Sarah.
- Oi! - responde a cardiologista com um sorriso forçado.
- Deixa eu apresentar oficialmente vocês uma a outra. - Sarah se pronuncia, indo se postar do outro lado da namorada e abraçando a mesma pela cintura. - Cínthia essa é a Juliette, minha namorada. - diz antes de dar um beijo no rosto da cardiologista. - Ju essa é a Cínthia.
- Como vai Juliette? - a ruiva estende a mão para a cardiologista.
- Bem, obrigada. - limita-se em dizer a cardiologista com um sorriso educado e forçado.
- Olha é um prazer te rever e agora, sabendo quem de fato você é pra Sarah. - comenta a ruiva sorrindo. - Eu trouxe isso pra você. - estende a Juliette uma sacola de papel verde claro enfeitada com um laço em um tom de verde mais escuro.
- Pra mim? - se surpreende a cardiologista.
- Sim. - afirma Cínthia enquanto Juliette pega a sacola de sua mão. - Espero que goste. Caso contrário a culpa é da sua namorada, porque ela quem me deu a dica. Você briga com ela. - avisa Cínthia com um sorriso.
- Ah, é? Vou me lembrar disso. - diz a cardiologista abrindo a sacola após lançar um olhar para Sarah e esta lhe piscar um olho.
De dentro da sacola, Juliette puxa um livro: Os Miseráveis - Coleção Clássicos em Cordel.
- Uau!
- Sarah me disse que você adora ler, que esse romance do Victor Hugo é um dos seus preferidos... - se pronuncia Cínthia atraindo a atenção de Juliette. - e também que adora literatura de cordel. Então, juntei as duas coisas em um presente só. Espero que tenha gostado.
- Gostei. Obrigada. - agradece com sinceridade a morena.
- Ufa! Que bom. - a ruiva sorrir mais aliviada. - Tem mais esse outro presente aqui que é pra casa de vocês. - Cínthia estende o embrulho com celofane vermelho.
- Mais presente?... Obrigada. - Juliette pega o embrulho.
- É um vaso de orquídea amarela. - conta a ruiva. - Não sei se você é supersticiosa, a Sarah, eu sei que não é.
- Não mesmo!
- Mas eu sou. - afirma a cardiologista.
- Ótimo! Eu também sou e as orquídeas têm um significado, dependendo da cor. Essas amarelas que eu trouxe para vocês expressam alegria, felicidade, sucesso e prosperidade, que é o que desejo as duas.
Juliette teve que reconhecer internamente que o gesto da ruiva tinha sido bem delicado e atencioso, bem como seus presentes. Talvez, ela não fosse uma ameaça como pensava.
- Obrigada, novamente.
- Imagina!
- Ei! E eu? - indaga Sarah atraindo os olhares da namorada e de Cínthia. - Você trouxe presente pra minha namorada, pra nossa casa e pra mim, cadê uai?
Cínthia abre um sorriso que é acompanhado por Juliette ao verem o bico de birra da loira.
- Pra você, eu trouxe aqui nesta pasta, um contrato bem interessante, Andrade. - conta Cínthia erguendo o objeto pardo.
- Nossa! Que presentão! - diz com uma debochada alegria.
- E é mesmo, porque as cifras nele são bem gordinhas. Mas a gente deixa pra falar nele depois ou se quiser já tratamos agora.
- Melhor depois do almoço. - se adianta Juliette. - A propósito já vou colocar a comida para aquecer, porque estou morrendo de fome, se me dão licença.
- Se precisar de ajuda me chama. - diz Sarah enquanto a namorada segue para a cozinha seguida por Bento.
- Até parece. - rebate a cardiologista antes de sumir das vistas das duas mulheres.
- Senta aí, Cínthia. - Sarah indica o sofá para a amiga.
- Pelo visto ganhei uns pontos com sua namorada.
- É!
- Te confessar que eu estava apreensiva, porque lá na confraternização, ela não pareceu ir com a minha cara, não.
- É que ela ficou com ciúmes, mas agora tá de boa.
- Que bom!... Não é minha intenção causar briga em relacionamento de ninguém, quanto mais no seu, Sweet. Uma pessoa que eu quero muito bem e só desejo as melhores coisas nessa vida.
De todos os relacionamentos que teve o com Sarah foi o mais especial, talvez pela cumplicidade e por sido uma relação leve como poucas vezes foram seus relacionamentos anteriores e posteriores a loira. E, por isso, Cínthia tenha um carinho especial por Sarah e guarde as lembranças boas daquele tempo. Mas isso não quer dizer que ela ainda sinta algo pela ex. Não! O sentimento de dez anos atrás, aquela paixão toda se transformou em um carinho e uma amizade para Cínthia. E, o fato de ver sua ex feliz com uma pessoa que ela nota no olhar de Sarah que a faz bem, a deixa muito contente. Não há pessoa mais importante e com quem Cínthia se importe e torça pela sua felicidade, como Sarah.
- Eu sei, Cínthia. E saiba que a recíproca é verdadeira. - a cirurgiã afaga o braço da ruiva.
- Que bom!... Mas me conta e seus pais, já sabem da Juliette?
- Souberam recentemente. E de cara se simpatizaram com ela. Minha mãe então, não vê a hora de conhecer a Ju pessoalmente.
- Ah, eles ainda não a conhecem pessoalmente?
- Não! Só pela tela do computador.
- Ah, sim. E como eles estão?
- Papai está bem. Mamãe é que recentemente nos deu um susto com uma crise de apendicite que a levou a fazer uma cirurgia às pressas.
- Céus! Mas ela está bem agora?
- Bem até demais. Fazendo estripulias de querer subir em escada para podar as árvores do quintal, sendo que tem só pouco mais de um mês de operada.
- Abadia e seu jeito hiperativo.
- Sim. Inclusive, eles te mandaram lembranças. Estava falando com eles por vídeo chamada antes de você chegar e quando mencionei que vinha almoçar aqui, eles pediram pra te mandar lembrança.
- Ah, que fofos! Manda lembranças minhas a eles também quando se falarem de novo.
- Mando, sim.
As duas trocaram mais algumas palavras até Juliette voltar para avisar que já podiam almoçar. Durante a refeição, Cínthia foi só elogios aos dotes culinários de Juliette.
- Sarah disse que tu poderia não curtir a comida.
- Que absurdo, Sarah. Querendo me deixar mal vista com a sua namorada.
- Uai! Era uma possibilidade você não curtir.
- Claro que não. Eu não tenho frescura com comida, você sabe. E, depois de ter passado uns dias na sua cidade, Juliette, após a confraternização em que nos conhecemos, me apaixonei pela culinária de lá, bem como pelas praias e a cidade em si. Acho até que engordei uns quilos de tanto que comi em cinco dias que passei por lá.
- Eu sou suspeita pra falar das comidas de lá, amo tudo. E fiz a Sarah amar também.
- Verdade.
- Há quanto tempo estão juntas?
- Mais de um ano e meio. Só que a gente já se conhece há quase dez. - conta Juliette.
- Por que levou tanto tempo para ficarem juntas assim?
- Culpa minha! - ergue a mão Sarah.
- Por que será que não estou surpresa? - alfineta Cínthia. - Aposto que foi essa timidez que você tem.
- Antes fosse. - rebate a cirurgiã.
- Então qual foi o motivo?
- Longa história. - desconversa Sarah.
- Gosto de longas histórias. Desembucha, Andrade. - cobra Cínthia, mas depois se vira para Juliette. - Se você não se importar é claro de ela contar.
- Por mim, ela pode contar se quiser.
- Ah, ela quer. Conta, vai.
Sarah bufa de descontentamento por Cínthia e sua cobrança. E como sabia que sua ex não ia lhe deixar em paz enquanto não falasse o que ela queria saber, então Sarah satisfez a curiosidade de Cínthia. Contou como conheceu Juliette lá atrás. Depois o reencontro anos depois e o comportamento durante os dois anos em que se esquivou da cardiologista até por fim se render, deixando os medos de lado para ser feliz com quem ama de verdade.
- Você foi uma babaca, Sweet. - sem qualquer filtro comenta Cínthia após a ex terminar de contar sua história com Juliette.
- Eu sei. Não precisa jogar na minha cara.
- Precisa sim. E que sorte a sua que a Juliette é uma mulher de bom coração e te ama muito, porque olha... outra não sei se teria essa benevolência toda em te aceitar depois de tanta rejeição. Eu, por exemplo, no lugar dela não teria te dado chance alguma.
- Ainda bem que você não era ela. - a loira sorri antes de lançar um olhar amoroso a cardiologista e piscar um olho para ela.
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- Bom acho que está na hora de a gente falar do que me trouxe de fato até aqui. - anuncia Cínthia poucos instantes após ela, Sarah e Juliette se acomodarem no sofá momentos depois de degustarem a sobremesa.
- Então vamos lá. Nós duas aqui somos todas ouvidos pra você - responde Sarah segurando a mão da namorada e entrelaçando seus dedos ao da cardiologista.
A proposta de Cínthia pode até ser direcionada a loira, mas ela não pretende, de forma alguma, decidir sozinha aquilo. A opinião de sua namorada será importante e levada muito em conta pela cirurgiã.
- A Crânio Editora está com um projeto de uma coletânea de livros, tendo como foco algumas especialidades da medicina, como: Cirurgia Geral... - aponta para Sarah. - Neurocirurgia, Ginecologia e Obstetrícia, Ortopedia e Traumatologia, Cardiologia, entre outras.
- Certo.
- E queremos os principais profissionais dessas especialidades para escreverem cada livro referente a sua área. Eu sugeri o seu nome na hora das conversas sobre quem chamarmos para escrever cada fascículo da sua área de atuação. O pessoal adorou a ideia de ter Sarah Andrade, a palestrante e escritora de alguns artigos importantes, escrevendo um livro pra gente.
- E como seria o livro? E para quem ele será voltado? Para outros médicos ou só para estudantes de medicina?
- Então... Em resumo... A gente quer que vocês que irão escrever cada livro abordem o tema de vocês em tópicos de forma objetiva e didática, para que seja algo que ultrapasse o âmbito acadêmico e desempenhe o papel social de transmitir conhecimento tanto para estudantes de Medicina, quanto residentes, médicos e professores, a fim de.... colaborar com o aperfeiçoamento do atendimento à comunidade com base em exemplos de avanços científicos realizados. - explica Cínthia de maneira bem sucinta e estendendo a loira a pasta parda que trouxe. - Aqui tem o contrato detalhando tudo.
- Certo! - diz Sarah apanhando da mão da outra a pasta.
- Aí, além de detalhar melhor o que eu te resumi, também fala do valor do seu cachê por escrever o livro, de uma cota por tiragem vendida e essas burocracias a mais. Você dá uma lida em tudo e se quiser levar a um advogado da sua confiança para dar uma checada no contrato, fique à vontade.
- Farei isso. E quando posso te dar uma resposta?
- Em três dias. - conta com um sorriso forçado.
- Três dias, Cínthia?
- Sim. Desculpa, mas é que a gente tem pressa para lançar isso em até oito meses. Vocês escritores terão sete meses para nos entregar o livro escrito.
- Me parece um tempo um tanto quanto apertado. - opina Juliette.
- Também acho. - concorda Sarah. - Escrever e, principalmente um livro, não é só "sentar a bunda na cadeira e escrever". A escrita não funciona assim, Cínthia. Existe todo um processo.
Se para escrever alguns de seus artigos, ela levou todo um processo. Quem dirá um livro?
Escrever um livro lhe implicará em gastar um bom tempo com pesquisa, para assim iniciar escrevendo a primeira frase, essa frase se tornará um parágrafo, aí esse parágrafo, se der sorte, depois de algumas semanas se tornará um capítulo.
Se a escrita de um artigo acontece em pedaços, a de um livro não lhe parece nada diferente disso. Sem contar, que ainda requer um planejamento todo. E levando em conta a vida corrida que tem no hospital, somado ao prazo dado por Cínthia que a seu ver parece ser apertado, Sarah terá que pensar bem e pesar com cautela a decisão juntamente com sua namorada depois.
- Eu sei que está apertado o prazo. Você não é a primeira que me diz isso, Sweet. Os outros escritores também disseram o mesmo quando conversei com cada um até agora, mas eu sei que vocês conseguem. É um projeto audacioso pelo pouco tempo que temos e o meu primeiro a frente da Crânio, gostaria muito que você estivesse nessa comigo, Sarah, pra eu começar com o pé direito. Mas caso você não aceite, tudo bem. Futuramente, a gente volta a conversar sobre um livro solo seu, porque quero que o seu debut como escritora de livro seja na minha editora, Sarah Andrade.
- Vou me lembrar disso, Cínthia!... E pode deixar que vou ler tudo com muita atenção, carinho e cuidado.
A ruiva assente e ela ainda segue falando mais um pouco sobre o projeto do livro até seu bate papo com Sarah e Juliette ser interrompido por uma chamada de sua secretária avisando que precisam da chefe na editora.
- Já estou indo, Olívia. Tchau. - se despede, encerrando a ligação. - Infelizmente tenho que ir. Estão precisando de mim lá na editora. - conta guardando o celular dentro da bolsa e ficando de pé. - Sarah, eu espero que você considere e pense com muito carinho mesmo na minha proposta.
- Eu farei isso. Pode deixar. - a loira vai até a amiga e lhe dá um abraço. - Obrigada pela confiança em me convidar para fazer parte desse seu projeto. - sussurra para a outra.
- Não tem que agradecer nada. Eu sempre confiei no seu trabalho e, principalmente no seu potencial, Andrade. Ou do contrário não teria te incentivado a palestrar.
- Verdade! - concorda a loira desfazendo o abraço com Cínthia.
- Juliette... - a ruiva estende a mão para a outra médica, que aceita o cumprimento. - Foi um prazer te conhecer melhor. Desejo tudo de bom a você, ou melhor, a vocês duas.
- Obrigada. Faço das suas palavras as minhas.
- E se você poder me ajudar, convencendo sua namorada a aceitar a minha proposta, quem terá um "obrigada" a dizer a alguém aqui, serei eu à você.
- Bom essa é uma decisão dela, que só vou interferir se ela pedir minha opinião.
- O que é claro que eu farei. - adianta Sarah.
- Então vou torcer que a sua opinião seja positiva para mim. - Cínthia faz um sinal de figa com os dedos das duas mãos, fazendo o casal sorrir. - Agora, eu preciso ir, doutoras.
- Te levo até a porta. - se pronuncia Sarah.
- Tchau, Juliette.
- Tchau, Cínthia. - acena de volta para a ruiva que havia acenado antes.
Sarah e Cínthia seguem até a porta com a ruiva avisando que vai ficar no aguardo da ligação da ex dizendo se aceitou e assinou o contrato ou não.
- Em três dias entro em contato com você.
- Serão os três dias mais longos da minha vida.
- Exagerada!
- Até mais, Sweet.
- Até!
Assim que fecha a porta, Sarah encara a namorada sentada ao braço do sofá maior.
- E aí, o que achou?
- Como eu falei, o prazo me...
- Não, não, linda... Eu estou falando da Cínthia.
- Ah! Achei que tivesse falando da proposta do livro. - sorri, vendo a namorada vir em sua direção e se acomodar em seu colo. - Bom... Ela parece ser gente boa.
- Eu disse que era.
- Mas ainda prefiro ela lá no canto dela e eu no meu, e principalmente, ela longe de você.
- Meu Deus, Juliette! Ela foi maior fofa com você. Trouxe presente e tudo, linda.
- Oxe! E tu acha que eu me vendo por presente?
- Não é isso.
- Ela foi gentil e delicada em trazer os presentes? Foi mesmo. Apreciei o gesto dela? Sim, apreciei. Porém isso não significa que vou virar amiguinha dela, não bebê. - disse dando uns tapinhas leves na bunda na namorada sentada em seu colo.
- Ai, Juliette! Você hein?! - resmunga a loira sorrindo e roubando logo em seguida um beijo da namorada. - Agora, falando sobre a proposta, o que acha?
- Que o prazo é apertado, mas acredito que você consiga escrever esse livro. Basta organizar seu tempo e planeja-lo da melhor forma possível.
- Esse é o problema, linda. O tempo! Você sabe como nossa vida é corrida naquele hospital. Tenho receio de aceitar a proposta e acabar não conseguindo dar conta, falhando assim com a Cínthia ou deixando a desejar no hospital.
- Tenho certeza que não vai acontecer nenhuma dessas duas coisas. Você dará conta, é muito capaz disso e de muito mais, Sarah. Vai ficar pesado? Vai! Talvez fique cansativo? Sim! Mas eu vou estar aqui com você pra te ajudar, incentivar, sei lá, fazer qualquer coisa pra te auxiliar nessa se resolver aceitar a proposta.
- O que seria da minha vida sem você, doutora?
- Nada!
As duas sorriem e trocam um beijo.
Três dias depois...
- Cínthia?
- Oi, Sarah! E aí, o que tem pra mim? - indaga a editora do outro lado da linha.
- Contrato aceito e assinado!
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Até a próxima quarta-feira com o tão aguardado striptease da doutora Andrade. Um xero, amores
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