Capítulo 2

Os três estavam sentados juntos saboreando o cupcake e o bolo de laranja, que fora muito elogiado pela sua avó.

Ariel, aliás, se encantava como a sua avó fica elegante com as coisas mais simples. O seu cabelo tinha uma química que o deixara totalmente branco, estava em uma trança até abaixo da cintura. O vestido cinza criava um contraste com a sua pele morena e olhos castanhos. Não usava jóias ou pedraria, a sua vaidade era visível pela sua pele bem cuidada.

- O dia foi estressante. Acreditam que a esposa do rei chegou na loja querendo um vestido estampado? Agora teremos que nos virar para conseguir tais tintas. E o pior! Ela reclamou pelo preço! Como se achar panos bons e tintas coloridas em abundância fosse barato.

- Olhe pelo lado bom, querida. Vocês terão muitas qualidades de tintas para fazerem outras roupas.

Ariel ri, era incrível como o seu avô achava o ponto positivo em tudo, era otimista.

- Ao menos isso. Agora, mudando de assunto, Ariel, você tem certeza que soltará Elizabeth? Ouvir dizer que eles devem muito, podem ir atrás dela novamente.

- Eu sei, estou pensando em o que posso fazer.

- Acho que sei o que pode ajudar.

O seu avô vai até a cozinha e pega um saco branco.

- Aqui dentro tem resto de coisas metálicas, pode enganar por um tempo até abrirem.

- Verdade!

O rosto da sua avó se ilumina com um sorriso, Ariel sabia que ela estava feliz por ele não correr tanto perigo.

Ariel abraça os seus avós, era hora do serviço. Ele estava controlado até agora.

A floresta é densa e úmida, qualquer um que passe ali é maluco ou suicida. Mas Ariel conhecia aquele lugar muito bem. Cada clareira e imperfeição ele havia memorizado.

Ele passa por árvores majestosas que se erguiam, elas podiam tocar o céu? Ninguém sabia, não se é possível ver o topo delas. As folhas impossibilitaram qualquer visibilidade das estrelas, as nuvens começavam a se formar.

A terra estava consumida de galhos e folhas secas, que deixavam um vasto caminho de TRECK.

Logo à frente tijolos estavam hornamentados de forma que as paredes da prisão parecem muralhas. Os soldados não estavam de vigia, seria mais fácil entrar.

Ariel sobe em uma árvore e toma impulso para chegar ao outro lado do muro. Ele tentou parar em pé mas não tinha coordenação motora o suficiente e acabou caindo de joelhos, mais um machucado para a coleção.

Agora uma coisa que era admirável nessa prisão era a organização. Tinham blocos, as selas eram individuais e organizadas por ordem alfabética, portanto Elizabeth estaria no bloco E e a ficha de Anastácio na estante A.

Entre às selas pessoas dormiam, ou pareciam que estavam, algumas tinham estado moribundo, com o pão ao lado e o copo de água vazio, o mínimo para sobreviver. Aquilo fazia sua esperança diminuir e a rebeldia aumentar.

No bloco E em uma sela tinha uma mulher com roupas brancas encardidas, o cabelo preto estava solto, fazendo voltas rebeldes, com a pele parda começando a ficar amarela. Elizabeth estava encolhida na cama por não caber nela.

Ariel não queria que os outros que estavam presos ouvissem a sua voz, ou acordassem. Ele pegou uma pequena pedra e jogou em Elizabeth, para desperta - la. E funcionou, talvez ela não estivesse dormindo, apenas tentado fazer isso.

Ele fez um sinal para que ela não falasse nada. Pegou um pequeno objeto e abriu o cadeado. A porta da sela fez barulho avisando que não recebia óleo há meses, ou nunca tenha recebido.

Sinceramente, entrar na prisão foi mais fácil que sair. Elizabeth não ajudava, era muito alta e difícil de esconder, parecia estar muito cansada para andar rápido, ou fazer qualquer outra coisa que requeria agilidade.

Ela andava como se cada passo doesse, os olhos quase pretos estavam arregalados, mostrava o seu pânico. Ariel queria saber o que ela estava pensando, mas não foi preciso, as suas dúvidas logo foram tiradas quando, em um movimento brusco, puxou Elizabeth para que não a vissem e uma de suas mãos foi parar na barriga da moça, e sentiu uma vertigem.

- Está bem, Ariel?

- Sim, só descobri algo.

Elizabeth não entendeu, mas não decidiu comentar. Ariel apenas descobriu que ela estava grávida, ele sente tontura quando encosta na barriga de uma mulher esperando um filho, era como se ele sentisse o bebê, os seus batimentos cardíacos e sua formação, como se o visse. Ariel só não sabia explicar o porquê que acontecia isso.

Já fora da prisão Ariel instruiu à Elizabeth que entrasse no transporte que a levaria de volta. Quem pagasse teria o que ama devolvido, era o meio mais rápido de Elizabeth chegar até Anastácio, principalmente nas suas condições.

Ariel vai até a sala de documentos e encontra a ficha de Anastácio, nela dizia que ele devia cinquenta e cinco moedas de ouro, nossa. Será que o saco de coisas metálicas poderia enganar?

- O que uma criança fazendo aqui?

Ariel pega a mão que estava no seu ombro e vira - se preparando um soco. Mas ele parou, à sua frente tinha um homem, sua pele era tão pálida que as veias eram bem visíveis. O cabelo castanho estava bagunçado, e seus olhos verdes brilhavam. Mas o que irritava Ariel era o fato do homem estar sorrindo, e que o reconhecia.

- Você é um nobre?

- Infelizmente, sim. Sou o príncipe mais novo. O que faz aqui? Não é um lugar que uma criança quer brincar.

- O meu intuito de estar aqui não lhe interessa, alteza. E não irá me fazer nenhum mal, ou chamar os guardas, senão já teria feito.

- Não me chame de alteza, meu nome é Petrus. E não, não irei chamar os guardas. Só vim aqui deixar o dinheiro para alguém e como você soltou a esposa dele, agora é mais fácil.

Ariel observa Petrus pegar a ficha da sua mão e colocar um saco dentro, com moedas reias logicamente, ele é um nobre.

Ariel decide ir embora, não tinha mais nada a fazer, ele escala o muro e, dessa vez, consegue cair em pé. Ele passa novamente pelo caminho anterior.

- Qual seu nome?

Ariel já tinha se esquecido que o nobre o seguia.

- Primeiro, por que quer saber? Segundo, por que está me seguindo?

- A mesma resposta para as duas perguntas: estou curioso.

- Para?

- Tenho os meus motivos. Então, qual o seu nome?

- Ariel. E pelo que eu saiba o seu caminho não é esse, Petrus.

- Estou me certificando da segurança das nossas terras, já que meu irmão não tem competência o suficiente para isso.

- Parece que você não gosta dele.

- Ah, não. Ele é meu irmão, eu o amo, mas odeio a sua incompetência e...

Petrus para, Ariel estranha a sua parada repentina, mas ele começa a ouvir murmúrios e o nobre parecer olhar na direção dos barulhos. Petrus aponta para um arbusto e os dois se escondem entre ele.

Três pessoas encapuzadas estavam com espadas e escudos, elas andavam prestando atenção em cada detalhe, o que fez Ariel pensar que eles não conheciam a floresta.

- Inimigos.

Ariel se vira para Petrus, se o conhecesse melhor faria uma piada por ele estar falando sozinho.

- Eu disse ao meu irmão para aumentar a segurança, mas ele escuta? Claro que não.

- Falando sozinho, alteza?

- Tire esse sorriso debochado da cara, Ariel.

Petrus diz mas Ariel sabia que o mesmo não falava sério, ele estava rindo.

- Desculpa, mas não é normal alguém falar sozinho, alteza.

- Em minha defesa eu nunca disse que era normal. Agora, volte para casa, com cuidado. Há inimigos armados, te olharei daqui.

- Claro, alteza. 

Ariel assente e comeca a voltar para casa, cautelosamente. Mas antes ele se vira para Petrus.

- Cuide - se, alteza.

- Não se preocupe, eu vou.

Convencido, pensou Ariel. Ele sabia que não podia confiar nos nobres, mas Petrus era diferente. Todos do reino o via nas ruas ajudando as pessoas, era o mais novo de três irmãos, considerado "O Estrategista Real", ou como dizem alguns, "O Verdadeiro Rei".


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