06
Estão preparados?
Conheçam a dor...
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Bônus Itachi
O único som presente eram os meus próprios passos enquanto eu caminhava para o distrito do clã. As palavras do Terceiro Hokage ainda rondavam meus pensamentos: mais tempo para acalmar os Uchiha, não tínhamos mais tempo.
Em contrapartida havia Danzo, o líder da NE: mate seu clã, é a única forma de evitar uma guerra interna. Morrer com meu clã num processo longo e penoso ou acabar com a rebelião antes que ela comece.
Havia ainda meu pai, confiando a mim a missão de espionar os superiores de Konoha, para garantir o sucesso da rebelião. Havia o clã esperando que eu cumprisse qualquer missão que me fosse entregue. Para o bem do nosso clã.
Trair meu clã, derramar o meu sangue; trair Konoha, derramar mais sangue.
Meus pés se arrastavam sobre as pedras que levavam ao caminho do meu lar, a máscara ANBU parecia pesar em meu rosto assim como a espada nas minhas costas.
Não precisei olhar para saber que o ninja mascarado aguardava na entrada do Distrito, nós tínhamos um acordo. Passei dias para escolher, mas me decidi.
Foi uma surpresa encontrar um Uchiha nos arredores de Konoha, Madara, foi o nome que ele me deu. Sequer hesitou diante da oportunidade de liquidar o clã que um dia foi dele.
— Está pronto para isso? - a pergunta tinha um tom de desafio. Quase uma provocação, mas não me importei.
— Você lembra do combinado? - devolvi outra pergunta, minha voz tão indiferente até mesmo aos meus próprios ouvidos.
— Sim.
— Ótimo.
A luz cheia banhava as ruas enquanto caminhávamos lado a lado. O silêncio era o presságio que antecipava o caos. Ativei meu sharingan, alcancei a lâmina presa as minhas costas e apaguei todo e qualquer vestígio de sentimento.
Para conseguir seguir adiante com a minha escolha, eu precisava matar minha própria alma.
Será minha última missão, uma que manterei até o dia da minha morte.
— Quando terminar a sua parte, sabe onde estarei esperando.
— Apenas Uchihas. E não toque no Sasuke - reforcei o aviso mais uma vez.
Foi minha única condição para seguir com aquela missão, na verdade Danzo aproveitou-se dessa rachadura para reforçar seu ponto de vista. Se você fizer isso Sasuke poderá viver.
— É melhor andar logo com isso antes que você perca o necessário para terminar o que está prestes a começar. - Madara falou, o rosto inclinado para trás, a máscara tinha uma única abertura que mostrava o olho vermelho, a prova do legado Uchiha.
Eu não estava convencido ainda de que ele fosse de fato Madara Uchiha, mas no momento questionar não me levaria a nada.
Ele se foi sem esperar resposta. Apenas um vulto se perdendo na escuridão. Tinha chegado a hora.
Parei diante da primeira porta, segurei a espada com mais firmeza. Quando sai de casa mais cedo dizendo aos meus pais que tinha uma nova missão eles não imaginavam que essa missão fosse assassinar meu clã. O sentimento que correu por meu peito não era bem-vindo, pois cada pequeno local do clã Uchiha trazia lembranças demais.
Empurrei a porta de madeira silenciosamente, esse seria um trabalho rápido e preciso. O primeiro alvo me olhou surpreso quando entrei em sua sala de jantar, sua esposa e filha estavam sentadas a mesa obviamente confusas, só levou poucos segundos para que minha espada atravessasse o peito do homem e a garganta das duas mulheres.
Os corpos caíram com um som oco no piso de madeira, a lâmina da espada pingava com o sangue tirado. Sai da casa, a luz da lua cheia seguia meus passos como se registar-se tudo, na rua que antes estava vazia agora tinha um homem que voltava tarde para casa.
Ele me olhou por apenas um instante antes de largar a sacola que carregava e correr para mim, uma kunai sendo lançada enquanto o mesmo se movimentava, bloqueando a kunai com facilidade avancei em direção a ele, com um floreio do pulso a lâmina rasgou seu peito de um lado ao outro, com um soco direto em sua mandíbula o homem caiu e minha lâmina foi enterrada diretamente em seu coração logo em seguida.
Antes que qualquer nuvem pudesse nublar o céu, segui de casa em casa, matando famílias inteiras, desde os idosos até os pequenos bebês. As lágrimas, os pedidos, os olhares de ódio não me trouxeram qualquer simpatia.
Me transformei a arma que a NE me treinou para ser. Sem nenhum sentimento, apenas visando o sucesso da missão que me foi dada.
Ainda assim, depois de ter tirado inúmeras vidas e carregar nas mãos o sangue de cada um deles, caminhar para dentro da minha própria casa foi ainda mais difícil.
Ao chegar a casa estava silenciosa, poucas velas estavam acessas tornando o local quase repleto de escuridão, a porta de um dos quartos estava parcialmente aberta uma vela acessa lá dentro, mas um rápido olhar me indicou que o lugar estava vazio.
— Por aqui Itachi, não há armadilhas, pode entrar. - a voz do meu pai chegou tão de repente que me deixou surpreso.
Depois de um momento segui na direção em que vinha sua voz e encontrei minha mãe e meu pai em uma sala, não tinham velas ali, apenas a janela aberta deixando a luz da lua entrar. Ambos estavam quietos, como se esperassem justamente a minha chegada. Sentados juntos de costas para a porta, mesmo com o ruído da porta sendo aberta eles não se viraram.
— Pai...
Me aproximei, apenas o som dos meus passos quebrava o silêncio da casa, tirei a máscara ANBU o cheiro de sangue me fez trincar os dentes enquanto a máscara caia aos meus pés. E pela primeira vez desde que comecei aquilo minhas mãos tremiam.
— Eu não vou participar de um duelo até a morte com o meu filho. - ele falou, a voz tranquila, sem nenhum julgamento ou acusação. — Eu entendo. Então, você escolheu Itachi. Escolheu o outro lado.
— Pai... Mãe... Eu queria... - eu não sabia o que dizer. Me desculpem? Por que me desculpar se eu poderia ter escolhido não fazer aquilo? Eu amo vocês? Por que dizer isso se estava prestes a tirar a vida deles?
Havia algo a ser dito? Não. Eu precisava lidar com minhas escolhas.
— Nós já sabemos, Itachi. - a voz da mamãe também estava tranquila, firme, como quando ela me dava conselhos importantes ou se preocupava por eu estar trabalhando demais.
Senti os olhos ficando úmidos, a rachadura começou a trincar todo o restante da armadura que eu tão arduamente trabalhei para colocar em meus sentimentos.
— Itachi, só me prometa uma coisa. - Papai pediu, sua voz mais seria naquele momento. — Prometa que irá cuidar do Sasuke.
Me aproximei mais do local onde ambos aguardavam ainda de costas, meu coração de repente parecia tão apertado, tão pesado, as lágrimas caíram sobre as bochechas pingando em minhas mãos trêmulas que mal conseguiam manter a espada erguida.
— Eu prometo... - minha voz saiu embargada, tão trêmula quanto minhas próprias mãos.
— Não hesite, esse foi o caminho que você escolheu. - meu pai repreendeu suavemente. — Comparada a sua, nossa dor só durará alguns instantes. Sei que nossas filosofias são diferentes, mas eu tenho muito orgulho de você. Você é o meu filho, e é uma criança muito doce e gentil.
— Nós te amamos Itachi, não esqueça disso.
Essas foram as últimas palavras que ouvi antes de perder o que restava da minha humanidade.
Mesmo com o peito rasgado e as lágrimas caindo, mesmo sentindo o peso e a dor de cada vida que tirei naquela noite, eu não estava preparado para o completo desespero que senti quando os corpos dos meus pais caíram aos meus pés, com os olhos ainda abertos encarando o nada, e os sentimentos que antes estavam trancados conseguiram se libertar daquela armadura precária.
Eu fiz isso. Acabou.
Eu me sentia afogado pela dor, e foi difícil não tirar minha vida ali também. Mas antes que eu pudesse considerar fazer exatamente isso, os som de passos rápidos e apressados me fizeram lembrar quem eu deveria proteger.
Sasuke estava em casa.
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Esse cap foi difícil de escrever...
Vocês gostariam de ter um bônus do Sasuke?
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