Tears
Dormimos pouco e bem mal pra falar a verdade, eu não encontrei nenhum jeito confortável pra ficar naquela cama, de repente frio ou calor demais, acordei incontáveis vezes e Eric se mexeu o tempo todo, fora os espasmos, tive pesadelos terríveis, e aparentemente não só eu...
-Fica... Não pode ir agora...- o outro murmurava me apertando cada vez mais contra seu corpo.
-Eric!- eu falava enquanto balançava seu corpo na tentativa de que acordase logo e saísse daquele sono terrível, já estava agoniante de ver aquilo.
-Você sumiu Lisa! Simplesmente sumiu!- Dizia com a voz embargada
-Calma.. Não fui embora, eu estou aqui não estou?- Perguntei enquanto o abraçava- Então se acalma... Eu estou aqui, não sumi e nem vou.
-Mas sumiu Lisa, era escuro e frio, e tudo sumiu, você também desapareceu, era assustador Elisabeth, além disso era horrível!- Falava desesperado e com lágrimas escapando de seus olhos
-Foi assustador mas passou, agora está tudo bem... Estamos juntos denovo, não está mais frio nem escuro, e eu não vou sumir- Explicava secando suas lágrimas, e eram muitas... - Quer alguma coisa? Vou pegar um copo de água, a não ser que queira esperar por chá.
-Chá? Leva muito tempo pra se fazer chá...
-Se acalma.. Não vai levar tanto tempo, eu juro- Falei enquanto me levantava e ia até a porta
-E se te levarem denovo?- disse pulando da cama e correndo para me abraçar.
Passei mais uns bons minutos tentando convencê-lo que eu não ia embora e que ninguém ia me levar pra lugar nenhum, fiz o chá, sentamos juntos e nada das lágrimas pararem de rolar.
-Não quero que vá Lisa, não quero que vá embora, não quero que ele te leve daqui- falava rápido com o rosto em meu pescoço- você vai com ele? Não me deixa aqui sozinho Liss por favor...
-Presta atenção, eu não vou sumir, eu não vou embora, ninguém vai me levar, foi só um pesadelo...- Falei com as mãos em seus cabelos- E sabe por quê não vou? Porque eu te amo mais que tudo, e aquela carta nunca vai chegar nem perto do que você faz por mim sabia?
-Sério?- perguntou com a voz rouca e olhinhos brilhantes e avermelhados decorrentes das lágrimas.
-Mais que sério- Falei puxando seu corpo para mais perto
-Eu te amo Liss...- Parecia mais calmo, talvez tenha percebido que nada foi real...
-Posso pedir uma coisa?- Perguntei e o outro concorda com a cabeça- Podemos tomar sorvete mais tarde?
-Sim! Por favor sorvete!- Oh Deus, parecia uma criança animada.
E combinamos então de tomar sorvete, já eram 6 da manhã (sim, já) e eu tinha que chegar as 7:30 no teatro, as gravações começam hoje e eu estou mais calma do que pensei que estaria.
Pouco de meia hora depois já tinha terminado tudo que precisava fazer, afinal separei as peças de roupa e documentos caso eu precisasse.
Jim se ofereceu pra nos levar até o teatro, provavelmente só queria se gabar do seu incrível carro novo de sei lá quantas qualidades e que só faltava voar pra ser perfeito, de qualquer forma eu não ia negar.
E chegou pouco depois das 6:40, chegou tão cedo que parece estar mais ansioso que eu.
-Bom dia!- Gritou sorridente de dentro do carro- Fiquem à vontade queridos passageiros, favor sem acender cigarros, sem bebidas e tira o pé do banco Eric!
-Seria melhor se tivesse menos regras e mais balinhas senhor taxista marrento- Falei me jogando no banco de couro frio.
-Abacaxi ou hortelã?
-Não acredito que comprou balas pra deixar no carro Jim!- Falei enquanto enchia a mão das pequenas pedrinhas esverdeadas
-Claro que comprei, meu carro está muitos níveis acima daquela lata de sardinha com rodas que Paul chama de veículo.- Disse fechando o porta luvas
-Aposto que essas balinhas e esse couro perfeito duram pouco mais de dois meses...- Eric enfim disse alguma coisa.
-Claro que não! Vão continuar perfeitos e lindos assim por muito mais tempo... A não ser que eu fique rico no meio do caminho e troque de carro.
-Diz isso até terem que fazer alguma apresentação, esse carro vai lotar de instrumentos e adeus couro lindo perfeito e brilhoso- falei enquanto jogava uma das balas na boca.
Não demorou muito até que chegássemos ao teatro, eu percebi que ninguém entrava, todas chegavam na entrada, pegavam alguma coisa e voltavam.
-Me esperem aqui que eu volto pra avisar se podem ir ou não- Eu dizia saindo do carro e correndo em direção a Pattie que tinha acabado de falar com o homem da entrada.
-Elisabeth!- Exclamou quando me viu chegar como um furacão- Que pressa...
-D-desculpa o susto...- Eu tenho que gaguejar todas as vezes que falo com ela?- Sabe por quê todas estão voltando?
-Na verdade não tem nada pra fazer aqui, só precisa pegar isso- Disse me mostrando um cartão preso a uma fita- Tem seu nome, sua foto e um número, vai precisar dele pra entrar em algumas salas na estação...
-Que estação?- Perguntei confusa
-Marylebone, vão começar as gravações lá.- Como eu pude esquecer das cenas na estação de trem?
-Muito obrigada... De verdade- Falei enquanto chegava mais perto do homem na portaria- E tem como chegar lá?
-Na verdade sim- Me respondeu com seus lindos olhos brilhantes indicando um carro preto parado na calçada- Você não?
-Tenho...- Falei olhando para o carro do outro lado da rua, os dois estavam em completo silêncio lá dentro, ninguém ousava dizer uma palavra.
-Então te vejo em Marylebone!- A loira diz correndo até o carro.
Peguei meu cartão e corri até o carro de Jim, foi uma corrida curta mas que me cansou demais...
-Então? Foi demitida? Mudaram de idéia? Ganhou na loteria e não precisa mais trabalhar? O que aconteceu?- Os dois me perguntavam sem parar enquanto eu tentava recuperar meu fôlego.
-Nada demais, precisamos ir para Marylebone... Agora!- Falei ainda sem ar.
-Devo correr como em um filme de ação ou podemos ir em velocidade normal?- Jim perguntou enquanto ligava o carro.
-Velocidade normal, não quero que cause um acidente...- Respondi rindo.
Não era muito longe dali e pouco depois chegamos, e então a minha ficha caiu: Eu estava gravando A hard day's night! De verdade! Era loucura imaginar isso.
-Boa sorte e não esqueça do sorvete de mais tarde!- Ouvi o mais velho gritar da janela do carro já em movimento.
Além de estar gravando um dos meus filmes favoritos, com meus artistas favoritos eu ainda tinha que sair com minha criança para tomar sorvete... Ia ser um dia bem longo.
E então eu comecei a ficar nervosa, não só pelo filme, mas pelo fato de os dois estarem em um carro sozinhos por uns vinte minutos sem mim, tenho medo de que Eric conte que sabe e que Jim fique chateado comigo, se ficar bravo comigo vai contar pra Chris que vai falar pra Paul que vai falar pra Keith e em poucas horas Londres inteira vai saber sobre o que aconteceu ontem.
Eu não tinha nada a fazer senão confiar nas nossas promessas, Jim prometeu e Eric também, tudo que eu posso fazer é rezar para que eles não tenham dito isso da boca pra fora e realmente não falem a ninguém...
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