Croissants

-Paris, Paris, Paris, Paris, Paris, Paris!- Foi a primeira coisa a tocar meus ouvidos pela manhã, seu nível de ansiedade para esse dia era tão alto que não sei como não explodiu.

O mês passou espantosamente rápido, talvez porquê nada de muito legal aconteceu, as últimas semanas foram repletas de ensaios, escolhas de roupas, planos de viagem e alguns pequenos percalços, nada de muito sério, mas coisas do tipo assentos de avião, horário da viagem (Nada mudou desde a última vez), preço de passagens, aluguel de quartos de hotel e a necessidade de malas maiores, tudo foi resolvido sem muita dificuldade.

E por mais que eu também estivesse animada com isso, eu estava morrendo de cansaço, dessa vez fiz questão de não esquecer nada, o que eu espero que tenha funcionado, a parte ruim disso é que eu fiquei obcecada em checar a mala e em ler e reler as várias listas que eu fiz, e mesmo que eu já tivesse feito esse processo, pouco depois algo no meu cérebro apitava e eu repetia tudo mais uma vez, esse ciclo insuportável levou uma boa parte da minha energia, e eu realmente não estava disposta a sair daquela cama tão cedo.

-Dez minutos e eu saio daqui, juro...-Murmurei me afundando mais uma vez nos cobertores.

-Lizzie não! Disse isso a algum tempo atrás, deu de enrolação!- Repreendeu me puxando para fora do paraíso de almofadas fofinhas.

 Forçadamente tomei uma xícara de café, talvez aquilo ajudasse em alguma coisa, caso não eu vou ter que colar minhas pálpebras abertas com fita adesiva. 
Hoje eu encontrei o maior problema de viver em uma casa tão grande, tirando os fatos de que não conseguimos nos ouvir quando estamos longe, que volta e meia perdemos Maxine por aí, tudo é mais difícil quando se tem escadas no meio do caminho, descer para o café, subir para o banho, descer porquê esqueceu as toalhas na lavanderia, voltar para cima, tropeçar no meio do caminho e tudo mais acaba deixando tudo mais demorado e complicado.

Eu ainda não estava totalmente acordada, então, a solução que o outro encontrou para minha falta de disposição foi fazer as coisas por mim, o que parece bom, mas, na prática, as coisas são bem diferentes...

-Sorrindo Lisa!- Pediu como se estivesse escovando os dentes de uma criança com quatro anos, forçava alguns risos e parecia extremamente concentrado mesmo que fosse uma das tarefas mais simples a ser realizada.

-Eu consigo fazer isso sozinha Ric...- Falei tomando a escova de sua mão e roubando seu lugar na frente do espelho.

Insistiu e insistiu mais um pouco para eu deixar escovar meu cabelo, eu sabia que ia ser sofrido, afinal não tem paciência e nem delicadeza o suficiente para não arrancar meu couro cabeludo, mas eu estava apelando para qualquer coisa que me acordasse, nem que essa coisa fosse a dor.

-Hey Maxine...- Falei baixo enquanto a gata se esgueirava buscando por algum conforto em meu colo, eu teria de leva-la até a casa de Jim ainda cedo hoje, mais uma vez eu ia ter que deixar meu bebê.

-Saia ou calças?- Gritou do closet, procurando por alguma coisa para eu vestir.

-Calça!- Gritei de volta, eu não estava com ânimo para forçar uma boa postura que saias exigem.

-Saia? A azul? Sério que vai fazer isso por mim?- Perguntou irônico, desde que comprei essa saia azul, sinto que sonha com ela, se pudesse escolher qual roupa eu visto certamente eu estaria com ela 24 horas por dia, sete dias por semana, não vou nem julgar, seria o equivalente (Ou talvez vingança) da calça rosa...

Acabei cedendo ao pedido sem pensar muito, eu não queria, mas como já estava ali e tínhamos que sair logo, qualquer coisa que tapasse meu corpo servia.

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Vim sozinha até a casa de Jim para a dolorosa missão de deixar Max, ainda tinham algumas malas pra levar ao carro, e como eu não estava nem um pouco disposta a levantar peso...

Bati na porta e pouco depois mãos roubaram a gata de meus braços.

-Oh baby I missed you! How are you love?- Perguntou segurando a bolinha cinza em frente ao rosto.

-Same Jim...- Murmurei de braços cruzados forçando uma expressão triste.

-I missed you more dear!- Exclamou me puxando pela cintura e rodopiando- He came?- Concluiu e neguei com a cabeça. 

Pouco depois fui arrastada até seu quarto, segundo ele "Precisava me mostrar algo importante", sobre a mesa alguns papéis, canetas, letras de músicas embaralhadas e tudo mais que possa imaginar, uma folha estava separada, essa mesma que me foi entregue e comecei a ler uma das letras mais preocupantes que já vi, era 'Puzzles'.

-Então? O que acha?- Questionou tamborilando com os dedos pela mesa- Espero que boa, vai estar no próximo álbum de qualquer modo.

-É ótima, se eu entendi direito...- Respondi tomando lugar em sua perna esquerda- Sobre o que exatamente isso se trata?

-Confusão, muita confusão mental...- Disse olhando no fundo dos meus olhos, o que aumentou meu medo.

-Based in real facts?- Falei temendo a resposta, meu coração estava disparado e por mais que eu tentasse não demonstrar, parecia bem complicado.

-Não exatamente, às vezes me identifico um pouco, mas não era pra ser sobre mim- Riu fracamente sem desviar o olhar.

A buzina do lado de fora quebrou o silêncio que se instalou rapidamente por ali, era hora de ir.

-Eu vou indo, até depois de Paris e prometo te trazer alguma coisa!- Falei deixando um beijo em sua bochecha e pulando de seu colo.

-Só um?- Pediu chegando perto e passando sua mão em meus cabelos, o que acarretou um choque rápido de nossos lábios. 

Mais um toque da buzina e me lembrei que tinha de ir embora, saí correndo dali e entrei no carro com o coração batendo loucamente, a desculpa que encontrei foi a ansiedade pela viagem...

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Era um voo curto, apenas 25 minutos, o que eu não sabia era que tantos beijos podiam ser trocados em tão pouco tempo.

-Que aconteceu?- Perguntei sorrindo ao fim de mais um deles.

-We are going to Paris!- Respondeu repetindo o último ato pela milésima vez- Do you know what it means?

-Que estamos ferrados já que não falamos nada de francês?- Falei rindo de desespero, devia ter pensado nisso antes.

-Je ne peux parler français, croissants e mon chouchou, já é mais que suficiente não acha?- Se ele pensa que consegue sobreviver só de croissants...- And no! Its the most romantic city in the world, princess! 

-Tudo explicado, mon chouchou- Eu disse apoiando minha cabeça em seu ombro, poucos minutos depois e lá estávamos nós, Paris, cá estamos nós!

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