× dezoito ×

Desesperada, tentou ir em direção as escadas da casa pedir ajuda, mas Scott, Gina e Lisa já iam em sua direção.

— Mãe ... m-minha bolsa estourou, mãe! — A mulher chorou desesperada em direção a mãe.

— Oh minha filha, não chore... — Gina respondeu nervosa indo em direção a grávida — Está tudo bem! Tente se acalmar! Respire fundo e vá soltando o ar aos poucos. — guiou ela em direção ao sofá para que se sentasse e não fizesse esforço.

A agitação era grande entre as quatro pessoas que ali estavam. Digo, entre as cinco, já que a criança na barriga da mulher estava praticamente fazendo uma festa.

— Amy, querida, onde está uma bolsa no bebê? — Lisa disse nervosa — Scott, vá ligar para o carro! — ordenou — Vamos ao hospital.

— N-NÃO! Eu só saio d-daqui com o Evans! — disse com dificuldade por conta da respiração descompassada e da dor que ainda sentia.

— Scott tente falar com seu irmão! — Lisa gritou para o homem. — Vou buscar a mala do bebê, minha filha, sua mãe ficará aqui lhe acalmando.

E a mulher subiu as escadas em direção ao quarto do bebê.

— Mãe, eu não quero ter meu filho sozinha — chorou — Cadê aquele imbecil do Evans? Por que ele não atende o telef-AAAAAAAAAAAAAAH... — sentiu mais dor — ISSO DÓI MUITO. MUITO. MM-MÃE...

Scott, que havia já havia preparado o carro, ligava pro irmão pela milésima vez em minutos. Já tinha deixado várias mensagens e nenhum sinal dele, até que o ator atendeu. Havia acabado de desembarcar no aeroporto só com a roupa do corpo e o celular.

— Scott? Aconteceu alguma coisa? — falou com dificuldade por conta do barulho.

— SIM SEU FILHO DA PUTA, ONDE VOCÊ ESTAVA? — gritou de dentro do carro para que ninguém ouvisse — E QUE PORRA DE BARULHO É ESSE? POR QUE VOCÊ NÃO ATENDEU?

— SCOTT?! CADÊ A AMY? — disse e correu para dentro do aeroporto para evitar todo aquele chiado. O ator já estava desesperado por conta da forma do Scott falar, o homem só agia assim quando estava realmente desesperado ou nervoso. — EU TÔ AQUI EM LA! CHEGUEI, tô indo para casa.

— A BOLSA DELA QUEBROU, ABRIU, SEI LÁ, VAI DIRETO PRO HOSPITAL! A gente ta indo agora! — disse saindo do carro e entrando de volta em casa.

— SCOTT? Q-QUE? PELO AMOR DE CRISTO! SCOTT, COMO ELA ESTÁ? — o homem correu para a parte de fora do aeroporto em direção aos táxis.— SCOTT, PORRA!

Scott estava para responder quando seu celular descarregou, deixou o telefone carregando no carro e entrou na casa. Amy chorava sentada no sofá, Gina tentava acalmar a filha e pediu ao único homem ali que a ajudasse a levantar para irem em direção ao carro, mas mais uma vez a mulher recusou. 

— Amy — ele se abaixou e olhou nos olhos dela — Chris está aqui em Los Angeles, ele chegou agora vai direto para o hospital nos encontrar lá. Onde está seu celular?

— E-ele está? C-como... Uffffffff-? — puxou ar.

— Querida, isso é tudo o que eu sei. — disse calmamente num tom preocupado ao vê-la sentir dor — Ele está indo para o hospital agora, ok? Precisamos ir, ele lhe encontrará lá. — soou calmo.

E só depois de ouvi-lo ela decidiu levantar. Com Scott no volante, Lisa do lado e sua mãe atrás junto, Amy abria a janela do carro e tentava deixar a brisa lhe acalmar... ineficazmente, já que seu coração passou a bater mais rápido segundos após reconhecer que já estavam chegando ao hospital.

Quando finalmente chegaram, Amy foi prontamente colocada numa cadeira de rodas e levada para o "quarto" de preparação de parto, local que permaneceria nesses primeiros minutos até estar pronta para o nascimento.
O local era um quarto de hospital, um pouco mais espaçoso que o normal e também seria onde ela ficaria se recuperando depois que o bebê nascesse. Gina ficou na recepção preenchendo a ficha da filha, Lisa havia ido buscar um copo com bastante gelo e Scott ajudava a mulher empurrando a cadeira.

Duas enfermeiras entraram no quarto e a auxiliaram a subir na cama de modo mais confortável possível naquela situação. Após ter sido examinada, as profissionais confirmaram que o trabalho de parto estava próximo, porém a mulher ainda não havia atingido os 10cm de dilatação necessários para dar a luz.

Oh, graças a Deus. — a grávida disse depois de ouvir as enfermeiras, que riram.

— Graças a Deus por não ter atingido a dilatação necessária? — riu e questionou Amy — Isso é bem raro aqui.

— É... - disse cansada — os 6cm já se mostraram completamente dolorosos, nem quero imaginar quando chegar aos 10!

— Oh, não se preocupe, dará tudo certo. — A outra enfermeira exclamou. — Desculpe perguntar, mas você é mãe solteira? É que preciso pôr na ficha.

— Não, ela não é. Inclusive, Amy, vou ver onde meu irmão está. — Scott disse levantando do pequeno sofá de dois lugares que havia ali e saiu.

— Como ele disse, não, o pai do bebê já deve estar chegando... — tentou sorrir.

Scott, Lisa e Gina já haviam avisado a todos da família sobre o rompimento da bolsa e logo mais os outros Evans e Mays se juntariam para esperar a chegada do bebê juntos.

Do lado de fora, Scott andava de um lado para outro esperado seu irmão atender.

— Onde você está?

— Trânsito. — Chris respondeu nervoso com o maxilar trincado do outro lado da linha. — Como ela está?

— As dores diminuíram por um tempo, mas vão e voltam. Já está com 6 centímetros de dilatamento, Chris, mais quatro e levam ela para a sala de parto.

Porra.

— Scott, escute bem, tenho que lhe pedir uma coisa. — suspirou pesadamente — Se eu não conseguir chegar a tempo VOCÊ entra lá na sala de parto com ela, entendeu? — o homem apertava os olhos e bagunçava os cabelos — Sei que é muito para pedir, mas eu vou precisar que você seja forte e a ajude.

— Você tem certeza? E-eu... eu... — pensou bem —Que se dane! Eu faço isso, Chris.

— Você não imagina o quão doloroso é te pedir isso, mas você é a pessoa que eu mais confio.

Scott parou de andar instantaneamente que ouviu as palavras do irmão mais velho. Não podia desapontá-lo e nem iria, Amy era sua amiga e agora também seria a mãe do seu sobrinho.

— Não se preocupe, irmão. — disse firme — Vai dar tudo certo.

Chris desligou e ficou cada vez mais aflito no carro. Pediu para o motorista acelerar o quanto podia e que se pudesse pegar atalhos seria melhor ainda. Estava agoniado, cansado e começando a pensar no pior.

Lisa teve de voltar a casa para buscar Shannah, que havia ficado sem carro desde que voltara de Boston junto de outros amigos recentemente e não estava conseguindo entrar em contato com Carly para uma carona, e o app uber havia entrado em manutenção.

Cerca de 10 minutos depois a matriarca voltou encontrando Gina ajudando Amy a fazer o exercício da bola para ajudar na dilatação, nesse meio tempo ela havia dilatado mais dois centímetros e estava muito cansada.

Gina estava no quarto com ela enquanto Scott estava na sala de espera junto de Steve, seu namorado, Rosa, Carly, Charles e Holt.

— E seu irmão? — Lisa disse quando voltou para o lado dele.

— Nada, tentei ligar agora a pouco mas aparentemente o celular dele descarregou.

— Por Deus! — A mulher suspirou — Não acredito acredito que Chris irá perder o nascimento do filho — disse triste.

— Nem me fala, ele vai ficar devastado. Inclusive, ele disse que se não conseguir chegar a tempo quer que eu entre na sala com Amy.

— Seu irmão confia muito em você. — Steve disse sorrindo.

— Sim. — sorriu de volta.

Cerca de 5 minutos depois eles se dirigiram para o corredor do quarto em que Amy estava. Havia uma grande de janela de vidro que permitia a vista de dentro do cômodo, e todos viram e ouviram o momento em que a grávida sentiu uma dor aguda e foi amparada pelas enfermeiras.

— Scott, meu filho, acho que está na hora. Os outros, todos voltem para a outra sala de espera. — Lisa brandou.

Por conta da "surpresa" do parto antecipado, o médico que iria fazer o parto de Amy não pôde estar presente e teve de ser substituído por outra médica. Assim que a mulher chegou e viu o estado de Amy, supôs que ela havia chegado aos 10cm de dilatação e fez o teste do toque, confirmando suas suspeitas.

— Querida, você já está com os 10cm que precisamos para o parto. — A doutora falou.

A mulher não conseguiu responder e a médica continuou.

— As enfermeiras vão levá-la para a sala de parto. Nos vemos lá.

— NÃO! EU NÃO SAIO DAQUI ENQUANTO O EVANS NÃO CHEGAR! — brandou chorosa com cara de dor. A mulher chorava pela dor e pelo homem não estar lá.

Lisa e Scott adentraram ao quarto.

— Querida, você precisa ir. Scott lhe acompanhará. — Gina acariciou a filha que chorava.

— N-NÃO... EU. QUERO. O. C-CHRIS. EU. AGUENTO. ESPERAR... AAAAAAAAAH. ISSO DÓI DEMAIS. ISSO DÓI MUITO. EU NÃO SEI SE EU AGUENTOOOOO! CADÊ AQUELE FILHO DA PUTAAAAAAH??

As enfermeiras chegaram e tentaram pegar a cama-maca em que Amy estava. Quando abriram a porta para poder levá-la, um homem entrou num pulo. Chris havia decidido correr até o hospital e correu duas quadras até finalmente chegar, já que como o trânsito estava complicado provavelmente não conseguiria comparecer a tempo.

— AMY! OI! EU CHEGUEI! — disse ofegante — EU ESTOU AQUI, MEU AMOR! EU SOU O PAI, COM LICENÇA. — ofegou mais uma vez em alto e bom som passando pelas enfermeiras se aproximando da maca de Amy.

O homem se pôs em pé ao lado da mulher e segurou sua mão beijando-a enquanto pedia desculpas. Finalmente estava ali. Os dois pensaram.

— CHRISTOPHER SEU FILHO DA PUTA DESGRAÇADOOOO! — A mulher gritou aliviada — NOSSO BEBÊ VAI NASCER, CHRIS. — chorou com um misto de emoções.

As enfermeiras começaram a tirar Amy do quarto e todos saíram desejando um bom parto e um "até daqui a pouco".

— Vai sim, Amyzinha. — disse sorrindo — E vai tudo dar certo agora, eu estou aqui, tudo bem?! — Chris segurou a mão dela durante todo o curto caminho para a sala de parto.

Já devidamente no local, ambos tinha o coração a mil.

— Chris, e..e-eu to com medo... e dói tanto, Chris, dói pra caralho — Amy chorou nervosa e soltou uma risada fraca, estava menos temerosa do que quando chegou e a presença do homem estava ajudando. Mal terminou de falar e teve uma contração.

— Olhe, nosso bebê vai nascer e tudo isso vai passar... Respire bem, ok?

A mulher afirmou com a cabeça e respirou fundo.

— Amélia, vou precisar que você puxe o ar e solte empurrando com força, ok? — disse a médica já posicionada. — Vamos, Amelia, puxe! Abra bem... empurre!

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH — trincou os dentes e soltou. Evans sentia o sangue da sua mão preso de tanto que a mulher o apertava, mas apenas a incentivava a apertar mais. Quando ela relaxava, a mão do homem ficava branca de imediato.

[...] Já estavam na sala de parto há cerca de 4 horas. Amy estava tendo dificuldades por estar se sentindo muito cansada, a mulher estava ficando sem forças.

— Vamos lá, Amy, vamos empurrar! — A médica pediu.

— Chris, eu não aguento mais... — o peito da mulher descia e subia cansado.

Em nenhum momento de todas aquelas horas ele ousou soltar sua mão. O homem usava a ponta dos dedos para limpar o suor da testa da mulher e as lágrimas ao lado dos olhos.

— Amyzinha, você consegue! Eu prometo para você!

— Vamos tentar mais uma vez, ok? Abra bem, puxe o ar e EMPURRE!

— FORÇA, AMY! VAMOS, AMELIA. VOCÊ CONSEGUE, AMYZINHA!

— Está vindo! Amélia, você está quase... vamos... isso... mais um pouco... EMPURRE!

E ela empurrou, Amy usou o que considerou ser a última dose de suas forças naquele momento, a mulher gritou pondo para fora todo o ar de seus pulmões. Chris sentiu sua mão ser apertada como nunca ninguém havia feito antes.

E quando cessou, um breve período de silêncio foi cortado pelo choro de um recém-nascido.

— Mamãe, papai, parabéns. Vocês agora têm uma linda menininha. — a voz da médica soou sorridente.

Amy e Chris sentiram o coração parar, mal prestaram atenção no que a médica havia falado, ambos estavam concentrados no choro da pequena bebê que assim como a mãe segundos antes, agora usava todo o ar de seus pulmões para avisar que finalmente havia chegado ao mundo.

— Uma menina... — Amy falou baixinho olhando para a bebê enquanto a médica cortava o cordão umbilical — Nós temos uma linda menininha, Chris. — sorriu.

O homem, que assim como ela tinha os olhos fixos na bebê, voltou a atenção para a recém mamãe. O Evans percebeu que ainda segurava a mão da mulher quando a doutora ofereceu-lhe a bebê para segurar. Ele olhou para Amy, que sorriu em confirmação e soltou sua mão. O homem estava extasiado.

— Nossa menininha, Amy. — o ator disse mostrando a bebê para a mãe. Com os olhos cheios de lágrimas, fitava ponta a ponta daquele pequeno serzinho que agora tinha em braços. Era linda. Uma bebezinha completamente saudável e perfeita.

De tudo que ele já havia feito, ela era, sem dúvida nenhuma, a mais perfeita.

— Nossa, Amyzinha, olhe como ela é perfeita. — ele baixou um pouco o tronco para se posicionar da forma mais confortável para poder passar a bebê para a mãe.

Amélia tinha lágrimas nos olhos quando sentiu a filha pela primeira vez em seus braços. Deitou a menina no colo e fez carinho em suas bochechas. Olhou para o ator que se aproximava o rosto dela e sorriu.

— Ela é nossa, Evans. — riu — Dá pra acreditar? — suspirou feliz e desacreditada.

— É sim, Amyzinha. Só nossa, nós que fizemos essa perfeição. — ele fez carinho no cabelo dela — Você foi ótima, Amy. — limpou o suor na testa dela e a olhou nos olhos. — Obrigado por isso. Muito obrigado. — ele  a beijou na testa e logo depois na bochecha.

Amy passou a mão pelo rosto de Chris e sorriu — Eu também tenho que te agradecer. — o olhou nos olhos.

Chris se aproximou e colou sua testa na da mulher e segundos depois a lhe deu um leve selinho.

O momento foi interrompido pelas enfermeiras pedindo para poderem limpar e fazerem alguns rápidos exames na bebê. Amélia ordenou que ele fosse junto para não correr nenhum risco de trocarem a criança. O homem riu quando ouviu mas obedeceu.

Enquanto isso, Amy voltou para o quarto que ficou no início, agora com a entrada de sua mãe e de Lisa permitidas. A família esperava ansiosa no corredor para poderem ver a mais nova integrante da família.

— Temos uma menina, mãe. Uma linda menina! — disse encantada para Gina que fazia carinho em seu cabelo.

— Nem acredito que já sou avó! — riu.

— Bem-vinda ao meu mundo, Gina! — riu — Não vejo a hora de pegar ela nos braços. — Lisa afirmou.

Momentos depois Chris entrou na sala andando devagar com a pequena neném enrolada numa manta rosa-bebê em seus grandes braços. Chegava a ser um pouco cômico a diferença.

— Mamãe, vovós, cheguei e estou limpinha! — o homem entrou no quarto.

Muitos "owns" saíram da boca de ambas mulheres, que se derretiam para a netinha.
Enquanto Chris mostrava a bebê para as vovós dentro do quarto,  Scott batia na janela de vidro do lado de fora pedindo para vê-la.

Não só ele, mas os pais de Chris e Amy, Charles, Rosa, Scott, Shannah e Carly estavam todos ali sedentos para conhecer a pequena.

O Evans andou em direção ao vidro enquanto os via balbuciar "o que é", "chega mais perto do vidro", e muitas caras derretidas soltando "Aí meu Deus"...

— Essa é nossa pequena menina. Olhe, bebê, são seus vovôs e seus tios e tias. 

Do lado de lá, todos estavam encantados. "É uma menina! Eu disse".

Shannah não foi a primeira  a segurar (como tanto queria) mas foi a primeira pessoa ali a fazer um questionamento muito importante.

— E então? Qual o nome dessa princesa? — a Evans mais nova questionou, fazendo Chris e Amy caírem na real que ainda não haviam decidido um nome para a filha.  


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