capitulo 30
Não sei mais o que eu esperava de toda essa situação. Claramente eu passei dos limites e quase matei o velho do coração. Mas que culpa eu tenho se fui praticamente obrigada a me deslocar de um país a outro por causa de um casamento arranjado?
Minha única saída é fazer com que esse homem veja que não sou mulher pro seu filho. Dessa forma posso voltar para o Brasil e ficar com o garoto que eu gosto.
Olhei para a postura arrogante do homem a minha frente. Seus olhos me encarando com ódio e rancor pelo que causei ao seu querido pai.
- Vai ficar aí me olhando feito um idiota? Pois saiba que eu não dou a mínima se esse velho morrer. Pelo contrário, pra mim vai ser perfeito, pois assim eu não sou mais obrigada a ficar presa aqui nesse lugar! - Não consegui medir minhas palavras. Isso foi errado, mas ainda não consigo parar de falar.
Senti apenas um solavanco forte enquanto meu braço era praticamente desmembrado do meu corpo. Sua mão áspera me apertou com tanta força que o sangue parou de circular instantaneamente naquela região.
- Pois fique sabendo que se meu pai morrer por sua causa, eu mesmo vou fazer questão de tornar sua vida um inferno! Se você acha que sua vida tá ruim agora, você não faz ideia do que pode se tornar! - Ele cuspiu as palavras na minha cara com um ar de psicopata. Suas pupilas dilatadas deixavam seu semblante ainda mais horripilante.
Calafrios percorreram minha espinha quando ele me jogou de costas na cama. Achei que ele fosse me matar ali mesmo, mas ele apenas saiu a passos pesados e bateu a porta causando um estrondo alto no corredor e no quarto. Não sei com quem eu devo me preocupar mais, com o pai rigoroso e arrogante ou com o filho Psicopata. Agora em vez de ter meu problema resolvido, consegui arranjar dois problemas.
Acordei pela manhã com o leve rangido da porta. Olhei de relance e vi a figura de Lídia parada à porta com uma bandeja de café da manhã. Ela não tava com uma expressão muito boa, mas eu ainda tinha esperanças de que hoje fosse um dia melhor, afinal, nada melhor do que um dia após o outro.
- E aí? - Perguntei em relação aos últimos acontecimentos nessa "mansão dos horrores".
Ela continuou séria ao responder:
- Acho melhor tomar seu café primeiro!
Ali parecia que eu já estava presentinho o que vinha pela frente.
- Ele morreu? - Parecia que minha cabeça ia explodir de curiosidade. Eu já estava me sentindo enjoada de pensar que eu poderia ter causado sua morte.
- Ainda não...
Eu não sabia se me sentia aliviada ou angústia por sua resposta vazia.
- O que você quis dizer com "ainda"? - Perguntei com um nó na garganta.
- O médico disse que ele tem no máximo uma semana de vida!
Porquê não me sinto aliviada por isso? Essa era minha chance de me ver livre desse casamento! Ou será que é minha passagem só de ida pro inferno?
- Ah, mas isso não é de todo ruim, não é mesmo? Afinal ele é um homem velho, não é como se eu tivesse causado isso!
A expressão de Lídia parecia julgar cada palavra minha.
- Eu estou ferrada não é? - Falei com uma expressão preocupada.
- Aconteceu alguma coisa a mais ontem à noite? - Ela perguntou, mas provavelmente já sabia da resposta. Tenho certeza de que Braian gritou tão alto que mesmo um surdo poderia ouvir.
Olhei para a marca vermelha em meu braço e as palavras ainda estavam se repetindo em minha mente. Eu ainda conseguia reviver a cena outra e outra vez como se tivesse parado em um lapso de tempo.
Lídia foi até o banheiro e pegou algumas ataduras e analgésicos.
- Brian esteve no meu quarto ontem à noite e me ameaçou da pior forma possível! - Falei enquanto ela cobria a marca em meu braço.
- Foi ele quem fez isso? - Perguntou em relação ao hematoma.
Assenti com a cabeça.
- Achei que ele fosse me matar!
Não que isso esteja fora dos planos dele. Do jeito que andam as coisas, talvez isso esteja mais perto do que penso.
- Ele estava muito exaltado ontem. Espera ele se acalmar, quem sabe vocês não se entendem?!
Dei uma gargalhada. Depois de ontem uma guerra foi travada entre nós dois. Minha única escolha é fugir na primeira oportunidade que tiver.
Lídia foi levar a bandeja de volta pra cozinha e aproveitei pra tomar um banho. Depois de um longo banho quente, vesti uma roupa que cobrisse o ematoma em meu braço. Amarrei o cabelo em um rabo de cavalo e peguei meu celular pra ver se havia alguma mensagem de Lucas. Como já era esperado, não havia nada. Ele ainda estava me evitando, ainda estava chateado comigo.
Minha mãe entrou em meu quarto e sentou-se ao meu lado na cama.
Ontem pude ver a preocupação que exalava em seus olhos enquanto ela ia acudir aquele velho que ela tanto diz desprezar. Talvez em todos esses anos sendo obrigada a conviver com ele, ela tenha acabado realmente se apaixonando.
- Podemos conversar? - Perguntou quebrando o silêncio no quarto.
- É sobre ontem?
Eu já sabia que seria atormentada por isso pelo resto da minha vida enquanto permanecesse nesse lugar.
- Não vou pedir que me compreenda ou que compreenda o que Andrew faz. Mas quero que saiba ele não é uma pessoa ruim como você pensa. A pesar de ter sido forçada a me casar com ele, se tivéssemos nos conhecido em outra situação, tenho certeza de teria o escolhido para ser meu marido. Ele é um bom pai, assim como também foi um bom marido pra mim esses anos todos que estive longe de você.
- Achei que quisesse fugir dele! Então você mentiu para que eu viesse com você?
- No início eu realmente pensava em fugir, mas depois de conhecer ele direito, vi que ele é um homem bom!
Talvez ela esteja apenas sentindo culpa por vê-lo em seu leito de morte. Tanto faz, ainda é por causa dele que estou vivendo esse pesadelo.
- Foi só isso que veio fazer aqui? - Perguntei indiferente.
- Na verdade não! Vim porquê Andrew quer falar com você!
Novamente senti uma onda de calafrios percorrer minha espinha.
- O que ele quer Comigo? - Perguntei preocupada.
- Não se preocupa. Ele não pode fazer nada com você na situação que está. Eu te acompanho até o quarto dele.
Andamos através dos corredores largos e subimos a escada até o último andar. Chegamos de frente a duas portas marrom e largas com fechaduras douradas.
Quando estava prestes a entrar, a porta se abriu e fiquei paralisada diante da figura carrancuda na minha frente. Seus olhos vermelhos de um choro recente e seus cabelos bagunçados de uma forma atraente. Sim, era Brian, e ele me olhou com o mesmo ódio de quando esteve no meu quarto ontem à noite, apenas passou por mim exalando uma frieza que me deixou arrepiada de medo.
Entrei no quarto com as pernas trêmulas, sem saber ao certo onde ir. Então o velho deitado na cama me convidou a sentar ao seu lado.
Com a voz baixa e rouca ele começou a falar:
- Sei que não devo ter causado uma boa impressão em você. Mas saiba que nunca tive a intenção de machucar nenhuma de vocês, nem você e nem sua mãe. Como pai, eu só quis garantir o futuro do meu filho. Queria vê-lo construir sua família antes de partir... - Ele puxa o fôlego antes de voltar a falar. - Só peço uma única coisa antes de partir; Mesmo que vocês não fiquem juntos pra sempre, mesmo que dure apenas uma semana ou duas, quero apenas morrer com a ilusão de que deixei meu filho em boas mãos.
A pesar de eu não concordar com um casamento arranjado, ainda pude ver o tamanho do amor desse velho ranzinza por seu filho. Ainda não consigo compreender porquê em um mundo tão grande, eu fui escolhida pra estar aqui. Mas como eu poderia negar o pedido de um velho em seu leito de morte? Até me sinto culpada pelo causei na festa, afinal, acabei prejudicando a mim mesma!
-Tudo bem! - Assenti com a cabeça.
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