Capítulo 23

Lucas sentou na beirada da cama enquanto me olhava de forma intrigante.

_ Vai, fala logo! _ Falei impaciente, sem dar chance as suas provocações.

_ Clara, por favor, não me trata assim!

Por favor? É alguma brincadeira?

_ Só deixei você entrar no meu quarto porquê achei tinha algo que me interessasse, se não vai falar nada relacionado a isso, então você pode sair.

E outra vez estamos em meio à um desentendimento.

_ É que... eu tenho medo! _ Falou de um jeito apreensivo, como se o que tivesse prestes a dizer fosse criar algum tipo de cratera entre nós. Como se fosse possível eu odiá-lo ainda mais.

_ Para de suspense, fala logo!

Por um momento minha frieza parece ter o atingido a ponto de fazer seus olhos encherem de lágrimas. Ele vai chorar?

_ Primeiro preciso que me prometa uma coisa.

Ele segura minha mão sem me dar chance a uma reação, e então fala:

_ Promete que nunca vai me deixar?

Apenas dou um sorriso sarcástico.

_ Isso é mais alguma das suas brincadeiras? É lógico que se eu pudesse ficar o mais longe de você já estaria com as malas prontas!

A intenção era apenas provocá-lo, mas minhas palavras parecem ter atingido em cheio em seu coração.

_ Você me odeia tanto que fugiria na primeira oportunidade?

Ele espera por uma resposta, mas o silêncio é a melhor resposta nesse caso.

_ Você ainda não falou o que realmente me interessa.

Falo na tentativa de mudar o assunto e tirar esse clima de tensão do ambiente.

Ele me encara por alguns segundos como se ainda esperasse uma resposta, mas logo seu olhar muda a direção parecendo constatar minha indiferença.

_ Sua mãe está na cidade.

Ele é bem direto, me deixando meio em dúvida se o que está dizendo realmente faz algum sentido ou se é apenas mais uma brincadeira de mal gosto.

_ O que você disse?

Ele levanta e caminha em direção à porta.

_ Eu preciso mesmo repetir?

Dessa vez seu tom de voz é mais frio ao dizer:

_ Ela falou com minha mãe, quer que você vá embora com ela para os Estados Unidos. Creio que agora você não tenha motivos pra permanecer nessa casa.

_ Fala sério garoto! porquê eu acreditaria em você?

Reviro os olhos, pois sei que isso não faz o menor sentido. Porquê a mulher que me abandonou com um cara abusivo que nem sequer era meu pai, voltaria agora depois de 10 anos longe?

_ Já falei o que tinha que falar, agora se você acredita ou não, isso é problema seu!

Ele termina de falar e bate a porta com força ao sair.

Fiquei por horas deitada na cama sem conseguir dormir, pensando no que Lucas havia me dito. E se ele estiver falando a verdade? Será que depois de 10 anos eu teria estômago pra olhar no rosto daquela mulher e chamá-la de 'Mãe'? O que será que ela fez durante todo esse tempo? Porquê ela foi embora? Como teve coragem de deixar uma criança inocente com uma cara que passava a maior parte do tempo bêbado? NÃO! EU NUNCA VOU PERDOÁ-LA! NUNCA IREI CHAMÁ-LA DE MÃE NOVAMENTE! ELA NÃO É E NUNCA FOI MINHA MÃE! EU ODEIO AQUELA MULHER!

Finalmente consigo dormir depois de muito tempo tentando lembrar do rosto da mulher que me abandonou. Como ela era mesmo? Cabelos longos e sedosos, olhos claros como os meus, mãos delicadas que acariciavam meus cabelos, cheiro doce e sorriso cativante. Ela era a mulher mais linda do mundo. Ahh.. Como eu amava aquela mulher. Pra mim não existia melhor sensação do que está no aconchego do seu colo.

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Na semana seguinte, acordei pela manhã com o despertar do relógio que marcava 06:00 horas. Mais uma vez eu teria que ir pra escola e suportar ser ignorada por Aline durante toda a aula.

Cheguei na sala e sentei em meu lugar como sempre fazia. Aline sentou logo atrás, passou por mim e me ignorou como já vinha fazendo nas últimas semanas. Mas eu já estou acostumada, e apesar da dor que isso me causa, sei fingir como ninguém, minha expressão sempre será a melhor possível. Eu estou bem!

Durante o intervalo conversei com Alex sobre o que Lucas havia me falado. Ele por sua vez, me manteve informada sobre a situação de Aline. Seus pais ainda não sabem que ela está grávida, provavelmente está esperando que eles voltem de viagem primeiro. E sobre a relação de irmãos entre ela e Alex, essa ainda não é das melhores, como esperado, ela não facilita, prefere se manter trancada em seu quarto e ignorá-lo como faz comigo.

_ Então ela desistiu de...

Antes que eu termine de falar, ele completa:

_ É, Parece que ela tá se acostumando com a idéia de ser mãe.

_ E... Você já sabe quem é o pai?

Mesmo que meu consciente fique repetindo o nome de Lucas sem parar, no fundo ainda tenho esperança de está errada.

Ele balança a cabeça em negação.

_ Até tentei tocar no assunto, mas ela insiste em dizer que não tem pai. Depois disso sempre vem um esculacho como você já deve imaginar.

_ Será que um dia vamos olhar pra trás e rir de tudo isso? _ Tenho ser positiva.

Ele dá um sorriso discreto ao olhar na direção da mesa onde ela está sentada e responde quase em um sussurro:

_ Só o tempo pode dizer!

No fim da aula, ele se oferece pra me acompanhar até em casa. Caminhamos um pouco até uma sorveteria e resolvemos fazer um lanche.

_ O que você vai fazer quando estiver se frente com sua mãe? _ Ele pergunta enquanto enche um potinho com sorvete.

_ Não sei! _ Dou de ombros. _ Nunca achei que isso fosse realmente acontecer, e nem sei se quero que aconteça!

_ Legalmente ela não tem nenhum direito sobre você.

_ Sim, eu sei. A senhora Laura conseguiu minha guarda de forma legal.

_ Então porquê você tá tão pensativa assim? _ Ele toca em meu queixo com toda a atenção do mundo.

_ É que são tantos problemas. Eu esperei tanto tempo por ela, sonhava todas as noites que ela vinha me buscar. Agora estou com raiva, mas eu queria muito saber onde ela foi ou porquê não voltou antes.

_ Eu te entendo...

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