Capítulo 18

Olá, meus Amores!! Tudo bem com vocês?
Hoje o recadinho veio primeiro. kkk
primeiramente, gostaria de agradecer por você ter chegado até aqui, isso quer dizer que você está acompangando essa trama e que você está curioso//a e curtindo esse desfecho kkk
Espero que continue gostando e se quiser, sinta-se livre para indicar para amigos e familiares

Pedirei também pela estrelinha porque esse capítulo vai ser dose!! (e eu não vou mencionar o que te aguarda no 19) hahahaha kkkkk até segundaaaaaa
*** 

A quarta-feira passou como um sopro.

Tinha conseguido entregar os textos da Verônica a tempo de mandar para a produção, mas precisei passar do horário para isso. No relógio, as horas passavam no grito — na verdade, elas pareciam ter agarrado nas sete. E isso aconteceu depois que Samuca me mandou uma mensagem, dizendo que passaria para me buscar. Nós precisamos conversar, embora isso não estivesse escrito, mas deva para ler nas estrelinhas. Eu comecei a listar mentalmente todos os assuntos que precisaria abordar e os argumentos em minha defesa começaram a surgir, tão rápido quanto um hamster correndo em uma roda, dando voltas e voltas sem sair do lugar.

Isso é ridículo, pensei enquanto enumerava no dedo como se fosse uma espécie de reunião.

Que absurdo!

O que eu estava fazendo?

Ele é meu noivo!

Direcionei-me ao banheiro e fitei a minha figura refletida no espelho de corpo inteiro. Eu estava bonita dentro do vestido de tecido leve, cor de mostarda, que ia até o meio das coxas com pregas o deixava roda, as mangas eram fofas e compridas até os punhos. A estampa de micro flores preta distribuída de um jeito geométrico cobria todo o tecido e as botas de cano curto complementavam o estilo casual, mas eu não me sentia tão confiante por dentro.

Eu não queria parecer tão afetada quanto aparentava e esperava que retocar o batom conseguisse camuflar a apatia. Inclinei um pouco para frente e passei a ponta do dedo para corrigir a pequena falha no canto vermelho dos lábios. Arrumei uma mecha dos cabelos contidos no coque francês baixo e despojado. No caminho de volta para a mesa, ergui o queixo e arrumei a postura, no momento em que passei pela porta aberta de Thomas, contendo com esforço a vontade que senti de fechá-la.

Será que ele tinha tirado a semana para me supervisionar?

O que ele estava querendo prova? Talvez ele estivesse pensando que eu não colaborasse significativamente com a Revista.

Ai cacete!

E se a obra fosse de propósito? Se ele estivesse querendo acompanhar de perto o que realmente fazia. Talvez ele quisesse um bom motivo para me colocar no olho da rua.

Babaca! Julguei-o com uma boa dose de desprezo ao passar por ali e ver que ele estava no telefone, falando num tom que eu não conseguia compreender.

Tratando de ignorar o ressentimento, sentei na cadeira e me atrevi a dar mais uma olhada no cretino por cima do ombro. Ele estava meio virado para fora da mesa, enquanto segurava o telefone na orelha e as costas reclinavam pela cadeira. A mão livre batia um lápis sobre o tampo da mesa e os olhos estavam fixos no movimento. Ele tinha o perfil insuportavelmente bonito, principalmente quando não estava olhando, e os olhos profundos, dispersos chamavam a minha atenção.

O que?

Tentei controlar a minha imaginação ao balançar a cabeça, dispersando qualquer pensamento que pudesse surgir relacionado a Thomas, e comecei a revisar pela última vez um texto enviado pelo Fred, encaminhando-o para Verônica.

Assim que apertei no botão de enviar, senti novamente os meus pelos da nuca se arrepiarem, como se alguém estivesse me vigiando. Não havia ninguém no prédio, mas mesmo assim, empurrei os óculos, correndo pelo nariz até ficar bem próximo do rosto e olhei de um lado para o outro por toda a extensão do andar, cogitando a possibilidade.

Nada!

Isso só pode ser uma tremenda paranoia da minha cabeça. Conclui, mas me arrependi quando virei bruscamente sobre a cintura em direção à mesa de Thomas. Lá estava ele com aqueles olhos azuis cintilantes me encarando escancaradamente.

Um calor subiu pela minha barriga e senti as bochechas queimarem de um jeito inoportuno, mas não sabia se era devido ao constrangimento ou à raiva. Não recuei, mantendo o olhar e ergui a cabeça num gesto inquisidor. A minha reação não pareceu afetá-lo, pois seus lábios se curvaram num riso de lado ao formar uma resposta irritante.

Isso me fez revirar em borbulhas efervescentes por dentro. Fechei as mãos em punhos. Quis me levantar e lhe dizer que ele não tinha o direito de sorrir daquele jeito para mim, mas a porta do elevador se abriu, e Samuca saiu de lá, vindo em minha direção.

Engoli toda a raiva que sentia para tentar fitá-lo com suavidade.

— Vamos... — Samuca disse, abrindo um meio sorriso para mim.

Assenti com um chacoalhar de cabeça e abaixei o olhar para pegar a alça da minha bolsa. O telefone de Samuca tocou duas vezes e ele puxou a beira do terno, tirando-o de algum bolso dali, atendendo-o depois de conferir a identificação na tela.

— Alô. — Samuca parou para ouvir e virou-se de costas para mim. — Não é uma boa jogada... — disse, simplesmente. — Eles não vão aceitar — rebateu. — Nós precisamos fazer uma proposta generosa para ver se eles removem o Processo. A gente não vai ganhar essa se for para o Tribunal. — Samuca se virou para mim novamente. — Podemos falar sobre isso daqui a pouco? — perguntou, forçando um sorriso fechado para mim. — Eu sei. Chego no escritório em — Samuca esticou o braço sob a manga do terno e o analisou — meia hora.

— Dr. Pontes. — A voz de Thomas irrompeu o ar inesperadamente assim que Samuca guardou o telefone. Estremeci quando ele bateu uma mão na outra, fazendo a volta pela mesa ao parar no meio da porta. Thomas escorou o ombro no batente, seu olhar oscilando de mim para Samuel.

— Roriz. — Samuca respondeu com um rosto amigável, virando-se de frente para a porta.

Oh-meu-Deus!

Meu coração parou por uma fração de segundos e o pânico aumentava numa progressão absurda à medida Thomas avançava na direção de Samuca.

Isso não deveria estar acontecendo. Eu repetia para mim mesmo, como se isso fosse um pesadelo e pudesse acordar.

Mas isso não aconteceu. Eles estavam um de frente para o outro e eu preferia morrer a continuar vivendo para ver essa cena.

— É muito bom vê-lo por aqui. Dispense as formalidades e me chame de Thomas. — Thomas estalou, estendendo a mão num cumprimento. Samuca apertou-a num movimento firme acompanhado de um aceno de cabeça. Thomas não desviou o olhar da aliança de compromisso no dedo do Samuel. — Notícias sobre o caso da Pocket?

Samuca soltou a mão de Thomas e a enfiou no bolso da calça de alfaiataria.

— Ah, na verdade não... — ele balançou a cabeça. — Ainda estamos estudando o caso. Eu vou marcar um horário para debatermos sobre isso na semana que vem, mas a situação é bastante delicada.

Thomas firmou o olhar em Samuca, erguendo as sobrancelhas ao subir e descer a cabeça numa concordância lenta.

— Vamos, Samuca... — disse eu, engolindo em seco ao tentar quebrar o silêncio ao me levantar da cadeira, segurando a alça da minha bolsa ao pressentir o pior.

Isso não é nada de mais. Eu tentei conter a aflição, mas era impossível não pensar nu contexto geral desastroso. O meu ex e o meu atual, um de frente para o outro. Um sabe do passado, mas não sabe quem meu ex era, e o outro, desconhece o passado, mas conhece quem o meu atual era.

Ridicularizar a situação me soou absurdo.

— Ah... Vocês estão... — Thomas disse com a voz morrendo antes de concluir, talvez ele estivesse procurando a melhor palavra para a ocasião, mas pareceu não encontrar, então o movimentar do dedo de mim para Samuca pareceu completar silenciosamente.

Ajustei-me ao lado de Samuca, revogando o meu lugar sem hesitar.

— Juntos! — completei com firmeza na voz, passando o braço pelo de Samuca — e nós estamos atrasados. — Aleguei puxando Samuca em direção ao elevador. — Adeus Thomas! — disse, por fim quando apertei o botão.

Samuca estacionou o carro na frente de meu prédio. O caminho tinha sido curto e silencioso. Isso se deu pelo fato de que a minha cabeça estava afogada na confusão que acabara de se instaurar.

Eles já se conheciam...

Samuca já tinha visto Thomas. Era meio óbvio que sim, ele era um bom advogado e a Firma dele prestava serviços para a Revista.

Isso não parecia facilitar as coisas.

— Você não vai dizer nada? — Samuca perguntou quando desligou o carro.

Voltei a mim e virei o rosto em direção a ele, e balancei a cabeça.

— O que? — indaguei, soltando o cinto de segurança. Eu realmente não tinha prestado atenção no que ele tinha falado. Na verdade, sequer tinha ouvido.

— Qual o problema? — indagou, suspirando e girando sobre o banco. Seus joelhos tocando os meus. — O que está acontecendo com você?

Franzi o cenho e cocei o couro cabeludo, bastante confusa com o que ele estava falando agora.

— Porque você está perguntando isso?

— Eu sei que tem alguma coisa te incomodando — esclareceu — e a gente já deveria ter tido essa conversa faz um bom tempo, mas eu quis te dar espaço. Como sempre — ele revirou os olhos com frustração, afundando a cabeça no encosto — eu sempre estou te dando espaço, talvez seja esse o problema, porque tudo o que você está fazendo é fugir de mim e me ignorar — ele estava usando um tom de voz bastante chateado. — Sua cabeça está no mundo da lua. Sinto que você está cada vez mais distante de mim, que estou perdendo você...

Suspirei, fechando os olhos com o reboliço que emergiu dentro de mim.

— Você não acha que eu tenho motivos para estar distante?

— Não. — Ele exclamou, elevando um pouco o tom de voz. — Isso não é sobre a sua mãe ou sobre eu não ter te contado sobre a doença. Você está guardando alguma coisa só para você e isso está destruindo a nossa relação. Talvez você não esteja vendo isso, mas essa situação é desoladora.

Eu abri os lábios mais os fechei, balançando a cabeça num negativa ao levar a mão à têmpora.

— Eu não sei, Samuca — disse, com honestidade, mergulhando os dedos nos cabelos. — Tem alguma coisa errada comigo. Eu estou tentando fingir que está tudo bem, mas sei lá. Eu estou tão perdia, confusa. A Revista, O Thomas está fazendo um inferno na minha vida... Agora a minha mãe e vo-...

Eu não consegui completar o que estava dizendo, porque um barulhão de metal e freio irrompeu no ar e o carro foi içado para frente. O meu coração retumbou no peito e meu corpo foi impulsionado para frente até que minha testa batesse contra o painel do carro. Pisquei algumas vezes e tudo se tornou escuro até que pudesse abrir os olhos novamente. A dor foi lancinante e eu resmunguei quando a minha testa queimou.

Ai caramba! — disse num murmúrio, erguendo a cabeça suavemente ao me apoiar com as mãos no painel.

Buscando compreender o que estava acontecendo, relanceei a rua ao redor. Samuca parecia tão confuso quanto eu, e me fitou de olhos arregalados.

— Meu Deus, Nina. — Ele olhava em choque para a minha testa. — Você está bem? — A mão dele passou pelo meu rosto.

Eu não sabia. Ainda estava bastante desnorteada. Por isso levei a mão à cabeça e embora sentisse dor, não parecia ter sofrido lesões aparentemente graves, então apenas concordei com um gemido precedido de um aceno de cabeça contido.

Embora hesitasse, ele Samuca concordou.

— Fique calma, eu vou ver o que está acontecendo. — disse ao abrir a porta e sair do carro.

Eu fiz o mesmo, embora tenha sido com mais lentidão. Vaguei pela parte de trás do carro, me atrapalhando com os saltos e levando a mão à cabeça, como se isso pudesse amenizar a dor. Não funcionava, mas me fazia sentir melhor.

Merda! — Samuca respirou fundo e levou as mãos aos quadris quando se deparou com a traseira do Civic consideravelmente amaçada.

O carro que colidiu estava logo atrás e uma menina bastante jovem saiu dali às pressas, batendo a porta com brusquidão. Os cabelos vermelhos batendo e balançando no rabo de cavalo algo logo atrás, brilhando a luz noturna.

— Mas que merda. — Foi a primeira coisa que ela disse com um tom bastante exasperando, quando seu olhos percorreram os dois carros, constatando o estrago no carro dela, um Chevette meio azul, talvez cinza. Não dava para saber, porque era tão velho que provavelmente teria desbotado. — Eu... Eu sinto muito. — A garota se precipitou em dizer, evidentemente muito constrangida ao fitar a expressão estarrecida de Samuca.

— Você tem alguma noção do que fez? — Samuca estava alarmado, oscilando entre o estrago do carro dele e a velharia logo atrás. Seria cômico se não fosse desastroso. Um chevette, fora de linha desde os anos noventa bateu na traseira de um Civic do ano — Ou, pelo menos, algum senso de direção? Porque você podia ter matado a gente.

— Eu sinto muito — ela insistia. — O carro estava em alta velocidade e eu perdi o controle na curva. — A menina parecia sincera no que dizia. — Essas coisas geralmente não acontecem...

— Geralmente? — Samuca balançou a cabeça e recuou um pouco ao suspirar, soltando os braços ao lado do corpo, gesticulando com uma mão para ela. — Você está bem? — Ele perguntou para a garota, coçando o couro cabeludo.

Ela hesitou, estranhando a atitude dele, mas assentiu lentamente com a cabeça, levando a mão à cabeça ao coçá-la.

— Eu estava de cinto. — Esclareceu. Ela comprimiu os lábios com constrangimento quando olhou para o meu rosto.

Qual era o problema? Porque todo mundo estava olhando daquele jeito para mim?

— Eu sinto muitíssimo por isso... — Ela suspirou e levou as duas mãos sobre a boca, cobrindo-as como se buscasse um jeito de sair dessa confusão.

— Você é menor de idade, não é? — inquiri, franzindo a testa, mas a dor irrompeu abruptamente com o movimento.

Os olhos verdes da menina tomaram um brilho assustado e eu subi e desci o olhar, avaliando-a indiscretamente. Alta e jovem, a garota se parecia com uma adolescente reclusa em pleno final de colegial ao vestir uma calça de moletom cinza que estava evidentemente mais larga do que ela — parando para analisar com mais atenção, parecia caber duas dela ali dentro. Uma blusa baby look com uma grande estampa de filhote de pug rosa não fazia o menor sentido acompanhada da jaqueta jeans lavada e o par de mocassins.

— Na verdade, estou fazendo dezoito hoje e estava indo para um luau comorar. — Comentou ao balançar a cabeça parecendo esquecer por um instante a confusão que ocasionara.

— Que seja... Vamos acabar logo com isso. O Chevette é seu? — Samuca praticamente ignorou o que ela tinha dito.

A menina engoliu a seco e recuou alguns passos, sem responder a pergunta.

— É seu? — Samuca insistiu, e ela balançou a cabeça numa negativa veemente.

— Me passe o telefone dos seus responsáveis.

— O carro é do meu padrasto — ela pronunciou como se aquilo fosse muito errado — mas você não pode ligar para ele. — A garota antecipou, erguendo o tom de voz com apreensão. — Ele vai ficar muito bravo comigo, porque...

Ela não completou a frase. Os olhos muito verdes da menina estavam grandes e brilhavam com receio.

— Diga. — pedi, levando a mão à testa. — Porque você não pode falar com o seu padrasto? — De repente, notei que a manga do meu vestido estava estranhamente pesada e fria.

Abaixei para encontra-la ensopada de alguma coisa vermelho escura que parecia umedecer a minha mão também.

Oh minha nossa.

Passei a mão pela testa e o dedo deslizou com o líquido viscoso. Abaixei a mão. Os meus olhos se esbugalharam com o choque da constatação. Eu estava sangrando e agora podia sentir as gotas quentes deslizando pela lateral do rosto. Era meu sangue e eu tinha pavor de sangue.

Todo o meu corpo desvaneceu, esfriando repentinamente. Minhas pernas ficaram moles e o céu se tornou uma imagem escura e embaçada.

— Porque eu peguei o carro escondido. — A garota disse, mas a voz dela não passou de um ecoar ao longe.

— Nina. — Samuca disse assim que o meu corpo adolesceu e meus olhos se fecharam.

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