Capítulo 07
— Eu não sei se consigo mais lidar com isso. — Declarei com a voz trêmula, passando a mão pelo rosto, ainda me recuperando do choque.
Sentia o coração bater na garganta e Samuca me fitou antes de entrar com o carro em movimento, seus olhos verdes agora estavam enevoados junto às sobrancelhas que se curvavam em nítida confusão.
— Toda mudança é difícil, amor. — Ponderou, segurando a minha mão fria antes de engrenar o carro e começar a se movimentar pela rua. — Mas, você vai conseguir. Você sempre consegue.
Com os pensamentos ao longe, apenas assenti que sim com um movimentar de cabeça e olhei-o antes de me pronunciar.
Ele estava bonito, os cabelos loiros espetados estavam rente ao coro e ele vestia um terno preto sob medida com a gravata de seda azul marinho contratando sobre a blusa de baixo, branca. A barba tinha sido tirada e presumi que ele estava no tribunal. Samuca sempre removia a barba quando tinha um julgamento em vista.
— Deve ser isso... — Articulei em resposta.
Os lábios finos dele curvaram-se num riso complacente. Ele era compreensivo — pensei com a consciência latejando.
Samuca passou a mão pela minha perna e afagou a carne, focado em olhar através do para-brisa, dirigindo até o seu apartamento no Creio dos Bandeirantes.
Um pressentimento irrequieto cutucou a minha mente e me fez desejar ir embora, mas eu não podia fazer isso com ele. Samuca e eu estivemos bastante distantes nos últimos dias e essa noite era importante. Nosso aniversário de cinco anos de namoro.
Vaguei o olhar em Samuca outra vez e o vi em sua mais genuína e espontânea beleza. Os braços fortes esticados ao guiar o volante. Os olhos sob os cílios cheios e alongados focados à sua frente. O maxilar suave, e as sobrancelhas loiras cheias compunham um rosto gentil. O amor que escolhi para a minha vida — declarei ao me lembrar do dia em que ele me pedira em namoro, quase um ano depois de chegar à casa de Ângela, minha tia e madrasta dele.
Olhos de Samuca iluminaram-se ao me pegar admirando-o e deixou mais um riso fechado se formar, acariciando a minha mão e não falou mais nada. Abri os lábios, prestes a despejar toda a realidade do que estava acontecendo na Parilla sobre ele, mas pensei bem, mudando de ideia ao fechá-los em seguida. Não era uma boa hora, estava assustada com o que acontecera a pouco. Thomas tinha me pegado de surpresa e o comportamento dele me deixou assustada, ele ainda guardava ressentimento. — Pensei ao respirar fundo e fechar os olhos por um bom tempo, apoiando o cotovelo na porta do carro e descansando a cabeça sobre a minha mão.
O que eu estava fazendo da minha vida?
***
Nós subimos através do elevador e chegamos ao apartamento. Samuca abriu a porta, e nós avançamos. Ele acendeu as lâmpadas, e logo, toda a ampla sala de paredes brancas foi iluminada.
Antes de adentrar, Samuca virou-se, ficando de frente para mim e sorriu de lado, passando as mãos pela minha cintura ao me puxar mais para ele.
— Eu preparei uma coisa especial para você. — Anunciou, com uma voz baixa e rouca próxima do meu ouvido, e isso fez com que correntes elétricas percorressem e arrepiassem minha nunca.
A minha pele se arrepiou quando uma mão dele empurrou os meus cabelos para trás, deixando o meu pescoço livre.
— Aã, é mesmo? — provoquei ao esboçar um sorriso aberto, e depois, passei a mão pela nuca dele. — E o que é? — perguntei num murmúrio só para ele.
— Antipasto de entrada — o nariz dele roçou o meu pescoço, e o meu corpo reagiu, instintivamente, enrijecendo-se. Os bicos dos meus peitos se contrair com o desejo que crescia mais a cada beijo deixando na minha clavícula — pasta a la carbonara, Brunello e de sobremesa — luxuria relampejou em seus olhos, e eu quis descontroladamente morder seus lábios — você. — completou, num sussurro repleto de desejos, antes de cobrir os meus lábios com intensidade.
Os braços dele puxaram-me e me envolveram pela cintura. Ele começou a andar comigo numa dança lenta e sensual, mesmo sem música, deslizando a mão pelo meu quadril, até ficarmos próximos do aparador. Nossos lábios se afastaram quando ele pegou o controle remoto, e uma música lenta preencheu o silêncio, logo depois. Wind Of Change dos Scorpions começou a tocar, quando passei os meus braços sobre os ombros dele. Balançando a gente no ritmo gostoso da música, esfregando o meu quadril no volume gostoso dele. Samuca umedeceu os lábios com a ponta da língua e foi aproximando o rosto do meu novamente. As pálpebras esconderam os olhos verdes intensos ao se fecharem, quando o toque dos nossos lábios foi iminente.
No embalo lento da música nós nos beijamos ardentemente, e a minha cabeça pendeu um pouco para trás devido à diferença de altura, e ele se apertou mais em mim, fazendo-me sentir seu membro rígido pelo desejo que lhe tomava, puxando-me mais para ele no ritmo da música.
Samuca mordeu meu lábio inferior e arrastou o zíper da calça folgada de tecido leve, bege, que eu usava e ela deslizou pelas minhas pernas, até encontrar o chão. A corrente fria fez a minha pele se eriçar em um misto de quente e frio e ele sorriu, percorrendo suavemente a minha carne com a ponta dos dedos quente, inclinando-se um pouco ao segurar-me bem firme ao me erguer do chão, puxando as minhas pernas envoltas no seu quadril, ao me colocar sentada sobre o criado mudo.
Suspirei com o desejo que me inebriava, mordiscando os lábios dele. O espaço entre as minhas pernas se contraiu e eu senti a minha calcinha umedecer.
— Desse jeito, a sobremesa vai vir antes do jantar. — Ele brincou maliciosamente, entre um suspiro e outro, afastando os lábios dos meus para falar, passando as mãos pelo meu pescoço, e sugando os meus lábios com ardor e desejo.
— Vai ser a melhor parte. — Provoquei, mordendo o lábio ao puxá-lo pela gravata, afrouxando-a com um sorriso maldoso.
Samuca puxou a minha blusa de manga para cima, passando-a pelos meus braços e o sutiã preto e rendado ficou amostra ao exibir a pele branca.
Tratei de dispensar o terno que ele vestia, jogando em algum lugar no chão, e trabalhei em abrir os botões da camisa dele, passando a mão pelo peito definido e forte.
— Gostoso! — Sussurrei, me deixando levar pela onda de prazer que se acumulava ao alisar o corpo rígido e musculoso dele.
Samuca murmurou, tomando meus lábios novamente, penetrando as taças do meu sutiã com urgência ao explorar os meus mamilos duros, e depois passou as mãos ágeis para trás, abrindo o fecho e livrando-me da peça.
— Caramba! — Ele murmurou, apertando seu membro volumoso e duro contra as minhas pernas.
Isso me fez ronronar, emaranhando as minhas mãos no cabelo dele, fazendo uma pressão prazerosa em seu couro cabeludo.
Samuca agarrou a minha cintura, e eu me segurei firme, travando as pernas em volta do seu quadril, enquanto ele nos conduzia para o quarto. Sem se dar ao menos o trabalho de acender as luzes, ficamos apenas com a parca claridade, que se estendia da sala e derramava-se pelo chão o suficiente para que nos víssemos a meia luz. Ele se inclinou sobre mim, ao me acomodar de costas na cama macia, encaixando-se sobre mim entre as minhas pernas.
E nossa! Como ele é lindo.
Dono de uma beleza bruta. Queixo anguloso e lábios finos. O olhar verde cintilante conseguia me tirar o fôlego. Passei as mãos pelos ombros largos e percorri um caminho dos braços fortes para o peito escultural.
Senti uma corrente elétrica se espalhar do meu baixo ventre para o meio das coxas, no momento em que a mão dele desceu e começou a trilhar um caminho delirante. Eu gemi quando a sua mão penetrou o único e fino tecido que me cobria.
— É isso o que você quer? — Ele perguntou, num murmúrio rouco e prazeroso, passando o dedo pela minha abertura molhada, me incitando ao brincar com a minha sexualidade.
Os meus músculos internos se contrariam e eu balancei a cabeça em confirmação, deixando um gemido escapar quando o dedo dele se afundou na região, entrando em mim. Samuca se apoiou em mim e cobriu os meus lábios com um beijo que incendiou os nossos corpos. O prazer me dominou quando ele começou a movimentar o dedo na região, e quando eu estava quase no limite, ele parou, e eu me forcei sobre a perna dele, afastando-me de seus lábios ao empurrá-lo para o lado e tomei à dianteira quando fiquei por cima. Continuei os beijos descendo as mãos até alcançar o cinto na calça social, desafivelando e abrindo a calça.
Era a vez dele!
Samuca suspirou e segurou as minhas coxas subindo a mão até os meus ombros, puxando-me mais para ele ao deixar nossos sexos um em contato com o outro.
— Nina... — disse num suspiro, o som sedento de desejo muito próximo do meu ouvido.
Nós estávamos no escuro e eu só conseguia ver os contornos dos seus traços, mas a voz dele soara como um gatilho para as minhas emoções mais antigas.
"Thomas". A imagem de Thomas em cima de mim me causou assombro, levando calafrios por todo o meu corpo. Os meus músculos se tornaram tensos, quando não consegui me livrar da lembrança que circundava e insistia em passar pela minha mente, e o meu corpo estremeceu, no momento em fechei os olhos, e as pupilas negras se dilataram e tomando conta de boa parte dos azuis me atormentaram.
"Nina". O murmúrio da memória vívida em minha mente me causou pânico, era a voz de Thomas e eu me senti traída pelo meu próprio corpo.
Isso não podia estar acontecendo.
— Não! — Interpelei perdendo o controle ao falar alto demais.
Apertei os olhos em contrariedade, me recusando a acreditar no que estava acontecendo.
— Me desculpe. — Pedi com a voz arrastada e constrangida.
Sai de cima de Samuca com urgência e brusquidão, descendo da cama ao me afastar dele, correndo em direção a sala a fim de juntar as minhas coisas.
Eu sabia que ter vindo para cá hoje não me resultaria em algo bom, porém ao contrário do que esperava, era eu quem estava estragando tudo. Um misto de rancor, decepção e constrangimento me preencheu ao perceber que Thomas não saia da minha mente, e eu estava me odiando por isso.
— O que está havendo? — Samuel perguntou vindo em meu encalço.
Passei o sutiã pelas costas, fechando o fecho, depois vesti a blusa com pressa, enfiando os braços pelas mangas e depois a cabeça, cuja gola eriçou os meus cabeços.
— Eu preciso ir embora, Samuca. — Anunciei com afobação em uma voz firme, agitando a calça e depois, passei-a pelas pernas. — Me desculpe. — Complementei rapidamente, pegando a bolsa. — As coisas estão difíceis para mim agora, e eu preciso ir para casa.
Samuca respirou fundo e caminhou até ficar de frente para mim. Os lábios retos e as sobrancelhas curvadas em pura confusão fizeram o meu coração retumbar com o sentimento de culpa.
— O que está acontecendo com você? — Ele perguntou num suspiro compassivo, passando uma mecha de cabelo por trás da minha orelha e em seguida, afagou o meu pescoço com a ponta dos dedos.
Eu balancei a cabeça em negativa, apertando os olhos e suspirando ruidosamente, antes de me pronunciar.
— Eu não sei. — Respondi com honestidade, e a minha voz soou bem mais trêmula desta vez.
Senti o meu coração estremecer e apoiei a minha testa em seu peito, exalando bem fundo com o toque.
As mãos dele deslizaram e ele segurou o meu pulso descendo para os dedos.
— Eu sinto muito... — disse com pesar e constrangimento, afastando a minha mão da dele ao seguir em direção à porta de saída.
Desconcertada, fechei a porta atrás de mim e me apressei em ir até o elevador, pondo-me para dentro assim que ele se abriu.
Eu o amo, e não quero machuca-lo. Samuca é tudo o que eu tenho de bom nessa vida, e transar com ele com a imagem de outro na cabeça, a imagem de Thomas. Isso é traição.
Ceus! O que está acontecendo?
A cadeia de pensamentos que começou a se formar em minha mente me aprisionou e tornou todas as minhas ações mecânicas. Passei a mão pela têmpora, respirando fundo e precisei me encostar à parede, a fim de me recompor, pensando no que acabara de acontecer.
A ideia de que, mais uma vez, estava estragando tudo começou a me incomodar. A porta do elevador se abriu no térreo, e eu corri em direção à porta, precipitando-me em ir para a rua e pegar um táxi para casa.
Momentos depois, abri a porta do carro e me pus para fora, correndo apressada pela escada, tentando me livrar da chuva ao rumar pela entrada do condomínio, no entanto um ruído diferente sobressaltou-se em meio ao do temporal e isso me fez vasculhar ao redor, procurando o que poderia ser, sem encontrar nada de imediato. Outra vez o barulho se fez mais claro e um miado pode ser distinguido.
Era um gato. — Constatei, mas não o via em lugar algum.
Subi os seis degraus do condomínio e voltei-me para a rua ao insistir na busca. Um pedaço de papelão amassado, embolado e enxuto devido à água absorvida chamou a minha atenção ao pé da escada. Voltei para o temporal e puxei o papelão, analisando o que havia embaixo. O meu coração estremecei em comoção ao encontrar o filhote de gato, tão pequeno que cabia na palma da mão, ensopado e que não parava de miar. Estiquei os braços e peguei o bichano do chão, correndo da chuva e seguindo em direção ao elevador.
— Eu odeio mentir pro Samuca. — disse, assim que abri a porta e encontrei Fernanda sentada no sofá.
— O que é isso? — Ela perguntou de bate-pronto, apontando para o animal que estava na minha mão.
Dei de ombros, avançando pela sala.
— Achei abandonado. — Respondi simplesmente, colocando o gato molhado em cima do sofá, deixando a bolsa no chão e seguindo para o banheiro a fim de pegar uma toalha.
— Você não pode usar uma toalha de gente para secar um bicho, Nina. — Fernanda comentou, pegando a toalha branca e o bicho de mim, secando-o em seu colo.
— Mas... — Respondi com estranheza.
— Tinha que dar um banho. — Fê disse, olhando para o bichinho pequeno e de olhos azuis.
— Ele já tomou banho, Fernanda. — Articulei, tomando o gato do colo dela e a toalha. — Deixa que eu cuido dele.
Conforme o pelo foi secando, a cor branca do gatinho muito peludo foi ficando mais aparente e ele miava entre uma passada de toalha e outra, fazendo dar risadas quando erguia a cabeça e piscava os olhinhos, aproveitando as carícias.
— O que você vai fazer com ele? — Fernanda perguntou, quando o bichinho desdeu do meu colo e andou em direção a ela.
— Eu não sei. — Respondi, observando-a afagar com um sorriso largo a cabeça pequena do gatinho. — Mas é tão bonitinho, não é?
Fernanda assentiu que sim com a cabeça. Pegando-o no colo.
— Vamos ficar com ele, Nina.
Balancei a cabeça em seguida, discordando do pedido. O condomínio não tinha restrições quanto aos animais, mas a primeira coisa que me veio a mente foi a vizinha do 67 que conseguia ser extremamente enjoada e atormentava a vida do Senhor João que tinha dois beagles, isso porque morava no andar de cima. No 70, e a encreiqueira não podia ver o homem passeando pelo condomínio que já corria para a porta da síndica.
— Você sabe que a Dona Joana é muito chata e se esse gato começar a andar pela casa dela, que, a propósito, é do outro lado da nossa porta, nós vamos ter problemas.
— Vamos ficar, Nina. — Interpelou outra vez, pegando o bichinho que tentava subir no colo dela. — Olha essa coisa fofa, ele não consegue comover seu coração de pedra? — Ela disse com uma voz engraçada, esticando o braço e segurando o gato mais perto de mim.
O gatinho miou para mim e o meu coração se solidarizou.
— Você se resolve com a Dona Joana, então. — Decretei, pegando o gato dela e afagando a pequena cabeça peluda.
Ela ficou em silêncio por alguns instantes e pareceu pensar em alguma coisa.
— O que você tinha dito sobre o Samuca? — Ela perguntou.
Suspirei ao voltar a pensar no assunto, fechando os olhos e levando a mão têmpora, massageando-a com a pontada que havia ali.
— Ainda não consegui contar a ele sobre o Thomas, que por sinal despercebidamente, acabei dando de cara no elevador na hora de vir embora.
Eu não lhe contaria mais do que isso, era humilhante e embaraçoso demais falar que me lembrara de Thomas bem no meio do nosso sexo.
— E o que você fez? Saiu correndo? — Fernanda perguntou com agitação na voz, deixando uma risada zombeteira no ar.
Eu já tinha percebido que ela achava essa situação ridícula e que eu estava me comportando feito uma adolescente covarde e bobona, mas ela não estava ajudando em nada ao fazer graça com isso.
— Não! — Respondi de cenhos franzidos, jogando-me para trás e afundando-me no estofado do sofá, inconformada com o que tinha acontecido. — Entrei no elevador para descer e quando me dei conta, ele também estava lá.
— Nossa. — Ela expressou uma surpresa genuína dessa vez, parecendo compreender a proporção da situação. — E ele falou alguma coisa para você?
Virei o rosto, encarando-a com seriedade ao pensar no que tinha dito e em como ele tinha se comportado.
— Eu fiquei paralisada, Fê. — Admiti, erguendo a cabeça para encará-la. — Entrei em pânico quando ele começou a jogar o meu desaparecimento na minha cara. Eu não sabia o que fazer e adivinha o que ele fez... — disse com revolta ao me lembrar.
Fernanda se ajeitou no sofá, dobrando a perna e a colocou em cima do sofá, apoiando o cotovelo de modo a ficar de frente para mim.
— Pra piorar, o cretino apertou o botão do elevador outra vez e eu não consegui sair porque ele me cercou. Então, o elevador começou a subir e ele puxou a minha mão — contei, passando o polegar no meu anel de noivado — e começou a perguntar sobre o meu anel de compromisso.
— E o que você disse? — Indagou com as sobrancelhas erguidas.
Respirei fundo antes de dizer, relembrando a sensação e os sentimentos daquele momento.
— Nada. A porta do elevador se abriu e eu simplesmente pedi desculpas e sai correndo. — Narrei com uma sensação estranha no estômago.
— Eu acho que você deveria conversar com ele... — Fernanda opinou de forma racional.
Balancei a cabeça ao deixar evidente a minha opinião sobre isso. Uma péssima ideia, aliás.
— Ele me odeia, Fernanda. — Rebati rapidamente, encolhendo os ombros frustrada.
— Ele não te odeia. — Alegou — Thomas está agindo como uma pessoa normal agiria. Ele te amava e você o abandonou. Ser rejeitado por alguém que amamos é difícil de superar, Nina, e depois de seis anos, do nada, vocês se reencontram. Isso desencadeia muitos sentimentos suprimidos e você está agindo feito uma maluca, destrambelhada que fica fugindo dele. Você tem noção da infantilidade com a qual está lidando com isso?
Os meus lábios curvaram-se em um "o" perplexo e eu entrei na defensiva, tomando uma posta mais tensa0.
— Não é bem assim, Fernanda. Também está sendo muito difícil para mim. Eu estava com a minha vida praticamente feita — revidei, levantando-me bruscamente do sofá. — Eu estava apenas — fiz questão de destacar a palavra ao elevar o tom de voz firme — tentando preservar o meu emprego, que a propósito, eu não posso me dar ao luxo de perder. — Informe com mais impaciência dessa vez.
Parei por um tempo e Fernanda me encarou sem alterar a compostura. Ela estava tentando me ajudar, mas era tudo tão repentino e inusitado. Eu não esperava por essa e mesmo assim, mesmo gritando com ela, ela parecia compreender o meu estado e acabei me dando conta de que eu mesma estava dificultando as coisas e isso fez com que uma pequena pontada irrompesse o meu coração, abaixando a bola com o sentimento de culpa por estar gritando com ela. Passei a mão pela nuca, alisando-a com o constrangimento.
— Você pode me achar uma estúpida — emendei, baixando o tom de voz, dessa eu só parecia uma garota confusa e desolada — mas o que eu posso fazer? Estava morrendo de medo só em pensar na possibilidade de ter que falar com ele, porque eu já sabia que seria assim. Ele não quer me ouvir, ele quer jogar tudo na minha cara. Thomas tem um grande potencial para estragar a minha vida, Fê... Eu não sei o que fazer, isso está virando uma bola de neve...
— Você precisa resolver essa situação, Nina. — Informou, mantendo o seu ponto de vista. — Para o seu próprio bem. — Advertiu, mantendo o tom firme. — Precisa falar com Samuca e Thomas. — De preferência, antes que isso enlouqueça você.
Engoli as palavras a seco e suspirei pesadamente, cruzando os braços.
— Eu preciso de um tempo. — Aleguei, depois de perceber que não saberia o que dizer aos dois.
Eu sabia o que precisava dizer, na verdade, o problemaera como contar.
***
Arriba!! kkkkkkk
Temos nossa primeira tentativa de Hot. Eu gostei do resultado!
Geeeeente, quanta coisa num capítulo só!
Socoooorro!
O que vocês acharam do Hot?
Da nova bichana que pintou na área?
Ou da Fernanda?
Amei postar esse capítulo e espero que vocês gostem na mesma medida que eu, amo vocês e não esqueçam de deixar a estrelinha <3
Segunda tem mais!!!
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