8. A verdade - parte I (Jack)

Jack Weiss - Newport,1997

"Sim. Podem dizer que perdi a cabeça, que estou acabando com meu futuro, inclusive que vou me arrepender. Não me importo com nada disso. Também não me importo de fazer parte de uma aposta. Eu amo Jeni e sei que posso fazê-la me amar. Meu pai tem muito dinheiro. Posso comprar o que ela quiser."

Como tudo começou...

Sei que as pessoas se aproximam de mim por causa da grana. Essa é mais uma das coisas que não me importo. Não sou popular, não pratico esportes, sou magricela, quatro olhos, virgem, adoro música clássica e toco piano o dia inteiro. Assim sendo, descobri que a única maneira de fazer parte do "grupo", é alimentando-o. Infelizmente só percebi isso neste ano, que é o meu último na Highschool Ferdinand. Sempre fui rejeitado, esnobado e beijei pela primeira vez há quatro meses, com 17 anos de idade. Vergonhoso.

Mas tudo mudou quando Paul, meu melhor amigo, sugeriu darmos uma festa na minha casa. Meus pais viajam bastante à trabalho e ficam muitos dias fora. Pensando nisso, minha casa é um lugar seguro.
Gastei muito. Comprei a melhor cerveja, comida da boa, contratei dois bartenders e um DJ top. Paul me deu umas aulas de como ser mais descolado e seguro. Mas a verdade, é que não precisava mais. Não precisava ser descolado, bonito, capitão do time de futebol, usar roupas maneiras. Eu havia descoberto a fórmula e era muito fácil para mim. Eu só precisava dar as melhores festas. Comecei a beijar na boca e muitas garotas já começavam a me olhar diferente. Mas meu coração tinha dona. E era a garota mais linda e popular da escola; Jeni Collen. Ela que rondava os meus sonhos. Ela que estava em meus pensamentos durante as minhas punhetas. E depois de anos estudando juntos e sem ser notado por ela, Jeni começa a me perceber.

Eu estava em um momento bem bacana da minha adolescência. Namorava Amanda Vincent, uma das meninas mais gostosas da Ferdinand e com boas perspectivas de uma trepada - e perda do cabaço.

Até que em uma das festas que ofereci na minha casa, Jeni veio muito dengosa para o meu lado. Paul sempre me alertou sobre ela e sua gangue, dizendo o quanto eram vadias e que davam para todos os professores, mas eu, definitivamente estava me fudendo para reputações. Vi ali uma oportunidade ímpar de ficar com o meu grande amor. E ficamos.

É claro que eu não era tão idiota a ponto de achar que ela estava apaixonada por mim, mas não imaginei que eu fosse parte de um circo ridículo. Descobri sobre a aposta por acaso. Paul, que ficava com Deyse - inseparável da minha Jeni - ouviu as duas conversando na escola. Jeni tem uma inimiga mortal, Amanda Vincent. Em uma discussão entre as duas, Amanda disse que estava comigo porque gostava realmente de mim, não só por causa do meu dinheiro - mas que algumas joias sempre iam bem. Então esfregou na cara de Jeni os dois anéis e uma pulseira que eu havia dado à ela. Amanda também enfrentou Jeni dizendo que ela poderia ter qualquer garoto da escola, menos eu, pois havia sido minha primeira transa e eu estava completamente apaixonado por ela. Não. Isso não é verdade. Eu gosto da Amanda. Ela faz um boquete dos céus e tem uma bunda maravilhosa, mas eu era louco pela Jeni.

Então, a partir daí, tudo começou. Eu era uma aposta entre as duas. Quem ficaria com o nerd idiota, mas podre de rico, Jack Weiss? E pensar que eu valia o limite de seus cartões de crédito. Que patético.

Sabendo disso, pensei que havia chegado a minha hora de ter a mulher dos meus sonhos. Enquadrei Jeni no corredor da escola em um momento que não haviam muitos alunos...

- Você só pode estar maluco Jack!

- Vamos, qual é o limite do seu cartão? Mil? Dois mil? Três mil?

- Não seja ridículo! Eu não transaria com você por dinheiro nenhum!

- Minha querida, eu não estou falando só de dinheiro. Estou falando de muito dinheiro.

- Muito dinheiro quanto?

- O que é muito para você?

- Vamos, estou perdendo a paciência!

- Você quem sabe... - me viro e começo a contar mentalmente até três. No dois ela responde.

- Trinta mil.

- Pois se for minha garota, te dou 50.

- Você só pode estar de brincadeira!

- Isso sem contar as joias, as roupas, os presentes, as viagens,...

No mesmo dia começamos a namorar. Ficamos bem durante um mês. Ela estava fazendo seu papel de namorada séria, nos dávamos bem, fazíamos amor todos os dias e eu sentia que a vida não poderia estar mais linda. O ano estava acabando e eu me mudaria em pouco tempo para Londres, estudar música. Ela disse que iria comigo e que poderíamos nos casar. Comecei a acreditar que ela poderia me amar, então lhe dei um anel de noivado - um solitário de brilhantes de 18 quilates. Tínhamos acabado de completar 18 anos e eu estava nas nuvens com a perspectiva de ter Jeni comigo para sempre. Mas como diz o ditado, nem tudo que reluz é ouro, e eu estava prestes a cair no maior golpe da minha vida.

Meus pais estavam se mudando para Londres, entao fui com eles ajudar. Quando voltei para Newport, pensei em fazer uma surpresa à Jeni. Ela morava com uma tia, pois é órfã de pais. Eu tinha tirado uma cópia da chave de sua casa uma vez, caso acontecesse alguma coisa, pois sua tia trabalhava muito e nem sempre dormia em casa - não faço nem ideia do que fazia...

Cheguei romântico, comprei flores, uma corrente de ouro e fui seco ao seu encontro.

Sabendo eu, que não existe desculpas quando se é pego no flagra com o melhor amigo do seu namorado, e que também não tenho vocação para brigas, resolvi não aparecer. Ainda presenciei o dialogo deprimente, tomando todo o cuidado para que não ouvissem meus soluços.

- Não to entendendo essa demora de terminar com o cara! De qual que é? Ta gostando de dar pro mané é?

- Que ridículo Paul! Claro que não! Ele não sabe foder não! To esperando conseguir mais grana e mais joias, porra! To pensando no nosso futuro!

- Pois anda logo com essa merda que eu já to ficando bolado. Já tentei azarar você pra ele mas o nerd pianista não quer largar o osso.

- Uma semana, só uma semana ta?

- Uma semana gata. Cansei de dividir você com ele. Agora vem cá que eu vou te mostrar como é que mete de verdade... Sua gostosa!

Saindo pela porta, completamente transtornado, um brilho na mesinha de centro da sala reluziu nos meus olhos. Fui até lá, peguei o solitário que havia lhe dado há uma semana atrás e pus no bolso.

Fui embora de Newport prometendo a mim mesmo que um dia, acabaria com a vida daquela piranha.

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