2. Retrospectiva

Durante o caminho para a escola não dizemos uma palavra. Ao chegar ao estacionamento, desço do carro e bato a porta. Vou em direção ao portão principal quando Jack sai do carro e corre até mim.

- Amy! Por favor espere! - Ele segura meu braço impedindo-me de continuar meu caminho. Eu paro e olho para sua mão. Então a solta ficando extremamente sem graça. Ele me fala bem devagar - Amy, eu gostaria que as coisas fossem mais tranquilas entre nós. Não precisamos viver numa guerra.

- Não existia guerra antes de você chegar.

- Eu sei, e é por isso que me sinto péssimo por tudo que está acontecendo. Quando reencontrei sua mãe...

- Eu já conheço essa história. Me poupe disso novamente, ok?

- Não é isso que eu ia dizer. Só qieria que entendesse que existem coisas difíceis de você compreender no momento, mas nada mudará entre nós. Sou seu professor há dois anos, você sempre foi uma das melhores e tenho um grande afeto por você.

- Não.... Pelo amor de Deus, afeto não. Eu prefiro raiva, ódio... amor. Mas afeto a gente tem pelo porteiro.
Jack suspira como se prendesse o ar há muito tempo e me fala com certa dificuldade:

- Posso te amar como filha.

- Você sabe que tipo de amor eu estou falando professor.

Não acredito que disse isso! Morra mil vezes Amy idiota! Eu olho para meu all star segurando a alça da mochila que está nas minhas costas e repito idiota pelo menos umas 50 vezes. Existe algo mais deprimente que implorar por amor? Sim, existe. Implorar pelo amor do marido da sua mãe. E isso me faz ter tanta raiva de mim que faço um acordo com meu superego: Mantenha-me afastada das crises de declarações estúpidas emitidas pelo infeliz do meu Id que em troca eu me torno sua melhor amiga e nunca mais te passo vergonha, fechado? Acordo feito, voltamos à realidade.

Olho para cima e vejo Jack apertando os olhos com uma mão, como se estivesse pensando no que dizer. Decido dar uma trégua, mas antes quero um acordo.

- Professor Weiss, eu...

- Já disse que pode me chamar de Jack. Nada de formalidades entre nós.

- Eu prefiro as formalidades. Pelo menos enquanto estivermos na escola. Olha, eu desejo que você e minha mãe sejam muito felizes - tá, não era bem verdade isso, mas eu não queria dar um tempo nisso tudo? - mas vocês não precisam se comportar como dois adolescentes no cio. Eu não preciso conviver com isso. Você sabe dos meus sen... - Opa! O que é que acabamos de conversar, heim dona Amy! - Bem é isso.

- Desculpe Amy, prometo que isso jamais acontecerá novamente. Então, selamos aqui um acordo de paz?

Ele me estende a mão com um sorriso delicioso nos lábios. E que lábios... Correspondo ao sorriso e aperto sua mão. Aquele simples toque quente causou ondas de desejo no meu ventre e ficamos alguns segundos meio que curtindo aquela sensação de prazer estampada nos meus olhos, tenho certeza.
Perai! Nós estávamos curtindo? Ai meu bom Deus. .. ja ta eu imaginando coisas novamente.
A visão das sem noção das minhas amigas rindo e fazendo coraçõezinhos com as mãos.e distrai. Separo nosaa mãos tao rápido quanto um choque e estreito os olhos dando uma bufada de raiva.

- Que foi? - Jack pergunta confuso.

- Nada! Eu preciso resolver uma coisinha ali - e apontou para as pragas

Jack sorri levemente acenando para as duas "futuras assassinadas", onde acenam de volta com os sorrisos mais explícitos possíveis para as 06:55 da manhã.

- Certo. Te vejo na aula daqui a 5 minutos...Amy?

Eu não falo nada, somente o encaro.

- As coisas vao melhorar e você pode contar comigo sempre que precisar. Sempre foi assim não é?

Sempre até você começar a comer minha mãe, não é professor?

O Professor Weiss é o que chamamos de deus grego, colírio, genro dos sonhos, pecado ou qualquer desses clichês ridículos que expressão o quanto o cara é perfeito. Chegou à HighScool Ferdinand há dois anos quando veio substituir o professor Henry que havia sofrido um AVC. Lembro que quando entrei na sala, naquele dia bem atrasada, parecia ter levado um choque ao vê-lo. Ele estava de pé apoiando as duas mãos na mesa com o corpo inclinado para frente e assim que eu entrei toda esbaforida ele olhou de lado e sorriu. Aquele sorriso fez o mundo parar e eu ter certeza que o amor existe.

- Bom dia Sta. ?

- Hã... Clark.

- Bom dia Sta. Clark! Estava falando justamente sobre isso com a turma. Atrasos. Sente-se por favor, porque eu tenho a impressão que esse assunto lhe será muito útil.

Como um professor substituto pode dizer uma frase dessas e continuar flutuando nas nuvens da beleza e sedução? Jack consegue 100%. Que educação! Que gentileza! Não havia uma aluna que não fosse caída de quatro por ele. E muitas gostariam literalmente disso, mas minha proximidade com o Sr. Weiss não se dava devido a minha paixão pela história da Grécia Antiga ou o inicio da civilização ocidental, e sim, porquê ele era um dos professores que participava do projeto musical da escola e eu... bem, eu sou a líder. Ninguém estuda na Highscool Ferdinand se não tiver um pezinho na música. Aqui todo mundo toca algum instrumento,canta, dança ou os três, como eu.

Existem alguns eventos musicais de grande prestígio promovido pela escola durante o ano e que chamam a atenção de renomadas companhias de dança e agentes doidos para promover algum prodígio musical. Para que entendam a dimensão desses eventos, Alicia Keys, Norah Jones e Fifth Harmony foram descobertos através deles. Sim, elas estudaram na Ferdinand. Mesmo sendo uma cidade pequena com pouco mais de 90.000 habitantes, Newport, que fica no sul da Inglaterra, é a terra das descobertas musicais.

No último Insane - competição de dança onde a criação da coreografia é o principal elemento avaliado - haviam representantes de duas academias de dança. Participei de duas apresentações; a primeira foi uma coreografia criada por mim, obviamente, da música Animal de Marron5. Sete garotas no palco dançando como se suas vidas dependessem desses quatro minutos de música. Mas eu não; dancei como estivesse sozinha com Jack e precisasse desesperadamente impressioná-lo. Ele estava sentado na parte de cima do anfiteatro e me olhando com aqueles olhos de dragão que sempre me encaravam quando eu dançava. Essa era a única hora que eu podia ver do que ele era capaz. Quando eu dançava ele tentava disfarçar, mas eu sei que mexia com ele e com todo o seu corpo. Em um desses momentos que meu Id toma conta da minha língua eu disse à ele que precisava vê-lo de longe para dançar naquela noite.

- Que isso Amy... você não precisa de ninguém quando está no palco. Você nasceu pronta para a dança .

- Mas eu preciso saber que você estará me vendo. Eu preciso ver você.

Minha voz lenta e suplicante, junto com o toque da minha mão no seu peito fez com que um calor começasse a subir entre minhas pernas. E antes que desse alguma merda, ele se afastou e pegou sua mochila no chão claramente abalado por minha sinceridade descabida.

- Ok, sem problemas. Eu estarei no lugar de sempre. Mas você realmente não precisa se preocupar - me diz com um nervosismo desconcertante.

Minha outra apresentação foi um numero com ele, onde eu dançava e ele tocava piano. Lembro-me quando foi apresentada essa ideia e ouve um teste entre quinze meninas para ver quem faria a dança final junto com o tão desejado professor Weiss. A música era Ne me quitte pás, o que já me animou muito. A versão deprimente dela daria uma coreografia incrível se bem trabalhada. Não preciso nem dizer que venci os testes. Não porque eu sou boa - o que realmente sou - mas porque eu tinha um incentivo que ninguém mais tinha; meu professor. Uma apresentação emocionante e verdadeira foi o que disse Jeff Holland, agente da Amst Academy, que me procurou imediatamente ao termino da apresentação marcando para conversar com calma no dia seguinte com minha mãe. Sei que consegui isso por causa dele. Jack. Ele me inspira e sempre me apoiou. Ensaiávamos ate tarde e por diversas vezes sentia um clima denso e quente. Eu queria agarrá-lo e acho que ele deixaria, mas nessas horas meu Id se escondia porque meu superego fazia escolta armada.

- Qual das duas eu mato primeiro? - Chego até minhas amigas e vou pegando em seus pescoços de brincadeira.

- Ai Amy.... sua cara de apaixonada é deprimente. Amiga, serio, não seja tão patética na frente das pessoas.

- Megan, vai tomar no cu.

Há essa hora Kate já está vermelha de tanto rir. Me sento entre elas e Megan me abraça.

- Como estão as coisas em casa?

- Nossa, não poderia estar mais incrível. Eu vendo meu professor e muso apalpando minha mãe que até "ontem" a considerava assexuada. Um verdadeiro pornô europeu.

- Que exagero Amy! - Kate retruca.

- Amiga, pornô é o que te mandei pelo whattsap ontem. Você viu o tamanho daquele cara! Gzuis! Eu não aguentaria aquilo tudo... e a bundinha...

- Cala a boca Megan! Hoje você está especialmente insuportável!

- Deixa essa mal comida pra lá Amy - diz Kate, sempre doce.

- A sorte de vocês são meus olhos verdes e minha bunda durinha e empinada, ou vocês mal seriam notadas nessa escola.

Eu e Kate nos olhamos e começamos as três rir. É... elas sabem me divertir.

- Agora vamos garotas, que meu professor gostosão está nos esperando com toda a sua volúpia. Desculpe pela sua mãe Amy, mas eu juro que ainda dou uma boa trepada com esse cara. Ahhhh se dou!

Agarro a cabeça da minha amiga e tampo sua boca, quando eu e Kate dizemos ao mesmo tempo:

- Cala a boca Megan!

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