12. Por favor, não cumpra
Será que alguém pode me dizer como duas pessoas que moram e "trabalha/estuda" na mesma escola ficam 4 dias sem se verem? Alguém?
Passo pelo seu quarto e dou uma olhada ao redor certificando-me de que estou realmente sozinha. Entro lentamente imaginando que nessa cama Jack faz com Jeni as mesmas coisas que fez comigo. Então pego sua jaqueta que está sobre a poltrona e levo até o rosto, inalando todo o seu cheiro. Fecho meus olhos e me arrepio ao lembrar da intensidade que seu corpo passeou sobre o meu e no quão especial ele me fez sentir.
Mas ai o filho da mãe some assim! Como num passe de mágicas do capeta!
As duas aulas que ele deveria me dar, quer dizer, dar para o 3º A foram canceladas e serão substituidas posteriormente (o que na verdade nem acontecerá, uma vez que as provas começam semana que vem e então, finito). Em casa, aproveitei minha mãe entretida na cozinha para perguntar sobre ele... como quem não quer nada:
- E o Jack mãe? Resolveu voltar pra casa da mamãe? - falo em tom de deboche.
- Está louca Amy! Claro que não.
- Mas ele sumiu tem uns dias...
- Ele está em Londres resolvendo questões burocráticas com a editora que irá publicar sua tese.
- Ah tá... é que tá uma paz aqui né... - Meu coração apertou de saudade. Quando ele volta? - Espero que fique muitos dias resolvendo isso. - digo, pensando exatamente o contrário.
- Deus me livre! Não aguento mais dormir sozinha. Se Deus quiser ele volta amanha à tarde.
Ufa. Me virei de costas para que ela não visse o tamanho do meu alivio. Respirei fundo e apenas desejei que o dia, que mal tinha começado, terminasse rápido.
- Há mãe, aquela viagem para Dublin com a Megan e a Kate vai rolar né?
- Claro meu amor. Te prometi como presente de aniversário.
Minha mãe que está na pia descascando um monte de frutas para congelar, se vira para mim, que me sentei a mesa e pisca. Eu sorrio e sinto uma pontada no peito. Conheço esse sentimento. Remorso.
- Eu sempre quis viajar com a Deyse (mãe de Kate) e a Aisha (mãe de Megan) quando éramos jovens, mas a grana não dava. Sua tia mal conseguia pagar as despesas básicas. Agora que tenho condições, quero muito proporcionar isso pra você, Amy. Sei que você é responsável.
- Afinal de contas irei morar sozinha em Amsterdam, né?
- Exatamente. Essa bolsa é uma oportunidade única minha filha. Você irá longe e vai ganhar muito dinheiro!
- Não quero ganhar muito dinheiro. Quero apenas viver da dança. Pra mim, isso é o suficiente.
Uma voz rouca e grave faz meu coração acelerar fazendo-me ofegar sem nem ao mesmo eu sair do lugar.
- Que bom que você pensa assim Amy. Tem muita gente que é capaz de destruir qualquer um por dinheiro.
Jack! Eu quase levanto correndo da cadeira e pulo em seu pescoço quando ouço um grito estridente da minha mãe:
- Baby! - Jeni larga um pedaço de mamão e se joga naquele corpo imenso que está parado na entrada da cozinha. Ele apenas passa um braço em sua volta e sorri com os lábios para mim.
Meu coração se aquece e eu me esqueço de toda a raiva que sentia. Sorrio demonstrando mais alegria que deveria.
- Saudade... - falo quase sussurrando, mas minha voz sai mais alta do que planejei. Tampo a boca com as mãos e arregalo os olhos.
Jack aumenta seu sorriso e solta um "também" com os lábios. Sinto meu peito explodir.
- Muita filha, muita saudade! Ai baby que surpresa maravilhosa! Seu danadinho... - ela beija sua boca repetidas vezes e meu sorriso murcha. Me levanto rumo a escada passando por eles. Já to até vendo esses dois indo daqui a pouco pro quarto para uma sessão de sexo 50 tons de cinza. Afinal, eu mesma deixei claro que seria apenas uma transa. Uma única vez.
Não posso esquecer disso. Não posso esquecer disso.
- Jeni, pelo amor de Deus, para com isso.
- A Amy nao se importa baby, ela sabe que eu te amo.
- To indo pro meu quarto. Fiquem à vontade - digo passando bem perto de Jack e encosto meu braço no dele. Sinto seus pelos roçarem minha pele e uma descarga elétrica percorre todo o meu corpo parando entre minhas pernas. O calor da sua pele, seu perfume, seu olhar, me deixam completamente louca por esse homem.
Ele segura minha mão e me detém.
- Fica Amy, eu não quero atrapalhar os preparativos para o seu aniversário. - seu polegar acaricia minha pele e quase perco o raciocínio ao lembrar do que aqueles dedos são capazes.
- Aããã.... Não tem preparativos nenhum. É só uma viagem que farei com as meninas. Pelo amor de Deus mãe, não me venha com festa surpresa esse ano! Por favor.
Tem três anos que minha mãe prepara festas "surpresas" para mim.
- Peraí, vocês vao viajar sozinhas?
- Sim, qual o problema? - pergunto olhando para seus olhos brilhantes e soltando nossas mãos.
- Qual o problema de 3 garotas com 18 anos viajarem sozinhas? Isso é sério?
Eu e minha mãe o encaramos e a vontade de dizer que ele não é meu pai nem meu marido vem na ponta da minha língua.
No entanto, respiro fundo, conto até três, falo caralho quatro vezes e já me sinto pronta para responder com educação.
- Jack, por obséquio, você poderia cuidar da sua tese e deixar minha viagem por conta da minha responsável legal? Obrigada.
Era só o que me faltava! Subo as escadas e vou direto para o piano. Apoio os cotovelos nas teclas e entrego o peso insuportável da minha cabeça às minhas mãos. Respiro fundo novamente e me dou conta do quanto estou nervosa. Enfurecida! Não sei dizer se a raiva é ainda por ele ter me deixado naquela cama sozinha, ou por ter ficado esses dias fora sem dar satisfação, se foram os agarramentos de Jeni, ou a mania de querer se meter na minha vida.
Acho que tudo junto.
Começo a dedilhar bem lentamente o primeiro clássico que aprendi e que é o meu preferido. Silence é tão genial! Como alguém é capaz de criar algo tão depressivo e sublime ao mesmo tempo? Sempre penso nisso quando a toco ou ouço alguém tocando. Essa melodia me acalma e procura meu equilíbrio, e é exatamente do que mais preciso. Silencio. Equilibrio. Em poucos dias não estarei mais aqui e Jack será uma lembrança doce e melancólica de uma fase imesquecível da minha vida.
- Minha favorita. Betwoven é um gênio.
Levanto a cabeça assustada e vejo Jack parado na porta com as mãos no bolso. Sua camisa azul com risca de giz está aberta nos dois primeiros botões mostrando o inicio de seu peitoral incrivelmente malhado.
Nada de diatrações Amy! Foco.
- Cadê minha mãe?
- Descascando um mundo de frutas.
- Você não deveria estar aqui.
Que? Você disse isso mesmo sua retardada? Você não o queria justamente por perto?
- Eu só vim me desculpar. Preciso me conter, mas é difícil não pensar em sua segurança. É insuportável pensar que algo ruim possa te acontecer. - Jack está extremamente sem graça. Ele umedece os lábios e olha para o chão. Quando olha para mim novamente tenho certeza que irá dizer algo, mas em vez disso ele se vira para a porta.
- Você saiu sem se despedir... naquele dia. - um conflito intenso entre falar ou aceitar se travava dentro de mim, mas ainda bem que minha boca grande venceu. Me levanto e fico ao lado do piano apoiando meu corpo e não sabendo bem o que fazer com as mãos.
- Amy... - diz balançando a cabeça e eu começo a me sentir um lixo.
- Fala Jack! Eu não fui boa o suficiente? Fiz alguma coisa de errado? - minha voz começa a falhar e já sinto as lágrimas brotarem. Meu peito parece explodir com todo o desgosto aculmulado.
- Não é nada disso! Por favor, não me olhe assim! Não chore. - ele se aproxima rápido e segura meu rosto com as mãos enxugando meus olhos com os polegares. - Você não faz ideia mesmo de como mexe comigo, não é?
- Não estou te cobrando nada, mas acho que você não poderia ter saído sem dizer nada.
- Eu não conseguiria ir se visse seus olhos novamente. Olha isso, Amy. Que loucura! Nós dois aqui, correndo todos os riscos e eu não consigo te deixar. Não posso ficar tão perto assim que acabo perdendo a noção de tudo.
Suas palavras são afrodisíacas junto ao seu toque, seu perfume e seu hálito de menta tão próximo à minha boca. Não consigo pensar direito e o impulso é comandante das minhas ações. Fico na ponta dos pés e penetro meus dedos em seus cabelos, selando nossos lábios . Seus braços me envolvem completamente e o calor aumenta de forma descomunal. Mas antes que eu sinta sua língua, minha mãe sobe as escadas gritando. Nos separamos como um choque tomado e vou em direção ao piano. Jack apenas se apoia na porta tentando disfarçar essa situação ridícula.
- Baby! Baby! Amy!
Meu coraçao parece querer sair correndo dali, assim como eu.
Jack coloca a cabeça pra fora do quarto, fingindo indiferença. Ótima estratégia.
- Mas que porra você faz ai?
Eu travo no piano ao ouvir minha mãe falando esse palavrão. Nunca ouvi ela dizendo isso e não sei se consigo agir como Jack.
- Estou conversando com Amy sobre uma peça que ela estava tocando. Mas o que aconteceu? Pra que essa gritaria?
Minha mãe aparece na porta do quarto com uma cara de euforia.
- Megan ligou. Aisha acabou de ganhar neném! Preciso conhecer meu afilhadinho!
- Que ótimo! Como ela está? - pergunto.
- Parece que bem, mas eu preciso estar lá ao lado dela né? Baby, você me leva no hospital?
- Claro.
- Você não vem filha?
- Acho melhor não. Vou amanha. Acho meio desagradável visitar uma ex-gravida no dia do parto.
- Ok então. Vamos baby.
Os acompanho até a porta e a fecho, encostando meu corpo contra ela. Aperto meus olhos com força e minha mente fervilha.
O irmãozinho da Megan nasceu.
Eles devem estar radiantes.
Quase beijei Jack novamente.
Será que minha mãe desconfiou de alguma coisa?
Preciso me afastar do Jack.
Eu pensei que precisava de uma foda com ele para viver em paz e saber que tinha entregado minha virgindade à alguem especial, mas isso tudo foi conversa fiada. Sinto mais vontade dele agora que conheço seu corpo do que antes, quando só imaginava. Mas não posso correr o risco do flagra. Preciso me controlar. Quando eu for embora cada um seguirá sua vida e ponto final. Mas... mas e se houvesse apenas uma despedida.
¬¬¬¬¬¬
- Ele é tão lindinho Amy! Acho que quero um pra mim! - diz Megan apaixonada.
- Só que não! - dizemos ao mesmo tempo e rachamos de rir.
- Cada coisa no seu tempo né amiga! - digo.
- Claro, claro! To na onda da prática ainda. Preciso ficar boa nisso.
- Sua vadia! Posso saber com quem você anda praticando heim?
- Você jura que não vai me matar?
- Jack? - falo com o coração na boca.
Ela dá uma risada louca e depois responde:
- Claro que é o Jack, quem mais seria? Ai amiga, você está muito paranoica. O Jack está apaixonado por você, ainda mais agora que você deu pra ele! Meu professor mal nota meus olhos verdes. E olha que isso é difícil viu? - mais uma risada insana.
- Apaixonado? Você bebeu? Mas não vem mudar de assunto não! Quem?
- Am.... Kevin. - ela mal olha para mim.
- Ta de sacanagem né? Eu me importar de você com o Kevin? Amiga você gosta dele, eu não. Você que deveria se importar quando eu fico com ele. Quer dizer, ficava. Agora sou uma mulher fiel - coloco a mão no peito e dou uma risada.
- Que alivio Amy. Eu pensei que talvez você tivesse intenção de dar uns beijos nele pra passar ciúmes no professor. Eu não sou possessiva voce sabe, não me importo de dividir.
- Não tenho mais intenção disso. Agora quero tê-lo uma ultima vez antes de ir embora. Nossas aulas terminam semana que vem. Depois tem a apresentação final, nossa viagem e então... bye bye. Não verei Jack tão cedo. E mesmo que veja! Isso tem que acabar! To sendo muito filha da puta com minha mãe! Meu Deus! Nada justifica essa traição.
- Fica assim não amiga. Pra mim ele não ama sua mãe.
- Porque você fala isso?
- Porque os olhos dele só brilham quando olham pra você. Ele age diferente também. Ah, sei lá.
- Você está com sono. Vai dormir que passa seus delírios. - falo rindo, mas intrigada com sua observação. Megan é meio maluquinha, fala muita merda, mas o jeito que falou sobre isso foi sério. Como se tivesse realmente observado e percebido algo que eu não peguei. Me arrepiei ao pensar que poderia ser verdade.
- Eu vou para a cama do casal sacana. Você fica aqui.
- Isso mesmo. Fica peladona e quando ele chegar é só abrir as pernas.
- Ele não vai chegar. Ta na casa da mamãe.
Fazemos biquinho e cara de bebê na gozação. Gargalhamos como loucas embriagadas de sono. Já passam das 3 da madrugada.
- Beijo gata. - dou um abraço em Megan e vou para o quarto do casal.
Aproveito que não tem nenhum dos dois e resolvo dar uma fuçada nas coisas deles. Nunca na minha vida fiz isso, no entanto, as palavras de Megan ficam martelando minha cabeça.
"Pra mim ele não ama sua mãe."
Se ele não a ama, porque diabos está com ela?
Abro seu guarda roupa e me deparo com a organização mais "ISO 9001" que já vi na vida. Passo a mão por suas camisas e inalo aquele perfume. Conheço cada camisa. Cuecas, gravatas, meias, lenços, tudo no mais absoluto lugar. Acho que se eu encostar ele vai saber, de tão arrumado que está. Dou uma bisbilhotada nas coisas da minha mãe e... nada demais. Opa! O que é isso?
Puta merda! Acabo de abrir a gaveta 50 tons. Chicotes, algemas, vibradores, filmes pornôs, várias bolinhas que eu nem sei pra que servem e muitas outras coisas que não faço a menor ideia. Senhor, minha mãe curte isso? Jamais imaginei! Começo a sentir meu sexo se contrair e a excitação tomando conta do meu corpo ao pensar na virilidade de Jack. Fecho a gaveta e decido dormir na sala. O perfume do meu professor está por todo o quarto e eu não conseguiria dormir nessa cama pensando em tudo que ele e minha mãe fazem com aqueles objetos insanos. O sofá até que é bem confortável.
Ainda estou na cozinha bebendo agua quando sinto sua presença. Me viro e o encaro com olhos famintos.
- Você está sozinha? - fala baixo com uma voz rouca e grave, extremamente excitante.
- Não.
- Quem está aqui?
Estou ofegante com seu jeito possessivo de me questionar. Ele se aproxima de mim com gana e agarra minha cintura me encurralando na geladeira. Minha voz simplesmente não sai.
- Quem está com você porra? - Jack parece uma animal voraz, prestes a devorar sua presa. Eu tremo da cabeça as pés e me sinto pulsar freneticamente entre as pernas. Meus mamilos endurecem de tesão e eu me sinto confusa com sua ira. Ele passa seus dedos pelos meus cabelos e os puxa com certa força, levantando minha cabeça e me deixando com a boca quase colada a sua. Fecho os olhos e desaguo com seu hálito tão próximo a mim. Seu pau pressionando minha barriga e sua mão direita apertando toda a volta da minha cintura quase me fazem perder os sentidos.
- Como assim? - pergunto fraca, confusa.
- Você trouxe aquele merdinha do Kevin pra cá? - Agora abro os olhos e sinto vontade de dar um chute bem nas suas bolas. A raiva toma conta de mim me dando forças suficientes para empurrá-lo longe.
- Você tá maluco? Tá pensando que eu sou o que? - tento falar baixo mas está realmente difícil.
- Você disse que tem alguém aqui contigo. - ele fala confuso, passa as mãos na cabeça e me olha envergonhado.
- Megan está aqui. Você é louco Jack? Como é que você chega em casa a uma hora dessas e me acusa dessa maneira? E nem bêbado você está!
- Me perdoa. Eu... eu devo ter entendido errado...
- Entendido o que?
- Nada. Deixa pra lá. Porque você está acordada ainda?
- Porque está perguntando? Ta achando que eu acabei de trepar com o Kevin, escondi ele debaixo da minha cama e to repondo as energias com um belo copo de agua? - apoio minhas mãos na mesa e falo rosnando para ele, que está do outro lado.
- Não Amy. Me desculpe tá? Eu não to legal! Nem era pra ter vindo.
- Então porque está aqui à uma hora dessas?
- Queria saber se você está bem.
Permaneço com os braços esticados e apoiados sobre a mesa e abaixo a cabeça como sinal de derrota. Suspiro e balanço a cabeça completamente confusa com essa cena toda.
Então, o sinto atrás de mim. Ele me encocha e passa as mãos pelas minhas costas. Estou vestindo a camiseta mais velha que tenho com uma estampa desgastada dos Beatles e apenas uma calcinha. Jack recolhe meus cabelos e o sinto no meu pescoço me cheirando. Arrepio novamente e meus seios ficam prontos para o toque.
- O que você está fazendo comigo, menina? Estou completamente louco por você.
Me sinto molhada e meu sexo contraindo quando ele coloca suas mãos por baixo da minha camiseta e toca minha pele com sua mão grande e quente. Uma mão me envolve a cintura e a outra vai desesperadamente até meus seios que estão livres e sedentos por ele.
De repente ele me vira e ficamos frente a frente. Olho no olho.
- E eu estou completamente apaixonada Jack. Não sei se posso cumprir com minha promessa.
- Que promessa?
- De te ter apenas uma vez.
Ele passa um dedo nos meus lábios e sobe sua mão pelo meu cabelo. Achei que estava sonhando quando o ouvi dizer:
- Por favor... não cumpra.
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