Parte II

"Será que estamos fazendo a coisa certa...eu não estou muito bem com iss...”

 “Shiiiiii... Relaxa gata... ninguém viu a gente saindo, estavam todos curtindo a cachaça. Vamos aproveitar e ter aquela conversa que nossos olhos sempre tiveram vontade.”

  “Não sei... tô meio mal e totalmente bêbada! Será que deveríamos?”

 “Fica fria gata, nada vai acontecer que você não queira faz um tempo...”

 “Melhor não, vamos voltar antes que alguém perceba que saímos, minha cabeça não está bem para tomar qualquer atitude... tô muito bêbada mesmo...”

 “Que é isso gata, vai deixar o papai aqui na mão? Armei esse esquema para nós ficarmos de boa! Então fica tranquila aee...”

 “Estou me arrependendo e quero voltar...”

 “Tsc, tsc, tsc...Gata...gata...gata...”

Por um instante lembro-me vagamente de vê-la conversando com alguém. Quem era aquele conversando com ela? Não estou bem o suficiente para ir lá.

A vejo dar as costas para ele depois da conversa e ele puxar o seu braço, eram um casal?  Desde quando a Dandara tinha namorado? Resolvo voltar para a festa.

“Aaaaaaah não cara, estou sentindo isso de novo, meu coração vai explodir, a minha mente vai explodir, ele está vindo."  

Estou adormecendo...

—  Droga!!!!!

— O que foi, Dante? – Clarice pergunta me olhando, esperando por uma resposta.

— É que... eu... Eu...

— Diz logo, estou ficando nervosa.

— Na verdade, ele apareceu na festa.

— Ele quem?  

— Uma das minhas personalidades...

— Como assim? Qual delas? Desde quando voltaram a aparecer? — Clarice me pergunta preocupada.

— Na verdade, eu vi a Dandara ontem... Conversando com um cara e eles pareciam estar brigando.

— E quem era o cara?

—  Não vi... porquê... ele apareceu... Não sei qual deles foi.

— Então... você... — Clarice dá uma pausa, e balança a cabeça - Quer dizer que então uma das suas personalidades... pode ser uma testemunha?

Balanço a cabeça confirmando.

— Então... Agora, neste momento você precisa dialogar com todas elas e descobrir tudo o que aconteceu ontem à noite.

Ótimo! Como contarei a ela que não faço a mínima ideia de como fazer isto? Apenas uma personalidade por vez, não tenho como dialogar com uma, as únicas coisas ligadas entre elas e a mim são os flashbacks e as sensações. E para falar a verdade, estou com uma sensação nada boa.

—  Olha — Aponto para um café que abriu recentemente no bairro - Já provou o café expresso daquele lugar?

- Não...

- Então vamos - Pego-a pela mão e puxo rapidamente pela rua - É incrível!

- Okay, Dante - Ela gargalha e esse som me faz voltar a quando éramos crianças no jardim de infância, quando era apenas eu aqui dentro da minha mente. Nosso primeiro contato foi desastroso, eu sem querer pisei no seu pé no parquinho da escola e ela me arremessou um balde de areia no rosto, entrou areia até no meu cérebro. Como toda criança normal, acabamos esquecendo esse encontro desastroso e viramos amigos inseparáveis. Os anos se passaram e não pude evitar me apaixonar por ela, e até certo ponto era recíproco. Meu primeiro beijo foi com ela, minha primeira vez... Até na primeira aparição das personalidades ela estava presente e isso me motivou a encerrar nosso envolvimento, embora ainda seja completamente dela. Melhor deixa-la com Vinny do que comigo e mais dez pessoas nada confiáveis.

O estabelecimento estava vazio quando entramos. Escolhemos uma mesa aleatoriamente. Enquanto a atendente anotava o pedido de Clarice bati o olho na televisão do painel de frente a nós. Senti meu coração bater na garganta quando vi o rosto angelical de Dandara surgir naquela tela. “ESTUDANTE MORTA NOS CAMPUS”, era o que estava escrito no rodapé da reportagem.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top