Capítulo 16
Gabriela Pv'
Acordei sentindo minha cabeça doer. Abri os olhos devagar e tudo estava embaçado. Eu estava deitada em algo macio, possivelmente um colchão. Sentia a presença de alguém do meu lado.
- Quem ta ai?- Fechei os olhos quando a claridade começou a me incomodar.
- Seu anjo da guarda.- Gargalhou. Não reconheci a quem pertencia aquela voz sombria. Só sabia que era de um homem.
Forcei meus olhos afim de descobrir o que tava acontecendo.
- Relaxa ai princesa, vou chamar o chefe.- Escutei seus passos distanciando, e logo em seguida um porta ser aberta e fechada.
O cômodo permaneceu silêncio por alguns minutos, e eu ainda sem conseguir enxergar quase nada.
Novamente escutei a porta.
- Caraio, maluco deu perdido mesmo.- Era a mesma voz de antes.
- Quem é você?- Senti meu corpo tremer por conta do nervosismo.
- Caralho, se bateu foi com a cabeça?- Ficou em silêncio.- Vitinho porra.
Não sabia se ficava aliviada de ser ele, ou não. Deles se podia esperar de tudo, até mesmo que ele me matasse aqui agora, sem motivo algum.
Me sentei. Minha cabeça parecia pesar toneladas, minha visão ficou melhor, depois de piscar umas mil vezes.
Estava em um quarto, não tinha muitas coisas. Além da cama em que estava deitada, havia mesinha no canto, junto de duas cadeiras, e um pequeno armário velho.
O quarto era escuro, as paredes em um tom amarelado, descascando em várias partes.
- Ta sentindo alguma coisa?- Vitinho perguntou parado na minha frente, agora vendo-o tive certeza de que era ele.
- E isso te importa ?- Falei sarcástica.
- Tu é igual ao teu pai mesmo.- O encarei sem entender, será que eu havia escutado direito. Nunca ouvi nada em relação ao meu pai, nem mesmo minha mãe me falava dele.
- Pai? O que você sabe do meu pai?- Quase avancei nele, mas por conta da dor de cabeça recuei.
- Estressa igual.- Deu risada.- So sei que ele era um filho da puta.- Se sentou na beirada da cama.- Mas se quer saber sobre ele, pergunta pro teu dono.
- Que? Eu não tenho dono nenhum.
- Fala isso pro Chucky.- Nessa hora a porta se abriu e Chuky adentrou o quarto.
Sua energia estava pesada, mais do que o normal.
- Fala o que pra mim rapaz?- Encarou Vitinho.
- Nada não irmão.- Riu.
- Vaza daqui.- Vitinho não disse nada, apenas obedeceu, deixando nos dois sozinhos.
Chucky me analisou com os olho, ainda em silêncio. Tinha a expressão de cansado, mas não aparentava estar drogado, e muito menos bêbado.
- Por que eu to aqui? E por que minha cabeça dói tanto?- O questionei quando percebi que ele não iria se manifestar.
- Eu que te pergunto.- Puxou una cadeira e se sentou a minha frente.
- Que? Que droga ta acontecendo aqui?- Levantei com tudo, se não fosse Chucky me segurar eu teria caído de cara no chão.
- Devia ter te deixado la morrendo.- Foi rude.- Deita ai nessa porra.- Me fez deitar novamente.
- Me fala o que aconteceu? Por favor.- Já estava quase chorando, mas não era de tristeza, e sim de raiva. De toda aquela situação, de não saber onde eu estava e muito menos o porque de estar aqui.
- Tu desmaio do nada mulher.
- Você ta mentindo, você me drogou!- Gritei enfurecida.
- Que motivo eu teria? Pra te comer?- Suspirou forte.- Consigo isso sem me esforçar.
Nunca tinha sentido tanta raiva de uma pessoa só, se eu tivesse em boas condições, certeza eu iria bater nele com todas minhas forças.
Porém, apenas respirei fundo. Por mais que eu não acreditasse nele, suas palavras tinham fundamento. Não que eu sou fácil assim, ainda mais pra ele. Tudo bem que eu sedi algumas vezes, mas era pra me safar.
- Me deixa ir pra casa.- Resmunguei.
- Claro que sim.- Fiquei toda feliz, iria ver minha mãe novamente.- La na Coreia.
- Só pode ta tirar com a minha cara.- Levantei novamente e fui até ele.- Eu já te dei o que queria, me deixa porra.- Apontei o dedo na cara dele.
- Primeiro.- Levantou segurando meu braço.- Nunca aponte a porra do dedo pra mim.- Apertou forte meu braço.- E tu só para de me servir quando eu quiser.
- Por que diabos tu não me mata?- Perguntei sem querer.
- Se não perco minha cobaia.- Seus olhavam tinham um brilho incomum.
- Me solta.- Falei entre dentes. Ele soltou meu braço, mas em seguida apertou meu maxilar.
- Tu não passa de uma cachorra.- A firmeza em suas palavras me doeu o coração, senti uma lagrima solitária rolar pelo meu rosto.
Ele me soltou. Me afastei rapidamente, sentei na cama sem saber o que fazer, minha vontade era de passar por aquela porta e ir correndo até a minha mãe. Mas eu sabia que ele iria atrás e que seria perigoso para ela.
Comecei a chorar em silêncio, ao me lembrar como minha vida estava ótima a semanas atrás.
- Chucky?- O chamei ja que o mesmo estava sentado de olhos fechados.
- Hum.- Permaneceu do mesmo jeito.
- Você conheceu meu pai?- Nessa hora ele arregalou os olhos, parecia assustado, foi a primeira vez que eu o vi assim.- Não adianta negar, Vitinho disse que você o conheceu.
- Muleque burro do caralho.- Fechou os punhos.
- Me fala dele, e a ultima coisa que te peço.- Ele abriu a boca várias vezes, mas não disse nada.
- Vou mandar uns dos muleque arrumar um remédio pra tu.- Caminhou até a porta.- Nem pensar em sair daqui.- Saiu do quarto.
Fiquei sem entender o porquê dele ficar tão nervoso com a minha pergunta. Sentia que tinha algo errado nisso. Da onde ele iria se preocupar em me dar remédio. Não importa o que fosse eu iria descobrir. Tenho o direito de saber quem é meu pai e o que ele tem a haver com Chucky.
....
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