Capítulo 15
Gabriela Pv'
Quando acordei não enxergava nada, tinha um pano amarrado na minha cabeça tampando minha visão. Minhas mãos estavam para trás amarradas. Sentia que estava em movimento, provavelmente dentro de um carro.
- Socorro!- Gritei.
- Cala boca vagabunda.-Sentir o cano de uma pistola contra minha cabeça.- Relaxa, não vai acontecer nada contigo.- Era uma voz masculina, mas nunca havia ouvido antes.
- Quem são vocês? O que querem comigo?- Comecei a entrar em panico. Minha respiração foi ficando curta.
- Fica quieta garota.- Me cutucou.
Não consigo falar mais nada, mal conseguia respirar. O medo me dominava, não fazia ideia do que acontecia la fora, nem para onde eles estavam me levando.
Foram mais alguns minutos naquela tortura. O carro parou, escutei a porta ser aberta, e logo me puxaram pra fora.
- Anda.- Levei um chute na perna. Me guiaram por poucos metros.- Degrau.- Alertou, subi e continuei sendo levada por ele.- Senta ai.- Me jogou bruscamente no chão.
- Vou avisar patrão que ela chegou, vigia a princesa.- Outro disse, logo ouvi seus passos distanciando.
Continuei jogada no chão por longos minutos, apenas tentando regularizar minha respiração. Novamente pude ouvir passos e uma porta ser aberta.
Me desamarraram, fiquei com um puta medo de tirar aquele pano preto da minha cabeça. Mas antes mesmo de eu pensar em colocar a mão ele foi retirado. Mantive os olhos fechados.
- Olha pra mim amor.- Era nada mais nada menos que a voz do Chucky. Seu tom de deboche era irreconhecível. Abri os olhos rapidamente, ele estava agachado na minha frente.
- Puta que pariu.- Parti pra cima dele com socos, mas fui contida rapidamente.
- Calma calma.- Deu risada, seus olhos estavam completamente vermelhos.
- O que você tem na cabeça? Seu doente!- Me debati tentando me soltar de seus braços fortes.
- Relaxa, só queria que sua chegada fosse triunfal!- Debochou.- Vou te soltar, mas nada de tentar me bater, se não meto uma bala na tua mão, moro?- Assenti com a cabeça.
- Que droga Chucky.- Massageie meu pulso.
- Ninguém mandou ser atrevida.- Ele tirou um cigarro e um isqueiro do bolso.- Senta ai.- Apontou pra uma cadeira no canto daquela sala escura. Você obedeceu? Nem eu.
- To livre agora?- Cruzei os braços.
- Se tiver algo de bom pra mim.- Tragou o cigarro, o cheiro de maconha entrou com tudo no meu nariz.- Solta o verbo.
- Cara você entra e sai daquele morro a hora que quiser, por que precisa de mim?- Ele me ignorou, voltando a fumar.- Ele tem uma filha.- Falei ao perceber que ele não tava afim de me responder. Seus olhos chegaram a brilhar.
- Essa buceta ai tem poder.- Sorriu.- Fala mais dessa menina.
- Ela é pequena, deve ter uns 4 anos. E pelo visto ele ama ela.- Resolvi me sentar.
- Ponto fraco.- Disse breve. Se levantou saindo do barraco, e que não sou boba fui atrás.
- Então, posso voltar pra minha vida?- Ele parou e me encarou.
- Isso não é o suficiente.- Continuou andando.
- Mas que porra Chucky.- Notei que estava no morro da Paz. Parei e fiquei observando se ele iria sentir minha falta.
- To ligado no que você ta pensando boneca, não adianta correr de mim.- Ele falou longe.
Cruzei os braços e continuei o seguindo. Passamos por vários becos, algumas escadas, até chegarmos em uma bocas aqui do morro. Ele cumprimentou os soldados que estavam na entrada.
- Entra.- Abriu a porta e olhou pra mim. Não hesitei em obedecer, não queria apanhar na frente de todo mundo.
- O que mais você quer?- Minha paciência tava por um fio. Me virei ficando frente a frente com ele, o mesmo estava a poucos centímetros de distancia de mim.
Senti meu corpo arrepiar quando ele me puxou pela cintura, fiquei sem palavras. Em poucos segundos sua boca veio de encontra a minha, não recuei, me deixei levar pelo momento. Dei espaço pra sua língua, que invadiu minha boca com fúria. Nossas línguas dançaram juntas, no mesmo ritmo. Nunca havia sentido nada igual.
Nos afastamos por falta de folego, ele manteve os olhos fechados por um tempo. Depois se afastou rapidamente de mim.
- Faz de conta que essa porra nunca rolou.- Começou a mexer em umas gavetas.
- Você tem sérios problemas.- Me sentei em um sofá que tinha no canto.
- Cala boca porra.- Gritou nervoso.- Sabe de caralho nenhum.- Permaneci quieta na minha.- Chega aqui.- Estendeu uma cartolina na mesa, me aproximei e percebi que era uma especie de mapa.
- De onde é isso?- Perguntei curiosa.
- Coreia.- Disse frio. O seu tom de voz entregava que sentia uma raiva imensa por aquele morro e todos ali.- Preciso que tu marquei o máximo de pontos que recorda.- O encarei sem entender.- Principais bocas, a casa dele, a casa da filha, tudo que é ligado a ele.- Me entregou um marcador de texto.
Respirei fundo analisando aquele mapa extenso. Ele se sentou do outro lado da mesa e ficou me olhando.
- Se continuar me olhando assim não vou fazer nada.- Disse calma, ele sorriu de canto. Tinha que admitir que seu sorriso era bonito, assim como ele.
- Se continuar mordendo o lábio desse jeito, vou parar de só olhar.- Disse com maldade.
O encarei sem dizer nada, balancei a cabeça em negativo e voltei a atenção pro mapa na minha frente.
Senti meu celular vibra em meu bolso. Tinha uma nova mensagem, do mesmo numero. Havia me esquecido completamente o que tava fazendo antes de ser sequestrada. Peguei o celular desbloqueando o mesmo.
Chat On
Xxx: - Oh desgraça, se acha que tenho todo o tempo do mundo. Cadê tu?
Chat Off
Não respondi nada, bloqueie o celular e o coloquei sobre a mesa.
- Que que pega?- Mas era curioso viu, dei risada e continuei o que estava fazendo.
Estava aérea, não sabia o que iria acontecer se Fantasma descobrisse que eu era uma x9, antes mesmo do Chucky poder colocar seu planos em ação. Eu sabia aonde ficava tudo o que ele me pediu, mas não conseguia identificar no mapa. Minha cabeça estava confusa, milhares de pensamentos vagavam. Nem percebi que Chucky havia sumido do meu campo de visão.
- Relaxa morena.- Disse no pé do meu ouvido ao me agarrar por trás. Minhas pernas bambearam e ele me segurei, nos segundos seguintes nos vi mais nada.
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