[ 03 ] Cartas De Tarot


Reescrito por: poisontequila

Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez — a si próprio?
Friedrich Nietzsche

As horas pareciam avançar de forma lenta, quase numa tortura vinda das profundezas do inferno — de minuto a minuto, Park encarava o relogio que ficava acima do quadro branco, ignorando o que ali foi passado, a caneta tamborilava na folha do caderno ainda em branco. A noite passada fora de alguma forma — espetacular — sentia os músculos ainda rígidos e o fato de ter usado quase toda a base para ocultar as marcas roxas no pescoço e colo lhe trouxe mal humor de imediato.

Arrepio percorreu o corpo quase dormente, o mesmo despertou quase dando um salto, havia sentido algo quente lhe roçar a nuca.

Guardando os materiais na bolsa, ajeitou a manga um pouco caída no ombro esquerdo, verificou o horário e sorriu de alívio por finalmente poder ir embora. Taehyung o esperava, parecia cansado da mesma forma que estava, numa troca de olhar, soube o motivo.

— Estou morto. Preciso urgentemente tomar um banho demorado na banheira. — anunciou, caminhando ao lado deste pelo corredor.

— Também preciso.

Kim o olhou de esguelha, ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Precisa? Porque? Transou?

Jimin sorriu ladino, optando por não respondê-lo de forma tão direta.

—  Odeio quando não me conta as coisas. Quando é vago. — resmungou.

— Na hora certa, conto. — prometeu.

Juntos saíram da faculdade, Kim como de costume entrava no veículo do lado do passageiro, enquanto Park assumia o volante — a conversa continuava paralela, seu melhor amigo tagarelava de modo detalhado sobre sua maravilhosa noite com Yoongi, Park assentiu em silêncio, a mão direita virando o volante para direita, seguindo o tráfego até chegaram na residência. Seus pais haviam voltado da viagem durante a madrugada, não houve muita conversa no início da manhã, então, obviamente, esperariam Kim ir para casa para que pudessem conversar, sondar o filho para saber se aconteceu algo durante ambas ausências.

O dia seguia fechado, o céu cinzento e o vento levemente frio, Jimin ajeitava um pouco o quarto enquanto Taehyung tagarelava sobre um parque que havia chego na cidade há quatro dias.

— Nós vamos. — impôs, tirando o esmalte da unha. — não vou aceitar um não como resposta.

— Sabe que odeio esses lugares, é muito cheio e eu morro de medo desses brinquedos com segurança duvidosa. — comentou, ajeitando as mechas brancas, tirando a maquiagem.

— Sei disso, porém iremos mesmo assim. — sorriu. — ouvi umas histórias interessantes sobre.

— Qual a fonte? — brincou, recebendo um olhar severo.

— Olha, pesquisei na internet, tudo bem? E o nome do parque é Okpo Land¹ , uma representação do original que foi fechado em 1999. — explicou. — mortes fatais aconteceram lá, principalmente de uma criança que caiu e morreu na montanha-russa de patos.

— Bizarro. — comentou. — e porque caralhos vão projetar este parque de novo?

— Sei lá, mas achei legal e deveríamos ir. Os ingressos já estão à venda e me certifiquei de comprar para nós dois. — pegou a bolsa, tirando dali dois ingressos bem, digamos que, estranhos.

Jimin leu atentamente o desenho macabro, a forma como o Mickey Mouse parecia estar derretendo, mostrando os ossos e um dos olhos faltando, as letras eram em negrito, em tom vermelho fosco, passando o indicador sentiu a escrita em alto relevo, as sobrancelhas franziram, definitivamente aquele bilhete parecia mais uma ameaça do que um convite.

Certamente seria um convite para pessoas meio masoquistas. Enfatizou mentalmente antes de deixar no móvel ao lado da cama.

— Isso é um parque dos horrores, isso sim.

— Vai do ponto de vista de cada.

O restante da tarde passou de modo quase monótono, a conversa fluía e em cada pausa, Park procurava não mencionar o maldito demônio com quem tem trepado — afinal, este não era um assunto muito viável de ser posto em pauta. Por volta das seis e meia Taehyung se despediu, Yoongi o esperava no carro, em uma despedida dramática o moreno se foi, acenando enquanto dava passos largos até o veículo preto polido.

Voltando ao quarto, Jimin tirou peça por peça, seguindo para o anexo, o registro foi ligado, enquanto a banheira enchia e o vapor da água quente tomava todo o espaço, depositava sais cheirosos, preparando do jeito que gostava.

Entrando na banheira de formato oval de vidro, deixou todo o corpo submerso na água perfumada, encostou a cabeça no suporte que ali havia, serviu-se de vinho e fechou os olhos, apreciando o momento gostoso, a luz diminuiu de intensidade, em poucos minutos adormeceu.

Jimin deu um longo suspiro, ambas mãos se agarraram na borda da banheira, ainda de olhos fechados sentia algo roçar em sua coxa esquerda quase numa carícia branda — o hálito quente aquecendo o pescoço, a presença pesada e intensa já denunciando quem estava ali.

— Pensando em mim? — a conotação sensual na voz alheia o fez ofegar instantaneamente.

Abrir os olhos pareceu uma tarefa difícil, o corpo nu e submerso reagia por ele, acendia por tudo que emana da criatura maldita — umedecendo os lábios, o deixou prosseguir com a carícia, soltando um gemido manhoso pela língua deslizando por seu ombro, subindo até o pescoço, permanecendo ali, sugando a pele leitosa, absorvendo a energia sexual que começava a envolvê-lo como uma nova camada.

— Tão submisso. — cantarolou. — consegue me sentir dentro de você? hum? — mordeu a área sensível com força, arrancando do menor um gemido doloroso e deleitoso ao mesmo tempo.

— Olhe para mim, Jimin. — ordenou.

Como mãos invisíveis seu corpo não pode se mover, as pálpebras se abriram, tendo a visão de Jungkook, o tom bordô dos olhos, a pele leitosa e o sorriso desgraçado, comandando todas as reações que estava tendo e o que viria a ter.

Seu pau pulsou, ansiava se mover, desejava poder fazê-lo, entretanto, permaneceu imóvel.

O som da água se movendo era abafada pelos gemidos suaves e suspiros, a mão alheia se movia para cima e para baixo no cacete duro, Jungkook o segurou pelo cabelo, puxando antes de voltar a atenção na curvatura do pescoço.

— Quieto. — voltou a ordenar, apertando a glande sensível, tirando um gemido afoito. — Apenas me deixe aproveitar e admirar você. — lambeu a boca carnuda, mordendo a parte inferior.

— J-Jungkook.

— Shhh...quietinho bonequinha. — o beijou por fim.

O ósculo tranquilo e degustativo intensificava o desejo e o tesão no garoto totalmente entregue, a língua bifurcada era quente, quase febril, incendiando-o, o tremor foi o aviso de que o clímax estava vindo — Jimin gemeu alto, movendo o quadril contra a mão do diabo, estocando, procurando pelo prazer de modo quase desesperador e infernal. Quando o orgasmo o atingiu, Jeon sorriu, chupando a língua, simulando um boquete, absorvendo para si a impureza, o sexo e tudo o que era sinônimo de pecado e condenação eterna.

Se sentia energizado quando o humano estava exausto, o rosto corado e satisfeito, relaxando na banheira, mantendo os olhos fechados — Jungkook iria sumir quando sua mão foi segurada.

— Fica. — pediu quase adormecendo.

Era surpresa para o demônio que alguém pedisse para que ficasse, geralmente o desejo entorpece-os, visto que o prazer havia sido atingido nada mais importava. Nem ele mesmo.

— Jimin! — o timbre soou como aviso.

— Por favor! Fique. — implorou, se ajoelhando na banheira, deixando a nudez a mostra, as mãos o segurando no pescoço antes de selar seus lábios aos dele. — Fica.

Jeon assente, saindo do banheiro para deixar que o moreno banhasse em paz, Park saiu da banheira para usar o chuveiro — terminou o mais rápido possível, temendo que ele desaparecesse. No quarto, Jeon encarava o quadro sobre o cavalete, as portas da varanda estavam abertas, permitindo o ar noturno de adentrar o ambiente. Vestindo-se com um conjunto de pijamas de cetim azul escuro, hidratou a pele e deitou nos lençóis limpos, sentiu o calor o envolver, notando que aquele que estava consigo fizera isso.

— Obrigado por aquecer a cama. — agradeceu, mantendo um sorriso angelical.

Jungkook assente ainda em silêncio, caminhou elegante até a cama, sentando um pouco perto e admirando o garoto, evitando se afeiçoar demais, todavia, o cheiro gostoso e doce o atingia com força, tanto quanto todo o resto.

— Quantos anos tem?

— Muito mais do que posso contar.

Jimin ponderou a resposta, estava para dormir devido ao cansaço, lutava contra a inconsciência para apreciar mais do homem sentado em sua cama — os cabelos longos e escuros, os lumes que antes vermelhos, agora eram escuros, quase não era possível ver as pupilas. Ele era lindo, intenso e impossível de não se notar.

— Quando não está comigo, onde está? — a curiosidade era um campo perigoso, ainda que pudesse ter respostas que não o agradaria, faria apenas pelo fato de tentar conhecê-lo.

— Dando prazer a outros. — fora direto.

Jimin engoliu em seco, escondendo um pouco o rosto para que não fosse visto a coloração rubra em suas bochechas gordinhas. Jeon soube de pronto as intenções alheias, a mente do garoto era barulhenta, suas ações um tanto impulsivas.

— Você gosta disso? — a feição não possuía mais a calmaria de outrora, Jimin sentia o gosto amargo do ciúmes, infelizmente, tentou ser indiferente, tendo zero como resultado.

— Durma. — mudou de assunto.

— Quero conversar.

— Outra hora. Agora durma. Precisa repor energia.

— Como assim? — sentou na cama, ignorando os pedidos do demônio.

— Preciso de energia para existir. Quando transamos, eu absorvo a sua, por isso fica extremamente cansado. — explicou.

— Há outros igual a você ? Quer dizer, nasceu demônio ou já foi humano? Jungkook é seu nome real? Como é o infer...

— Chega. — cortou. — Você fala mais do que consigo ouvir, boneca. Deite. Agora.

Jimin cruzou os braços, o bico se fez presente junto a expressão emburrada — teimoso — pensou o moreno antes de deixá-lo, cobrindo o corpo menor com o seu.

— Tenha respeito, boneca. — sussurrou contra o ouvido, o tom rouco da voz o fez tremer enquanto as mãos menores seguravam os braços fortes. — Durma, preciso ir.

— Vai voltar?

— Enquanto me desejar, estarei aqui. — selou rápido os lábios gordinhos.

Antes de Park protestar, Jeon havia sumido, sozinho, seus pensamentos o impediam de dormir, a cama continuava quente junto ao corpo que ansiava por aquele ser constantemente. Abraçando um travesseiro, sorriu, pela primeira sentia algo bom acontecendo, a emoção mascarava a razão ao ponto de não perceber e nem se quer imaginar as consequências desastrosas que seu envolvimento com uma criatura das sombras resultaria.

[...]

Durante o resto da semana, Jungkook não apareceu, ainda que desejasse, chamasse pelo nome enquanto gozava, não houve sinal algum.

No sábado acordou cedo para se alongar um pouco, exercitar-se e manter a mente bem ocupada — ignorava cochichos próximos e seguia com a rotina, odiaria que algo estragasse, então deixou a música no nível máximo e seguiu o cronograma de seu personal. Saindo da academia, entrou no carro parado no meio fio, ajeitou as mechas platinadas antes de colocar a chave na ignição e largar a mochila no banco do passageiro.

Taehyung já havia avisado sobre o horário de irem ao suposto parque dos horrores, de lazer e paz aquele lugar não tinha nada — resmungando alguns xingamentos, dirigiu até um drive thru, escondendo algo saudável do menu para seguir comendo, havia passado um pouco da hora do almoço, portanto, iria tirar o restante das horas para escolher as roupas e cuidar da pele.

A calça de couro marcava bem as coxas torneadas, a bota tratorada de cano médio e salto de quase sete centímetros era um toque especial, quase sensual e insano — o cropped de mesma cor escura deixou exposto o acessório ao redor da cintura fina, enquanto admirava a própria aparência, fez uma maquiagem um pouco escura nos olhos, os lábios fartos pintados com gloss de morango, seu cheiro podia ser sentido a distância.

Avisando Taehyung que passaria em sua residência em breve, colocou a jaqueta de couro, olhou-se mais uma vez antes de pegar a bolsa com seus pertences e sair do quarto. Na sala, seus pais elogiaram a beleza etérea do filho, deixando claro que não ingerisse bebida alcoólica.

— Volto antes da meia noite. — avisou.

— Cuidado e divirta-se. — ouviu a matriarca.

Dentro do carro, colocou o cinto, ligando o veículo, o motor rugiu como uma fera adormecida, não tardando a seguir o caminho rumo a casa do melhor amigo.

Kim já o esperava ansioso, Yoongi iria no próprio carro por vias dúvidas, conhecia Jimin e sabia que iria querer ir embora antes do previsto, e para o namorado não ficar emburrado, iria para poder trazê-lo de volta.

O parque está situado quase no centro, não foi difícil chegar e deparar-se com os brinquedos horríveis, diversas barracas oferecendo entretenimento e experiências memoráveis.

— Vamos. — Taehyung saltou do carro, ajeitando o casaco. — Amor, vamos comigo comprar algodão doce. — o ouvir quase gritar pro namorado.

Suspirando o mesmo desceu, travando as portas e torcendo para ninguém estragar o carro — seguindo o casal, observava a quantidade de pessoas, onde muitos foram em casal, as barracas estavam cheias, filas enormes para os brinquedos, pode prever que a diversão viraria enterro rapidamente. O ar noturno veio um pouco frio, enquanto ignorava as insistências alheias de ir em um dos brinquedos, Jimin se sentou em um dos bancos para comer o doce que comprou, Yoongi acompanhava parecendo um segurança atrás de uma criança atentada — Taehyung energizado do seu jeito passou na frente de todo mundo para ser o primeiro na montanha russa, onde ele mesmo havia dito que uma criança caíra do original e morreu.

Terminando de comer, jogou as embalagens no lixo mais próximo, pegou um cigarro da carteira junto ao isqueiro — uma mulher havia esbarrado em si, resolveu pedir desculpas, calou-se ao encontrá-la petrificada.

— Você está bem?

— Não se envolva com ele, querido. — o aviso estranho o deixou intrigado.

— Como disse? Com quem?

— Coisas ruins acontecem com quem se envolve com as sombras meu bem. Tome cuidado com a criatura que tem chamado. — dessa vez o aviso veio e ela se foi no mesmo instante, sumindo entre a multidão.

Um pouco atordoado e confuso pelo que havia acontecido, não sentiu Taehyung o puxando, foi levado quase arrastado para uma tenda roxa com um letreiro escrito à mão o nome da cartomante.

— Vamos ver nosso futuro. — diz eufórico.

— Eu não acredito nisso.

— Ao menos em algo você tem de participar. Crendo ou não, vamos lá. — intervém.

Vencido pela insistência, Jimin entra, encarando os objetos estranhos e símbolos que nunca havia visto — o espaço era pequeno, havia uma cortina preta ocultando a suposta mesa.

— Seja bem vindo senhor Park. — uma voz melodiosa e suave chegou aos seus ouvidos, assustado se virou, encarando uma senhora baixinha, usando roupas um vestido simples e um turbante.

— Como sabe meu nome?

— Não é isso que o deixou curioso. — afirma. — Venha, sente-se comigo.

Passando pela cortina, analisou a mesa de pedra preta, engolindo em seco se sentou na cadeira, esperando-a tomar a cadeira à sua frente.

— Tente relaxar. O sinto tenso e acuado. — comentou, segurando as cartas de tarot antes de separá-las.

— Um pouco difícil. — encarou um vodoo em cima de uma prateleira com pedras em cores e tamanhos diferentes.

— Do que quer saber? Seu amigo insistiu, mas antes lhe foi dito para tomar cuidado, certo?

— Como você... — arregalou os olhos.

— Escolha três cartas. — pediu, ignorando a possível pergunta.

Assustado escolheu uma carta no meio e duas em cada ponta da fileira de oito — O louco?! — questiona. — O que significa?

— Que está sem rumo. Adquiriu liberdade mas ainda permanece na imaturidade e mentira. — seu timbre era quase manso, no entanto, carregava intensidade e aviso.

A segunda carta: O mago.

Jimin sentiu os pelinhos do braço eriçar, trilhava um caminho perigoso, disso sabia, o seu saber era raso demais era ingênuo — analisando a carta, sentiu o nó se formar na garganta.

— Embarcou numa novidade recente, empolgante e avassaladora. Porém, o mau te levará para o abismo, te manipulando e planejando destruí-lo.

A última carta: Os amantes.

— Essa aqui parece ter chamado sua atenção, Jimin. — sorriu ladino. — Escolhas terão de ser feitas, sendo fáceis ou não será preciso, pois é sua vida em jogo. Terá amor de forma nada convencional, sentirá conflitos internos e dúvidas complicadas de analisar. — explicou.

Park de pronto ficou quieto, buscando absorver o que foi dito e encaixá-los em um todo para não se perder nas mensagens passadas por aquela mulher cujo nome não sabia e temia saber.

— Seja sábio quando as consequências baterem em sua porta.

— E se eu não conseguir? — a voz saiu quase um sussurro.

— Irá morrer. — os lumes verdes alheios pareciam reluzir na pouca luz. — Demônios não são capazes de amar puramente alguém. E este com quem dorme, aos poucos irá consumi-lo.

Ficando de pé, decidiu sair dali, não queria ouvir mais nada, apenas ir para casa — parou ao ouví-la.

— Sabedoria e poder senhor Park Jimin. Fechar os olhos para a verdade o levará a ruína. Demônios não amam, apenas tomam posse. Não se deixe levar pelo prazer momentâneo. Sua alma foi colocada em jogo, há um acordo sendo feito. E um passo em falso, você será do inferno. — avisou branda. — Leve como uma informação gratuita.

Caminhando para longe da tenda, encontrou Kim agarrado ao namorado.

— Para mim chega. Vou embora.

— Agora? Não tem muito tempo que chegamos.

— Sei disso, to indo mesmo assim. Divirtam-se nesse lugar horrível e fúnebre.

Correndo para o carro, abriu a porta quase desesperado, as mãos trêmulas e a respiração descompensada, precisava sumir o mais rápido possível, tratou de ligar o carro e pisar fundo no acelerador, assustando as pessoas próximas.

Em casa, ignorou os chamados dos pais, trancando a porta do quarto, buscando normalizar a respiração — tirou as roupas e se enfiou no chuveiro, deixando a água o cobrir e fechou os olhos.

— Merda! — xingou. — Porque fiz isso? Porra!

Conforme seguia seu monólogo, não notou o ar carregado e o peso da presença demoníaca, despertou ao sentir mãos envolverem sua cintura e o corpo maior envolver o seu.

— Olá, bonequinha. — sussurrou contra sua nuca.

Jimin ofegou, mordendo o lábio inferior, lamentando pelas reações corporais que sentia.

Ele era um demônio, é de sua natureza semear e cultivar o sexo, se alimentar da mesma forma que alimenta a libido e as imaginações.

De frente para o demônio observou a beleza, as tatuagens e piercings, tudo que era atrativo e despertava luxúria e desejo, raspou os dedos pelo peitoral largo e rígido — a razão novamente foi engolida pela emoção, seu corpo foi prensado contra a parede fria, seus lábios tomados e mais uma vez tendo tudo que queria na mesma intensidade com que entregada ao demônio.

O futuro foi selado.

E era trágico. Mas também é extraordinário.


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¹ Okpo Land: Foi um parque de diversões de curta duração baseado nos arredores de Okpo-dong Coreia do Sul. Foi inaugurado em 1996 e foi fechado em maio de 1999, supostamente após uma série de acidentes fatais, em particular a morte de uma criança que caiu da montanha-russa de patos.

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