L7NNON

🦜ྀི ┋TEMA : fofo/amor à primeira vista
🦜ྀི ┋AVISOS : nenhum
🦜ྀི ┋SINOPSE : onde S/n é contratada para ser stylist de Lennon, mas a atração entre os dois é inevitável.

Boa leitura, pivetes 💚

THE STYLIST
! ʾ s/n pov's ˙

Cheguei na sede da Papatunes às 09h00 da manhã. Nem me dei o trabalho de remover os óculos de sol. Meu corpo tava cansado da viagem e eu só queria terminar essa reunião e ir pra casa.

Foi loucura da minha parte marcar essa reunião pra hoje, mesmo sendo horas depois do meu voo de desembarcado. Mas é um trabalho grande, foi difícil de recusar.

- Bom dia. Eu tô aqui pra uma reunião com o Thiago, gatinha, tem como se me dá uma mão?

Enfim retiro os óculos pra ver com mais facilidade a moça da recepção.

- Bom dia. Ele te espera na sala de reuniões. Fica no último andar, é só precionar o botão do elevador por três segundos que ele te leva direto.

- Tá certo, minha linda. Obrigada.

Sei que a diva só fez o trabalho dela, mas não custa ser gentil, né?

Faço meu caminho até o elevador e assim que as portas de fecham meu dou ao luxo de remover o casaco que usava e me encostar na parede por alguns momentos. Dobro a peça que usava anteriormente e deixo em meu braço antes de arrumar a postura e ver a porta se abrir.

Até que foi rápido.

A luz da sala me atinge e rapidamente tenho que pressionar os olhos para me acostumar.

Vejo uma grande mesa de vidro temperado preta e cadeiras da mesma cor despersas ao seu redor. Além do homem que vim encontrar e um outro que eu conheço por ser um ótimo cantor, Lennon.

É... é pra ele que eu vou trabalhar agora.

- Bom dia, senhores - falo me aproximando. Sorrio assim que vejo Papato e o abraço.

- Sem essa de formalidade, tú é da casa - diz ao me apertar.

Thiago foi um dos que me deram força quando comecei no ramo da moda. Faço as produções dele até hoje e sempre vou agradecer por isso.

- Tava com saudades, Thiaguinho - me afasto apertando a bochecha dele, que rir.

- S/n, esse aqui é o Lennon. Não de espanta com a cara feia, ele é maneirinho até.

- Opa, satisfação - falo sorrindo estendendo a mão pra ele, que aperta e eu já observo o monte de anel que ele usa.

- Satisfação, gata. Papato falou muito bem de tú.

- Só fofoca, imagino eu - brinco e ele riem. - Então, vamo começar, né?

- Mostra teu projeto ai, meu anjo - Thiago puxa a cadeira para que eu sente e eu agradeço.

Pego meu Ipad na bolsa e abro na pasta que fiz durante o voo da França até aqui.

- Então, Lennon. O ponto principal aqui é você ter o total conhecimento que eu fui contratada pela tua gravadora pra cuidar exclusivamente da tua imagem, entendeu? - pergunto, olhando ele. O preto passa a língua nos lábios assentindo e eu sinto um formingamento estranho na pele. - Você tá crescendo, se tornado mundial e é importante criar uma essência só tua. Então eu separei umas coisas que acho que podem dar certo contigo, peguei umas inspirações dos rappers dos anos 90 e dei uma atualizada, vê se tú gosta.

Mostro o Ipad pra ele e vou dizendo onde poderiam mudar e melhorar, pra manter a essência. Pergunto que tipo de vibe ele gostaria de passar já que ele é versátil em relação as músicas. Ele vai do songlove à ostentação então é difícil definir uma coisa só.

- Tava pensando em algo como o Nelly, Tupac, entendeu?

- Maneiro, gostei dessa visão - fala e se reencosta na cadeira.

- Eu te falei, mano, S/n é braba... - Thiago diz, mas seu celular toca e ele pede licença antes de pegar o elevador pra sair.

- Eu vi que você curte os colares, anéis e grills. Acho que dá pra fazer uma estética boa sem exagero, prometo que vai ficar bom.

- Tô confiando em você, hein - diz ele, sorrindo.

Uau, que sorriso lindo do caramba.

Já falei que tenho um fraco por pretinhos? Se não sabia, agora tá sabendo.

- Enfim, vou te pedir um tempinho a mais pra de dar uma panorama melhor. Isso aqui eu fiz só durante o vôo por isso tá tão bagunçado, também queria dar uma olhada no teu closet pra te uma noção das peças que você tem.

- Claro, pô, só marcar que a gente dá um jeito.

- Certo. Agora, se não for incômodo, eu vou pedir pra me retirar porque tô exausta - solto uma risada nervosa. - Peguei um voo de onze horas e vim direto pra cá.

- Poxa, sério? Se eu soubesse...

- Nem se incomoda, foi escolha minha - sorri. - Agora tenho que aturar esse trânsito absurdo até a Barra.

- Tá indo pra Barra?

- Tô sim, vou me mudar pra um apartamento de lá.

- Massa, pô. Vai querer uma carona? Tô indo pra lá também.

- Aceito, bom que não vou precisar gastar o dinheiro do Uber - falo sorrindo.

Nós descemos o elevador em uma conversa animada sobre como ele gostaria de se vestir dali em diante, compartilhei com eles algumas ideias e acabou que concordamos em muitos aspectos. Agradeci mentalmente por ele ser do tipo "cliente legal" pois outros artistas que tive o "prazer" de trabalhar sempre eram meio fechados e antipáticos.

Mas Lennon não, ele é diferente. Gostaria de ter esse carisma e essa aura tranquila e despreocupada que ele emana.

Já no caminho pra minha nova casa, ele me colocou pra ouvir algumas das músicas mais recentes dele.

- Eu conheço muitas músicas suas, além das mais famosas, claro - comento. Levanto o braço e mostro a ele a tatuagem que tenho de "Mato no Peito". - Minha favorita eu marquei na pele.

- O que é meu tá guardado então deixa que eu encontro - ele sorri. - Maneiro, pô.

- Pois é - digo. Olho pela janela e vejo como tudo é diferente aqui. Assim, pra uma garota que saiu de Niterói e só pisou no Rio recentemente porém apenas a trabalho, vir pra essas bandas de rico é outras paradas.

- Acredita em coincidências? - pergunta do nada. Tiro minha atenção da janela e olho pra ele, que está completamente concentrado dirigindo. Ele passa a língua nos lábios carnudos e instintivamente tenho pensamentos intrusivos sobre isso. Essa língua...

- Depende - dou de ombros, empurrando esses mesmos pensamentos pro fundo da minha mente.

- Tú vai morar no meu antigo prédio.

- Sério?

- O endereço que tu botou tá dando lá - sorri pra mim.

Ele continua até chegamos na frente de um condomínio que fica de frente para a praia. Sempre foi meu sonho morar de frente para o mar e saber que eu consegui, faz a minha criança interior se agitar por completo.

A mini me está simplesmente radiante e muito orgulhosa.

- É, como eu imaginei - falou, parando o carro. - Agora só falta ser o meu antigo apartamento.

- Qual o número?

- 77 - assim que ele fala é impossível não rir.

Será uma brincadeira do universo?

- É, né? - balanço a cabeça afirmando. - Caraca.

- Quer subir comigo? Nunca pisei aqui, seria legal ter alguém pra me apresentar o lugar - falei removendo o cinto de segurança.

- Com certeza.

Ele saí do carro junto comigo. Seguro meu casaco com força, assim como a alça da minha bolsa. É literalmente a primeira vez que eu vou entrar numa coisa minha mesmo, além do meu studio.

Foi muito corre antes de conseguir comprar esse apê. Primeiro eu batalhei pra caramba pra conseguir passar em Moda na UFF que fica lá em Niterói mesmo. Eu não podia me dar o luxo de ir pra mais longe já que meus pais não podiam bancar. Depois que me formei já fiz um network bem maneiro com os mano do Rap, um deles sendo o Thiago, que foi me apresentando pra um monte de gente até eu conseguir vários clientes e o dinheiro suficiente pra montar meu Studio.

Passei um tempo morando lá, o que não era muito mas era o suficiente, focando no trabalho vinte e quatro horas por dia. Montei uma equipe para trabalhar comigo e messes depois eu me candidatei pra um curso na França, onde eu estava até ontem.

Um ano longe de casa, um ano aprendendo uma nova língua, conhecendo pessoas, trabalhando e... ganhando em dólar. E agora, posso finalmente dizer que tenho meu próprio cantinho.

- Bom dia, Lennon - ouço alguém dizer e vejo que é o porteiro. - Bom dia, Senhorita.

- Bom dia, Seu João - o preto ao meu lado responde.

- Bom dia - sorrio para o senhor mais velho.

- Você é a moça nova?

- Sim, senhor.

- Deixaram todas as suas coisas lá no seu apartamento ontem e hoje de manhã, tá? Os móveis já estão no lugar e suas malas também.

- Certo, obrigada - agradeço.

Lennon conversa um pouquinho com ele e em seguida seguimos para o elevador. Ficamos em um silêncio confortável até as portas se abrirem e ele me deixar ir na frente, mesmo que eu não soubesse para onde ir exatamente.

- Só vi tudo por foto, simplesmente olhei e me apaixonei - falo, quebrando o silêncio.

Mais uma vez, ele sorriu.

- O Rio tem dessas coisas - caminha até uma porta e indica o número. - setenta e sete.

- Obrigada, senhor - agradeço, brincando.

Pego as chaves na bolsa e abro a porta.

Se por foto já é lindo, pessoalmente é surreal.

- Lindo, né?

- Pra caramba - concordo indo até a varanda. - Foi essa vista. Justamente essa vista que me fez querer esse lugar.

- Bom, pois fique sabendo que além dessa vista incrível, várias letras minhas surgiram aqui - coloca as mãos nos bolsos.

- Ai, que incrível - falo animada. - Sério, eu nunca imaginaria que você fosse o ex morador que a mulher da imobiliária falou.

- E o que ela falou? - sorri de canto.

Esse sorriso de canto... céus.

- Um dia você descobre - brinco. Ele ri e ficamos observando o Mar por um tempinho até ele limpar a garganta.

- Eu tenho que ir agora. Mas adianto que foi um prazer te conhecer e tô ansiosão pra trabalhar contigo.

- Se você está, imagina eu, né? - rimos e eu o acompanho até a porta. - Foi um prazer conhecer você pessoalmente, L7.

Ele sorri, me olha e pega minha mão antes de levar o dorso até os lábios.

- Pra você é Lennon, tá? - olhou nos meus olhos.

- Sim, senhor - o provoco.

- Brinca muito - ri.

E isso é tudo o que ele diz antes de sair.

*

Lennon tinha um evento para ir hoje, o que significa que eu tenho trabalho. Os últimos dias foram meio corridos, Lennon não é o único artista que com quem eu trabalho e no fim de ano todas as agendas ficam apertadas, o que deixa a minha apertada.

Deveríamos ter marcado na casa dele dias atrás pra me dar uma olhada no closet dele, mas os corres não permitiram e eu tive que tirar do rabo uma roupa pra ele vestir hoje além da caracterização.

Pra ser sincera, não sei como tá o cabelo, a barba e nem nada dele e isso é literalmente o meu trabalho saber.

As portas do elevador do hotel onde ele tá hospedado em SP se abrem e vou até o quarto dele, o qual eu tenho o cartão, o mais rápido possível. O trânsito atrasou tudo e agora tenho que correr contra o tempo.

- Lennon? - entro no vendo uma galera da equipe dele, mas nada dele. - Ia, gente.

- Fala tú, bonita - Pescada me abraça.

- Cadê o patrão?

- Pô, ele tava tomando banho até agora a pouco. Deve tá no quarto.

- Beleza, valeu, meu peixe.

Vou até o quarto e bato antes de abrir.

- Oi, Lseven, trouxe tua roupa - sorri.

- Opa, tava doido pra te ver - diz e eu encaro ele, sem entender. - ver a roupa que você ia trazer.

Ignorando o fato dele estar completamente sem camisa, ainda meio molhado do banho e de bermuda, apenas sorri mais uma vez fazendo a sonsa.

Porra, é imoral ver ele assim... as gotículas d'água fazendo caminho em seu abdômen... gostoso do caralho.

- Vai lá se vestir então, que eu vou dar uma olhada nos tênis que você trouxe - digo, entregando a roupa pra ele.

Ele vai ao banheiro se trocar e eu me agacho próximo a mala para ver os tênis que ele trouxe. Uma com listas vermelhas, um branco e outro com listas azuis.

Pego o branco e separo junto com as jóias que trouxe pra ele.

Me viro quando ouço a porta do banheiro de abrir e ele sair já vestido secando o cabelo com a toalha, rapidamente corro para repreendê-lo.

- Não faz isso no cabelo, garoto - digo puxando a toalha da sua mão.

- Tô secando, pô.

- Não, você tá danificando seu cabelo, isso sim - passo os dedos pelo cachos desfeitos e abertos. - Desse jeito você abre demais e acaba ferrando ele todo, fica com aspecto seco e frizz.

- Com o que? - franze o cenho e se afasta de mim para calçar os tênis. Seu celular tocar e ele acaba olhando. - Tô atrasado.

- Então cuida, tenho que arrumar seu cabelo e tem essas joias aqui...

- Achei que só cuidava das roupas - me encara.

- Eu cuido de tudo. Eu faço sua imagem agora - sorrio e ele apenas nega, sem dizer nada.

Estranho seu comportamento. Geralmente ele é bem mais legal.

Vejo ele terminar e ir até a cômoda de cabeceira e tira algo de dentro antes de ir até o espelho. Vejo ele colocando um grills absurdo e rapidamente protesto.

- De jeito nenhum, não é parte do...

- Tenho que ir - fala, me ignorando.

- Lennon! - ele sai do quarto enquanto passa algumas correntes pelo pescoço. - Léo, meu ajuda.

- Tô atrasado, a gente tem que ir - Lennon fala e simplesmente todo mundo segue ele, me deixando falar sozinha.

- Você nem penteou o cabelo, seu maluco!

Mas já era tarde. Pescada foi o último a sair, me lançou apenas um olhar de pena dando de ombros.

Isso não tava no roteiro, achei que Lennon era diferente dos outros artistas que trabalhei, mas pelo visto ele é só mais um corrompido pela indústria.

[...]

📍Rio de Janeiro, Brasil.

Na moral? Eu odeio a internet.

A aparição do Lennon no evento em São Paulo rendeu muitos comentários, grande partes negativos, diga-se de passagem. E a culpa foi de quem? Da lindona aqui, que tinha um trabalho pra fazer e não fez porquê o bonito lá não deixou.

Para completar a bagaça, a gravadora dele ainda encheu o meu saco por causa disso.

Mas sério, chegaram a comparar até com o Mendigo Genivaldo... e é por isso que eu odeio a internet.

Tá ruim? Tava, claro que tava. Mas não é pra tanto.

Hoje ele terá um show e, como estamos no Rio, além de mim, tem a minha equipe também. E depois do desastre no evento, simplesmente não vou deixar ele ir como ele quer.

Assim que ele chega ao meu estúdio, simplesmente me recurso a falar com ele. Ainda tô brava.

- Oi - se aproxima para me abraçar, mas eu me esquivo, pegando minha fita métrica indo até o manequim onde estava um produção nova que eu estava trabalhando.

- Oi - é tudo que digo.

Vejo que Léo e Pescada estão afastados, conversando com meu segurança perto da porta do elevador.

- Tá chateada comigo?

- E eu não deveria? - encaro ele. - É o meu trabalho, Lennon. Tem que me deixar fazer ele.

- Eu sei, só não tô acostumado ainda - olha pra baixo.

- Tem que confiar em mim, não tô aqui atoa. E toda vez que você faz o que fez, acaba caindo em mim. Acaba mexendo com toda uma estrutura, beleza? Sua sorte é que por pouco não me prejudicou, mas foi quase.

- Entendi... errei, fui Lennon - me olha e eu acabo rindo e o chamando com a mão livre.

- Vem, tenho que tirar suas medidas pra roupa do clipe - murmuro. Ele se aproxima e eu simplesmente só faço o que tenho que fazer. Tiro a medida da perna, cintura, do braço e do torço. - Para de me olhar assim.

Levanto a cabeça, quase batendo na dele. Lennon sorrir, próximo o bastante para fazer eu sentir seu hálito de mental misturado com matte.

- Assim como? - murmura de volta, raspando o nariz no meu. Fecho os olhos - Hein, preta?

- Lennon.

Eu senti. Juro que senti seus lábios nos meus por um milésimo de segundo antes que ouvisse o resto da equipe chegar e se aproximar de nós.

Limpei a garganta e me virei de costas para anotar a medidas que já nem lembrava mais.

Vou ter que tirar de novo...

- Patroinha...

- Fala, Flávio - digo pro meu cabeleireiro e barbeiro.

- O que eu faço com ele? - indica Lennon com um cara bem debochada. Acabo rindo.

Puxo Lennon e o faço sentar na cadeira.

- Define bem o cabelo e dá uma retocada nesse cavanhaque.

- S/n... - Lennon me olha, repressivo.

Seguro seus ombros sorrindo e abaixo até seu ouvido.

- Confia em mim?

- Não.

- Pois vai aprender a confiar - rio e beijo sua bochecha. - Agora eu vou terminar os ajustes na sua roupa, tá?

Ele assente e eu deixo ele nas mãos da minha equipe. Primeiro cabelo e barba, depois um pouquinho de maquiagem e ele vai tá um gato. Mais do que já é, obviamente.

*

- E ai? Gostou? - pergunto, segurando os ombros dele por trás.

- Adorei, papo reto - me encara através do espelho. - Tô lindão.

Tá mesmo. Lindo e gostoso. E é tudo por minha causa.

- Eu disse, é só confiar em mim - me afasto dele pra pegar um grills que eu separei pra ele. - Toma, um presente pra ti. - entrego a caixa pra ele.

- Opa - ele abre e sorri ao vê a joia de prata com diamante.

- Eu acho brega, mas sei que você gosta e que faz parte da sua estética, então - dou de ombros e ele ri. - mas é só um. Sem exageros e, é claro, combinado com tudo que você tá usando.

- Valeu, maneiro demais - me agradece e se aproxima do espelho para colocar. Assim que o faz, olha pra mim sorrindo.

É brega? É brega.

Mas esse sorriso dele me quebra todinha.

- Tá, agora você tem que ir. O coitado do Adriano tá te esperando lá fora faz tempos - digo.

- Não vai no show, né? - pergunta, eu nego.

- Tenho um monte de coisa pra trabalhar ainda e depois só que banho e cama - sorrio fraca.

Lennon se aproxima de mim, quase colando nossos corpos.

- A gente se vê de novo quando?

- Em Manaus, o Adriano marcou com a sua mãe de eu olhar seu closet, depois na gravação do clipe e ai você tem uns outros shows que eu não sei se vou dar conta de acompanhar, mas... - paro quando ele me olha daquele jeito. - que foi?

- Nadinha - sorri. Lennon vem na minha direção, sei qual é a intenção dele, pois é a minha também. Porém, prudentemente, o impeço de fazer uma coisa que provavelmente ele vai se arrepender depois.

- Nada disso, lindo - seguro seus lábios. - É melhor pra nós dois se isso não acontecer.

- Cê jura? - afirmo com a cabeça.

- Acho melhor você ir, L7 - digo. - Vai com Deus.

- Fica com ele, preta.

Vejo ele passar pela porta do meu estúdio da logo fico sozinha com meus próprios pensamentos.

[...]

📍Manaus, Amazonas, Brasil.

A organização do show do Lennon em Manaus tava um verdadeiro caos. Um lugar pequeno, cheio de gente pra lá e pra cá e tem eu, que tô esperando o lindo chegar pra fazer minha parte.

Tinha separado um look mara pra ele hoje. Tipo, equilibrando beleza, conforto e proteção ao calor dessa cidade que é surreal.

Assim que eu o vejo tenho vontade de gritar. Tipo, gritar com ele mesmo.

- É sério? - minha voz quase não sai quando ele se aproxima.

- O que?

- Trançou o cabelo e não me falou nada?

- E tinha que falar? - ele rir. - Oi, pra você também.

- Não vem com essa de "oi", Lennon - digo, com raiva. - Eu tinha preparado uma produção visando seu cabelo de um jeito e agora ele tá de outro, então tudo muda.

- Muda? - franze o cenho.

- Claro que muda! - esbravejo. Vou até a mala e analiso tudo, novamente, pensando em outra roupa. - É a segunda vez que você faz isso, cara. Tem que me avisar as coisas...

- Foi mal, não fazia ideia - para ao meu lado.

- Você nunca faz - reviro os olhos e pego a blusa do Flamengo sem mangas pra ele e uma calça branca com desenhos. - Pega.

- Obrigada.

Ele vai até o banheiro se trocar e nesse meio tempo o camarim vai desocupando, graças aos seguranças dele, e resta apenas eu.

Espero ele sair e quando o faz, simplesmente me maravilho com a visão do meu trabalho.

- Eu sou muito foda.

- Eu concordo - sorri.

- Vem cá, deixa eu te ajustar - falo, pegando os cordões que eu separei pra ele. Arrumo a blusa e coloco o cordão nele. - Pronto.

- Não... - sussurra, levantando meu queixo com a mão. - tá faltando uma coisa.

- O que?

É uma pergunta singela.

- Isso.

E me beija.

Lentamente sua língua enlaça na minha, chupando meu lábio inferior devagar enquanto me empurra até minha bunda bater na mesa que havia ali, onde estava todos os meus materiais de trabalho. Aperto sua camisa com os dedos, aprofundado o beijo quando ele aperta minha cintura.

Lennon trás sua mão para apertar meu seio que, ainda bem, estava desprovido de sutiã. O gesto me fez gemer e, enfim, cair na realidade.

- Lê... - tento me afastar dele. -... preto.

- Hum?

Sua boca simplesmente não desgruda da minha.

- Você tem que fazer um show - falo rápido e ele parece se dar conta. O cantor se afasta meio atordoado e ver seus lábios vermelhos me faz rir. - Você é inacreditável.

- Você tava na minha frente, foi impossível de controlar - sorrio e passo o dedo pelo seu lábio inferior.

- Tá, agora vai - empurro ele. - Não quero seu público me odiando porque fiz você se atrasar.

Ele pega minhas mãos, beija elas sorrindo e olha minhas unhas.

- Fez as unhas? - sorri. - Nem pediu ajuda com a cor, nem mandou foto... achei que a gente era amigo.

- Eu pedi foto do corte, você não mandou - dei de ombros. Lennon riu antes de se afastar.

Vejo ele sair pela porta e sorrio tocando meu lábios. Porra, foi o melhor beijo da minha vida.

[...]

- Cadê sua mãe? - digo assim que Lennon abre a porta. Eu tava esperando a mãe dele, não ele em si.

- Aconteceu um imprevisto com meu pai e ela teve que ir com ele - sorri e eu concordo, meio desconfiada e entro na casa dele. - Ei, ei...

Fala e eu me viro. Sua mão logo encontra a minha cintura e me puxa para ele, me pondo contra a porta recém fechada. Seguro seus braços encarando seu rosto sem saber ao certo o que fazer.

- Rola beijo de novo?

Diz isso enquanto passa o nariz pelo meu rosto me fazendo fechar os olhos.

- Lennon - murmuro. - A gente não pode ficar nisso, cara, eu trabalho pra sua gravadora...

- É só ninguém ficar sabendo - segura a lateral do meu rosto me olhando suavemente. Seguro sua mão sorrindo e beijo a palma antes de olhar em seus olhos.

- Você é um fofo Lê, mas eu não sou esse tipo de garota. Não faço as coisas às escondidas e muito menos nessas circunstâncias, então quem sabe em outro momento, né? - deixei um beijo em sua bochecha e me afastei. - E então... o closet?

Ele parece ter lembrando do que vim fazer aqui a princípio e me leva até seu quarto.

Tudo bem arrumadinho, o que é uma baita surpresa. No entanto, é o completo oposto do closet. É tudo junto, sem identificação e a coisa mais "arrumada" são os tênis.

- Aqui ficam os anéis, drills, relógios e jóias no geral - abre uma gaveta. Tem até os divisores, mas como eu já esperava, tava bem bagunçado também. - Em baixo são os bonés e na outra minhas cuecas.

- Deveria ter guardado essa informação pra você - resmungo.

- Achei que quisesse saber de tudo - sorri de canto.

Reviro os olhos e sigo para olhar as camisas, a maioria de grandes marcas caras porém as mais básicas possíveis.

- Você tem dinheiro pra entrar e comprar o que quiser na LV, mas compra essa camisa branca batida sem estampa nenhuma.

- Gosto do básico, ué - diz ele. Balanço a cabeça negativamente.

- Falou o cara que meteu aquele negócio de ouro no dente e saiu parecendo uma alegoria de escola de samba - retruco.

- Agora bem ai tú esculachou - coloca a mão no peito. Dou de ombros e começo a separar umas peças que eu achei interessantes. Pego alguns colares que eu provavelmente vou dar fim pois não tem mais condições dele usar e tento deixar ao menos organizado por cor.

- S/n? - ele me chama, estando atrás de mim sentando no pufe que ele tem bem no meio do closet. Eu estava agachada dando uma olhada em seus sapatos e tirando foto de tudo para montar os looks e mandar pra ele quando estivemos longe. Virei o rosto para olhá-lo.

Porra, Lennon é uma tentação do caralho. O fato dele estar só de bermuda e com as pernas abertas mexe com a minha mente, sério. Ele me faz ter meus pensamentos mais intrusivos, sabe? Não daquele tipo de jogar o celular pra fora do carro ou botar a mão no fogo pra ver o que acontece. Não esse tipo, mas o tipo mais sujo de pensamento intrusivo que existe. Como, por exemplo, ele me pegando pelo braço me colocando contra esse armário e me fodendo até eu esquecer meu nome. Ele me faz ter exatamente esse tipo de pensamento. Deveria ser crime ser tão gostoso assim.

- Que foi? - falo um tempinho depois de ter encarado ele sem vergonha alguma. Me ajoelho para olhar a prateleira de cima e espero ele falar, o que não acontece.

Mordo lábio em um luta interna entre fazer o que eu quero e o que é certo.

Seguir meus pensamentos intrusivos ou minha consciência?

O que eu quero? Dar pra ele até não andar mais.

O que é certo? Ficar quietinha, me preservar e preservar o meu emprego.

Assim que termino de olhar tudo me viro pra ele, que ainda está me encarando. Dessa vez com a mão no queixo mexendo no projeto de barba dele e ai sim foi muito difícil de ignorar. Esse lance de passar o indicador na barba mexe em mim em lugares inimagináveis. Olho pra ele ainda de joelhos e coloco a mão na sua coxa. Vejo seu abdômen se contrair e seus lábios se abrirem.

Filho da puta gostoso da porra.

- Qual a probabilidade disso dar errado, Lennon? - pergunto baixo olhando diretamente em seus olhos.

- Nenhuma, preta... você quer, eu quero. Tá tudo certo. - ele fala baixo. - Senta pra mim?

É rapaz, parece que vou de Vasco antes do que eu imaginava. Apesar do seu pedido, prefiro começar com o mais fácil.

Já tô de joelhos, né?

Coloco a mão sobre a marcação evidente em sua bermuda preta e ouço seu resmungo baixo. Aperto devagar para ouvi-lo gemer. Arrasto a mão até seu abdômen e arranho devagar ouvido seu suspiro.

- Ai é maldade, preta - passa a língua pelos lábios lindos dele.

- Você aguenta - sorrio para ele. Acaricio de leve toda a sua extensão por cima da roupa até finalmente puxá-lo para fora. Quase engasguei com o tamanho sem sequer colocar na boca, não estava preparada, mas ficaria.

Abaixei a cabeça e deixei um beijinho na ponta que o faz arfar. Desci a língua por ele todo e senti sua mão em meu cabelo empurrando minha cabeça para baixo.

- Porra, preta - olho para ele, me deparando com a cena de sua cabeça jogada para trás, a veia de seu pescoço pulsando.

- Que foi? - me afasto para cuspir nele, massageando com a mão. - Não era isso que tú queria?

Sento em seu colo e puxo se queixo para que ele me olhe.

- E tú nem queria, né? - agarra minha cintura sorrindo. - Senti vontade de te comer no segundo que coloquei meus olhos em você.

- E eu senti vontade de dar pra você no mesmo momento - falo, sério. - Sabe quando um assaltante vem e fala que você perdeu, tudo? Pois é, foi exatamente assim que eu fiquei quando te vi.

Lennon ri e levanta comigo no colo, me pondo contra a parede de seu closet. Sorri, pois meu pensamento intrusivo estava bem perto de ser tornar realidade. Meus pés não encostam o chão quando ele se ajoelha e puxa minha calcinha pro lado.

- Ai, preto - gemo ao sentir sua língua em minha buceta. Agarro seu cabelo empurrando-o para que vá o mais fundo possível, tudo que quero é sentir e saber até onde ele pode ir.

Eu imaginei tanto essa língua em mim, o que ela faria e agora que sei como é, não quero que pare mais. Aperto seu cabelo jogando a cabeça para trás quando ele chupa meu clítoris e em seguida passa a língua por ele.

Porraaaa, como é bom.

- E ai, minha linda? - deixa um beijo na minha coxa. - Posso te foder?

Acabo rindo, ofegante por toda a ação que protagonizamos nos últimos minutos.

- E você ainda pergunta?

Lê sorri e me leva pra cama dele, um lugar que eu nunca pensei que iria estar em toda a minha vida. Ele retira o resto de nossa roupas e me beija como eu nunca fui beijada, me olha e me toca como ninguém nunca fez antes.

Ele me olha com devoção, como se gravasse cada parte de mim à medida que passa seus dedos pela minha pele. Lennon toca todo meu corpo com delicadeza e eu me arrepio quando seus olhos encontram os meus.

- Posso? - pergunta tirando o cabelo do meu rosto. Afirmo com a cabeça e ele me beija assim que entra fundo em mim, arranho sua nuca e abro a boca pra gemer com a sensação dele dentro de mim. O maior nível de prazer que senti na vida. - Caralho, amor.

- Lennon... - gemi, implorando. - se mexe, por favor.

- Tá doendo? - me olha preocupado. Nego com a cabeça.

- Só quero sentir você - passo meu nariz no dele, sua respiração batendo em minha pele. Sua mão encontrar a minha em cima da cama antes de sair e entrar me fazendo fechar os olhos e morder os lábios. Ele cruza nossos dedos e repete o movimento de entrar e saí devagarzinho, mas com força, acabando comigo. - Lê...

- Pode gemer, ninguém vai ouvir - diz, sorrindo mas fecha a expressão quando eu aperto minha buceta ao redor dele. - S/n...

- Não era você que me queria por cima? - falo antes de fechar minhas pernas ao redor do seu quadril e inverter nossas posições, sorrindo. - Sentando pra ti?

- Porra, preta - segura minha cintura guiando meus movimentos. Para frente, para trás; subindo e descendo em cima dele.

- Você é tão gostoso, cara - me inclino para beijar sua boca, seu queixo, sua orelha.

- Sou gostoso, é? - puxa meu cabelo, sorrio e puxo seu lábio inferior com os dentes.

- Acaba logo comigo, vai - encaro seus olhos. - Aproveita a oportunidade.

Lennon me encarou antes de me jogar contra a cama e me deixar de quatro pra ele.

*

Sorri e abri os olhos quando senti o dedo de Lennon passando pelo meu rosto. Primeiro a curva do meu nariz, a maçã da minha bochecha, meu arco de cupido, meu queixo e subindo novamente para minha orelha.

- Tú é linda demais, sem condições - sorri e beija minha testa.

- Sou é? - imito ele, que ri. Deito minha cabeça em seu ombro sentindo o cheiro dele misturado com sabonete. Faço desenhos em seu abdômen vendo sua pele se arrepiar. Viro o rosto e pego ele já me encarando. - Sua mãe não teve que resolver nada com seu pai não, né?

Ele ri pegando meu cabelo e começando a enrolar em seu dedo.

- Não, eles só tão na casa dos meus avós - me encara. - Não fica brava, queria um momento contigo. Quero isso desde que te vi entrar na sala da Papatunes naquele dia.

- Era só ter mandado o papo - deixo um beijo no peito dele. - Eu tinha aceitado sem nem pensar.

- E por que?

- Por que a gente tem química pra caralho, dah - beijo seus lábios macios afundando meus dedos em seu cabelo cacheado. Me afasto deixando selinhos por seu rosto. - Sabe que horas são ?

- Hora do almoço?

- Porra, tenho reunião com a equipe da Anitta hoje - levanto da cama abruptamente procurando meu celular. Vejo ele se apoiar em seus cotovelos e me olhar.

- Anitta?

- É... talvez eu faça os looks pros Ensaios de Pré-Carnaval - amarro meu cabelo. - Devolve meu sutiã ai, preto? - indico a cabeceira da cama e ele pega pra mim. Visto ele e em seguida vou atrás da minha roupa.

- Mas não falta uns dois messes pro Carnaval?

- Sim, mas essas coisas a gente resolve com antecendência, sabe?

Termino de me vestir e estava indo na direção da porta quando ele me barrou e impediu minha saída.

- Ei, calma, cara - ri e puxa meu queixo pra cima. Faço biquinho olhando pra ele. - Foge de mim não.

-Tô atrasada, Nego - falo. Lennon me ignora e me beija novamente, segurando minha cintura e colocando meu corpo no seu. - Nunca fugiria de você.

- Hum... acho que tô viciado em você - beija minha bochecha.

- Se você não me largar agora a gente vai acabar transando de novo - falo enquanto ele beija minha orelha. Lê se afasta com um sorrisinho safado no rosto.

- Quer carona?

- Eu vim de carro, relaxa.

- Tá livre hoje a noite? - vem atrás de mim quando saio do seu quarto.

- Depende, pra quê?

- Vamo jantar hoje - abriu a porta pra mim. - Eu, você. Sabe?

Sorri olhando pra ele. Beijei sua bochecha e sussurrei no seu ouvido:

- Me pega às 20h.

[...]

- Pretinho? - chamo entrando na casa dele. Atravesso a sala encontrando ele na cozinha.

- Oi, linda - sorri quando me ver. Dá a volta na ilha e vem até mim me beijar.

É um sábado à tarde. Um sábado quente, de céu azul e que me deu uma puta ideia. Já faz uns dias que eu tava a fim de levar Lennon em um lugar e hoje enfim consegui a autorização que precisava e, a melhor parte, é que ele está de folga, o que não acontece há um bom tempo.

- Tá bem? - sussurro depois de me afastar dos lábios dele.

- Melhor agora - rio e me afasto de vez, indo sentar no banquinho perto da ilha.

- Iai, topa um rolé comigo? - encaro ele, que ergue uma sobrancelha.

- Pra onde?

Ele para em minha frente, fica entre minhas pernas e passa os braços pela minha cintura.

- Ai é pura surpresa, gatinho - brinco com o escapulário dele. O colar mais básico que vi ele usar. - Mas eu prometo que é um lugar legal e que você vai amar.

- Quero mais detalhes - me olha com desconfiança. - Vai que você me leva pro meio do mato pra me matar?

- É, vou fazer isso mesmo - puxo ele pra mais perto de mim. - Vou te levar pra minha casa no meio do mato pra te prender e você ser só meu - sussurro em seu ouvido.

- Não vai me convencer assim não, maluquinha - segura meu queixo. Eu sei onde nossa conversa ia acabar, provavelmente nem chegaríamos a ir pro quarto, por isso tomei as rédeas da situação.

- Realengo não é teu lugar? Tipo, onde você vai pra recarregar as energias e lembrar de onde veio? - pergunto.

- Sim, com certeza.

- Eu vou te levar pro meu lugar. E eu juro, preto, tu vai se apaixonar.

- Se tú diz.

Faço ele tomar um banho rápido enquanto escolho a roupa dele. Só uma bermuda, uma blusa do flamengo pra combinar com a minha e a Kenner dele. Fora isso o boné e pronto.

Básico e discreto pra não chamar atenção. Não quero que fiquem rodeando a gente, só que ele tenha a experiência mais natural e leve possível por lá.

Assim que sinto o cheiro do seu perfume sei que ele está pronto. O homem não saí de casa sem tomar um segundo banho de perfume importado.

- Como eu tô?

- Gostoso - sorrio levantando da cama. - Vou precisar da chave do teu carro.

- S/n... - me encara. - Pra quê?

- Eu vou dirigir, ué - dou de ombros. - Só eu sei onde é e eu não posso por a localização no GPS.

- Vai me sequestrar mesmo, né? - ri, me entregando as chaves.

- Claro que vou - beijo os lábios dele. - Bora que a gente tá atrasado.

*

- Tá, antes da gente descer do carro eu tenho umas coisas pra te falar.

- Manda.

Encaro ele, pensando por onde começar.

- Quando eu tinha um dezesseis anos eu conheci esse lugar. Era um lar só de crianças e eu amava vir aqui ajudar a cuidar delas, era a minha coisa favorita da vida. Mas eu me afastei por um tempo durante a faculdade e logo assim que comecei s ganhar dinheiro me tornei a principal financiadora. - ele me olha com atenção. - Agora a casa não abriga só crianças, mas mulheres e adolescentes também. Antes de vir aqui eu sempre tenho que falar com a diretora pra saber se posso. Esse lugar é segredo da justiça, sabe? É pra proteção de todo mundo que tá aqui dentro. Tem gente que sofreu abusos, violência e coisas horríveis, Lê.

- Porra.

Solta uma lufada de ar.

- Eu sei, é revoltante - pego a mão dele. - Mas tenta não olhar com esse lado agora. Tenta chegar lá e se deixar encantar, tendeu? A gente só tem acesso a ala das crianças. Infelizmente as mulher e adolescentes não podem receber visitas pois a maioria vem buscar abrigo devido à violência doméstica e sexual. É meio compreensível até.

- Entendi.

- Pode perguntar o nome, mas não a história deles. Deixa o celular no carro, tá?

- Beleza.

Eu me senti meio eufórica. É a terceira vez que venho desde que voltei para o Brasil e fico feliz que seja com ele. Quero que conheça essa parte minha, que poucos sabem, acho que ele merece isso.

Entrelaçamos nossas mãos quando entramos na casa. Por fora parece uma casa normal, mas por dentro é alojamento muito bem dividido. A primeira vista que temos é a do pátio, onde tem uma fonte, além de um espaço enorme para as crianças brincarem. Os alojamentos da parte da frente são os das crianças, o nosso limite. Os demais, divididos em dois pequenos prédios no fundo da propriedade são os alojamentos das mulheres e dos adolescente.

Antes todos ficavam juntos e era uma loucura, mas graças aos investimentos que fiz aqui, consegui deixar tudo confortável para todos.

Vejo a mulher mais velha vindo na nossa direção com um sorriso no rosto. Roupas formais e um cabelo num coque impecável, do jeitinho que eu ensinei.

- Oi, filhota - sorri, soltando a mão de Lennon para abraçar a senhora.

- Oi, mamãe - apertei ela e beijei seu rosto antes de me afastar. - Esse é o Lennon, o amigo que eu lhe falei.

- Lennon - ela repete, olhando ele.

- É um prazer conhecer a Senhora - ele beija a mão dela. Um fofo. A bixinha chega fica toda sem graça.

- Você é bonito demais pra ser só amigo - me olha. Minhas bochechas esquentam. - Mas enfim, vamos lá que eles tão animados pra ver vocês.

Ela saí na nossa frente e Lennon me olha sem entender nada. Acabo rindo da sua confusão puxando ele para vir comigo, agarrando seu braço.

- Minha mãe é a diretora - explico. - Ela é assistente social e me trouxe aqui quando fiz dezesseis. Ela criou esse lugar com o que pode e eu ajudei a ser o que é hoje. Claro, com a ajuda do Estado e tal, mas também de muitos financiadores que conseguimos ao longo do caminho.

- Isso é muito foda, S/n. De verdade, eu nunca imaginei isso.

- Você vai conhecer agora um total de dez crianças. Todas com idades entre seis messes e oito anos. Algumas foram deixadas aqui e outras trazidas para cá vinda de outros abrigos. A maioria consegue sair adotado, com uma família, mas a parte que fica é muito bem preparada pra levar uma vida boa lá fora. Outro dia minha mãe tava na formatura de uma das crianças dela, formou em nutrição e agora tá fazendo mestrado.

- Não consigo parar de me impressionar - me olha sorrindo.

Chegamos em fim a brinquedoteca, onde todos eles estão juntos assistindo um filme de desenho. Issac, um garotinho de seis anos que me adora, é o primeiro a me ver e já alarma todo mundo.

- Tia S/n! - abraça minhas pernas e eu pego ele no colo. - Você veio mesmo.

- Eu disse que vinha, não disse? - aperto o nariz dele. - Crianças, conheçam o tio Lennon. Ele é meu amigo e veio conhecer vocês. Lennon, esses são meus amiguinhos.

- Oi, galera - bate na mão de todo mundo. Me sento no chão e deixo Issac no meu colo, mas deixo todo mundo em uma roda pra gente conversar direitinho.

- Você desenha roupa igual a tia S/n? - Carolina, de sete anos indaga entortando a cabeça encarando ele. Todos os cabelos loiros dela caem em seu rosto, mas ela puxa para trás ainda encarando ele.

- Não, eu canto.

- Canta o que? - Benjamim, o irmão dela de cinco pergunta.

- Música, dah - a menina responde me fazendo rir.

- Então canta a música do Mundo Bita - Issac desafia.

E então todo mundo começa a pedir pra Lennon cantar e eu caio na risada vendo a cara de desespero dele sem fazer ideia do que é.

- Ele não conhece Mundo Bita, meus amores.

- Não conhece? - Laura, a morena de seis anos também, olha pra ele desconfiada. - Você mora debaixo de uma pedra?

- Não...

- E bolofofos, ele conhece, tia?

Volto a rir, sabendo que não.

As meninas colam a mão na cintura não acreditando.

- Nossa, tio, você é super por fora.

- Sou mesmo, florzinha. Tô velhão já, papo reto - ele ri.

Minha mãe aparece chamando todo mundo pra comer, tá na hora do lanche. Issac não quer desgrudar de mim e por mais que eu ame esse grudinho dele, tenho que deixá-lo ir com as outras crianças. Nesse meio tempo minha mãe leva a gente no berçário e eu tenho a bela visão de Lennon segurando um neném na mão.

Ele é todo jeitoso. Me pergunto como ele seria como pai a partir de uma pequena interação sua com um bebê. Jorginho, tem onze messes, a mãe perdeu a guarda após ser presa e ele veio parar aqui. Foi lindo ver o neném gargalhando das caretas e dos cheiros que Lennon dava em seu pescoço, de verdade, fiquei até emocionada.

Eu e Lennon não temos nada oficial, mas meu útero coçou e por minutos eu imaginei ele como pai de um bebezinho meu. De sangue ou não, percebi que quero esse homem como pai dos meus filhos e meu marido.

- Filha, posso falar contigo?

Tiro meus olhos dele com o neném e encara minha mãe. Garanto que Lê vai ficar vem com Jorge e saio de lá indo até a sala da minha mãe.

- Eu sei o quanto você é apegada ao Issac e é só por isso que eu vou te dizer isso. - me olha. Fico tensa. - Uma família entrou com o pedido de guarda. Eles já se conheceram, fizeram a semana teste e vão levar ele na segunda-feira. É um casal da Bahia muito bem estruturado e que se apaixonaram por ele no segundo que viram.

Senti vontade de chorar. Felicidade e tristeza se confundindo dentro de mim. Felicidade por ele, que vai ter uma família que o ama e vai dar todo carinho e atenção que ele merece. Mas tristeza por mim, que tinha planos com ele, esses que infelizmente nunca vão se realizar.

A justiça brasileira não costuma conceder a guarda para mães solo. Ser casado e ter uma vida estável, como esse casal, ajuda a acelerar o processo. Eu tava esperando achar um homem decente pra casar e quando cheguei bem perto, a vida resolver tomar outro rumo. Meu bebê não vai ficar comigo, infelizmente. Me sinto egoísta por me sentir assim, mas continuo feliz por ele.

- É o certo né - fungo. - É o que ele merece.

- Sinto muito, filha.

- Tudo bem.

Ela me abraça por longos minutos até resolver me levar de volta pro berçário, onde encontramos Lê ninando o neném.

- Ele capotou no meu colo.

- Que milagre, viu? Esse serzinho aqui é um dos que da mais trabalho pra dormir.

Minha mãe pega ele e coloca no berço. Fico encarando o neném igual uma idiota completamente abobadas.

- E vocês, crianças grandes, hora de ir pra casa - nos olha. - É uma longa viagem de volta e eu tenho que arrumar todo mundo pra dormir e hoje eles estão mais agitados que tudo.

- Posso só falar com o Issac antes de ir?

- S/n...

- Por favor, mãe. Preciso disso.

Ela fecha a cara, mas assente. Espero com Lennon no pátio quando ela vai buscar ele.

- O que achou?

- Eu tô completamente apaixonado. É errado querer levar todo mundo pra casa?

- Eu sei, também me sinto assim.

- Sério. Tudo isso é uma lado da realidade que a gente nunca para pra pensar, né?

- Sim...

Ouço os passos de alguém correndo atrás de mim e Issac vem acompanhado da minha mãe.

- Oi, tia - sorri. Me ajoelho pra ficar na altura dele e toco no seu cabelo cacheado e escuro.

- Oi, amor - meus olhos pinicaram. - A tia veio se despedir. Tô indo embora já.

- Mas já? - faz bico. Afirmo com a cabeça e ele me abraça. Fecho os olhos e aperto ele com força.

- Tô sabendo que você vai embora também - falo, forçando um sorriso pra ele, em meio as lágrimas.

- É... eu vou ter papai e mamãe agora.

- Sim, meu amor - passo a mão no rostinho dele.

- Por que tá chorando?

- Titia vai sentir tua falta, só isso - beijo a testa dele. - Vou ficar orando por você tá? Papai do céu vai te protejer sempre.

- Também vou sentir sua falta, Tia. - me abraça com força. - Mas eu queria que você fosse minha mamãe - sussurra no meu ouvido e eu tenho vontade de desabar. Mas me seguro.

- Agora vai com a tia Sheila, vai. Você tem que ficar com seus amigos.

- Tá bom. - se afasta. - Tchau, tio Leno.

- Tchau, pretinho - acena quando ele vai com a minha mãe.

Me levanto do chão e desabo assim que Lennon me abraça. Porra, por que a vida tem que ser tão injusta? É muito difícil perder algo que é seu, imagina uma criança. Ele parece tanto comigo no jeitinho, no olhar, nas manias.

- Não é justo, Lê - fungo com a cara colada no peito dele. O preto massageia meu cabelo e beija minha cabeça.

- Vai ficar tudo bem, linda. - me aperta. - Ele vai ser bem cuidado, vai ser amado. É difícil, mas tenta ficar bem por ele, tá? - segura meu rosto para me olhar.

Naquele momento eu soube que podia contar com ele pra tudo. E que mesmo não sendo oficial ainda, nosso lance era pra sempre.

[...]

- Tá confortável ai? - indago Lennon fazendo cafuné nele. Estávamos no camarim dele esperando o tempo pra ele se arrumar pro show.

Tem sido uma maratona desde o lançamento da música com o Veigh. Lennon não tem parado, viajado de cidade em cidade e ontem um dos voos atrasou e tivemos que pegar voo de madrugada, o que fez ele ficar acordado e agora tá mortinho deitado no meu colo.

- Muito - esfrega o rosto na minha barriga coberta pelo moletom dele. Continuo fazendo cafuné nele, tentando fazer ele relaxar.

- Tenta dormir um pouquinho, falta mais de uma hora e meia. Precisa ter energia pro show.

- Papo reto - murmura de olhos fechados.

- É, papo reto. - imito ele. Enquanto Lê dorme no meu colo aproveito para trabalhar em alguns projetos novos para o Studio novo. Esse que vai ficar em São Paulo e terá o objetivo também de ser um curso profissionalizante para jovens baixa renda que querer seguir no mundo da moda.

Mas tudo ainda está no papel e eu sequer cheguei a comentar profundamente com Lennon. E um dos motivos é esse vai e vem dele. Amo esses momentinhos só nosso fazendo nada, tenho me esforçado pra sempre ficar viajando com ele pois não consigo ficar distante. Um dia sem ele é como a pior das torturas.

Recebo uma mensagem do Léo, pedindo pra ir lá fora pois Adriano quer falar comigo. Estranho, já que ele não tem motivos pra falar comigo. Porém, devido o tom de urgência acabo optando por ir.

- Preto, preciso resolver um negócio - chamo ele, com dor no coração. Que aperta os olhos e consequentemente as mãos que envolvem minha cintura.

- Não, nega. Fica ai.

Murmura todo manhoso e eu sinto vontade de rir.

- É rapidinho - digo. - Volto num pulo.

- Se não voltar eu mesmo te busco - reclama levantando e me deixando ir. Saio do camarim e logo encontro Leozin na porta junto com Pescada, ambos com caras aflitas.

- Qual foi gente? Que cara são essas?

- O Adriano te fala - me puxa pelo corredor até chegar no homem.

- Manda o papo...

- Olha por ti mesmo - me entrega o celular dele diretamente no Twitter.

Lembra quando eu falei que odiava a internet? Pois bem, é um bom momento para lembrar.

Uma vez que nesse momento geral tá falando mal da parte do Lennon na música com o Veigh. Falando da estética do clipe, dos versos dele, porra... dele em geral. Sem a mínima necessidade.

- Versos repetitivos e sempre o mesmo flow - leio um deles. - Lennon se perdeu faz tempo, só entrega o que a indústria quer... - engulo em seco entregando o celular de volta pro assessor dele.

- Ele não pode ver.

- Ele não vai - afirmo. - Dá um jeito de resolver isso, tá? Tô falando sério. Ele tá bem, tá focado no álbum, nos shows. Nada disso ai vai atrapalhar ele.

- Beleza, fechou. Tú garante distrair ele enquanto nós resolve, não deixa ele tocar no celular.

- Beleza. Deixei ele dormindo lá e agora vou ficar com ele.

- Vou contigo.

Léo se oferece e me acompanha de volta ao camarim. Fico imaginando o que dá na cabeça da outra pessoa pra ela sair falando merda sobre outra internet. Não gostou na música? Não ouve. Não gostou do clipe? Não vê. Mas ao invés disso quer fica falando mal pra pagar de diferente. A música teve um bom hype, o clipe tá incrível e a história por trás é linda pra caralho. A letra é muito melhor do que muita coisa por ai.

Não me conformo com quem fala mal dele. Não tem o que falar de um ser humano tão incrível como ele. É até difícil encontrar algum defeito nele.

- O que tá rolando entre vocês? - Léo pergunta assim que chegamos na porta do camarim. - Nem tão sabendo fingir mais. - ele ri.

- A gente tá se curtindo - cruzo os braços me escorando na porta. - Nossas conversas fluem, as ideias batem e parece promissor. Seu amigo é bom de lábia.

- E você é boa de chá - brinca me fazendo rir. - Ele tá amarradão, tá ligado? Nunca vi ele assim por ninguém.

- Isso sim é uma boa informação, Leozin - toco no ombro dele. - Falando sério agora, também tô. Lennon tem um brilho inigualável, sabe? Foi inevitável não me apaixonar por ele.

Conversamos mais um pouco antes de eu decidir voltar mesmo. Pedi pra ele não deixar ninguém entrar e apesar do seu olhar desconfiado, ele concordou.

Assim que entro e fecho a porta vejo Lê em pé bocejando prestes a pegar no celular, que estava carregando na mesinha do canto da sala.

- Ei, ei - chamo sua atenção. - Nada de celular pra você. Tem que descansar agora.

Pego o celular dele e guardo no bolso da minha calça. Me deito no sofá e chamo ele.

- Vem, deita aqui - abro os braços.

Lennon vem sorrindo ser dar um piu. Deita em meu peito e eu sigo fazendo cafuné em seu cabelo. Nesse momento minha vontade é de guarda ele num pote e proteger de tudo que há de ruim nesse mundo.

- Tenho que te contar um negócio - murmura.

- Pode falar, meu bem - sussurro.

- Fui convidado pro Baile da Vogue - apoia o queixo no meu peito para me olhar. - Quero que vá comigo.

- Tô feliz por você, pretinho. Você mais que merece todo esse reconhecimento - aliso a testa dele. - Mas eu só sou sua Stylist, porque eu iria com você?

Ele me olha por uns instantes antes de levantar e deixar uma mão de cada lado do meu rosto.

- Você não é só minha stylist ou sei lá o quê - me encara com intensidade. - Você é minha mulher, entendeu?

Porra. Todos os meus cabelos se arrepiaram com sua declaração. A mulher dele e de mais ninguém. Que coisa foda.

- Entendi.

*

Algo em mim não estava 100% normal ultimamente. Período Fértil? Talvez. Ou poderia ser também o fato do meu ficante premium master estar mil vezes mais gostoso hoje.

Jogo meus cabelos para frente do biquíni quando mais uma vez o bico dos meus seios ficam enrijecidos. Bufo cruzandos as pernas vendo ele parar a altinha com os amigos dele pra vir até mim.

Antes tinha sido a porra de uma tentação ver ele com a roupa do surfe. O pau dele marcado naquela malha coloca mexer comigo por demais. E agora ele correndo até mim com essa bermuda que pende logo abaixo do seu 'V' não ajuda muito também. Suspiro mais uma vez.

- Os caras tão querendo almoçar aqui na praia mesmo, tá a fim?

- Hurum - balanço a cabeça. Lê senta ao meu lado me encarando. Engulo em seco.

- Você tá bem, linda?

- Tô, claro que tô - rio de nervoso.

Ele me olha antes de vir me beijar, mas eu me esquivo botando a mão no peito dele.

- Num me beija não, preto - sinto meu corpo todo se arrepiar e agora ele me olha estranho.

- Tá acontecendo alguma parada contigo - toca meu rosto e eu fecho as pernas com mais força abrindo a boca para puxar o ar. - Tô percebendo tú agitadinha desde cedo.

- É? - faço bico. - Tô me achando normal.

A cara nem treme pra mentir.

- Hurum, sei.

- Eu... - penso em uma mentira rapidamente. - Me ajuda a pegar um negócio no carro?

- Pegar o que?

- Um babado que eu esqueci lá, é rapidinho. Prometo - sou convincente pra fazer ele nem pensar duas vezes. Ele avisa os moleque e logo tá me acompanhando pelo calçadão até o carro dele.

Tava tudo meio deserto, se não fosse por alguns gringos. Escolhemos um ótimo horário em um ótimo dia. Hoje até que tava propício.

Me assusto quando ele destrava o carro e o mesmo faz barulho. Abro a porta de trás e olho pra ele.

- Entra - falo.

- Oxi, pra quê?

- Entra logo e eu te explico - Lê faz cara feia, mas faz o que eu digo e eu entro logo depois dele depois de olhar pros lados. Fecho a porta e trato logo de sentar no colo dele.

- Eita, caralho - segura minha cintura. - Que que foi hein, minha preta?

- Eu não sei - murmuro. - Porra, você tá gostoso hoje, né? - ele ri quando eu beijo os lábios dele.

- Bem que eu sabia - passa a mão nas minhas costas nuas.

- Preciso que você coma. Aqui e agora. - peço. - Por favor, pretinho, não tô me aguentando mais. Ver você assim... porra, acordei com isso hoje.

- Tesão?

- Só em você - beijo o queixo dele.

- Porra, linda, mais à luz do dia assim? - me encara. - Vamo fazer essa porra direito. Passa pra frente.

Faço como em mandou e logo ele se posiciona no banco do motorista e dá partida no carro. Sinto meu corpo queimado de expectativa e Lê me olha quando eu amarro o cabelo.

- Que fogo todo é esse?

- Não sei - passo a mão no pescoço suado. - Vamo logo, preto.

- Calma, eu sei de um lugar - diz, dando uma olhada pros lados e entrando nua rua deserta sem saída. Ele dirige até o fim da rua e vira num lugar cheio de mato até parar.

- Pronto?

- Hurum.

Pulamos para o banco de trás comigo já em seu colo atacando seus lábios carnudos com brutalidade. Logo ele desfaz o nó do meu biquíni e eu me vejo livre da peça. Logo depois estamos sem qualquer tipo de barreira.

- Sem preliminares, amor - falo quando ele passa a mão na minha buceta. - Só me fode.

Lê encaixa seu pau direitinho em mim. Me fazendo revirar os olhos ao sentar pra ele. A sensação é gostosa e eu seguro seus ombros pra intensificar o movimento de cima pra baixo.

- Caralho, linda - beija o vão dos meus peitos. Amo sua voz rouca e tensa assim,
por isso sorrio.

Seguro seu rosto começando a quicar olhando diretamente em seus olhos, vendo eles baixinhos e sua boca aberta quando faço meus movimentos de pompoarismo. Apertando seu pau entre as paredes da minha buceta.

- Eu vou gozar - sua voz sai com dificuldade. - Preta, porra...

- Me enche, Lennon - sussurro. - Faz a tua porra escorrer de dentro de mim.

- Filha da puta - ele raramente me xinga, mas se soubesse o quanto amo isso faria mais vezes.

Sinto as jatadas dele e isso é suficiente para me fazer gozar também. Gozo apertando seu rosto com as mãos enquanto beijo seus lábios.

- Era fetiche seu transar no carro? - pergunta ofegante abrindo um sorrisinho.

- Não - murmuro. - Meu fetiche é você, Lennon. Só você.

Lennon Pov's

Semanas depois

Levantei o rosto para ver S/n vindo na minha direção. Estático, olhei para ela sem reação. Ela é a mulher mais linda que eu já vi na vida, por dentro e por fora. Seu cabelo estando enrolado na medida certa, o vestido longo apertando perfeitamente todas as suas curvas e o sorriso mais brilhante do mundo.

Desde o dia em que vi ela pela primeira vez eu sabia que precisava dela mais do que o ar que respiro. Ela tirou tudo de mim naquela manhã para de tornar meu tudo, mesmo que não faça ideia disso. Não há palavras para descrever sua beleza por isso eu apenas a encaro como se ela fosse uma deusa da grécia antiga que nasceu apenas para ser reverenciada.

- Tá com essa cara de bobo por quê? - indaga, ao chegar mais perto de mim. Seu sorriso não brilha apenas por ser perfeitamente branco, mas pelo stras que o reverte.

- Colocou glitter no dente? - seguro seu queixo, meio impressionado. S/n ri negando com a cabeça.

- É piercing. Coloquei hoje a tarde. É mais bonito e charmoso que drill - brinca com a barba do meu queixo. - E é melhor pra beijar, sabe? - rela a pontinha do seu nariz no meu, sorrindo de lado ao se afastar.

- Só aceito com provas - sussurro colocando minha mão na sua nuca puxando-a para mim.

S/n sorri antes de colar os lábios nos meus. É sempre bom, como experimentar o paraíso. Lento e doce na mídia certa, deixando claro o quanto a gente se quer e o quanto precisamos um do outro. Sinto sua mão entrar por dentro da minha camisa e suas unhas arranharem meu abdômen.

Suspiro quando ela solta minha boca para beijar meu pescoço enquanto sua mão sobe até minhas costas.

- É incrível como as coisas entre nós esquenta rápido, né? - pergunto rindo e ela se afasta com os olhos cheios de desejo.

- Acho melhor a gente ir - diz ele. - Prometi que não me atrasar pro show hoje.

- Não sei porquê você sempre quer vir me buscar - entramos no carro. S/n continua me olhando com tédio quando me ajusto atrás do volante.

- Eu tenho que andar com a minha mulher do lado, pô - vejo sua marra de desmanchar no mesmo segundo.

- Porra, pretinho. Assim tú me quebra toda - me olhar por baixo dos cílios. Liguei o carro e deixei uma mão na sua coxa.

Pedi ela em namoro no nosso segundo encontro oficial. Foda-se as regras da gravadora, eu queria ela pra mim e corri atrás. Ela de demitiu, mas agora é minha contrata. Simplesmente minha namorada gostosa que decide o que eu vou vestir, um namoro bem normal.

- Tenho um negócio pra te falar - me olha serena. - Sabe o álbum novo?

- Hurum - ela faz carinho na minha nuca, ela é viciada nisso. - O que tem?

- Fiz algumas músicas pra você - falo. - Sobre nós.

Não sei decifrar exatamente o olhar dela. Vejo ela engolir em seco e recolher suas mãos e olhar pro colo.

- Certo - murmura e me olhar. - Não por causa do que eu falei não, né? Lennon era brincadeira.

Solta uma risadinha nervosa.

Sobre isso...

Uns dias atrás, depois de um momento nosso espetacular, acordei e vi ela nua na varanda do quarto dela no meu antigo apartamento.

O sol tava nascendo, a luz tava banhando o corpo dela e eu me vi perdido naquela imagem. Parecia miragem de tão irreal e lindo.

- Porra, nega - olhou pra trás, por cima do ombro, sorrindo. - Tú é minha perdição. Tú é uma obra de arte.

Me aproximo passando os braços pelo seu corpo quente sentindo ela se arrepiar.

- Isso não vale.

- O que?

Ela vira pra me olhar, passando os braços pelo meu pescoço, colando os seios no meu peito.

Cacete.

- Tá citando a música que fez pra sua ex pra mim? - ela ri. Fico meio desconcertado, pior né? Mancada minha. - Se quiser me elogiar faz uma música pra mim, pô.

Eu ri. Ela não fazia ideia que meu bloco de notas tava cheio de versos pra ela, só pra ela. Os mais puros versos que escrevi na vida. Fiquei em silêncio e só aproveitei o corpo dela contra o meu.

Olho pra ela rindo.

- Calma, claro que não - pego sua mão quando passo no sinal vermelho. - Eu já tinha música pra ti antes daquele dia. Na verdade, tenho desde que te conheci.

- Lennon... - seus olhos estão cheio d'água. - Eu nem sei o que dizer. Ninguém nunca fez nada parecido pra mim, na verdade eu nem achei que um dia teria isso. Que teria alguém como você.

- Como eu?

- É - sorri. - Lindo, gentil, carinho, companheiro e muitos outros adjetivos que eu nem consigo falar. Eu te amo e nem é por causa da música, mas por que você é. Pelo jeitinho que você me conquistou e me deixou toda boba por você. Eu tô louca, apaixonada, viciada e te amando por completo, homem.

Sorri de lado e puxei ela pra um beijo. Não ligando pro trânsito, nem pra porra nenhuma. Só queria sentir os lábios dela nos meus.

Porra, é a mulher que eu amo dizendo que me ama também. É doido, mágico, alucinante, tá ligado?

- E eu amo você - sussurro sem desgrudar totalmente nossos lábios. - Por tudo que você é. Te amo de um jeito que eu nunca vou conseguir por em palavras, minha vida.

No segundo que termino de falar ouvimos um buzinaço atrás de nós e começamos a rir. Um cara começa a xingar, mas nem dou bola. Coloco a música pra ela ouvir e dou partida no carro. As vezes olho de relance e vejo seu sorriso fofo, ela enxugando algumas lágrimas, e curtinho a batida. É tudo dela, tudo pra ela.

Percebi que amava essa mulher antes mesmo de saber o nome dela.

Nasceu pra ser toda minha e eu todo dela.

*

- Lê? - cutuco ele, que está em sono profundo. - Amor.

- Hum?

- Eu tô com fome - murmuro.

- Dorme que passa - responde. E é só isso que ele diz, antes de cair no sono novamente. Me remexo, olho pro teto e olho pra ele, minha boca cheia d'água e meu estômago roncando.

- Preto?

- Fala, S/n - levanta o rosto bravo. A cara fechada cheio de marra. Me sinto mal por chamar ele, mas tô quase enlouquecendo aqui.

- É sério, tô faminta.

- Tem comida lá em baixo, doida - me encara. Faço biquinho.

- Vamo comigo?

Ele só revira os olhos e faz o que eu peço, vindo comigo até a cozinha. Lê abre os armários e a geladeira e nada do que ele fala me agrada.

- O que que tú quer, mulher? - passa mão no rosto amassado.

- Não vai achar estranho? - nega. - E nem me julgar?

- Claro que não - diz.

Vou até o refrigerador e pego o sorvete de melancia que comprei num mercadinho coreano. Abro a parte de cima da geladeira pegando tomate cereja. Jogo eles dentro do pote de sorvete e misturo antes de colocar na boca e gemer em satisfação.

- Que porra é essa, S/n?

- Promete não surtar?

- Não, não prometo.

- Acho que tô grávida - olho ele, comendo mais um pouquinho de sorvete. - Tcharam...

- É sério?

- Nunca brincaria com isso.

Ele se aproxima de mim, colocando a mão na minha barriga e acariciando com o polegar.

- Ela tá maior - sussurra. - Como não percebi isso?

- Sei lá - dou de ombros. - Quer? - Ofereço o sorvete.

- Saí fora - faz careta. - Vamo fazer o exame amanhã, pode ser?

- Hurum - deixo o pote vazio de lado. - Você tá de boa?

- Muito - isso me fez sorrir. - Vai ter um filho meu, preta. Tô feliz pra caramba.

- Ai eu também tô - dou alguns pulinhos animada fazendo ele rir.

- Casa comigo, minha maluquinha?

- Ai, eu caso, pretinho - beijo ele. - Nosso bebê é o mais sortudo do mundo.

- E eu sou o homem mais sortudo do mundo.

e o que acharam desse capítulo? confesso que esse virou um dos meus favoritos 💚

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