CAPÍTULO 5
ABBY
A vida é um sopro realmente.
Quando você menos espera ela é tirada de você e resta a quem fica seguir em frente, sentindo a dor da saudade a cada dia.
Minha mãe deu seu suor e sangue para realizar seu sonho na medicina e quando finalmente alcançou seu objetivo foi assassinada por tentar exercer sua função. Houve um atentado no hospital, várias pessoas feridas e outras mortas, dentre elas minha mãe.
Eu me sento fria, meu corpo está trêmulo e eu me recuso a acreditar que isto esteja realmente acontecendo. Foi tão repentino, hoje pela manhã ela me abraçou e me deu um beijo terno ao se despedir de mim.
Toda manhã ela me dava uma carona para o trabalho e agora, de repente, se foi.
Um soluço sai de minha boca, as lágrimas saem sem permissão e me encolho como uma criança abandonada no banco do carro de Hayden. Sinto o carro parar e olho para a entrada do hospital não querendo sair do carro.
_ Obrigada pela carona._ abro a porta do carro sem olhar para ele.
Caminho pelo gramado de forma lenta, meu coração bate de forma acelerada e contenho o choro mesmo que doa. De repente sinto as mãos de Hayden em meu braço, mas ele não para de caminhar, apenas me guia para dentro.
_ Eu sei como é passar por isso, ficarei aqui com você.
O olho agradecida e minhas pernas bambeiam quando entro e vejo que o hospital está revirado, há pessoas feridas por todos os lados e vejo meu pai e minha irmã parados na recepção.
Assim que me vêem, ambos correm em minha direção e Hayden me solta para que possamos nos abraçar.
_ Era mesmo ela? Era a mamãe?_ pergunto e meu pai assente sem derramar uma lágrima sequer.
Ele parecia em choque e eu o entendia.
_ Mas por que?_ não consigo entender.
_ Ela salvou minha vida.
Olho para trás e uma garota, completamente ferida nós olha com vergonha. Seu corpo está cheio de curativos, o cabelo c sangue e me pergunto por que cometeram uma barbaridade dessas num hospital.
_ Ela desafiou os bandidos para me ajudar, e levou um tiro depois._ me apoio em meu pai sentindo minha visão ficar turva _ Eu só tô muito._ começa a chorar e eu a abraço.
Não foi culpa dela.
_ Não se culpe.
Ela chora em meu braços e não me permito mais derramar uma lágrima. Minha mãe não gostaria de ver que estou sendo fraca, porém não posso evitar a dor que sinto, não posso evitar pensar que nunca mais a verei dançar pela cozinha fazendo suas panquecas, ou cantando sua música favorita toda manhã
Eu não a verei novamente.
Após algumas horas naquele lugar eu já não me aguentava mais. Hayden havia ido embora a meu pedido e a única coisa que eu desejava era um bom uísque.
O corpo seria velado amanhã às 9 da manhã e cremado às 11. Meu pai queria levar suas cinzas para Paris, onde eles passaram a lua de mel e jogar suas cinzas no rio Sena. Era o local favorito de minha mãe e achei a ideia muito boa.
Entro no primeiro táxi que vejo e peço para que me leve até qualquer bar da cidade.
Não quero ficar sã esta noite.
HAYDEN
Não conseguia me concentrar na conversa a minha frente, a única coisa que conseguia me concentrar era em Abby, seus olhos que transmitiam paz a maior parte do tempo estava sem emoção, apenas um vazio intenso, o sorriso completamente inexistente.
Eu queria poder ajudar, queria saber o que dizer mas não consegui ajudá-la como ela fez comigo.
_ Hayden?_ minha irmã estala os dedos em frente ao meu rosto._ É por causa da sua secretária?
_ Estou preocupado.
_ Não sei por que, não é ela ali?_ aponta Fernando para o bar e fico surpreso ao notar que é ela mesma.
_ Fernando, foi a mãe dela._ minha irmã diz _ você se lembra o que fez quando seu pai morreu?
Fernando assente e suspira.
_ Não é uma boa idéia._ Christian diz com indiferença_ ela bebe agora, esquece por um tempo, mas amanhã quando acordar tudo retornará, ainda mil vezes pior.
_ A impeça de fazer isso Hayden._ minha irmã me empurra da cadeira.
Ela está certa. Caminho até Abby e quando ela me vê, seu olhar já está turvo e seu sorriso me diz que ela já está pra lá de bêbada.
_ Chefinho!
Ela levanta o copo de uísque e sorri de modo sensual.
_ O que está fazendo Abby?
_ Eu tô afogando minha dor, acho que não tá funcionando, mas pelo menos não estou sóbria hã.
_ Abby, isso não vai resolver.
_ E você acha que eu não sei gato._ sorri irônica _ foi o que acabei de falar.
Ela fica de pé, faz careta e logo em seguida começa a rir.
_ Ajudaria se você ficasse quieto._ ela apoia a mão no balcão _ Por que as pessoas boas morrem cedo? Sabe eu acho injusto que eu nunca tenha morrido, eu sim merecia.
A olho sem entender e seu sorriso agora é de escárnio.
_ Eu nem sempre fui a Abby boazinha, eu tive uma adolescência podre e uma parte de mim sente falta._ Vira mais uma dose _ Uma casal perfeito me adota e eu tiro noites de sono deles, eu deveria morrer, ela não!
A risada se transforma em choro e seguro sua mão para tirá-la dali, da mira de olhares curiosos. No estacionamento ela se solta de mim e tira os saltos, solta o cabelo me olha com os olhos mais intensos.
_ Você não respondeu minha pergunta.
_ Eu não saberia dizer Abby._ foi a única resposta que consegui pensar e elaborar naquele momento.
_ Obviamente não._ com saltos na mão ela começa a caminhar para dentro do bar novamente mas a impeço. _ Me solta!
_ Acho que já foi suficiente Abby.
_ Não me diga o que fazer fora do escritório!_ grita e reviro os olhos perdendo anos de prática de paciência.
_ Você vem comigo._ tento puxá-la mas ela resite _ Abby!
_ Eu preciso beber mais!
_ Você vem por bem ou por mal?
_ O que um cara como você vai fazer?_ ri irônica _ Você não passa de um cara que perdeu a esposa e resolveu se trancar e fingir que estava tudo bem!
Me irrito e a pego no colo.
Ela está passando dos limites.
__ Eu não sou como você, eu não finjo que estou bem para manter as aparências._ encosta a cabeça em meu peito sem resistir _ Eu a quero de volta Hayden.
_ Acha que não desejo minha esposa todos os dias? Que não quero acordar e sentir seu abraço?
_ Se você sente isso sabe disfarçar muito bem._ sinto minha camiseta ficar úmida e noto que ela está chorando novamente._ Pare de fingir ser quem não é.
_ Foi um dia longo Abby, vou levá-la para casa.
A coloco no banco do passageiro e quando estou acomodado para dirigir sigo em direção a casa dela. Não fica muito longe de onde estávamos e em menos de 15 minutos estaciono em frente a casa dela que passou o caminho inteiro em silêncio.
Abro a porta do carro para ela mas percebo que ela cambaleia para o lado, a pego no colo e perto da porta ela me entrega a chave.
_ Onde fica seu quarto?
_ Lá em cima, primeira porta._ resmunga sonolenta.
Subo com cuidado e no quarto a coloco na cama cheia de almofadas com estampa de bichinhos. O quarto está em tons de branco e azul claro, há pôster pelas paredes e janela tem a vista para o fundo, com um jardim pequeno e bem cuidado, uma mini fonte e um banco de madeira azul.
A cubro e quando vou sair sinto sua mão quente envolver a minha.
_ Não me deixa sozinha, por favor._ implora e assinto me deitando ao lado dela por cima da coberta para que não invada seu espaço.
Ela se aproxima e agarra meu braço, como se me dissesse para não ir embora quando ela dormisse e eu não iria.
Vou cuidar de você.
De repente a frase dela volta a minha mente e sorrio fracamente.
Você não gostaria de ficar perto do outro eu.
Como eu disse, ninguém é perfeito...
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