CAPÍTULO 3

Abby

Café sem açúcar e agenda do dia.

Coloco a xícara de café em sua mesa e analiso a agenda pronta em minhas mãos. 

Ele é um homem bem ocupado;três reuniões executivas, aprovação de modelos para o próximo desfile da Angel's, visita aos locais e um almoço com a irmã. 

_ Aposto que ele adora a parte de aprovar as modelos._ digo e me viro para sair da sala mas paro quando o vejo parado na porta da sala me encarando com um leve sorriso nos lábios.

Será que eu não canso de dar bola fora meu pai!?

_ Na verdade é a parte que eu menos gosto._ ele adentra a sala e lhe entrego a xícara de café.

_ Não precisa fingir, que homem não gostaria de admirar mulheres bonitas desfilando para ele?

Cala a boca Abby.

_ Bom, particularmente não me sinto á vontade com o jeito em que elas querem minha atenção _ se senta em sua cadeira _ O café está ótimo aliás.

_ Obrigada._ sorrio e abro a agenda _ sua primeira reunião começa às nove, com o Senhor Lincoln, em seguida uma vídeo conferência com uma modelo em potencial,e almoço com sua irmã.

_ Desmarque o almoço com minha irmã por favor,não poderei comparecer.

_ Sim senhor, algo mais?

Ele negou mas quando eu estava saindo ele me chamou.

_ Acabei de me lembrar, preciso de um documento, para os pagamentos, que está no andar de baixo com o o diretor de finanças, Christian Vasconcelos.

_ Daqui a pouco os trarei.

Saio da sala e ligo para o Andar de finanças para que deixem tudo pronto e sigo para o elevador.

Assim que saio sou recepcionada por duas mulheres, uma alta e com certeza modelo e a outra mais baixa com óculos e roupas largas demais para seu corpo.

_ Estávamos nos perguntando se ele contrataria você ou a loira azeda._ a mulher alta diz.

Seus olhos são mim tom castanho claro, o cabelo preto perfeitamente alinhado e com lábios carnudos e vermelhos.

_ Indiscreta como sempre não é Camila._ a outra arruma o óculos no rosto e sorri para mim._ Sou Clarisse, nos falamos agora há pouco.

_ Abby._ ela me entrega as duas pastas.

_ Mas eu avisei que a ruiva não tinha chance,ele nunca contrata ruivas.

A olho sem entender e Clarisse suspira revirando os olhos.

_ Clarisse, preciso do documento! _ um homem coloca a cabeça para fora da sala e sem se virar para ele Clarisse resmunga sobre homens preguiçosos.

Ela se vira e olho para o cara parado a olhando com um sorriso presunçoso.

Entro no elevador e Camila me segue. Seu olhar amistoso desaparece e reviro os olhos sabendo o que vem a seguir.

_ Espero que não crie expectativas com o Hayden como a última secretária dele._ ri com escárnio _ a coitada se apaixonou e foi demitida.

_ Estou aqui para trabalhar, nenhum interesse além desse o caminho tá livre para você.

Ela me olha e seu olhar muda de repente para algo divertido.

_ Ah não, eu e ele… desculpa eu não me interesso por homens, se é que me entende._ seu sorriso é amplo e sorrio aliviada por ter entendido errado _ Eu sou amiga da ex secretária dele e não suportei ver o quanto ela sofreu com a rejeição dele.

Não o posso culpar por não retribuir, mas espero que eu não esteja errada sobre a personalidade dele. Ao meu ver ele parece aqueles homens do século 19, sempre educado e gentil, sem contar na beleza dele que não passa despercebido nem mesmo por mim que não ligo muito para o físico das pessoas.

Não vou negar que ele é um homem e tanto com aqueles olhos azuis,cabelos pretos como carvão e aquela barba por fazer, sem contar no físico…

Seu chefe Abby.

_ Hoje em dia ela está casada e tem um lindo bebê._ Camila diz me tirando de meus devaneios erráticos.

_ Fico feliz por ela, mas no meu caso se trata apenas do emprego.

_ Você não é daqui né? Você tem um sotaque, e me pergunto de onde veio.

_ Brasil.

_ Ah, legal._ a porta do elevador se abre e Hayden está em minha mesa parado pacientemente me esperando. _ Boa sorte.

Saio e caminho até ele.

Eu não demorei tanto assim, foram apenas dez minutinhos.

_ Aconteceu alguma coisa?

_ Preciso que desmarque meus compromissos, esqueci que hoje não era só um almoço com minha irmã, é a escolha do bifê de casamento dela.

Ele passa a mão nos fios negros e parecia preocupado.

_ Tudo bem, mais alguma coisa?

_ Nada, nos vemos a tarde._ ele sai e fico com as pastas na mão sem saber o que fazer.

Entro em sua sala e coloco as pastas na mesa de forma que ele as veja quando chegar. Pego alguns papéis já assinado e os guardo novamente nas pastas, meus olhos param em um quadro na mesa onde há ele e uma mulher com vestido de noiva. Ela tem os cabelos mais ruivos que já vi em minha vida, os olhos cor de mel esbanjavam alegria mesmo pela foto, e Hayden também parecia muito feliz, os olhos mais vívidos de azul brilhavam em seu rosto.

Era emocionante ver aquilo.

_ Ele é casado, faz todo sentido ter rejeitado a antiga secretária, mas por que ele não contrataria ruivas se é casado com uma?

Desço seguir com minhas tarefas e sigo para almoçar.

O dia se arrasta e quando Hayden chega parece cansado. Ele se aproxima de minha mesa e me entrega um pacotinho com o nome de um restaurante regional.

_ São donuts de morango, pensei que poderia gostar.

_ Ah, obrigada._ é o que consigo dizer devido ao choque _ Sabe, você é diferente dos chefes que estou acostumada.

_ Como assim?

_ Os outros são um saco, machistas e nada gentis _ Abro o pacote _ Sua mulher tem muita sorte.

Seu sorriso desaparece de repente e seu olhar se torna frio.

_ É alguma brincadeira?

O olho sem entender.

_ Desculpe eu disse algo errado? Se eu disse por favor me desculpe eu…

_ Minha mulher está morta.

Abro a boca em choque e ele entra em sua sala.

Puta que pariu!

Como eu poderia saber disso? Ah minha nossa eu não acredito que fui tão insensível.

Eu deveria ter feito uma pesquisa antes de começar a trabalhar, mas não, eu simplesmente fui ao bar comemorar.

Estúpida!

Reúno o pouco de coragem que me resta e vou até sua sala, o vejo em pé perto da janela, ele segura o quadro que vi hoje e me sinto realmente uma idiota insensível. Ele se vira e me encara com olhos tristes.

_ Eu sinto muito, não sabia, de verdade eu…

_ Tudo bem, _ suspira _ Eu só não consigo falar sobre ela sem ficar…

Meus pés se movem sozinhos e por impulso o abraço quando vemos seus olhos transbordarem as lágrimas que ele segurava fortemente antes de eu entrar. Ele retribui o abraço, de forma apertada como se estivesse com medo de que eu o soltasse, e o deixo chorar.

A culpa pesa ainda mais em meus ombros, pois aquele homem tem feridas não cicatrizadas e que não parecem existir ao olhá-lo de primeira.

_ Vai ficar tudo bem. _ intensificou meu abraço segurando o choro.

Ele se afasta depois de alguns segundos e parece constrangido com o que acabou de ocorrer.

_ Sinto muito, não sei o que deu em mim! _ ele seca as lágrimas.

_ Tudo bem não estar bem, sabia? _ ele assente mas não me parece bem.

_ Pode me deixar sozinho? 

Penso em ficar, mas sei que já causei estragos demais para um único dia. Saio da sala e o resto do dia passa lentamente e minha consciência pesada não me deixa em paz.

Nunca em minha vida havia visto um homem chorar de forma tão pesarosa. O jeito como me segurava parecia que não era a mim que queria estar abraçando e sim…

Sua esposa.

Quando chego em casa só consigo pensar nele e em seu choro tão ferido.

O que houve realmente com você Hayden Blacker?

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