CAPÍTULO 14
Abby
Ao entrar em minha casa suspiro ao sentir o cheiro bom de café mas o clima estava tenso. Minha irmã havia ligado a poucas horas dizendo que precisávamos conversar urgentemente sobre nosso pai.
Naquele momento o clima mágico da Grécia havia acabado completamente..
Hayden não me perguntou e nem tocou no assunto durante a viagem e agradeci por isso, pois minha ansiedade poderia aumentar.
_ Cheguei._ largo as mala e recebo um abraço caloroso de minha irmã.
_ Como foi a viagem?
_ Sophia, por favor!
Ela suspira e me entrega uma xícara com café.
_ Ana e eu ligamos para o papai, e a voz dele me preocupou.
_ Você acha que ele está bebendo novamente?_ ela assente._ Marque nosso vôo para amanhã!
Me levanto irritada e frustrada.
Novamente ele cedeu as bebidas, talvez no fundo eu já soubesse que sem a mamãe ele apenas afundaria cada vez mais. Mas ainda sim algo nessa história não estava certo e apenas indo até lá eu iria saber o que realmente estava acontecendo com aquele cabeça oca do meu pai.
_ Nosso voo parte amanhã às cinco da manhã em ponto._ ela recolhe suas coisas _ estou indo para casa, combinei com a Ana de jantarmos juntas.
_ Tudo bem, aproveite bem a sua noite._ dou uma piscadela e ela cora.
_ Depois quero saber tudo que rolou nessa viagem.
Agora é minha vez de corar e ela ri fechando a porta. Inegavelmente aquele foi um sexo incrivel, porem minha cabeça retorna para a possibilidade de meu pai estar se perdendo novamente.
Anos atrás ele estava num nível extremo com bebidas alcoólicas , era horrível quando ele chegava do bar com aquele halito horrivel de pinga barata, cigarro e perfume de puta. Minha mãe sofria todo santo dia, até que ele viu que eu estava seguindo seus passos e resolveu nos afastar da pequena cidade onde vivíamos e nos levar para São Paulo, onde as coisas melhoraram a ponto de não precisarmos mais nos preocupar com o que iríamos comer.
Tomo um banho, arrumo minhas malas para voltar para São paulo e me deito na cama exausta e preocupada.
A noite foi um tremendo porre.
Hayden
A vizinhança de Abby é calma, e ao estacionar o carro em frente a casa dela para levá-la para o aeroporto sinto uma estranha tensão entre ela e sua irmã, Ana está com elas e carrega um pequena mochila com si. Abby entra na parte da frente e seu sorriso é vacilante, me inclino para um beijo suave e ela não recua como de costume.
Dirijo até o aeroporto e entrei direto para a pista, Abby me olha sem entender e mostro o jato com o nome da empresa para ela que assente parecendo não gostar da ideia.
_ Eu paguei a passagem, não preciso ir no seu jato._ ela parece irritada.
_ Estava pensando no seu conforto, imagino que já esteja tensa o suficiente.
_ Eu ja enfrentei coisa pior.
_ Vocês vão mesmo brigar agora, por favor tenham maturidade!
Sophia sai do carro e entra direto no jato sem nem olhar para trás, Abby tenta fazer o mesmo porém a seguro e posso sentir que ela está tensa, há algo muito maior por trás dessa viagem do que ela está falando para mim e para a propria irmã.
Isso me assusta.
_ Abby, me conta o que está acontecendo.
_ Não posso afirmar nada, mas estou com medo de não ser bebidas o problema _ Ela me olha com lágrimas nos olhos e a puxo para meu colo aninhando ela em meus braços _ Eu estou tentando não pensar nisso mas acho que esteja mexendo com gente da pesada.
_ Abby, nós não somos santos.
_ Você não está entendendo, estou falando de mexer com pessoas mais perigosas do que vocês.
Entendo do que ela está falando e suspiro. Não imaginava que o pai dela fosse deste tipo.
_ Eu vou com você._ digo mandando mensagem para que alguém da empresa venha buscar meu carro.
_ Mas…
_ Sem mas, não vou deixar você.
Ela sai do colo e a acompanho até o jato a abraçando e tentando a manter segura comigo. Abby se senta ao meu lado e em poucos minutos decolamos rumo ao Brasil.
Abby
Quando abro a porta da casa do meu pai já são mais de três da tarde no outro dia. Meu rosto demonstra todo o cansaço da viagem mas assim que vejo o estado deplorável que nossa casa se encontra e meu pai caído no chão ao lado de uma garrafa de uísque.
O cansaço se torna irritação e vou até a cozinha, pego um balde com água, coloco gelo e caminho de volta para onde ele está ainda inconsciente. Com toda satisfação do do mundo viro o balde e o vejo acordar assustado e gritando devido a água gelado.
_ Bom dia Papai!_ grito e ele se encolhe colocando a mão na cabeça.
_ Abby, o que estão fazendo aqui?
_ Depois de passar dias sem atender, depois que atende está falando coisa com coisa!_ Sophia grita _ O que tem na cabeça?
Ele suspira e levanta mas não nos encara, olha para qualquer lugar, inclusive para Hayden que está de braços cruzados encostado no batente com uma expressão vazia.
_ Eu fiquei sozinho, sem perspectiva nenhuma de continuar sem sua mãe, o que você espera de mim?_ seus olhos marejam e me sinto afundar _ Eu não tenho mais a mulher da minha vida, como posso viver?
_ Posso falar a sós com seu pai?_ Hayden se pronuncia pela primeira vez desde que desembarcamos.
Assinto pois sei que ninguém melhor que ele poderia entender a dor do meu pai e ajuda-lo.
_ Vou arrumar as coisas. _ minha irmã me acompanha para nosso antigo quarto que por incrivelmente continuava do mesmo jeito.
_ Ana e eu podemos dormir no hotel.
_ Não se incomodem, podem ficar com o quarto._ me sento cansada demais para sequer pensar em algo além de dormir. _ Vamos colocá-lo na clínica novamente, ou entao vai ser ladeira a baixo novamente.
_ Não precisamos ser tão radicais._ Sophia parece em desespero _ Você sabe que ele sofreu muito lá.
_ Por isso vou levá-lo para Seattle com a gente, aqui ele não vai ficar.
Após algumas horas meu pai havia tomado um banho, penteado o cabelo e feito a barba. Hayden e eles estavam numa conversa animada sobre negócios e eu estava aqui, sentada perto da janela observando a rua silenciosa.
Ana e minha irmã estavam deitadas no quarto dormindo e eu estava tão absorta em mim e no meu próprio cansaço que não notei quando meu pai foi dormir e Hayden ficou ali sentado no sofá, me observando.
_ Você parece infeliz._ comenta e sou um sorrio vazio.
Aqui nesse lugar, os sentimentos de amargura, brigas familiares estão tão presentes, meu passado me deixa infeliz e mesmo assim eu voltei para tudo aquilo e aqui percebo que foi um erro.
_ Foi um erro, estou batendo na mesma tecla em Seattle. _ abraço meus joelhos e me permito apenas chorar _ Estou tão cansada, eu carrego o fardo de tentar ser perfeita o tempo todo mas não consigo mais e eu não quero mais ser a sua sócia.
_ Do que está falando? _ Ele não se aproxima mas vejo em seu rosto que entende perfeitamente.
_ Eu não aguento mais, já chega.
Ele caminha até mim com passos largos e me levanta pelos braços. De repente ele me abraça e não consigo suportar.
Ele não diz nada, apenas me abraça. Sinto meu corpo mais leve e pouco tempo depois estamos deitados no sofá, abraçados e embora eu esteja cansada mentalmente, ainda me permito sentir o cheiro e o conforto que seus braços me trazem.
Eu consigo superar tudo isso.
Não ficou lá essas coisas então desculpem, vou tentar melhorar kkk
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