Capítulo 75
— Fique calma, isso não vai doer! Apenas relaxe, e até durma se quiser. Você ficará até o escurecer aí.
Estava deitada em algo que me trancou dentro de uma cápsula? Estava com vários fios conectados no meu corpo, e pelo jeito, ficaria ali um bom tempo.
Apenas podia ouvi-los. O apropriado a se fazer, como Lanyon disse, era ficar sem se movimentar muito ou dormir. Nunca havia feito um exame desses. Mas era melhor que os outros, por enquanto.
Se a função por aqui é dormir, por que estou acordada ainda? Fechei os olhos e pressionei os lábios por segundos.
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Abri os olhos devagar, e um local que se renderizou a minha frente. Estava com a mesma roupa que fui naquele hospital pela última vez. Já sabia o que aconteceria ali, e sabia que talvez, não poderia evitar. Mas eu ainda estava na recepção, e olhei para o relógio que marcava vinte minutos antes do acontecido. Estava consciente que era apenas um sonho e não traria eles de volta a vida, mas saber o que conversaram antes de morrerem, já seria um conforto, só de ouvir a voz deles novamente.
Não demorei, e subi as escadas e fui direto no quarto deles. Quando cheguei, estavam de mãos dadas e olhando para lugares aleatórios. Fiquei na porta os observando por um momento, e percebi que não podiam me ver ou ao menos ouvir. A enfermeira passou por mim, me atravessando e deixando um copo d'água na pequena mesinha ao lado da maca da minha mãe. Ela pegou o copo d'água e bebeu gole a gole até o fim. Secou o excesso que ficou em seus lábios com o braços e olhou para meu pai. Quase deixei a emoção me tomar, mas queria apreciar o momento vendo da melhor forma, sem lágrimas nos olhos atrapalhando.
Entrei e coloquei minha mão na cama da minha mãe. Deixei minha mão tomar o apoio para me confortar.
— Marido, será que nossa filha ficará feliz ao saber que vamos receber alta amanhã?
— Mas é claro! Ela é uma filha maravilhosa, sempre veio nos ver quando pôde.
Como sempre, ou na maioria das vezes... Pai tinha razão.
— Não vejo a hora de me jogar naquele sofá de nossa casa.
— E eu, estou doidinha para voltar a cozinhar umas delícias.
Minha mãe se sentou na cama e fez um sinal para meu pai se sentar também. Os dois, lado a lado. Com as mãos dadas, deram um beijo que à muito tempo eu não via. Um beijo doce, pude ver. Foi tão confortável vê-los nesse amor todo.
A enfermeira entrou no quarto e foi para trás da cortina, já que lá estava outro paciente. O mesmo que foi testemunha de tudo.
— Bom dia senhores Jokley's! Estão bem? Precisam de algo?
— Não. Muito obrigada, mocinha. - Minha mãe acenou com uma das mãos para a enfermeira que saía do quarto.
Um último beijo (literalmente) e meu pai voltou para sua cama. Assistiam a televisão no canal de notícias, concentrados.
Sentei na poltrona ao lado da mesinha ao lado da maca da minha mãe. Só aguardei a cena do crime acontecer, como se pudesse evitar.
Mas de repente, a porta que se encontrava aberta fechou. A chave rodou para trancar deixando quem estivesse lá fora, sem a chance de entrar. Foi então que fiquei atenta, me levantando com tudo. Olhei para meus pais e vi a confusão em seus olhos, despertando um medo após a figura de Sebastiãn surgir na reta da televisão.
Se sentaram na cama e começaram a apertar o botão que chamava algum enfermeiro. Assustados, se encolheram.
— Quem é você e o que quer de nós?
— Vocês tem algo que é do meu chefe. Ele não gosta de vocês.
— Dinheiro?
— Não... - Retirou a enorme faca de dentro do seu casaco.
Minha mãe apertou mais e mais vezes o botão, desesperada. E meu pai, estava prestes a reagir.
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