Capítulo 61
Esfreguei as mãos nos olhos, até ficar mais embaçado e eu sentir meus cílios ficarem colados um nos outros. Mas volta ao normal.
Olhei para o relógio e ainda estava no começo do dia, apenas seis horas e vinte sete minutos. Bateu aquela preguiça que raramente aparecia. Se não fosse ela, ficaria surpresa. Mas tinha o que fazer hoje, por isso me levantei. Quando coloquei os pés no chão e já se encontrava de pé, fiquei tonta e sentei na cama.
— Calma Jesus!
Fui para o banheiro e joguei água fria no rosto. Me encarei no espelho vendo aquela criatura, com olheiras leves e cabelo embaraçado. Sem pensar duas vezes, peguei o pente e dei um trato naquele cabelo cheio de nó. Escovei os dentes, tomei banho e coloquei uma roupa menos especial, para o caso de sujar ao tentar construir.
Com o roupão de banho, fui até meu guarda-roupa e peguei: uma regata branca, um short preto e um sapato cano alto. Estava bem assim. Me sentia preparada para construir uma coisa poderosa!
Primeiro fui no refeitório e peguei uma maçã, já que "não tinha" tempo para tomar um café completo. E logo após, fui até a sala do Joan. Lá, assim que entrei, Joan se virou pra mim e com os braços cruzados me encarou.
— Você esteve aqui ontem, né?
— É que eu preciso fazer o soco travessa. Desculpa ter invadido, mas foi preciso para ver como construir.
— Se quiser eu faço pra você.
— Mas eu que preciso...
— A sua digital depois de afundada na pólvora que vai valer. Tem muita coisa, muito ingrediente que parece surreal. Eu posso construir pra você!
— Sério?! OBRIGADA! - O abracei e saí da sala.
Poxa, queria tentar fazer algo. Mesmo sabendo que não ficaria do jeito correto, mas a sensação de tentativa seria ótima.
Fui para o refeitório. De eu estar vestida daquele jeito, me olharam. Entrei na fila para pegar o café da manhã, que por sinal parecia... Pouco? Quando chegou minha vez, e fiquei frente a funcionária que organizava a comida na bandeja, indaguei:
— Hoje temos apenas isso para comer no café da manhã?
— Sim. Hoje a cozinha será abastecida novamente, e não pude colocar muita coisa nas bandejas hoje. Então, perdão!
— A culpa não é sua! Mas agradeço de qualquer forma. - Peguei a bandeja que no caso tinha: um ovo com bacon, e suco de limão natural.
Sentei em uma mesa que estava cheia. Provavelmente, o lugar que eu sentei era o único disponível. Ninguém com quem eu tinha mais intimidade estava lá no refeitório, estranhei. Por isso comi no silêncio, só aproveitando o pouco do que estava na minha bandeja.
— Licença. - Me olhou de baixo a cima, parecia uma agente. — Esse lugar já está reservado para outra pessoa.
Ignorei e continuei comendo. E quando não queria ficar apenas olhando para o prato, olhava para o lado oposto da mulher.
— Ei, está surda, querida?
Ignora.
— Estou falando com você! - Pegou meu suco e propositalmente jogou na minha regata.
Levantei as mãos, abri a boca e olhei para minha regata molhada. Levantei e fiquei frente ao banco que estava sentada.
— Qual o teu problema?!
— Eu disse que esse lugar já estava reservado. Você me ignorou, chamei sua atenção.
Todos se levantaram e uma multidão, em forma de círculo se formou. Mas lá no meio estava eu e a outra agente. Eu não quero brigar.
— Olha, desculpa. Mas você viu que as mesas estavam lotadas, e se eu vi um lugar vazio, eu vou sentar! E aliás, por que não me avisou que aguardava alguém para sentar ali assim que cheguei perto?! - Balancei a cabeça para os lados e apertei os lábios. Me virei com as mãos sacudindo prestes a sair de lá.
— Se não tivesse me ignorado, nada disso teria acontecido.
Continuei andando sem dar a mínima.
— Você deve ser uma daquelas agentes que tem poderes inúteis, por isso nem missão direito faz.
Parei de andar e me virei. Acelerei os passos em direção a ela e fiquei rosto a rosto, quase trocando o mesmo ar que uma inalava. Olhei fixamente nos olhos e coloquei um dedo na sua barriga.
— Você sabe quem eu sou? - Perguntei dando passos pra trás.
— Deve ser uma qualquer.
Todos olharam com as mãos na boca, surpresos com uma resposta que não me ofendeu.
Estiquei meu braço com a marca do meu número de agente. Ela olhou sem se impressionar, como se pensasse que o número "0014" não era importante.
— EU - aumentei o tom de voz destacando a palavra. — Eu sou a agente 0014! E caso não conheça esse número por aqui, - estendi os braços — sou a agente Only!
Ela abriu a boca e esbugalhou os olhos.
— Mudou de ideia sobre a inútil?
— Meu Deus! - Chegou perto de mim, — você é a Only mesmo?! Me desculpe! - Me abraçou. — Desculpa mesmo!
— Eu te desculpo sim. Mas se isso se repetir comigo ou com qualquer outro funcionário e agente, a coisa vai ficar feia pro seu lado. - Saí da roda e fui para o banheiro.
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