Capítulo 29

— Como está? - Perguntou Ruan.

Nos sentamos no gramado por mais que nossas calças sujassem. O importante ali, e também a minha alegria, era: Mário estava lá!

— Bem e com saudades daqui; e vocês?

— Bem. - Respondi junto com Ruan.

Mário não aparecia aqui do nada, já que queria descansar em sua cidade natal. Provavelmente, foi avisado que eu iria viajar.

O telefone celular de Mário toca, atraindo meu olhar. Não vi quem o ligou, mas parecera ser uma mulher, jovem, aparentando ter entre vinte dois a vinte quatro anos. Ele não atendeu, mas enviou uma mensagem para a pessoa, que não demorou muito para respondê-lo.

Ficamos sem falar por alguns minutos, só esperando que Mário deixasse o celular e iniciasse um novo assunto.

— Desculpe, sei que não fiquei muito tempo com vocês, mas tenho que ir!

Nos levantamos e limpamos a sujeira da calça.

— Mas já?! Que pena. - O abraçou, Ruan.

— Até um dia, garoto. Até um dia minha menina! - Me abraçou.

Foi um abraço tão gostoso e tão doloroso ao mesmo tempo. Doloroso por eu sentir que seria o último abraço que receberia dele.

— Até um dia, segundo pai!

E ele saí do campo aberto indo até a saída.

— Vou arrumar algumas coisas... Quer que eu te leve até o aeroporto no meu carro? Seria bom conversar contigo a sós.

— Já conversamos muitas vezes a sós, mas aceito seu convite. Vou arrumar minhas pequenas e delicadas malas. - Coloquei a mão no rosto e olhei para o céu, tendo uma ideia. — Por que você não vai comigo para o outro país?

— Seria bom, mas...

— Você vem?! - Fiz uma cara de cachorro de cinco meses.

— Vou ver com o general.

Balancei a cabeça e fui para meu quarto. Tomara que ele vá! Sei que ele manja em outras línguas.

Sinceramente, eram poucas roupas. Aquele pouco que não ocuparia a segunda mala totalmente, ou precisasse pular em cima para fechar. Como não soubera se iria ficar muito tempo fora, levei roupa para uma única semana. UMA única semana.

Fiquei mais ou menos uns doze minutos arrumando. Quando terminei, me ajoelhei no chão e gritei bem alto:

— ALEL... MEUS JOELHOS DOEM! - Me levantei rapidamente e passei as mãos tirando a sujeira dos joelhos.

Me joguei na cama. Preciso dormir, será que dá tempo? Olhei para o relógio e vi que eram quatro horas, e vinte minutos. Não sabia quando saía meu voo, mas teria que ir para o aeroporto às cinco.

Não dava! Olhei para o teto e coloquei minhas mãos atrás da cabeça. O sono dominava, e aquela luta começava novamente. Mas não dessa vez, não podia me atrasar. Fui para o banheiro desembaraçar meus cabelos, esperando que pelo menos restasse alguns fios, e que também não quebrasse meu pescoço com tantos nós.

Fiquei alguns minutos desembaraçando, tacando creme e água, mas logo após secando. Mas o bom, é que FINALMENTE eu tinha terminado. Voltei para o quarto e peguei minhas malas. Antes de atravessar aquela porta, viajar e voltar só Deus sabe quando, olhei para um pequeno retrato com minha foto e meus pais, ainda na adolescência. Peguei e o beijei.

Abri a porta toda animada, entrar em um avião e voar! Apesar que eu já voava, não é mesmo? Quando a porta se abriu, me deparei com Ruan na porta com uma cara de que iria a um funeral.

— Suas malas, onde estão?

— Eu não vou. Tenho que ficar para orientar alguns agentes iniciantes, entre outros.

— Ah, que pena. - E aquele ânimo desapareceu.

— Mas vou te dar carona, já é alguma coisa! - Sorriu.

Fomos para o carro de Ruan. Não sabia de sua condição financeira, mas por dificuldades, provavelmente não passava. Seu carro era um Jeep branco, parecendo ser recente. Além de ele ter outro carro em seu apartamento.

Entramos no carro, ele deu a partida e checou os espelhos. Colocamos o sinto e pé na estrada. Ou melhor, motor na estrada.

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