CAPÍTULO 44: Espiando o futuro

Aproveitei cada segundo que este mundo poderia dar
Eu vi tantos lugares, as coisas que eu fiz
Sim, com cada osso quebrado
Eu juro que vivi
|I Lived - One Republic

DANIEL

     Não acredito que eu estava mesmo pisando na Universidade de Wisconsin. Não acredito que mesmo Sophia estando mal e passando por um momento ruim, ela me trouxe aqui. Não acredito.

─ Você só pode estar brincando...

─ Não estou.

─ Ainda não consigo acreditar... ─ balancei a cabeça.

─ Pois então acredite. Você está praticamente de frente com o seu futuro.

Nós descemos do carro e Sophia andou em direção ao grande prédio. Eu a segui, ainda com a boca aberta e meio hesitante.

─ Ei, Soph... não podemos entrar!

─ Por quê não?

─ Porque somos de menor, não estudamos aqui e acredito que nem marcamos horário de visita.

─ E daí! ─ ela riu, segurando meu braço ─ Vamos nos misturar, fingir que estudamos aqui.

Cocei a cabeça e a olhei com dúvida.

─ Só um pouquinho. Você tem a chance de espiar o futuro. ─ insistiu ─ Aqui, você é quem você quiser. Nós somos oque quisermos.

─ Tá legal, mas e se formos pegos? ─ cruzei os braços.

─ Aja normalmente e não vai ser.

OK. Essa não era a resposta que eu esperava.

Sophia adentrou o campus e eu a segui nervoso. Visitar a Universidade de Wisconsin era um sonho para mim, mas no momento, o medo de ser pego e ser expulso sem nem mesmo ter estudado uma primeira vez, parecia tomar conta de todo o meu corpo.

─ Qual o seu nome? ─ Sophia veio na minha direção e eu franzi a testa.

─ Quê?

─ Seu nome, cavalheiro. ─ respondeu ─ Você precisa de um nome falso. Aqui somos outras pessoas, lembra?

Balancei a cabeça e tentei pensar rápido em alguma opção de nome.

─ Paul. ─ respondi, ao encarar um cartaz grudado na parede dizendo que haveria um show do Paul Mccartney na cidade.

─ Legal. ─ ela sorriu ─ O meu é Jane.

─ Por que Jane?

─ Sei lá. ─ deu de ombros e soltou um sorriso genuíno ─ Combina com Paul.

Eu sorri e senti ela segurar a minha mão, me puxando para dentro.

─ Vamos ver como são os dormitórios.

Entramos em um grande corredor, com poucas pessoas mas cheios de portas. Os avisos dos locais da universidade ficavam pendurados em uma placa grande do teto, então não tivemos muita dificuldade em chegar na ala dos quartos.

Andamos devagar de mãos dadas, como se fizéssemos parte daquilo. Em breve, eu faria.

─ Esse está aberto ─ apontou para uma porta e eu a puxei de volta.

─ Cuidado, deve ter alguém aí.

─ Vamos ver.

Nos aproximamos do quarto e ele estava completamente vazio. Sorte, talvez.

─ É grande pra duas pessoas. ─ Sophia opinou ─ Se tiver sorte, você vai pegar um colega de quarto legal e não muito espaçoso.

─ Eu espero ─ murmurei, observando cada detalhe.

Tinham duas camas de solteiros uma de frente para a outra, uma cômoda pequena ao lado de cada uma e uma mesa escrivaninha ao lado com duas cadeiras giratórias. Do lado de Sophia, uma porta que deve levar até o banheiro.

─ Entraram no quarto errado?

Eu e Sophia viramos imediatamente para trás quando escutamos uma voz feminina diferente.

─ Sim. ─ respondi rápido.

A garota tinha pele escura e vestia um conjunto de saia longa e blusa verde escura. Seu cabelo era claro e mantinha uma tiara cheia de fios. Seu estilo era meio vintage e eu até arriscaria dizer meio hippie.

─ Eu e meu amigo Paul entramos no corredor errado. ─ Sophia disse sorrindo e apontou para a porta ─Já estamos saindo.

─ Massa ─ a garota respondeu e se virou na minha direção ─ O seu amigo Paul é solteiro? ─ olhou de Sophia para mim.

Sophia me olhou e não consegui identificar oque seus olhos me passavam. Não sabia oque responder. Com certeza eu sentia algo a mais por ela, e até já tínhamos nos beijado mais de uma vez, mas ao mesmo tempo, nunca tínhamos estabelecido nada.

─ Eu... ─ quase gaguejei. Oque eu falaria? ─ Eu sou gay.

Observei Sophia prender o riso e a menina desmanchar o sorriso.

─ Massa, sem preconceito ─ a garota respondeu, indo até sua cama e se jogando lá ─ Até mais.

─ Até.

Nós saímos de seu quarto e então, de fato, explodimos de tanto rir.

Em meio às gargalhadas, continuamos andando pelo grande corredor. Sophia parou e ficou encarando uma porta de madeira.

─ Você precisa entrar aqui.

Fui em sua direção e observando pela janelinha de vidro, era uma sala de teatro. Com uma grande quantidade de bancos vazios para a plateia, e um piano lindo no meio do palco.

Eu entrei animado e Sophia veio atrás. A sala estava vazia, oque era bom. Nos aproximamos do piano e eu sentei no banco, retirando a proteção das teclas e encarando Sophia com um sorriso.

Não precisei falar mais nada quando a música começou. Meus dedos se moviam teclando devagar, dando vida aos sons leves e logo depois, meus dedos dançavam mais rápido, deixando soar as melodias de acordo com a minha mente.

Eu não toquei nenhuma musica. Era simplesmente algo que tinha saído da minha cabeça. Ou do meu coração, talvez.

Olhei de relance para Sophia. Ela tentava acompanhar os meus dedos e a mim, ao mesmo tempo. Mantinha seu sorriso de sempre no rosto, que iluminava seus olhos castanhos e deixava suas bochechas rosadas e grandes.

É, agora não tenho mais dúvidas.

Isso é real. Eu estou aqui. E estou olhando para ela... e ela é tão linda!

─ Extraordinário.

Foi tudo que ela disse. E foi o suficiente para eu me aproximar e beijar seus lábios perfeitos com delicadeza.

─ Agora vou te mostrar outra coisa. ─ mudou de assunto, segurando minha mão e puxando na direção da saída.

Andamos sorrindo pelo corredor e quando abrimos a porta para a saída do corredor até o campus, observo ela parar bruscamente e engolir seco.

Me virei na direção en que observava e então, encarei o carro de polícia parado na frente do campus e o pai de Sophia apontando para nós com o dedo indicador.

─ É ele. ─ Sophia disse parada ao meu lado ─ Merda.

Notei que foi a primeira vez que ela falava um quase-xingamento. Soltei um riso. É, estávamos ferrados.

─ Merda mesmo.

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