CAPÍTULO 27: A primeira briga

SOPHIA

     EU VOU PENSAR, MAS NÃO prometo nada - era oque Daniel tinha me respondido quando eu o convidei para o baile da escola. E para falar a verdade, até que a resposta não foi tão ruim. 

E espero que ele tenha pensado bastante, porque eu já estava criando expectativas e pelo que eu li nos livros, isso não era nada bom.

─ O que você fez com o meu irmão? ─ é a primeira coisa que Melissa diz, assim que abre a porta da casa de Daniel para eu entrar.

─ O quê?

─ Ai sua boba, vem cá. ─ ela riu e me puxou pelo braço, para eu entrar na casa. ─ Escuta isso.

Me aproximei do corredor da sala e então consegui escutar uma melodia. Era som de... piano...? Abri a boca surpresa e olhei para a Mia.

─ O Daniel está tocando?

─ Ele mesmo. ─ sorriu, me puxando em direção ao som. Quando chegamos na porta da sala onde ficava o piano, eu consegui enxerga-lo.

Ele estava sentado de cabeça baixa, concentrado, nas teclas por onde seus dedos passeavam. Eu não reconheci oque ele estava tocando mas tenho certeza de que era cover de algum som. Ele amava música. E por pura coincidência, eu carregava na minha mochila uma música em um CD que eu tinha encontrado e que me lembrava ele.

Antes, eu estava focada em fazer uma playlist. Mas ainda não tive chance de parar para observar quais estilos de música ele gosta. E então, super aleatoriamente, encontrei essa musica no youtube. I See You. E assim que vi a tradução, imediatamente me lembrei de Daniel. E eu espero que ele goste.

Meus pensamentos são barrados pelo som agudo de alguma tecla que ele apertou. Quando volto a observá-lo, percebo que agora ele está me encarando. E droga, parece que acabou se distraindo por minha causa.

─ Eaí maninho... ─ Melissa sorriu para o irmão. ─ Eu ouvi dizer que a Sophia quer aprender a tocar piano.

  ─ O quê?! ─ me viro para a Mia. ─ Não, e-eu... não é verda...

─ Quem será que podia ensiná-la, hein?

Eu conseguia sentir as minhas bochechas queimando. Olhei para o chão. Estava morta de vergonha. Esse seria um bom momento para um buraco aparecer e eu cair dentro.

─ Cala a boca, Melissa. ─ Daniel exclamou e eu pude ir aos poucos me acalmando.

─ Ai, caramba, eu só estava brincando. ─ sua irmã suspirou ao meu lado. ─ Você não entende indiretas?

─ Entendo, mas quando vem de você eu prefiro ignora-las. ─ observei o garoto sorrir e logo se levantar do banco, vindo na minha direção. ─ Vamos subir?

Eu concordo com a cabeça e prendo a respiração quando ele passa por mim em direção ao seu quarto. Não sei porque fiz isso.

Eu o segui silenciosamente e quando ele fechou a porta do seu quarto, consegui me sentir mais à vontade.

─ Desculpa pela Mia, ela é bem irritante mesmo. ─ disse, enquanto eu sentava na cadeira de seu quarto.

─ Tudo bem. ─ sorri de lado. ─ Eu não sabia que tinha voltado a tocar.

─ Não faz muito tempo, na verdade.

─ Você toca bem. Muito bem mesmo.

─ Obrigado.

Encarei o chão na sua escrivaninha e novamente, observei as cartas que ele guardava do seu pai. E de novo, a curiosidade apertou o meu peito.

─ Posso te fazer uma pergunta?

─ Lá vem ela. ─ Daniel cruzou os braços e eu entortei os lábios. ─ Soph, você não precisa fazer uma pergunta para perguntar se pode fazer uma pergunta.

Nós dois nos olhamos e acabamos gargalhando juntos. Oque ele tinha dito pareceu um trava língua mas não era nisso que eu tinha reparado.

─ Foi a primeira vez que você me chamou de Soph. ─ a primeira vez que ele me chama pelo meu apelido.

─ Q-qual era a pergunta mesmo? ─ Daniel desviou o olhar e mudou de assunto. Eu contive um sorriso.

─ As cartas do seu pai. ─ apontei e automaticamente observei ele desmanchar o sorriso. Espero que não se chateie. ─ Você não tem curiosidade?

─ Eu já te disse. ─ respondeu, suspirando. ─ Não tenho porque ele não é o meu pai.

─ Daniel, desculpa, mas... ─ suspirei, torcendo para que ele não se ofenda com oque eu vou acabar de falar. ─ É que... mesmo você não o considerando, ele não deixa de ser o seu pai.

─ Ele não é o meu pai. ─ repetiu, ríspido. ─ Por que você está insistindo tanto nesse assunto? Você não tem pai, por acaso..?!

─ O meu pai... Ele mora longe. Eu não o vejo há seis anos.

De repente, um silêncio se instalou no local.

─ Ele te abandonou? ─ perguntou e eu balancei a cabeça. ─ E por que ele não te visita?

─ Por quê... ─ engoli seco. ─ Acho que ele não se dá bem com a minha mãe.

─ E daí? ─ disparou. ─ Você é filha, não tem nada haver com isso.

─ Olha, o meu pai não me abandonou. ─ repeti. ─ Eu estou juntando dinheiro para ir encontrá-lo. Ok? Ele não me abandonou.

─ Então é para isso que você está me dando aulas. Você quer o dinheiro para encontrar o seu pai. ─ Daniel sussurrou, me encarando de cima a baixo. ─ Olha, Sophia, não estou dizendo isso para te magoar mas...

─ O meu pai não me abandonou. ─ repeti. Só porque o dele tinha o abandonado não quer dizer que o meu também fez isso. Ele tinha que acreditar em mim.

─ ... se ele não te procurou há seis anos, é porque ele não quer te encontrar.

─ Para com isso, Daniel. ─ pedi, tapando os ouvidos e tentando não ficar nervosa. ─ Você não conhece o meu pai.

─ E nem você, pelo visto. ─ falou baixo mas eu acabei escutando, e senti meus olhos arderem.

─ Não é verdade. ─ respondi. ─ Meu pai me manda cartas.

─ E o meu também, você viu. ─ ele foi em direção à escrivaninha e pegou a caixa cheia de cartas. ─ Mas do quê adianta?

Eu olhei para ele.

─ Isso não é ser pai! ─ disparou. ─ Um pai deve estar presente para o filho...! Protegê-lo do perigo e não fugir. Essa é a única obrigação de um pai!

Daniel então começou a rasgar algumas cartas do pai dele.

─ Para com isso! ─ peguei os pedaços e caixa, colocando-a no lugar. ─ O meu pai não é assim, já te falei. Eu tenho certeza.

─ Sinto muito mas você não quer enxergar a verdade.

─ Por que você fica repetindo isso? Acha que por que tem essa prótese pode falar oque quiser para as pessoas? ─ disparei. Ele não podia simplesmente fazer essas coisas e magoar as pessoas.

─ Talvez eu seja um idiota com ou sem a prótese. ─ Daniel levantou, arqueando as sobrancelhas e cruzando os braços.

─ Ah, vai se ferrar. ─ disparei e então tapei a boca. ─ Quer saber? Eu não estou nem aí. Vai se ferrar você e a sua prótese!

Aproveitei que Daniel ficou sem reação e continuei extravagando a minha raiva. Eu estava cansada desse Daniel que me tratava mal.

─ E vai se ferrar com seus brownies idiotas, eu prefiro os da minha mãe, mesmo que sejam queimados. ─ disparei, nervosa. ─ Vai se ferrar. Você está desperdiçando a sua vida preso nessa casa.

Andei até sua cama e peguei minha mochila de volta, deixando alguma coisa cair para trás, que nem me dei o trabalho de olhar oque era. Talvez quando terminasse de fazer a minha saída dramática, eu estivesse totalmente despedida.

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ai como meus filhos
são intensos!!!! a quem
será que puxaram?? haha

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