7 • Adidas Shorts
Azul. Verde. Rosa. Amarelo. Vermelho. Mais azul. Muito mais verde. Bastante rosa. Um pouco de amarelo. Pontos vermelhos.
Essa é a primavera de Londres, eram as cores que se sobressaiam em todos os cantos em que eu batia meus olhos. O azul dos céus, os gramados esverdeados, assim como a água dos lagos, as inúmeras flores rosas, amarelas e vermelhas espalhadas pelos jardins daquele enorme parque onde eu me encontrava, mais uma vez, deitado.
Sempre achei engraçado o fato de que tudo na vida segue algum padrão, até mesmos nós, humanos, e revolucionários de uma geração seguem padrões que foram instalados sem que ninguém se desse conta. As estações do ano seguiam um padrão de temperatura, de cores e tonalidades. Os céus seguiam os padrões das estações.
Você deve estar se perguntando "mas como que revolucionários seguem padrões se eles são, a final de contas, revolucionários?". E eu respondo aqui, bem, o instinto de revolução segue um padrão desde sempre e que começa com o pensamento de "isso não está dando certo, precisamos de um novo modelo para que tudo se relacione melhor." E foi assim que grandes coisas acontecerem, simplesmente com uma única pessoa pensando diferente do que lhe era imposto, passando a ideia para um grupo maior de pessoas e então uma nova onda revolucionária começa.
Entendeu? Espero que sim, pois esse foi o melhor jeito que consegui achar para te explicar isso aí.
O sol brilhava mais uma vez, o que era um claro sinal do padrão "primavera", aquelas crianças demoníacas ligadas à pilha corriam para todos os lados, algumas gritavam algo para seus pais que apenas reviravam os olhos, alguns casais de idosos passeiam de braços atados, juntinhos. Como o amor é lindo. Tantos anos de casados e eu só imagino quais segredos abaladores aqueles dois devem ter guardado por todos esses anos, um do outro e até mesmo de suas próprias famílias. Oh, eu amaria ouvir uma dessas histórias arrasadoras.
Meus olhos estavam fechados, meus fones de ouvidos enfiados até onde dava para entrarem. Eu estava completamente afogado naquela minha linha de pensamento quando uma sombra cobriu meu rosto. Ah, Niall, até no fundo do inferno esse cara vai me achar? Não sei se isso é amizade verdadeira ou ele tem algum prazer sexual em me irritar.
- Ah, vai se foder cara. - Reclamei ainda de olhos fechados, Niall sabia lidar com minha grosseria. A sombra não se moveu, ele só pode tá brincando com a minha cara.
Tentei ignorar a presença daquela pessoa até que ela desistisse e fosse embora, mas parece que isso não ia acontecer tão cedo então abro meus olhos, e oh, eu não poderia ter feito escolha melhor em minha vida.
Louis Tomlinson estava parado ao meu lado, completamente suado, pingando suor, sua camisa azul marinho estava mais escura no meio, uma enorme marca de suor ali, seu peito subia e descia rapidamente enquanto ele bebia água da sua garrafinha laranja, mas seus olhos estavam fixos em mim. Como ele conseguia fazer isso? Digo, ser tão sexy fazendo algo tão simples. Seus fones de ouvido estavam jogado sobre seus ombros estreitos.
Eu mandei Louis Tomlinson se foder. Como que isso foi acontecer justamente comigo? Eu comi merda no café da manhã por acaso? Fiquei vermelho instantaneamente, tremi um pouco até. Como eu era burro. Por que eu não abri os olhos antes de abrir a boca? Que merda, essas coisas só acontecem comigo.
- Desculpa, cara. Eu achei que fosse o Niall. - Me apoiei sobre meus cotovelos, continuando deitado.
- Ah, de boa. Depois daquele seu surto por causa de Sense8 eu não me surpreendo com muito mais vindo de você. - Ele riu enquanto se agachava para sentar ao meu lado, com as pernas cruzadas. Jogou sua garrafinha ao seu lado enquanto seguravas seus joelhos em seus cotovelos, suas mãos atadas.
Eu o olhava descaradamente e ele não faria nada para me impedir. O suor escorria por seu rosto arredondado e caia no gramado entre suas pernas, seu peito continuava ofegante, mas ele parecia estar acostumado com a queimação do exercício. Era isso que lhe custava por ser parte do time de futebol da escola. Suas maçãs da bochecha completamente vermelhas, mas por um motivo muito menos humilhante que o meu. Como deveria ser bom ser Louis Tomlinson. Só que que fiquei com calor aqui ou...
- O que você tá fazendo aqui sozinho? - Perguntou, sua voz vinda do nada e me arrastando de meus pensamentos que começavam a tomar outro rumo.
- Pensando. - Respondi entre um suspiro. Aquelas clavículas seriam o motivo da minha morte, eu já conseguia sentir o ataque cardíaco surgindo. - Eu gosto de ficar aqui às vezes, é bom pra abrir a mente. - Me deitei de costas novamente, apoiando a cabeça sobre minhas mãos. - Quando não tenho muito o que fazer eu venho aqui, deito no meio do gramado e só fico pensando.
- Posso saber no que?
- Você iria ficar tão confuso quanto eu. - Rimos. - São as coisas mais aleatórias possíveis.
- Eu gosto de coisas aleatórias. Elas são divertidas.
- Verdade. - Me virei para ele. - Mas e você, o que tava fazendo aqui? Você parece que caiu numa poça.
- Correndo um pouco, mantendo o corpo ativo. - Ativo, hum? Bom saber.
Aquela era a primeira vez em que eu conversava com Louis sem que a vontade de me jogar da ponte me atingisse, eu não estava gaguejando, meu corpo não ficava dando aqueles chiliques de ficar corando a cada palavra, meu coração estava calmo, mas acho que era uma forma que meu corpo achou de não morrer aos dezesseis anos na frente do cara por quem sou apaixonado e faz meu pipi ficar durinho. Já era humilhante o suficiente ficar como um pimentão na frente dele e travar, imagina se eu travasse por ter morrido. Um enorme boner killer.
Tudo que passava na minha mente agora eram as piadinhas de Gemma e Niall, mas tudo que corria por meus olhos era o peitoral de Louis subindo e descendo como se ele tivesse parado de correr exatamente agora. Que imagem maravilhosa para uma sexta à tarde, não é mesmo?
Ficamos calados por alguns minutos, não era um silencio ruim ou constrangedor, mas é que eu só queria conversar mais com ele, prolongar aquele momento o quanto mais eu pudesse.
- Então, você tem assistido mais alguma serie esses dias? - Ele puxou assunto. Obrigado meu senhor! Mais um pouco e eu começava uma reza para agradecer ao ser todo poderoso (qualquer um) por ter nos tirado daquela quietude maldita.
- Você já ouviu falar de Penny Dreadful? - Perguntei simples e o vi negar com a cabeça. - Ah, eu comecei a assistir ela já tem um tempo, tô na metade da segunda temporada, e é simplesmente maravilhosa. - Comentei e ele parecia interessado.
- Mas o que tem de tão bom assim nela?
- Se você gosta de umas coisas que envolvem umas coisas meio macabras e tal, você vai adorar. É uma releitura de vários contos de terror clássicos, tipo Dr. Frankestein e Dorian Grey. É insano, cara. - Falei animado, eu adorava aquela série e fazer dela mais algo do que eu teria em comum com Louis ia ser maravilhoso.
- Eu adoro esse tipo de série. Mas tipo, eu não curto muito assistir sozinho, sabe? - Assenti. - Eu fiz Eleanor assistir comigo Freak Show inteira, por causa dos fantasmas, e bem, do palhaço. - Rimos. - A gente poderia assistir junto? - Eu ouvi direito? Alguém me bate, acho que não tô bem. Acho que eu morri mesmo. Fodeu. Como será que mamãe deve ter ficado com a noticia?
- É-é claro, cara. Só combinar que a gente assiste junto, de boa. - Eu tentei soar o mais normal possível. Consegui? Espero que sim, pois eu não ouvi nada do que falei, nos últimos segundos.
- Ótimo, então eu vou colocar na minha lista de séries pra assistir e a gente vai se falando, certo? - Eu apenas assenti, estava catatônico demais para qualquer outra função. - Ah, só um minutinho. - Seu celular começou a tocar e ele o atendeu depois de ver quem chamava na tela. - Oi mãe... Certo, já chego aí... Não, eu tava correndo, já chego... Beijo, te amo também. - Ele revirou os olhos rindo com algo que ouviu ao telefone. - Tá certo, dona Johanna, eu já to indo. Tchau. - E desligou.
- Você já tem que ir?
- É... - Ele parecia decepcionado. - Eu queria mesmo ficar aqui e conversar mais sobre séries e tudo mais, mas tão precisando de mim em casa, coisa de família. Sabe como é. - Sim, até demais. - Então eu vou lá. - Levantou e pegou sua garrafa, se preparando para voltar a correr. - A gente se vê qualquer dia desses, ou na escola. Falou. - Me mandou uma daquelas malditas piscadelas que eu já conhecia tão bem, mas que me afetavam como se fosse a primeira vez. Eu tenho certeza de que ele sabe que eu o quero e fica fazendo essas coisas só para me tentar ao pecado.
Me joguei novamente no gramado, completamente aberto. Minhas pernas jogadas para os lados, assim como meus braços, eu parecia uma estrela do mar gigante jogada no meio de um parque.
Louis Tomlinson vai ser o motivo de minha morte, assim como suas clavículas maravilhosas e sorriso meigo. Eu acho que não poderia morrer de modo melhor que não por seus encantos. Oh, eu tô tão fodido nessa vida que não conseguia conter minhas emoções presas, então simplesmente comecei a rir sozinho como se tivesse acabado de ouvir a piada mais engraçada do mundo, mas de certo modo havia um piada, e ela era eu e minha vida fodidamente cômica, para não dizer trágica.
Eu tô fodido.
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