4 • Shut Da F*ck Up
A vontade de bufar irritado era grande, mas a de jogar um lápis na cara do professor era maior, porém como qualquer uma das duas opções poderiam me fazer levar uma detenção (sim, ele era chato desse jeito, não só entediante, tinha que ser o anticristo também) eu focava nos meus rabiscos em meu caderno de história, em vinte minutos de aula eu já tinha metade de uma página recheada de carrinhos estranhos, luas, meias luas, nuvens, flores, sorrisos, emojis e tudo que eu consegui pensar para rabiscar enquanto o Império Bizantino era descrito bem na minha frente e muito possivelmente tudo aquilo cairia nas provas do semestre, mas notas são apenas uma construção social e acadêmica para agradar nossos pais, certo? Então foda-se.
Eu não deveria estar com tanto medo do professor, certo? Bem, analisando o estado em que Nicholas está ao meu lado, eu não deveria ligar muito. O cara tá dormindo ao meu lado, acho que "dormindo" é um eufemismo, ele deve ter entrado em coma com a cara enfiada no caderno, acho que deve ter até mesmo babado um pouco. Eca. Puxei meus cadernos para longe dele com nojo.
Olhei para o relógio. Vai, só mais um pouquinho, você consegue. O sino toca.
- Estão todos liberados. Menos o você, senhor Grimshaw. Detenção hoje depois da aula, meia hora. - Nick revirou os olhos e enxugou o rosto, bufando. - Okay, o senhor quer uma hora então? Ótimo, quem sabe ponha os deveres de casa em dia, certo?
- Porra. - Nick murmurou, indo em direção ao professor para pegar o papel de detenção.
Juntei minhas coisas, rindo anasalado e indo embora com a turma. Fui até meu armário, destranquei o cadeado e fiquei o encarando fechado por um momento. Alguém me tira logo daqui ou eu explodo.
Abri o armário e joguei os livros da minha mochila dentro dele, procurando pelos livros da próxima aula. Cadê essas merdas? Eu vou me atrasar pra aula.
- Oi! - Ouvi a voz aguda ao meu lado, mas ela não estava sozinha.
- Olá! - Abracei Eleanor, que estava acompanhada de sua melhor amiga.
- Essa é a Gigi, você já sabe, mas nunca foram apresentados, então cá estou eu. - Ela sorriu animada. - Gi, esse é o Harry do jornal, que eu passei o fim de semana na casa dele. - Apontou para mim.
- Hey, Harry. - Ela falou lentamente, mas animada. Me puxou em um abraço meio estranho, mas acolhedor em seus braços largos. - Ainda bem que te conheci, não aguentava mais ouvir a Els falando de você quando eu não tinha um rosto para ligar as histórias que ela contava. - Nós três rimos juntos.
- Então, olha. - Eleanor começou. - Hoje depois da aula a gente vai sair, vamos numa lanchonete que tem aqui perto da escola. Assim que o ultimo sino tocar a gente se encontra lá na entrada.
Enquanto eu a ouvia explicando como seria Nick e Niall chegaram ao nosso lado, os cumprimentei com um toque de mãos, mas ainda dando minha total atenção às garotas.
- E aí, ladies. - Nick se apoiou no meu ombro, puxou os óculos até a ponta do nariz e deu uma piscadela para Eleanor. Quem via até pensava que ele gostava. Eleanor riu divertida.
- Oi, Grimmy. - Gigi cumprimentou.
- Parece que sou mais popular do que achei, hum? - Ele brincou.
- E tem como não saber quem você é? - Eleanor perguntou irônica e Nick deu de ombros. - Enfim Hazz, você pode levar eles se quiser. - Niall, que estava mexendo distraidamente em seu celular ergueu o olhar.
- Ir pra onde? - Perguntou completamente perdido.
- Pra lanchonete aqui perto. - Eleanor respondeu.
- Ah, fechou. - E voltou a mexer em seu celular. - Hum, calma. Quem mais vai? - Agora aquele sorrisinho surgia em seu rosto e todo o sangue do meu corpo deu o ar da graça em minhas bochechas. Maldito.
- Hum, a gente. - Apontou para si mesma e para Gigi. - O Harry, vocês dois se quiserem ir também, o Louis e o Zayn mais uma galera do time de futebol e as meninas da equipe de líderes. Só. - Deu de ombros divertida.
- Ah, bom saber. - Ele me encarava, falando com Eleanor sem olhá-la. O sorriso diabólico marcava seu rosto e Nick ria baixinho encarando o chão. - Louis vai né? Ele é um cara legal, gosto dele.
- Sim, vamos todos. - Respondeu doce. - Ah Harry, Gemma vai também. - Isso era um complô contra mim? Um golpe de estado talvez.
- Certo. - O sino para a próxima aula tocou. - A gente se vê nos portões. - Salvo, literalmente, pelo sino. - Tchau, ridícula. - Dei um beijo em sua bochecha, enfiei meus cadernos na bolsa e corri para a próxima aula.
Ai meu deus, agora eu tinha que aturar a zombaria de Niall e Nick, socorro. Mais uma vez me pergunto, será que a London Bridge é muito longe daqui?
A aula passou como um sopro, não sei se foi por eu ter passado a aula todo escrevendo e montando artigos em meu caderno de anotações do jornal ou se foi por um milagre mesmo, eu não sei, mas agradeço ao que quer que seja por aquela aula infernal ter acabado logo.
Corri novamente para fora da sala e como se tivesse sido tudo planejado pelo destino, eu esbarrei com aquelas duas antas de olhos azuis que chamo de melhores amigos. Os dois me olhavam com a piada estampada em seus rostos. Eles me zoavam, eu zoava eles. Era uma amizade equilibrada, mas eles pareciam ter mais criatividade para criar aquelas piadas ridículas.
- Ora ora, se não é o mais novo infiltrado do colégio. - Nick colocou um braço ao redor de meus ombros e Niall ao redor de minha cintura.
- É o que? Do que você tá falando, criatura? - Perguntei agoniado.
- De você, ué. - Niall disse. - Se infiltrando na rodinha do Tomlinson. I got my eyes on you, Styles. Não ache que vai me escapar. - Ele riu e eu revirei os olhos.
- Vocês são ridículos. - Ri nervoso, minhas bochechas ficando vermelha. - Eu não virei amigo da Eleanor pra ficar perto do Louis. - Se acalma garoto! Nem pra mentir você serve! Bem, não era exatamente uma mentira, eu gostava mesmo de ser amigo da Eleanor, ela era maravilhosa.
- Então pra quê tá vermelho? - Merda.
- Eu não tô vermelho. Sai daqui, Horan. - O empurrei para longe e ele riu. - Você também, Grimshaw. Me deixa quieto, caralho. - Eu estava irritado, mas não com raiva. Eu ria enquanto os afastava.
- Olha que lindo que ele ficar todo vermelhinho. - Nick gargalhava e Niall me olhava sorrindo divertido.
- Eu odeio vocês, muitão. Tipo, pra caralho. - Eu sorria enquanto falava.
- Sei.
- Some daqui, Horan! - Gritei enquanto ria. - Ai como eu te odeio. - Bufei, rindo e revirando os olhos.
Era hora do almoço e eu não comia a comida da cantina, eu trazia o meu em um potinho para a escola e comia no salão do jornal da escola, que era pra onde eu me encaminhava agora.
Eu era parte do jornal da escola desde que cheguei no ensino médio, foi o trabalho extracurricular obrigatório que escolhi de má vontade, mas agora aquele jornal tinha se tornado minha vida e eu vivia para atualizar aquele blog.
Abri meu notebook, inseri minha senha e esperei ele inicializar. Eu fazia aquilo todo dia e passava naquela sala a maior parte do tempo que eu pudesse. Escrever artigos e desenvolver textos era meu passa tempo favorito. Eu ficava tanto tempo naquele lugar que quando eu sumia aqui era o primeiro lugar em que vinham me procurar e em noventa e nove por cento das vezes era aqui que eu estava, menos no dia que eu fugi da escola pra ir tomar sorvete no parque por não aguentar o calor infernal que tava fazendo na primavera do ano passado.
Já disse que não suporto a primavera, certo? Certo. Não suporto a primavera, vale sempre relembrar.
Eu, como responsável pelo blog, cuidava do e-mail do jornal, que era onde recebíamos textos de outros alunos para serem publicados, a maioria era anônimo, alguns textos eram ótimos e engraçados, outros eram muito dark e alguns eram só aqueles alunos desocupados que ficavam mandando fotos constrangedoras de seus colegas na esperança de humilhá-los, mas mal sabem eles que eu não publicaria nada daquilo, eu tenho amor à vida e nada a ver com a rixa alheia, além de que cyberbullying é crime e eu não quero fazer parte disso, nem ser preso. Admito que minhas motivações para fazer o bem são completamente egoístas, pois estou presando por minha própria bunda, não pela integridade alheia.
Ué, não me julgue. Eu sei que você faz igual, se não fizer pior.
Enfim, eu estava corrigindo um texto que tinha vindo através do e-mail que carregava uma bela e construtiva crítica ao uso do óleo de cozinha utilizado na cantina da escola, perguntando se ele era bem reaproveitado e quais as medidas tomadas pela administração da escola para aquilo, ainda tinham várias sugestões ecologicamente corretas para o uso o óleo usado. Eu estava perplexo, nunca na minha vida que eu imaginaria que tanta coisa dava pra ser feita com óleo de batata frita.
Me foquei tanto naquele texto e em mais alguns outros que sequer me dei conta do tempo passando enquanto eu comia e corrigia, só me dei conta do mundo ao meu redor quando uma cutucada em meu ombro me arrastou para fora daquele mundinho no qual me enfiei.
- Que foi? - Perguntei quando me virei e vi quem era.
- Nossa, boa tarde pro senhor também. - Cara puxou uma cadeira e sentou ao meu lado. - O que você tá fazendo?
- Colhendo cenoura. - Ri e ela revirou os olhos, sorrindo para mim.
- Você é grosso assim mesmo ou fez curso?
- Curso intensivo de convivência com Niall Horan e Gemma Styles. Tá bom pra você? - A olhei e ela riu.
- Não não, pode ficar pra você. - Ela se apoiou na mesa ao lado do notebook. - Mas sério, o que você ta fazendo ai?
- Só revisando uns textos. Você sabia que dá pra fazer sabão com óleo de fritar batata frita?
- Você não sabia? - Me olhou com uma sobrancelha erguida.
- Não? - falei como se fosse óbvio.
- Pois é, eu também não. - Deu de ombros e nós dois rimos.
- Você é idiota assim mesmo ou fez curso?
- Curso intensivo de convivência com Harry Styles. - Sorriu cínica e eu abri minha boca em choque.
- Que ridícula! - Gargalhamos e eu empurrei seu rosto para o lado. - Se retira, por favor.
- Eu ouvi que você tava amiguinho da Calder. É verdade? - Ela me olhou com uma sobrancelha erguida. As notícias estão se espalhando como vírus por essa escola ou só eu que estou lento demais?
- Você ouviu por aí ou a anta do Niall andou abrindo aquele bocão dele? - Ela deu de ombros. - Eu vou matar aquele loiro. Acho que a água oxigenada que ele usou semana passada fez ele perder a noção do perigo.
- A perigosa você, né?
- Eu mesma. As sim, a gente tá amigo, ela ficou esse fim de semana lá em casa, foi legal.
- Tá, mas ela sabe que você quer dar pro namorado dela?
- Sei lá, acho que não. - Respondi fingindo normalidade, mas minha cara vermelha me entregava.
- Hum. - Me olhou de lado. - Tá, agora me explica esse texto aí que eu te ajudo.
E assim a gente mudou de assunto e começamos a trabalhar nos artigos juntos, ela também fazia parte do jornal, então foi de grande serventia.
Mas em certo ponto tudo o que rondava minha mente era em como aquela tarde, junto com todo mundo, ia terminar.
[sedenta pela interação larry]
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