35 • Out And Proud

[eu jurooooo que em 2020, depois de quase 4 anos, eu vou terminar i got a girl crush e vocês vão finalmente ver o desfecho dessa historia louca que eu criei na minha cabeça.]

Uma vez um homem sábio disse "toda vez que alguém se posiciona e diz quem é, o mundo se torna um lugar melhor e mais interessante." Bem, não foi exatamente um homem sábio, mas sim um personagem sábio. Capitão Holt, obrigado por tudo.

Aos dezesseis anos não é esperado de nós que saibamos quem somos e qual lugar nós queremos ocupar no mundo, mas eu, aos dezesseis anos sei quem sou e sei que minha voz vai ser ouvida. Eu, Harry Styles, sou um cara bissexual que beijou a ex-namorada do cara com quem eu to ficando. É, as coisas foram bem estranhas, o caminho muito conturbado, mas cá estou.

Ter o apoio e compreensão de não apenas meus amigos, mas também de minha família é a única coisa que eu poderia querer em toda minha vida. Quando tinha quatorze e me assumi gay aos meus pais eu não sabia exatamente o que estava fazendo ou o que esperar, eu só sabia que olhava demais para os meninos do time de futebol da escola. Me assumir foi algo tão natural que sequer percebi o que estava fazendo, quando as palavras "eu gosto do líder do time de futebol da escola" saíram de meus lábios eu não tinha a mínima noção do que aquilo queria dizer ou do impacto que aquilo poderia ter. Eu nem sabia que era "gay" eu só sabia que estava a fim de um cara e não sabia que tinham tantos títulos pra cada tipo de atração que se sente.

Então, anos mais tarde, eu senti atração por uma garota. Não o mesmo tipo de atração que sinto por Louis ou o mesmo fogo que sinto ao ver alguém como Chris Evans ou Harrison Ford em Arca Perdida, mas ainda assim uma atração. Foi quando descobri que sexualidade não é uma coisa fixa como uma arvore, mas fluida como um rio, entende onde quero chegar? Ser um ser sexuado não é uma matemática exata e ainda bem que é assim, pois não deveria ser mesmo.

E hoje, hoje é dia de ir para o meio da rua e mostrar meu orgulho em ser quem sou. Hojé é dia da Parada do Orgulho de Londres.

A minha casa nunca viu tanta movimentação e tantas pessoas em dias além do natal e ano novo quando mamãe e Robin fazem uma ceia enorme e chamam familiares que nem sequer sabem que nasci.

Pelas partas abertas do banheiro eu via Gemma e Gigi no outro quarto, as duas em frente ao espelho terminando de se maquiar, os uniformes de cheerleaders nas cores da bandeira do orgulho, seus pompons jogados sobre a cama enquanto Gemm fazia o perfeito delineado gatinho em Gigi. Com sapatos de enfermeira, as duas estavam prontas para passar o dia inteiro pulando e fazendo acrobacias pela avenida.

Já em meu quarto Niall rodopiava em frente ao espelho, com uma peruca de cor pastel cintilante, ele parecia uma Kyle Jenner da loja de um e noventa e nove, mas ainda assim muito lindo. Nick estava jogado na minha cama, vestido com uma roupa super colada, tentando puxar as botas de cano super extra longo com três metros de cadarço e salto plataforma que comprou com o dinheiro do lanche que guardou durante o ano todo para esse única performance. Admito que ver Nick virado como uma tartaruga, puxando aquela bota e gemendo em desespero é bom demais, mas meu dever como amigo é ajudar ele sair daquela situação. Bem, mas só depois de aproveitar um pouco a situação e rir por dez minutos.

Niall continuava dançando em frente ao espelho, dublando uma musica lenta como se fosse um participante de Drag Race.

Lá em baixo, na cozinha, Liam e Louis ajudavam minha mãe com os lanches que faríamos antes de sair.

Gemma tinha pintado pequenas bandeiras do orgulho bissexual nas bochechas de Louis com tinta de pintura facial tipo aquelas de festa infantil e em Liam Gigi tinha feito uma mega maquiagem profissional como se ele fosse dali para um casamento ou sei lá o que. Além dessas pinturas eles não vestiam nada de especial, Louis estava de bermuda e regata e Liam, pelo menos, colocou um tipo de suspensório de couro ou algo assim.

Eu nem sei pra qual lado o Liam corta, mas eu sei que ele tá lindo e que eu pagaria muito dinheiro para ver ele daquele jeito mais vezes.

Hoje mamãe vai com a gente, ela diz que é para manter um olho na gente e garantir que nada vá dar errado ou o que quer que seja, mas na verdade eu sei que ela só quer sair pro meio da multidão e cantar todas as musicas pop que ela sabe de cor, mas finge nunca ter ouvido.

Ontem Louis e Gemma foram a uma loja de utilidades e compraram umas garrafinhas parecidas com frasqueiras pra a gente conseguir levar bebida e fingir que mamãe não vai perceber as garrafas de vodka com menos da metade do que tava quando ela comprou semana retrasada. Escondemos a frasqueira na mochila de Gigi, debaixo de um pano que ela tinha arranjado em casa só pra isso.

A porta do meu quarto foi jogada contra a parede e um Louis muito animado entrou, uma bandeja cheia de sanduíches em mãos e atrás de si estava Liam, com uma bandeja de copos e uma jarra de suco junto com uma expressão de desespero.

- Socorro, alguém tira isso de mim logo, eu vou espirrar! - Ele falou nervoso, logo corri para tirar a jarra dele e Niall para pegar o resto da bandeja. Foi uma questão de milésimos de segundos entre nós tirarmos a bandeja de suas mãos e Liam espirrando tantas vezes seguidas quanto eu achava ser humanamente possível.

Gemm e Gigi chegaram logo em seguida, olhando para a Situação em que Nick ainda se encontrava (agora com o outro pé) e apontando para ele, com interrogações em seus rostos. Dei de ombro e só falei para deixarem para lá. As duas deram de ombros e foram pegar um sanduíche.

- Acho que o Liam acabou de bater algum recorde mundial ou alguma coisa do tipo. - Louis comentou, encostado em meu guarda-roupas e mordendo uma fatia do pão.

- Tá, eu só quero saber se borrou a maquiagem. - Gigi comentou, totalmente indiferente. - Mostra. - Liam virou o rosto para ela. - Hum, tirou um pouco, mas eu resolvo isso. - Mordeu o pão mais uma vez. - Vem cá. - Jogou o sanduíche no colo de Gemma, que a olhou escandalizada, e foi para o quarto do lado com Liam em seu encalço.

- Você tá lindo demais. - Ouvi atrás de mim e virei para ele, Louis me olhando de lado com um sorrisinho torto enquanto derramava vodka na jarra de suco e misturava como se só estivesse adicionando açúcar.

Eu não canso de ouvir Louis dirigindo a voz a mim.

- Você também não tá nada mal. - Dei-lhe uma piscadela e ele riu baixinho. Fui até ele e o abracei pelos ombros, apoiando meu queixo sobre seu ombro.

- Essa roupa fica ótima em você. Bem aqueles vídeos de malhação dos anos setenta. - Colocou sua mão em minha cintura e me beijou rapidamente.

A roupa que eu tinha escolhido era totalmente baseada em Love Connie e em suas roupas de exercício com polainas quase que na altura dos joelhos e roupas de malha coladas no corpo. Me sentia uma blogueira fitness fazendo um tributo aos anos setenta, com uma legging por baixo de um mini short mais um cropped branco e uma faixa na cabeça.

- Consegui! - Nick gritou ao terminar de dar o laço em sua bota que chegava em seus joelhos.

- Gente, tá na hora de ir! - Mamãe gritou do andar de baixo.

Com o nervosismo e a pressa todo mundo pegou um copo de vidro, serviu o suco batizado e virou tudo em menos de três minutos e Gemma ainda deu uma lavada no banheiro pra o cheiro do álcool não ficar.

Descemos as escadas correndo,Niall veio com Gemma nas costas, que dava tapinhas em sua bunda como se estivesse montada em um cavalo e fazia com a boca barulhos de chicote. Niall mal se agüentava de tanto rir e minha irmã parecia uma criança.

Mamãe já nos esperava na porta, apenas esperando que todos passassem para poder fechar a casa.

- Gente, calma! - Ouvimos uma voz esganiçada vinda da escada e nos viramos para ver Nick sentado nos degraus, descendo cada um deles com todos os cálculos matemáticos e físicos possíveis para não cair de cara no chão. - Não tá fácil aqui. - Suspirou cançado.

- Nick. - Tentei falar algo motivacional, mas não consegui, a risada de Louis me interrompeu, seguida da de Niall e então estávamos todos rindo.

Mesmo morrendo de gargalhar, tentei ir até meu amigo, tentar lhe dar apoio para ficar de pé, mas nem eu tinha mais forças. Toda vez que tentava o puxar terminava caindo sobre ele, ambos totalmente sem forças.

O céu está azul hoje como em nenhum outro dia do ano, as ruas completamente coloridas com bandeirolas penduradas de um canto ao outro. Mesmo que estivesse claro e o sol não fosse baixar por, pelo menos, mais doze horas, luzes e mais luzes neon piscavam nas paredes dos prédios do centro. Era um tipo de natal gay, sabe? A coisa mais linda do mundo com as cores mais lindas do mundo.

Gemm e Gigi já estavam no meio da avenida, dançando e fazendo coreografias antigas que aprenderam como líderes de torcida na escola enquanto Liam filmava tudo como uma mãe orgulhosa e dava instruções de câmera como se fosse um produtor, as filmando de vários ângulos e em várias posições. Será que eles vão lançar um clipe e eu não fui informado? Quero um pedaço da fama também.

- Ei. - Louis entrelaçou sua mão à minha e me puxou por ela, me tomando pela cintura e juntando nossos peitorais. - Você tá muito lindo, tipo, você já é lindo, mas hoje é quase como um ato criminoso.

- Eu odeio quando você fala essas coisas. - Sorri para ele.

- Sério? - Me olhou confuso.

- Sim, odeio que você me deixa sem saber o que falar e eu odeio não conseguir pensar rápido o suficiente pra te dar uma resposta adequada ou um elogio que consiga demonstrar o quão lindo você é.

Ele sorriu grandioso para mim, as marcas ao lado de seus olhos tão evidentes quanto em qualquer outro momento. Mal tive tempo de processar sua reação quando ele me beijou, me apertando pela cintura, marcando seus dedos em mim. O abracei pelo pescoço, o mantendo o mais perto de mim possível enquanto retribuía seu beijo com toda a emoção guardada dentro de mim.

- Vocês vão dançar ou vão passar o dia todo nesse agarrado? - Olhei assustado para a pessoa ao meu lado.

- Mãe?

- O quê, garoto? - Olhou sorridente para mim, segurando o riso, enquanto eu ainda o olhava em choque e Louis ria com o rosto escondido em meu pescoço. - Vai, anda. - Nos empurrou e começamos a andar com o resto da multidão. - Vocês ficam muito lindos juntos, mas eu to aqui pra curtir a parada.

Duas horas mais tarde, depois de dançar todas as musicas possíveis e entrar em pequenos choques ao ver Liam beijando pessoas aleatórias durante o curso da parada, paramos em um foodtruck para comprar água e regenerar um pouco.

Eu estava deitado no gramado sobre uma bandeira LGBTQ+ que tinha comprado. N2 (decidi que é mais fácil chamar eles assim, já que esses pestes não se largam) estão cada um no colo de uma das meninas, Nick não aguenta mais quase cair a cada três paços, Gemm está com Niall em seu colo, fazendo carinho em seus cabelos. Gigi e Nick estão conversando sobre alguma coisa enquanto ele tá com os pés jogados, os balançando ansiosamente para tentar fazer mais sangue circular por seus dedões.

Liam tinha sumido há uns vinte minutos e só agora ele volta, com o rosto todo borrado, um cílio postiço pendurado na bochecha e muitos tons de batom em suas bochechas. Ele chega ao meu lado e se senta.

- Perdi alguma coisa? - Se apóia sobre seus cotovelos no gravado, suas pernas sobre as minhas.

- Só a dignidade e um cílio postiço, fora isso não perdeu grandes coisas.

- Besta. - Riu e empurrou minha perna com seu pé, rindo.

- Eu nem sabia que tu beijava, cara. - Ri.

- É a vida. Eu to exausto. - Deitou de vez, com a cabeça sobre seus braços cruzados. Apenas ri e voltei a olhar para o céu.

Acompanhado de minha mãe, Louis voltou com uma bolsa cheia de garrafas d'água gelada e distribuiu para todos nós. Ao terminar de entregar as garrafas ele veio até onde eu estava deitado e sentou atrás de mim, me levantando para ficar encostado em seu tronco, suas pernas ao meu redor. Era como se eu agora tivesse meu próprio trono de Louis Tomlinson.

- Vocês tão falando de quê?

- Sobre como Liam nem cara de quem beija tem e hoje trocou DNA com pelo menos seis nações diferentes.

- Pelo menos eu vou lá e beijo e não fico quatro anos enrolando rezando pra dar em alguma coisa. - Piscou para mim, gargalhando de minha expressão de choque. Joguei suas pernas para fora das minhas, o olhando embirrado, mas não conseguia não rir.

- Eu to muito querendo fingir que não entendi. - Louis ri baixinho em meu ombro e eu lhe dou uma cotovelada de leve. - Ouch!

- Até você? Eu não acredito nisso.

- O que tá acontecendo aí? - Gemma gritou de longe.

- A gente tá zoando seu irmão por achar que ele consegue ser discreto. - Louis respondeu, ainda rindo, e deu mais um beijo em meu ombro.

- Eu odeio vocês demais.

- Odeia nada.

- Calma que eu to chegando! - Niall ficou de quatro no gramado e veio engatinhando até nós. - Pode continuar. - Mostrei-lhe meu dedo médio. - Tenho anos de material acumulado.

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