29 • Take A Look On The Other Side •
[desculpa a demora]
Há certos pontos em nossas vidas onde conseguimos acompanhar o passo a passo da virada de universo. É como se em um segundo nossos corpos fossem arrancados e jogados em outra dimensão sem que nós percebêssemos.
Em ressumo, a teoria do multiverso diz que há vários outros universos iguais ao em que vivemos agora, mas com pequenas diferenças que faz com que nenhum mundo seja igual ao outro.
Foi como ser arrancado da minha realidade. Aquele momento. Aquelas palavras foram tudo que me foi preciso para ser puxado de mim, na verdade acho que aconteceu quando cruzei a porta do consultório, o que veio a seguir foi só mais umas das falas daquele universo. Não poderia ser verdade.
Há sete meses que estou preso aqui, desde o dia em que nós soubemos dos resultados dos exames de mamãe.
Câncer. Leucemia, para ser mais exato.
Viver com a doença é tão complicado para o paciente quanto é para seus familiares. Todos nós passamos por uma fase de negação, eu, por exemplo, apaguei ao ouvir o laudo médico, o doutor falava e eu não via nada além de manchas coloridas em formatos abstratos do que deveriam ser pessoas se movimentando pela sala enquanto eu hiperventilava.
Hoje, quase oito meses depois e mais sessões que quimioterapia do que eu possa contar, minha vida é completamente outra nessa nova dimensão.
Porém eu tenho ancoras que me prendem a minha velha vida, não sei se eles vieram comigo são apenas ilusões, mas meus amigos são o que me matem presos a ao que era antes do mundo rodar para o lado contrário.
Eram seis da manhã e eu estava encarregado de arrumar minhas irmãs para a chegada do ônibus que as levaria até o acampamento de férias de verão onde passariam as próximas seis semanas. Todas as quatro embarcariam daqui a duas horas e as malas já tomavam o corredor da entrada principal da casa.
A campainha tocou e corri para atender, jogando a toalha de Phoebe sobre meu ombro, desci as escadas em direção ao toque, abrindo a porta para me deparar com os dentes brancos e olhos verdes de Harry.
Sim, se você não notou ainda, esse capítulo é meu. Prazer.
Me pergunto o que passou em sua mente quando me viu. Sei que na minha apenas o desejo de abraçá-lo e ficar trocando carinhos pelo resto de nossos dias surgiram.
- Bom dia. - Ele disse sorridente, dando um passo para dentro de minha casa, se aproximando de mim, dava para ver a hesitação em seu rosto, pensando se tinha ou não a liberdade de me dar um beijo de bom dia, então eu tive de ser o primeiro a me aproximar, assim como da primeira vez.
Seus olhos fechados e suas bochechas coradas, assim como seus lábios avermelhados como morangos.
- Bom dia. - Me afastei depois de deixar um beijo em sua bochecha.
- Lou? Quem é na porta? - Mamãe surge no corredor, usando um robe por cima de seu pijama e uma echarpe para cobrir sua cabeça raspada. - Oh, Harry. Que ótimo te ver aqui, meu amor. Venha, entre e venha tomar café conosco. - Ela se aproximou e o tomou pelo braço. O puxando consigo até o balcão da cozinha. A ouvi perguntando-o se ele prefere chá ou café pela manhã, mas não consegui ouvir sua resposta, pois eu já tinha andado até o quarto das gêmeas, pronto para arrancá-las da cama e as jogas debaixo do chuveiro.
Como filho mais velho, a maior parte das responsabilidades tinha caído sobre mim. Eu não reclamava e também não jogaria nada sobre minhas irmãs. Charlote mal tinha completado dezesseis anos e eu não a obrigaria a passar por isso.
Quando abro o quarto das meninas é como se eu de fato estivesse em outro mundo. As duas já estavam de pé, prendendo seus cabelos me belos rabos de cavalo e prontas para entrar no banho.
- Toma aqui tua toalha, não deixa mais ela largada pela sala. Se o sofá mofar eu digo pra mamãe que foi você.
- Não! - Phoebe gritou comigo e me assustei.
- Socorro, vou sair antes que você me morda.
As duas saíram do quarto, entrando no de mamãe e indo para a suíte. Ótimo, elas tomam banho juntas já vai ser metade do trabalho.
No quarto de Lottie e Fizzy as duas se ajudavam com seus penteados, já vestidas, mas descalças.
- Eu adoro como vocês têm que ser carregadas pra escola, mas quando é pra ir pra baixaria vocês acordam de madrugada.
- Lou, amor. Os pássaros estão cantando, o sol raiando e você tá enchendo meu saco.
- Eu só não espero que vocês percam o ônibus porque senão eu vou ser obrigado a te aturar por mais seis semanas da minha vida.
- Eu sei que você me ama
- E eu sei que vocês vão sofrer sem mim quando eu for ser lindo e fabuloso em Cambridge.
- A parte da saudade pode até ser verdade, mas... A parte do lindo e fabuloso? Acho que você deveria parar de se iludir desse tanto. - Guardou o gloss labial em sua bolsa e me deu um olhar divertido e veio andando até mim com os braços abertos, seguida por Fizzy.
- A gente te ama. - Fizzy disse com o rosto apertado contra meu peito.
Eu juro que mais dez segundos de abraço e eu caia no chão seco desidratado.
- Ai, sai de mim satanás. Cedo demais pra tá chorando. Dá ruga.
Elas se afastaram e riram, me empurrando levemente pelo ombro.
- Vocês podem cuidas das gêmeas agora? O Harry ta lá na cozinha e eu tenho medo de deixar ele muito tempo só com a mamãe. - Elas riram e concordaram.
Corri escadas abaixo, entrando como um foguete na cozinha e abraçando mamãe, que me deu um beijo na testa.
Os dois tinham pratos com ovos mexidos com torradas e uma xícara do que parecia ser chá preto.
Sentei na cadeira ao lado de mamãe e coloquei um baço sobre seus ombros, me apoiando nela e encostando minha cabeça na sua.
- As meninas já tão prontas? - Ele perguntou depois de dar outro gole em seu chá.
- Lottie e Fizzy vão terminar de arrumar as gêmeas, então agora é o tempo que eu tenho antes delas descerem.
Mamãe começou a dizer o que tinha mais para comer no café da manhã, mas eu estava distraído demais com a beleza que Harry emanava, a delicadeza com que segurava a caneca quente para aquecer os dedos da manhã fria.
Seus olhos verdes iluminavam a cozinha e eu me perdia neles.
- Okay, vou deixar vocês ai se encarando como um cervo olhando faróis. Se vira pra comer, vou deitar. - mamãe levantou, abaixado sua caneca e dando um beijo em minha têmpora antes de subir as escadas.
Harry ficava mais vermelho com o passar do tempo e com o quanto mais eu o encarava, perdido em sua beleza, que ele tentava esconder atrás de seu chá.
Uma hora depois, quando faltavam trinta minutos para sairmos, eu e ele estávamos deitados no sofá, ele com a cabeça em meu ombro, dentro de meu braço enquanto eu fazia carinho em seu ombro.
As meninas tomavam seus cafés enquanto Harry estava a segundos de apagar em meus braços. Ele tinha cordado mais cedo hoje para vir aqui e me ajudar com as malas da viagem até a estação.
Do ponto de vista que eu tinha agora eu não conseguia ver seu rosto enquanto o sono o pegava, mas eu tenho certeza de que ele deveria estar com um biquinho em seu lábios e lágrimas secando nos cantos dos seus olhos de tanto que tinha bocejado, mesmo tendo tomado um copo cheio de cafeína.
- Você foi dormir tarde assistindo série de novo? - Ele apenas fez que sim com a cabeça e se aconchegou ainda mais em meu corpo. - Sherlock? - Ele fez que não. - pretty Little Liars? - Ele balançou a cabeça positivamente e eu ri. - Você só vai dormir direito quando descobrir quem é A? - Ele murmurou positivamente. - Você é muito viciado. Tá em qual temporada?
- Terceira. - Ele disse baixinho, limpando as lágrimas quase secas de seus olhos.
Ficamos deitados lá, com ele cochilando e eu o acariciando, até que Fizzy veio me chamar e dizer que já estavam prontas.
Mamãe desceu mais uma vez, abraçou e beijou a testa de todas, e se despediram.
Cada uma tinha uma mochila cheia nas costas mais uma mala grande para cada, era como se estivessem de mudança.
Eu e Harry cada um levávamos a mala de uma das gêmeas, que saltitavam ansiosas à poucos metros de nós.
As meninas estavam distraídas demais e Harry avoado demais, mas quando no meio do caminho juntei minha mão a sua e entrelacei nossos dedos que ele tomou consciência do mundo ao seu redor e de que eu estava ali, ao seu lado.
Ele sorriu pelo resto do caminho e eu não estava muito diferente.
No ponto do ônibus, enquanto o motorista terminava de colocar as bagagens na mala de um dos enormes ônibus e minhas irmãs esperavam em fila por sua vez de entrarem, Harry continuava com seus dedos entrelaçados aos meus.
Quinze minutos mais tarde, quando víamos o ultimo ônibus virar a esquina e entrar na avenida principal ele me puxou, deixando nossos corpos frente a frente em meio à varias mães e pais que iam embora depois de verem seus filhos partirem.
Ele se pôs na ponta de seus dedos e me beijou suavemente nos lábios, apertando nossas mãos com firmeza.
- Eu definitivamente não tenho um nome pra isso que a gente tem agora, mas se continuar assim eu sei que vou ser feliz enquanto durar.
[genteeeeee, tava com saudades. vocês gostaram desse pov do louis? to pensando numas coisas aqui e num sei.... mas enfim... e agr to com pc e agora acho que vai rolar de att minhas fics todas, então quem lê meus outros livros pode se preparar que eu vou tirar o atraso de tudo.]
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