15 • Dunk, In Love, All Night
Não surta. Não surta. Não surta. Não surta. Não surta.
- Você vai apertar essa porra ou não? - Nick perguntou sussurrando ao meu ouvido, irritado.
Certo, deixa eu te localizar na narração.
Eu, Niall e Nick estávamos encarando àquela porta há bons cinco minutos. Uma porta nunca me pareceu tão aterrorizante até aquele momento. Os desenhos simples entalhados na madeira envernizada me encaravam ao mesmo tempo que eu os encarava de volta. "Mas é só uma porta" é o que você diria. Não, não é apenas uma porta. Não é.
Aquela porta é o que me separa do meu futuro. É aquela porta que se pões entre eu meu eu de agora e o eu que serei depois de cruzá-la. Nunca sabemos o que está para acontecer, "o futuro a deus pertence" é o que dizem os tementes. Eu só acho que o futuro é mais uma piada de mau gosto para foder com a minha vida e me deixar envergonhado em frente ao cara por quem tenho um abismo.
A porta de entrada da casa dos Tomlinson-Deakin ria na minha cara e eu chorava por dentro em frente à ela. Ótimo.
- Se você não vai apertar, eu aperto. - Niall esticou o braço para tocar a campainha, mas eu o impedi no mesmo instante em que a porta abriu, a luz do corredor de entrada nos iluminando.
Louis estava parado, com um enorme sorriso animado no rosto, nos olhando. Ele vestia um casaco simples vermelho aberto, o capuz dele pendurado atrás de sua cabeça, uma camisa azul marinho e ainda de calças jeans, porém apenas de meias nos pés.
- Olá, rapazes. - Seu sorriso aumentou ao grau que minha vergonha se preparava para torrar meus miolos. - O que estão esperando?
- É só que o Ha... - Nick começou, mas eu o parei antes que terminasse, o dando uma cotovelada enquanto eu olhava sorridente para Louis.
- A gente acabou de chegar. - Forcei uma risada quando já entrava na casa, sendo seguido pelos dois.
- Vocês chegaram na melhor hora. - Louis nos guiava por sua casa até a sala de estar. - Fiquem à vontade.
Chegamos até a sala onde todos estavam reunidos, Eleanor jogada no sofá com suas pernas abertas, completamente relaxada com uma garrafa de vidro de cerveja em sua mão enquanto Gigi estava deitada entre suas pernas, apoiada com as costas em sua barriga, tão relaxada quanto a amiga na qual estava deitada. Ela também tinha uma garrafa em sua mão, à levando até a boca e tomando pequenos goles. Acenei para ela, que sorriram largo para mim. O álcool já tinha tomado conta. Ótimo.
Zayn e Stan estavam sentados ao redor de uma mesa de centro de madeira, também acompanhados de cervejas, nos encarando. Zayn com um sorriso amigo e Stan com cara de tédio. A noite não poderia melhorar, certo? Bem, veremos...
- Então, vocês vão querer beber alguma coisa? - Louis perguntou, batendo as palmas juntas e as esfregando uma à outra. Nos entreolhamos.
- Bem, você tem vodca por aí? - Niall perguntou, falsamente acanhado. Louis assentiu, anotando seu pedido mentalmente e então apontando para mim e Nick.
- E vocês?
- Só água mesmo, sou um menino comportado. - Nick diz e nos faz rir. - O que? Eu sou sim.
- Deve ser isso aí mesmo. - O olhei irônico e ele revirou os olhos rindo. - Eu aceito uma cerveja também.
- Então okay, só um minutinho. - Ele saiu andando, vira no corredor e sumindo dentro da casa.
Me encostei ao braço do sofá onde as meninas estavam deitadas, cutucando o pé de Gigi e fazendo ela rir com cocegas e me mandando parar entre risadas. Os meninos já tinham entrado no mundinho paralelo deles e eu apenas conversava com as meninas sobre algo aleatório. Coisa de bêbado.
Logo Louis volta, carregando garrafas cheias de tudo que pedimos e entregando para cada um de nós o que pedimos. Me entregou uma long neck de cerveja, uma garrafa d'água lacrada para Nick e uma garrafa enorme de vodca para Niall, que praticamente salivou apenas em ver a luz atravessando a garrafa de líquido transparente. Ele abre minha garrafa com sua camisa e me entrega, servindo-me também de um belo e claro sorriso animado.
Levantei as pernas de Gigi e sentei no sofá para então ela apoiar as pernas sobre meu colo. Louis foi sentar com os meninos e então todos estavam encaixados em seus grupinhos e conversas paralelas.
- E aí, meninas. - Eu cutucava os pelinhos que nasciam na perna branca e malhada de Gigi. - Qual o grande evento da noite? - Dei um grande gole em minha bebida e Eleanor fez o mesmo antes de me responder.
- Louis decidiu abrir a carta de Cambridge hoje, com a gente aqui. - Bebeu outro gole, me encarando. - Aquela que eu te falei, de admissão.
- Oh, certo. - Encarei o chão, pensativo. Agora seria oficial. Tomei outro gole, esperando que ele fosse o decisivo entre minha sobriedade e minha embriaguez.
Louis iria estudar do outro lado do país e eu ficaria preso aqui, sonhando com o que poderíamos ter feito juntos. É agora a parte em que eu corro e me jogo da ponte em um último ato de redenção?
- Eu tenho certeza de que ele vá passar. - Gigi comenta em meio à sua embriaguez lúcida.
- É, eu também. - Murmurei, a boca da garrafa encostada me meu lábio inferior que formava um bico deplorável. Oh, eu só queria me afogar em uma poça de lama agora, acho que seria menos vergonhoso ou dolorido.
Na pequena mesa de centro, carcada pelos meninos, a garrafa de vodca estava entre as pernas cruzadas de Louis. Dois montes de cartas estavam sobre a mesa enquanto eles puxavam uma carta do monte que mostrava apenas o verso da carta e contavam de um até vinte um, tornando aquele simples jogo em algo louco e animado, apostando um shot da vodca. Toda vez que eu deles dizia o número que correspondia a carta que surgia aleatoriamente e era o último a colocar a mão sobre o monte, perdia a rodada e tinha que toma rum gole direto do gargalo. Ótimo, eu teria que carregar bêbados para casa. E eu achando que a noite não poderia melhorar, hum?
Niall e Stan eram os que já começaram o jogo sob o efeito mais forte, então consequentemente eram os mais lentos para processar a lógica do jogo na pratica, então assim, também consequentemente eu só tendia a me foder mais a cada novo gole que meu amigo tomava, mas mesmo assim eu e as meninas ríamos dos gritos que eles davam empolgados com o jogo, rindo de si mesmos e da ressaca que sabiam que enfrentariam na manhã seguinte.
Eles jogaram até que a garrafa, que começou o jogo praticamente cheia, estivesse em sua metade, quando Zayn rolava de rir no chão, Niall tentava não fazer xixi nas calças, Nick se engasgasse de rir apoiado contra o hack da sala, Stan não parasse de ficar apertando o botão de next no Spotify da televisão conectada ao celular, mudando de música a cada cinco segundos, e Louis estivesse tentando controlar toda a situação, mesmo rindo do próprio desespero. Eu na verdade até me identifico com a sensação.
Aquilo apenas parou quando Louis conseguiu tomar o aparelho das mãos do amigo, mas os outros três continuavam rolando de rir no chão, vermelhos como morangos frescos. Gigi e Eleanor gargalhando, rolando no sofá e eu rindo de Louis suspirando, com o celular na mão e escolhendo uma música mais lenta para acalmar os nervos de todos. (acalmar ou excitar, pois eu não acho que ninguém fique apenas calmo ao som de drunk in love da rainha lider Iiluminati.)
Quando tudo e todos estavam contidos, fazendo o que quer que lhes desse na telha, Louis pôde relaxar e se jogou no sofá ao meu lado. Eleanor e Gigi tinham levantado para irem ao banheiro (ou transar, ninguém nunca vai saber.) e tinham me deixado naquele mar de loucos.
Louis estava tão largado quanto eu, bêbado e cansado de controlar aqueles maníacos.
- E aí. - Ele falou, olhando para Zayn estirado no chão.
- E aí. - Eu ri, brincando com a boca minha garrafa vazia. - Seus pais não se importam de você fazer essas coisas?
- Meus pais nem tão em casa, minhas irmãs foram hoje pra um tal de acampamento de verão ou sei lá o quê. - Ele riu, brincando com a barra de sua camisa.
Eu tinha tomado duas ou três cervejas e já estava alterado o suficiente para ter uma boa e longa conversa com Louis sem ser acompanhado de um surto nervoso e gagueira. Perfeito.
- Você não tem planos mesmo pras férias? - Ele me olhou de lado, virei minha cabeça para olhar em seus olhos, negando. - Hum, eu quero mesmo alguma coisa, sabe? Aquele acampamento, eu acho que já te falei. - Assenti. Enquanto ele falava, ia escorregando para o lado no encosto do sofá, até que em um momento sua cabeça estava apoiada em meu ombro.
- Eu acho que pode ser uma boa, se não chover.
- Sim, eu posso pegar o carro de Dan, que é bem grande, e a gente vai pra algum campo aberto do interior, de alguma cidade do fim do mundo, em Cheshire talvez... - Ele murmurava.
- Huhum. - Ele escorregou por meu peito até que caiu em meu colo, se acomodando lá como se estivesse deitado em sua cama, jogando as pernas para cima do sofá, penduradas no braço do móvel.
Naquele momento eu não sei o que tomou conta de mim, mas apenas sei que em um momento minhas mãos brincavam com a minha garrafa vazia e no seguinte elas abandonaram o objeto para poderem acariciar os cabelos de Louis como se fossem fios de seda.
- O que você vai fazer se for aceito? - Perguntei baixinho. - Digo, em Cambridge.
- Vou construir minha vida por lá, conhecer pessoas novas, arrumar um trabalho. Viver, se tudo der certo.
- Isso geralmente é bom. - Rimos. Eu brincava com sua franja, olhando para baixo e vendo perifericamente enquanto ele analisava meu rosto, seus lábios relaxados me um sorrisinho enquanto seus olhos varriam minhas feições.
Eu não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas estava gostando.
- Espero que tudo valha a pena no final. - Ele murmurou e eu olhei em seus olhos.
Ficamos nos olhando, eu analisava seu rosto meticulosamente enquanto ele analisava meus olhos com a mesma precisão de detalhes, eu não tinha a certeza, mas eu sentia o peso de seu olhar em mim e estava amando cada segundo.
Louis analisando meu rosto era melhor que qualquer outra sensação que já tive o prazer de sentir. Era melhor que a melhor fatia de torta que já comi, melhor que a melhor viagem que já fiz, melhor que ter a melhor nota da sala, melhor do que tudo.
- Eu sei que vai. - Sorri e ele sorriu de volta quando voltamos a fixar nosso olhar no olhar do outro.
Ficamos nos olhando por incontáveis segundo, ou será que foram minutos? Horas, talvez? Bem, eu só sei que estava mergulhado em meu paraíso pessoal quando, vinda do nada, a voz de Zayn nos chama a atenção. O olhamos ao mesmo tempo.
- O que foi? - Louis pergunta, sua voz grogue.
- Você não vai abrir a carta, cara? - Zayn pergunta, ainda deitado no carpete.
- Merda, verdade. - Ele resmunga algo, levantando de meu colo e indo para a parte de sua casa que eu ainda não tinha conhecimento sobre.
Logo ele volta, seguido das duas meninas, com a carta na mão. Els e Gigi vieram sentar ao meu lado, perdidas no que estava acontecendo até que Louis coçou a garganta, chamando a atenção de todos. Niall e Stan, que estavam jogados um sobre o outro perto da televisão, Nick, que estava jogado na poltrona e Zayn, que o encarava de cabeça para baixo, sem mexer um músculo para levantar e sentar propriamente.
Louis tirou a carta do envelope, a erguendo em frente ao rosto ainda fechada, encarando o pedaço de papel dobrado.
E então... Ele abre a carta.
- Eu passei... - Ele fala baixinho. - Eu passei! Caralho, eu passei. - Ele começa a pular e correr pela casa, gritando aquelas mesmas palavras e vários outros xingamentos que eu sequer conhecia, talvez ele tivesse acabado de inventar um novo idioma.
Todos começaram a gritar animados com ele, comemorando, enquanto eu continuava sentado naquele mesmo lugar daquele mesmo sofá, imaginando como eu tinha acabado de perder, oficialmente, minhas chances de ter Louis completamente para mim.
[oi vocês que leem minhas fics, vocês já leram minha shortfic de comédia how to make a queen's guard laugh? nela o louis é um youtuber e o harry um guarda da rainha lá em londres... só queria falar isso mesmo]
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