14 • What Time Is it? Summer Time
Eu conseguia aguentar muitas coisas na minha vida, pois tantos anos de convivência com Niall e Gemma fizeram meu couro engrossar e minha paciência aumentar em certos aspectos, como por exemplo eu conseguia aguentar longas aulas de matérias chatas e professores irritantes, eu conseguia aguentar a indecisão de um cliente sobre qual sabor de muffin ou de cappuccino ele iria querer, eu até mesmo conseguia aguentar longos e longos sermões de mamãe sobre sexo seguro e como eu e Gemma não deveríamos sair por aí fazendo sexo desprotegido e beijando estranhos. Eu conseguia aguentar tudo aquilo com um sorriso no rosto.
Porém até um monge tem seus demônios e o meu eram as palestras pre-férias que toda a coordenação e corpo docente se juntavam para fazer todos os anos, falando coisas sobre qualquer assunto, dizendo para que nos divertíssemos ao máximo pois aquela seria uma época que nunca mais voltaria, falavam longos textos de incentivo para os formandos do ano e essas coisas chatas que ninguém queria escutar, mas parece que os professores usavam aquelas chances para descontar em nós todos os momentos de frustrações que passaram naquela mesma situação.
Aquela sexta-feira tinha sido a última do ano letivo, que agora só voltaria em setembro. O último dia em que teríamos que, obrigatoriamente, vir para a escola (muitos tinham atividades de verão por aqui, eu pessoalmente acho isso uma nova forma de tortura, mas ninguém quer saber minha opinião, então me calo sobre isso.)
No grande auditório todos os alunos ocupavam o espaço, todas as cadeiras ocupadas. Eu e meus amigos estávamos em duas fileiras, uma parte na frente e a outra na fileira de trás, bem atrás da gente.
Eu estava dando o meu melhor para prestar atenção no que era dito, mas toda vez que eu tentava minha visão focava demais em algo e começava a embaçar e tudo em minha mente parecia apagar.
- Ei, psiu, Harry! - Ouvi um sussurro ao lado do meu ouvido, um pouco atrás de mim. Olhei de leve por cima de meu ombro, vendo Louis em minha visão periférica. Ele cutucou meu ombro só para ter certeza de que tinha atraído minha atenção e eu me virei um pouco mais na cadeira para vê-lo melhor. Ele se curvou mais em sua cadeira, chegando mais perto de mim. - O que você vai fazer nas férias? - Ele sussurrava como se me contasse um segredo.
- Hm, na verdade nada de grandioso. Vou mudar meu turno na cafeteria, ficar lá só pela manhã, o resto do tempo completamente livre, tipo, mofando em casa mesmo. Só isso... - Respondo de acordo com o que vou lembrando, já que não era muita coisa na realidade.
- Hmmm...
- Por quê?
- Nada... - Ele da de ombros. - É só que a gente poderia marcar aquela maratona, né... - Ele soava com medo de rejeição, falando lentamente, testando o terreno. - De Penny Dreadful?
- Sim, eu acho que é uma boa. A gente vai vendo.
- Uh, certo. A gente vê. - Ele se afasta lentamente, voltando a sentar corretamente.
Niall, que estava sentado do meu outro lado, me cutucou com seu cotovelo e perguntou através de um gesto de cabeça o que tinha acontecido, eu apenas fiz que não com a minha e ele deu de ombros, voltando a "focar" no que diziam no que os professores falavam.
Naquele mesmo dia, depois que todo aquele inferno acabou e nós fomos liberados, pela tarde eu estava trabalhando na cafeteria, pela última vez naquele horário da tarde (até as aulas voltarem).
O salão estava, estranhamente, cheio naquele horário. Nossas bebidas frias faziam tanto sucesso quanto as quentes e aquele dia implorava por um bom chá gelado para todos.
A campainha tocou enquanto eu atendia o último cliente que estava há eras esperando sua vez, já que eu era o único atendente dividindo o caixa e o balcão de pedidos, Anna tinha pedido demissão por causa das férias de verão ou sei lá o que, só sei que eu fiquei para me foder sozinho, como se minha vida pessoal já não bastasse.
Um rapaz alto entrou carregando consigo a plaquinha que ficava encostada à grande janela de nossa sacada onde se lia "PROSISAMOS DE FUNCIONÁRIOS" e embaixo disso a logo da cafeteria.
Entreguei o copo do cliente e ele foi sentar em uma das mesas do fundo.
Peguei o pano seco que estava no balcão e tirei o excesso de leite que caiu em minhas mãos quando o rapaz se apoiou ao balcão.
- Oi. Cara, com quem que eu faço pra ver isso aqui dessa vaga? - Ele me mostrou a placa, que eu recolhi e coloquei debaixo do balcão. - Hum, eu... - Ele coçou a garganta. - Eu sou Liam Payne, prazer. - Ele me ofereceu sua mão, joguei o pano de volta no balcão e aceitei seu cumprimento.
- Harry Styles. - Sorri educado. - Não foi a sua família que se mudou pra rua da mercearia? - Ele assentiu sorridente. - Eu moro perto da esquina de lá, ouvi praticamente toda a mudança. - Rimos.
- A gente tem muita decoração. - Ele sorriu e se ajeitou, voltando a ficar um pouco mais sério. - Mas e aí, como que eu faço pra ver isso a vaga?
- Oh, hm, claro. Eu vou chamar a Ally, ela é a gerente. Com ela que você vê essas coisas.
- Certo.
Entrei na cozinha que ficava bem atrás de mim, cinco pessoas trabalhavam naquela parte. Cumprimentei todos com um aceno de cabeça e segui até virar à esquerda no final, dando de frente com a porta simples do escritório de Ally e bati na porta.
- Ally? - Coloquei apenas minha cabeça para dentro da sala, ela estava de óculos, seus cabelos cobrindo parte do rosto enquanto lia algo e fazia anotações. Ela olhou para mim e sorriu.
- Oi, querido. O que aconteceu? - Escovou o cabelo com os dedos para trás de sua orelha.
- Hum, nada. É só que tem um cara aí na frente querendo ver a vaga da Anna.
- Certo, vou só guardar uma coisa aqui e vou ver isso.
- Certo. - Sorri, fechei a porta e voltei para o balcão.
Quando abri a grande porta dupla da cozinha e voltei para trás do balcão bem na hora em que Louis passou pela porta, fazendo o sino balançar. Sorri quando o vi e ele sorriu quando me viu.
Seus olhos azuis se fechando, mostrando aquelas ruguinhas finas ao lado de seus olhos.
Liam ainda estava parado ali, observando tudo sem entender nada. Ele sabia que se conseguisse o emprego seriamos colegas de trabalho, então acho que ele já esperava se entrosar de primeira, até mesmo se ele não viesse trabalhar aqui, ele ainda moraria na mesma cidade e bairro, então nós nos veríamos com frequência.
Ally aparece na porta que daria acesso à parte de dentro e o chama para acompanha-la. Liam acena de leve para mim, que retribuo com um balanço leve de cabeça e um sorrisinho enquanto ele vai com ela ao mesmo tempo em que Louis se aproxima do balcão.
Louis se apoiou ao balcão de madeira sobre seu braço direito, suas mãos atadas, brincando uma com a outra enquanto ele me encarava sorrindo. Eu o olhava de volta nos olhos, querendo ler o que ele tentava me passa com aqueles olhos de cor fria, mas que carregavam consigo a mais quente chama do inferno.
- O que foi? - Minha vergonha explodiu em palavras, eu ri e ele também, olhando para baixo e respirando fundo antes de me olhar novamente.
- Nada, ué. - Ele riu, olhou para suas mãos mais uma vez e me olhou. - É que eu só queria te chamar pra ir lá em casa hoje de noite. - Ergui uma sobrancelha. Certo, ele estava me chamando para me zoar ou....
- Hum? - Minha cabeça caiu para o lado ao mesmo tempo que minha sobrancelha quase pulou de minha testa.
- Oh, calma. Não vai ser nada demais. - Ele se apressou em dizer, balançando suas mãos como se estivesse com medo de que eu interpretasse suas palavras de modo errado. Tarde demais. - É que assim, eu chamei meus amigos lá pra casa, sabe? Uma reuniãozinha pra comemorar o fim das aulas.
- Ah, certo. - Eu poderia dizer que estava desapontado, mas quem é que se decepciona por aqui? Eu mesmo não. Jamais. Puff. Decepção? Meu anjo, por favor, se poupe do ridículo de achar que eu, Harry Edward Styles, me decepciono com o fato de que ele, Louis William fuckin' Tomlinson não me chamou para um happy hour para apenas dois em sua casa. Eu mesmo não. - Eu vou ver se passo por lá.
- E você pode levar seus amigos também se quiser, Niall e Nick. Eles parecem ser legais.
- Os melhores. - Respondi rápido.
- Okay então.
- Okay. - Ele ia se afastando lentamente, andando de costas até a porta.
- Até mais tarde?
- Até. - Ele andava devagar até que bateu de costas na porta de vidro
- Tchau. - Ele abriu a porta nervoso, acenando para mim, e saiu de lá correndo e eu ri de toda a situação.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top