11 • I Liked The Taste Of Her Mint Chap Stick

- Eu preciso te pedir uma coisa. - Eleanor me encarou confusa, sua sobrancelha feita arqueada, claramente perdida, mas não sei se pelo desconhecimento do que estava acontecendo ou pela certa quantidade de álcool que corria em seu sistema. - Me beija! - Seus olhos se abriram ao máximo, olhando para Stan por cima do meu ombro.

Louis não estava entendendo o que estava acontecendo ali, ele me olhava confuso, mas não disse nada, talvez não tenha me ouvido sob a música, mas me olhava esperando alguma atitude.

- Harry... É... Eu-eu...

- Só me beija, por favor. - É definitivo, eu estou completamente louco.

Em um segundo eu estou pensando em todos os modos como eu acabei de estragar minha amizade com Eleanor e no seguinte eu estou com meus lábios colados aos seus lábios besuntados do que sobrou do seu lip gloss de menta. Ela tinha algo com menta que eu não entendia. Nossas línguas se moviam de um jeito estranho para mim, mas eu tentava dar o meu melhor naquele ato. Eu nunca tinha feito algo como aquilo e esperava não babar todo o seu rosto ou abrir demais a boca, ou enfiar muito minha língua como se tentasse lamber o final de sua língua no meio de sua garganta.

Eleanor tinha um de seus braços jogado sobre meu ombro e sua mão livre segurava meu rosto enquanto ela guiava nossa troca de saliva. Aquilo nem era tão ruim no final de contas, na verdade era muito bom.

Não sei se os arrepios que eu estava sentindo eram pelo fato de que aquele era meu primeiro beijo e meu corpo não estava acostumado com aquele tipo de toques e atitudes ou se era por eu ter, inconscientemente, algum tipo estranho de atração além de amizade por aquela garota, mas no final de tudo eu apenas posso dizer que aquilo foi muito bom ao mesmo tempo em que foi inusitado.

Quantas vezes na minha vida eu imaginaria que eu primeiro beijo seria com uma garota?

Ela terminou o beijo com alguns selinhos fofos (eu achei fofo, tá?) e se separou de mim, sorrindo. Eu nem isso conseguia, a única coisa que consegui fazer foi abrir meus olhos, talvez abrir um pouco demais, e vê-la rindo de mim.

Será que ela, tipo, gostou? Será que eu fiz alguma coisa errada? Socorro, ela acabou de me dar o primeiro beijo de verdade da minha vida e eu nem sabia se tinha feito certo.

- Pronto? - Ela arrumou a minha camisa amassada, ainda sorrindo para mim.

- Huhum. - Olhei por cima de seu ombro e Louis nos encarava, seus lábios meio contorcidos e trêmulos como se ele prendesse um sorriso ou uma gargalhada.

- Tudo certo por aqui, então. - Ela limpou um pouc de saliva no canto de seu lábio inferior com o dedo polegar e se virou para Louis, que voltou a segurá-la pela cintura.

- Hum... Certo... - Me virei em direção ao caminho por onde vi.

Nessa minha vida de arrependimentos aquela noite não seria mais uma exceção e quando eu digo isso não me refiro ao fato de que acabei de beijar Eleanor (sim, uma garota com vagina, útero e tudo mais que acompanha uma garota cisgenero).

Quando dei meia volta todas as pessoas que eu conhecia estavam me encarando boquiabertos, ótimo.

De um lado eu tinha Gemma e Niall parados, seus olhos e bocas abertos de um jeito que qualquer coisa faria alguma coisa ali cair (ou seus olhos das órbitas ou seus maxilares de seus rostos). Atrás de mim Louis dançava com Eleanor, mas eu sabia que ele tinha ficado em choque por um tempo, assim como a própria. Do meu outro lado, rodeado de pessoas estranhas aleatórias e segurando um copo vermelho de bebida, Nick ria nervoso, eu poderia ouvir sua risada de dentro de uma sala à prova de som. Gigi e Zayn estavam sentados juntos no mesmo sofá de onde eu saí há alguns minutos e também me encarava.

Alguém tem um buraco? De preferência um cheio de lama, para que eu poça me afogar nele.

Mas o maior problema era Stan e disso sim eu tinha medo.

Caminhei lentamente até ele, a cabeça abaixada e o rabo entre as pernas.

- Stan, eu... - Seu rosto estava severo, seu maxilar travado.

- Por que você fez isso? - Ele falou simplesmente, seu tom dolorido me fazendo sentir culpado. Eu não poderia cagar mais a minha situação?

- Eu... - Não era como se eu soubesse como responder àquela pergunta, então fiquei parado, o olhando com minha boca aberta, esperando que as palavras me surgissem na ponta da língua enquanto eu o assistia se afastar de mim, machucado.

Não era como se eu ou ele estivéssemos em lgo sério, ou como se ele fosse a fim de mim de um jeito romântico, mas eu me senti culpado e ele se sentiu traído do mesmo jeito, pois naquela noite era pra eu ter beijado ele, e não Eleanor.

Caralho, eu sou um bosta.

- O que foi isso? - Gemma berrou no meu ouvido, claramente bêbada.

- Um trampolim, Gemma. - Respondi irritado.

- Grosso. - Ela empurrou meu ombro. - Por que você beijou a Eleanor? - Seu tom carregava o mais puro choque e surpresa.

- É cara, como assim? - Niall perguntou exasperado. - Eu tô perdido nessa situação, alguém me explica o que tá acontecendo, por favor.

EU não tinha saco para aquilo, para responder nenhum dos dois, então apenas ignorei suas vozes, arranquei o copo vermelho da mão de Gemma e virei todo aquele conteúdo quente em minha garganta, tomei o copo da mão de Niall e fiz o mesmo enquanto saía andando para longe deles e respirando o mais fundo que meus pulmões bêbados me permitissem.

Uma ou duas horas depois de tudo aquilo e eu estava jogado no gramado do enorme jardim primaveril da casa de recepções. A maioria das pessoas que estavam por lá eram grupos de adolescentes conversavam animados, alguns casais trocando fluídos de um jeito completamente obsceno e eu, jogado ali como o pedaço de bosta que meu consciente me obrigava a ser quando Louis chegou ao meu lado, sentando no gramado comigo assim como fez há um tempo no parque.

- O que você tá fazendo aqui? - O olhei meio de lado, sem apoio para minha cabeça.

- Eu vim te perguntar por que você beijou a minha "namorada" e decidir se te bato ou não, dependendo da resposta que você me der. - Ele respondeu sério, fazendo aspas no ar quando falou aquela palavra, mas eu soube que ele estava brincando assim que me abriu um grande sorriso e deu uma risadinha. - Els me disse que te contou a história do nosso "namoro", então... - Ele fez aspas novamente. Oh, eu estou amando isso.

Louis estava vestido com uma bermuda caqui e uma camisa vermelha com flores amarelas enormes, fazendo um contraste ofuscante com sua pele, nos pés ele tinha apenas chinelos simples e brancos. Ele me olhava sorrindo divertido.

- Eu não tenho a menor ideia, okay? - Deitei minha cabeça de novo no chão e cobri meus olhos com meu antebraço, me escondendo dos iluminadores gigantes daquele ambiente. - Já me perguntaram tanto isso que eu não aguento mais dar a mesma resposta e além de que ninguém me compreenderia se eu explicasse o real motivo. Eu só fui. - Ele riu baixinho, pelo nariz.

- Olha, Hazza. - Começou, eu tive um pequeno derrame, mas ninguém percebeu. Tudo certo. Seguindo. - Posso te chamar assim? - Murmurei um "huhum" como se aquilo não fosse nada demais ou como se eu não fosse dar uma festa em minha mente nomeada "Hazza, posso e chamar assim?" - Você é um amigo muito próximo da Els, ela é minha melhor amiga no mundo, a gente cresceu junto e então se ela é sua amiga e confia em você, não vejo motivos para não fazer o mesmo, certo?

- Valeu, Lou. - Respondi, sorrindo. - Posso te chamar assim também né? - Ri, mas no fundo foi apenas o meu nervoso fluindo por meu corpo.

- Claro. - Ele riu de minha pergunta.

- E, pra ser sincero, eu até acho rude a gente ser amigo e você nunca ter me chamado pra sua casa pra assistir filmes também. - Dessa vez eu tive que tirar meu braço do rosto para encará-lo confuso. - A gente deveria resolver isso qualquer dia... Digo... Sherlock tem dez capítulos maravilhosos que merecem ser maratonados... - Ele falava insinuativo.

- Você deve tá muito bêbado - Comentei enquanto ria, pois era o único motivo que eu achava plausível para que ele quisesse maratonar uma série inteira comigo, mesmo ele já tendo oferecido aquilo antes.

- Olha, na verdade eu tô quase... quaaaaase sóbrio. - Riu. - Só um pouco chapado, mas de boa... - Eu ri de sua voz arrastada e aguda enquanto descrevia seu estado químico.

- Certo...

- Eu tô falando sério! - Ele falou alto rindo e me empurrou brincalhão.

Ficamos alguns minutos calados, apenas respirando. Eu de olhos fechados e ele brincando de arrancas folhinhas da grama, distraídos.

- Você precisa de carona pra ir pra casa?

- Ha ha ha se você acha que eu vou entrar num carro com você "meio chapado", senhor Tomlinson. - Respondi irônico e ele apenas riu, ainda olhando e arrancando as pobres plantinhas do chão.

Ele me olhou, se apoiou no chão e levantou com uma mão, limpando o gramado de sua bunda e arrumando sua bermuda no lugar. Eu o observava com um olho aberto e o outro coberto por causa da grande luminosidade dos refletores, assistindo atento a cada movimento. Me estendeu uma mão, à qual eu fiquei encarando por alguns segundos.

- A gente vai andando.

Tomei sua mão e ele me ajudou a levantar. Me limpei e arrumei minha roupa, assim como ele fez e agora ria me vendo fazer o mesmo.

Atravessamos o grande salão de festa, onde muitos ainda dançavam, outros socorriam seus amigos passando mal e saímos da casa de festas, sem comunicar a ninguém que estávamos indo.

Chegamos até a rua e fomos andando lado a lado, mas nenhuma palavra foi trocada durante todo o caminho até minha casa.

Eu, com toda a mais absoluta certeza, deveria estar muito afetado pelos efeitos colaterais do álcool ou muito chocado com os fatos para processar Louis fuckin' Tomlinson caminhando ao meu lado, indo me deixar na frente da minha residência e não surtar com isso.

Sim, definitivamente muito alterado de minhas faculdades mentais usuais.

Chegamos à frente do meu jardim, o caminho tinha sido longo, mas não foi ruim ao lado de Louis.

- É aqui que eu vou ficando... - Me virei para ele. - Valeu mesmo por ter vindo comigo.

- De boa, qualquer coisa eu tô aqui.

- Certo... - Girei em meus calcanhares, caminhando até minha porta e quando estava prestes a atravessar o portal de entrada, ouço sua voz mais uma vez.

-Herm... Hazza, te vejo amanhã então...? - Ele soava meio inseguro em sua pergunta, apertando suas mãos uma na outra em o que deduzi ser ansiedade, mas creio que fosse apenas minha imaginação.

- Claro. - Sorri para ele.

- Eu venho passar um dia aqui com você, algum dia, quem sabe. Talvez. - Parou um pouco, nervoso. Sorri com os pulinhos que dava em seus calcanhares. - É isso que amigos fazem hum?

- Sim, Lou. - Testei aquela palavra em meus lábios mais uma vez, a sentindo em minha voz, correndo pelas curvas de minha língua. - Isso que amigos fazem. Boa noite. - Sorri mais uma vez e fechei a porta lentamente, na esperança de que ele falasse mais alguma coisa, mas sua voz não foi ouvida, então apenas tranquei a porta e corri para meu quarto.

Joguei meus sapatos para qualquer lado e o observei por minha janela, atrás da cortina, o assistindo ir embora com a cabeça baixa e andando lentamente. Esperei até que ele se afastasse um pouco mais para que eu pudesse enfiar minha cara em meu travesseiro mais fofo e grosso e gritasse o mais fino e escandalosamente que pudesse.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top