Os Novatos

– Rômulo? – Antônio pergunta me puxando com ele... provavelmente não queria encarar isso sozinho então me deixei ser levado por ele.

– Como você está grande, meu filho! – fala o "pai" dele, ignorando 17 anos de ausência e separação por causa de abusos diversos. Até eu fiquei impressionado. Já vi pessoas com cara de pau, mas esse superou todos.

– Conta outra, Andrey, o que ele tá fazendo aqui? – pergunta se referindo a Andrey, que é o homem que ele tem como referência paterna. Andrey olha com cara de confuso, não esperava que chegássemos tão cedo.

– Sua mãe ela... – ele tenta falar, mas é interrompido por Rômulo.

– Eu me mudei para a cidade e agora quero ficar mais próximo de você, meu filho. – diz Rômulo tentando se aproximar de Antônio, que se afasta conforme Rômulo tenta aproximação.

– Não me chama de filho, o único pai de que eu me lembro é o Andrey. – Antônio responde ríspido a fala de Rômulo, mas mesmo assim o homem tenta dar passos na direção dele. Provavelmente Rômulo não tem consciência de como Antônio fica quando se sente ameaçado, mas se continuasse forçando amizade, descobriria depois de acordar no hospital todo arrebentado. – E faça o favor de não me dirigir a palavra, sua voz me estressa.  

– Calma Antônio... – Rômulo tenta acalmá-lo, sem entender que a única coisa que é capaz de fazer é estressar ele ainda mais.

– Eu vou entrar. Você vem, Arthur? – Antônio pergunta e eu nego com a cabeça. Ele, então, encosta a mão na boca e me manda um beijo discreto. Minha única reação é fazer o mesmo e ficar ali, plantado, assistindo aquela situação. 

– Antônio... – Andrey vai atrás dele.

– Tchau... – digo baixo.

Ele entra batendo a porta com força e Andrey entra atrás. Eu fiquei assustado com aquela situação, mas sabia que o Antônio iria precisar de apoio e ajuda – não no momento, porque provavelmente ele precisava chorar e comigo no mesmo ambiente ele ficaria segurando, como sempre fazia. Então fui paciente entendendo o que ele estava passando.

– Então você é o famoso Arthur? – Rômulo se refere a mim e tenta puxar assunto, mas eu fico um tanto quanto em choque.

– Sou. – digo, sem dar importância.

Saio dali andando para minha casa no outro lado da rua, deixando o pai do Antônio de boca aberta pronto para falar algo. Estava tanto para papo com ele quanto Antônio. Eu definitivamente não estava preparado para ter que conversar com a figura das "histórias horríveis" de Antônio naquele momento, porque já tinha ouvido a mãe dele comentar sobre o quanto seu pai era manipulador e falso para as pessoas de fora, mas o quanto era violento dentro de casa. 

Não é como se eu tivesse uma cabeça boa o suficiente para ser totalmente indiferente a tudo o que sabia e tratar aquele ser como um homem comum. Não sei se conseguem me entender, mas de qualquer forma, o que eu fiz aquele dia foi ir pra minha casa em silêncio, torcendo para que Antônio não passasse tanto mal naquela noite.

Felizmente para minha sorte, as aulas tinham começado em uma sexta feira. Então teríamos o final de semana inteiro para conversar sobre isso, o que era um alívio muito grande, já que Antônio não precisaria segurar sua máscara social amanhã de manhã, depois dessa situação horrorosa.

Assim que entrei em casa, lanchei e fui ler. Pela janela, depois de algumas horas, vi Antônio indo treinar. Ele estava com o uniforme do time e chuteira da nike cor vinho. Algum tempo depois a mãe do Antônio veio aqui em casa conversar com a minha, provavelmente aproveitando que ele havia saído. Ela chorou, disse que estava desesperada e tudo mais – inclusive, ela comentou sobre o quanto foi uma escolha errada chamar o pai dele naquele dia para conversar, justamente pelo perigo deles se encontrarem.

Eu não desci, estava concentrado lendo. Geralmente quando não estava jogando vídeo game ou assistindo os treinos do Antônio eu estava lendo. Me perder no mar de letras me trazia uma paz incrível, o que me fazia refletir. Mas quando fui descer para beber água e comer algo, não pude deixar de escutar a conversa das duas.

– Ele tem um filho, Célia, ele tem um filho. E se esse garoto decide se aproximar do Antônio? –dona Katarina pergunta ainda desesperada, tomando um copo com água.

– O que acha que aconteceria? – minha mãe pergunta, completamente calma. Era impressionante a forma calma como ela lidava com os problemas.

– Não sei, eu só sei que temo o pior. Esses garotos não podem se conhecer, mas parece que Rômulo torce por isso. – dona Katarina diz, está realmente bastante preocupada.

Minha vontade é de subir e mandar mensagem para Antônio contando minha descoberta logo, mas meu senso curioso fez meus pés se fixarem ali. Fico escutando a conversa das duas por mais alguns minutos.

– E qual o nome dele? – minha mãe pergunta.

– Fabrício. – dona Katarina responde.

– E o Fabrício tem quantos anos? – minha mãe pergunta, franzindo a testa.

– 17, mas é alguns meses mais velho que o Antônio. Eu engravidei quando a outra mulher estava no fim da gestação, lembra? Provavelmente, como o Rômulo está aqui, o Fabrício vai estudar na escola dos meninos. E agora? Eu tô desesperada. – diz a mãe de Antônio colocando as mãos na cabeça e apoiando os cotovelos no balcão e minha mãe coloca a mão no ombro dela, dando apoio para a amiga.

Eu ouvia tudo e conseguia ver bem as duas do ponto em que estava. Então o pai do Antônio tinha outra família e um filho... isso era, no mínimo, curioso. Mais curioso que isso, foi que quando voltei para o meu quarto, vi Antônio nele, de pé, olhando pela minha janela grande. Ele estava apenas com a bermuda de treinar, descalço e sem blusa. 

– O que tá fazendo aqui? – pergunto, entrando no quarto e fechando a porta. Ele, então, se vira, respirando fundo. 

– Deixa eu dormir hoje com você? Minha casa está um caos completo. Meus pais só gritam, choram ou gritam chorando um com o outro. Ficar com você faz eu sentir que estou protegido. – ele explica. 

– Trouxe roupa? – ele concorda com a cabeça, apontando pra bolsa com ela. – Vai tomar um banho. – ele atende meu pedido, passando para o meu banheiro de cabeça baixa e eu respiro fundo.

Sabe, eu sempre me denominei como heterossexual. Isso, porque eu sempre senti atração por mulheres, mesmo que não tivesse coragem de chegar em nenhuma e nunca senti uma necessidade de tentar entender nada, mas isso vinha mudando. 

Conforme Antônio crescia, eu começava a sentir que os espaços que sempre compartilhamos vinham ficando apertados. Atualmente ele era bem atlético por causa do futebol que treinava sem parar na escola e fora dela, além de ser um cara com uma masculinidade nada frágil que me fazia imaginar muitas coisas quando estava sozinho no meu quarto e mais ainda quando estava comigo, dormindo na mesma cama. 

Aos poucos, então, eu vinha me questionando se eu era mesmo hétero, ou bissexual, pan – insira aqui qualquer outra sexualidade que não seja hétero. De qualquer forma, eu também não sabia se isso tudo tinha alguma relação com a minha carência em nunca ter namorado ou me relacionado com ninguém de forma próxima além dele ou... não sei. E acho que esse é o maior problema: eu simplesmente não sei.

– Você já comeu alguma coisa depois que saiu do treino? – pergunto, vendo-o sair do banheiro e ele nega com a cabeça. – Quer descer pra comer ou quer que eu traga? 

– Você traria? 

– É claro. – respondo e ele sorri, negando com a cabeça. – Tá tudo bem, eu gosto de conversar com seus pais. 

E assim foi. Antônio desceu, jantou com a gente, minha mãe disse que ele podia ficar o tempo que quisesse, até que tudo se resolvesse melhor e ainda comentou que era bom tê-lo ali, porque assim ele ficava longe das confusões que não eram de sua responsabilidade nem culpa. No geral meus pais sempre gostaram muito dele.

Quando subimos novamente, ele disse que queria jogar e eu liguei o video-game pra ele, porque estava muito entretido lendo e não ia parar. Fiquei sentado em um dos puffs fofões que estavam de frente para a TV e ele simplesmente apenas puxou o outro, encaixou com o meu e se deitou entre as minhas pernas, me olhando com aquela cara de cachorro carente dele, forçando-me a fazer cafuné enquanto ele jogava e eu lia. 

Ficamos assim por horas e quando enjoei de ler, fui jogar com ele. Se alguém nos olhasse de fora, com certeza acharia que nós dois éramos namorados e isso aconteceria, porque nossa química era inegável – talvez por isso às vezes eu ficasse confuso sobre nossa relação de amizade. 

– Se o Rômulo tiver outro filho, o que você vai fazer? – pergunto. Estávamos deitados na minha cama, olhando pro teto. 

– Ficar bem longe. E não quero saber de nada. Eu pensei que fosse ter estômago pra isso, mas foi só olhar pra cara dele que perdi totalmente a confiança que tinha nessa crença. Não quero ter contato com esse homem nunca mais, Arthur. Minha cabeça é fodida desse jeito e eu vivi poucos anos perto dele, imagina quem viveu a vida inteira? Com certeza é um retrato dele, uma cópia. Isso só me faria mais mal. 

– Acontece que não tem como você ficar longe se não souber de quem tem que ficar longe. - comento e ele me olha um pouco. 

– Eu só sei de quem quero ficar perto. – ele me puxa, me abraçando por trás e entrerrando seu nariz na minha nuca. – Se você ficar sabendo de qualquer coisa relacionada a essa bagunça, pode, por favor, não me contar? – sussurra e eu concordo com a cabeça. – Obrigado. 

Dormimos juntos aquela noite e sábado de manhã Antônio acabou indo para a casa de Maria. Aparentemente eles tinham um compromisso e ele não podia se atrasar. Eu, então, acabei marcando de estudar no parque com a Júlia, porque nosso professor tinha nos mandado duas apostilas extensas. Era a primeira vez que eu iria me encontrar com ela depois de praticamente 1 ano completo que conhecia e fazia trabalhos constantemente com ela. 

– Sabe uma coisa que não me entra na cabeça? – pergunto. 

– É óbvio que não, fala logo. 

– Nossa escola é razoavelmente boa, por que não gosta de lá? Já teve algum desentendimento com alguém?

– Já, com a diretoria. 

– Por quê? 

– Porque aparentemente meninas não podem jogar futebol, nem mesmo treinar na quadra quando não tiver ninguém usando e na minha antiga escola eu podia. Não posso, sequer, levar minha bola pra treinar na educação física, mesmo que eu faça parte de um time fora do colégio. – ela comenta e eu fico levemente surpreso. 

– Eu posso tentar falar com o Antônio, ele...

– Você acha mesmo que ele se importa? – ela pergunta, séria, e eu fico observando-a. – Você acha, Arthur, do fundo do seu coração, que ele vai tentar me ajudar? Se a resposta for "sim" eu mesma falo com ele. 

– Não sei. – respondo, abaixando a minha cabeça. – O Antônio é instável, com coisas que acho que ele vai se importar, ele não se importa e com coisas que acho que ele não vai ligar... ele se preocupa até demais. Nunca sei o que esperar dele. 

– Exato. Eu não digo nada, porque já fui ridicularizada demais. Não tenho mais forças para tentar mudar nada, Arthur. – ela conclui e eu confirmo com a cabeça, voltando a fazer meu dever.

Naquele sábado, Antônio dormiu na minha casa mais uma vez. Ele realmente estava evitando ao máximo ficar em casa e por mim tudo estava bem, até porque a companhia dele era ótima e ultimamente, por conta dos compromissos dele, tínhamos nos afastado um pouco. 

– Pensa em pedir a Maria em namoro?

– Já pensei sobre, mas não é algo que eu quero pra minha vida. 

– Ela sabe disso? 

– Sabe. Sempre deixo claro as coisas. Já falei que não quero namorar agora e que se ela não quiser ficar mais comigo tudo bem. Quero ficar com outras pessoas, Arthur, não penso em namorar sério agora. 

– E como ela reagiu?

– Disse que estava tudo bem e que ela também ficava com outras pessoas e não queria um relacionamento sério no momento. Não sei se é verdade, porque ela parece bem apegada a minha presença, mas também não tem como eu afirmar que é mentira. Sei lá, gente apegada me deixa assustado.

– Você fala isso, mas é todo apegado a mim. – provoco ele, que me olha e sorri, vindo até mim com sua cara típica de quem ia me fazer cócegas. – É brincadeira... – me levanto, correndo pelo meu quarto e ele começa a correr atrás de mim, até me alcançar e começar sua sessão de tortura.

– Sou apegado mesmo, tá achando ruim? – ele pergunta, enquanto eu gargalho. Estava deitado no chão e Antônio agora estava sentado em cima de mim, impossibilitando que eu saísse daquela situação. 

– Não! – respondo, entre gargalhadas, até que ele se cansa e fica me olhando, ainda sentado em cima de mim. – Tá bom o colchão? – pergunto e ele se inclina pra frente, me abraçando. – Ant... – antes que eu termine de chamá-lo, percebo seu chorinho baixo e apenas começo a passar minhas mãos pelas suas costas, tentando afagar seu coração. 

Ele chorou por cerca de 10 minutos seguidos, um choro quase que totalmente silencioso. Parecia um filhote com medo. Quando me soltou um pouco, Antônio ficou me olhando nos olhos, sem dizer nada e foi nesse exato momento que eu entendi que ele tinha realmente conseguido segurar meu coração com as mãos. 

Limpei as lágrimas dos olhos dele, enquanto ele continuava me encarando e depois disso, entrei no jogo e fiquei encarando-o também. Ele, então, passou a mão pelo meu maxilar e se aproximou significativamente do meu rosto, respirando fundo e se afastando em seguida, levantando-se de cima de mim. Eu juro que pensei que ele fosse me beijar naquele momento, mas por algum motivo, não fez. 

– Quer conversar sobre... – começo a falar, mas ele me interrompe.

– Deve ser uma merda se apaixonar por um amigo, não acha? – pergunta. 

– O que? Como eu vou saber? – pergunto de volta.

– Quando você conhece alguém por interesse amoroso, namora e termina, você perdeu uma pessoa que você já era acostumado a não ter antes de ter sentido vontade de dar uns beijos nela. Quando você conhece um amigo, o tem por perto por um tempo significativo e aí sim se vê apaixonado por ele, deve ser difícil. 

– Deveria ser mais fácil, não? Assim você sabe que vai dar certo. 

– Mas ninguém nunca sabe se um relacionamento vai dar certo, porque um relacionamento não depende só de amor. – ele rebate. – Deve ser muito mais difícil, porque ou você perde esse sentimento, ou arrisca. E se arriscar e der errado, você perde o amigo e o namorado. – Antônio respira fundo, aparentemente frustrado e fica em silêncio por algum tempo. – Quem te conhecer com interesse amoroso vai ser muito privilegiado, espero que essa pessoa valorize essa chance.

– Entendi. – é tudo o que eu digo e ele se joga na cama. Eu, então, me sento nela, ainda pensativo e depois que fomos dormir eu ainda permaneci dessa forma por muitas horas da madrugada.

Antônio, como sempre, dormiu agarrado em mim. Ele fazia isso desde que éramos crianças, por ter medo do escuro, mas com o tempo ele passou a fazer apenas porque dizia ser mais "confortável". No começo da nossa adolescência, lá quando tínhamos nossos 15 anos, ele de vez em quando simplesmente escalava a minha casa em dias aleatórios, porque queria dormir agarrado comigo e acredito que permitir esse tipo de comportamento foi o início do meu fim – porque quando eu não estava bem, sabia que teria ele para dormir comigo e acabei contando demais com essa presença, às vezes eu unicamente precisava do chamego dele por puro capricho e ele atendia.

Domingo de manhã, quando acordei, percebi que ele não estava mais no meu quarto. Quando saí do meu quarto, percebi que meu pai também não estava em casa, então fui direto na minha mãe, que via uma receita no celular. 

– Sabe do Antônio? 

– Ele disse que seus pais tinham ligado, pedindo pra conversar com ele e ele foi. 

– Por que não em acordou? 

– Ele disse que ficou com dó, porque você estava dormindo muito pesado. – ela responde e eu concordo com a cabeça, me sentando para tomar meu café da manhã. 

Meu domingo foi o mesmo de sempre: fui para a academia de manhã, joguei muito videogame e terminei de ler aquele livro que tinha começado. Segunda feira de manhã me arrumei e fui para a casa dele esperar para que fôssemos até a escola juntos como sempre. Ele, por sua vez, saiu normalmente e fomos juntos, conversando, até a escola.

Ficamos no "nosso" grupo de amizade na porta da escola conversando sobre férias até dar o horário de entrar – já que na sexta ninguém que fazia parte dele tinha ido na sexta, então tinham muito o que dizer. Vale a pena ressaltar que quando eu falo que "estávamos conversando" na verdade eram eles que estavam falando e eu apenas continuava com meus livros nas mãos, lendo concentrado. Depois de alguns minutos de conversa intensa entre ele e as outras pessoas do "nosso" grupo tivemos uma surpresa.

– Quem é aquele? – uma das meninas que estavam "conosco" observou.

– Parece ser da nossa classe, estava falando com nosso professor. – outra diz, fazendo Antônio desviar a atenção da conversa para um garoto novo que estava mexendo no celular um pouco atrás de nós.

– Ele é lindo... – caio no erro de comentar meio alto.

– Como é Arthur? – Antônio me pergunta e todos se viram para mim. Meu pior pesadelo, ter toda a atenção dos outros retida em minha direção.

– Nada. – respondo, sentindo minhas bochechas ardendo de vergonha.

– Parece que ele não é o único novato. – outro rapaz do grupo comenta, enquanto eu continuo um pouco paralisado por causa do olhar afiado de Antônio sobre mim. 

– Sim, contei uns 6 ou 7 novatos. 

– Quantos será que vão pra nossa sala? – outro menino pergunta e eu volto a ler, pensando no primeiro rapaz que eles tinham mencionado. 

Ele era um garoto novo – aparentemente da nossa idade. Alto, mais alto que eu e que Antônio, além de ser mais forte também. Cabelos loiros ondulados que batiam na altura de seus ombros, olhos verdes que fitavam todas as pessoas que passavam por ele e muitas sardas espalhadas pelo rosto, com bochechas naturalmente vermelhas. Pra ser bem sincero, talvez ele tenha me chamado tanta atenção, pela sua semelhança com Antônio. Analisando suas sobrancelhas, nariz, cílios e boca rosada, percebi que talvez ele tivesse me deixado verdadeiramente atraído de uma forma que nunca tinha acontecido antes – e isso me deixava preocupado, porque mesmo que eu desse muitos "deslizes" com Antônio eu nunca tinha sentido aquele tipo de atração por ele.

Ele estava com um casaco cinza de zíper aberto, com a blusa do uniforme da escola por baixo e relógio no pulso direito. Calça jeans azul escura, tênis preto, boné virado para trás com partes do cabelo escapando por baixo do boné e uma câmera pendurada ao redor do pescoço. Eu sabia que Antônio tinha me pedido pra não comentar nada com ele, caso eu descobrisse alguma coisa, mas por alguns segundos uma coragem inexplicável me veio e senti a necessidade de falar pra ele. 

– Então, não pira. – falo, puxando Antônio pelo braço para longe do grupo.

– O que foi? – ele pergunta e o sinal da escola bate no segundo seguinte. 

– Vamos entrar? – nosso coordenador de turno pergunta, se aproximando da gente. 

– Me fala depois, tá? Não esquece. – Antônio pede, depois de concordar com a cabeça para o coordenador. 

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