Início do Fim

~ Visão de Antônio ~

– Sair do time é um pouco demais, não? – João me pergunta e eu o observo por alguns segundos. Ele estava deitado na minha cama, apenas de cueca, enquanto jogava no celular. 

– Não pra o que eu quero. Preciso me dedicar integralmente nisso e o futebol iria me cobrar tempo demais, agora que o Alex tá fora por um tempo, você sabe. – respondo.

– Vou ter que procurar outro pra me foder depois dos treinos, então? – ele pergunta e eu o encaro.

– Nem brinca com isso. – digo e ele sorri, largando o celular de lado e me abraçando por trás, enquanto eu estava analisando alguns papéis que estavam em cima da minha mesa de estudos. – Esse é o carro que atropelou o Andrey e saiu vazado de lá. Eles simplesmente não conseguem rastrear, mas eu já vi meu pai em um desses de outra cor. Preciso entrar completamente na vida dele pra descobrir as placas dos carros do meu pai, ou saber se tem algum danificado, porque estou com uma distância significativa no momento, que não me permite fazer isso.

– Não é querendo ser muito esperançoso, mas você não acha que assassinar alguém é uma coisa forte demais, até pro seu pai não? – ele pergunta de volta e eu o encaro.

– Desde que o Andrey morreu meu pai sempre fica aqui. Inexplicavelmente nessa semana em específico ele tem insistido pra eu ir morar com ele com a minha mãe, pra ver o quão diferente ele está. Não para de repetir que quer uma nova chance pra mostrar pra ela o quão ótimo homem ele se tornou... – digo.

– E você acredita nisso? 

– Nem um pouco. Minha mãe deixou claro que não vai, mas eu vou. Vou me passar por bom filho, perguntar coisas da empresa, ficar de olho, me interessar pela vida dele e investigar de dentro. E se ele for o culpado... – não termino a frase e João para do meu lado. Eu o olho, mas desvio o olhar, encarando o chão. 

Ele, então, me puxa e me abraça com toda a delicadeza que podia, me dando um beijo na testa e permitindo que eu me encaixe em seu corpo. 

– Me promete que não vai fazer nada de ruim com ele, por favor. – pede e eu o solto, olhando-o nos olhos. 

– Não posso. – respondo. 

– Antônio, por favor... sabe? Você tem falado desde que foi levantada a suspeita de assassinato, que vai fazer a mesma coisa com o culpado e por mais que a maioria dos nossos amigos leve isso como uma piada mórbida, você nunca nega de verdade e eu fico preocupado contigo. Se for realmente uma piada, por favor me diz e tira do meu peito o medo que eu tenho de te perder. – ele começa a chorar e eu o puxo novamente para um abraço, fazendo cafuné em sua cabeça. 

Acontece que desde que Andrey morreu, senti como se minha vida tivesse desandado a ponto de ter congelado. Eu dormia e acordava pensando nele, sonhava em como tinham sido suas últimas horas vivo q o que ele pode ter sentido. Esse tipo de coisa consome a mente de uma pessoa e é óbvio que isso passou a acontecer comigo.

Investigar o que aconteceu passou a ser minha principal função na Terra e aparentemente finalmente eu tinha encontrado algo que realmente queria fazer, mas é óbvio que pensava todos os dias em como isso poderia me afetar quando eu enfim realizasse meu objetivo. 

Tinha decidido que naquela semana iria deixar claro que sairia do time, mas antes disso, no domingo, acabei por ir almoçar com o meu pai para conversar sobre a decisão. Precisava que ele aprovasse e aceitasse que eu passasse a fazer parte de sua vida – e como ele vinha me pedindo isso há tempos, sabia que provavelmente não seria um problema. 

– Quer me explicar o interesse repentino? – ele pergunta e eu sorrio, dando de ombros. 

– Me implorou tanto essa semana que pensei que talvez isso seria bom. Minha mãe não quer, ela diz que as memórias sobre você ainda são frescas na mente dela, mas eu não te conheço. Não sei quem é esse cara que se diz meu pai, então quero conhecê-lo. – digo e ele bebe um gole de vinho, olhando par ao lado, pra pensar um pouco. 

– E quer passar quanto tempo comigo? Acha que vai em aguentar ou na primeira briga vai embora? – ele pergunta e eu sorrio.

– Acha que vou sair da minha zona de conforto pra voltar pra casa na primeira briga que eu me meter? – pergunto e ele dá de ombros. – Só quero pedir uma coisa. 

– O que? 

– Pode desativar as câmeras internas da sua casa? Você é milionário, eu sei que vai ter. – ele permanece me encarando. – Eu levo muita mulher pro meu quarto, não quero fazer isso sabendo que 60 caras estão assistindo. São só as de dentro, as de fora pode manter, eu só...

– Tudo bem. As câmeras internas foram desativadas esses dias justamente por causa de privacidade. – ele diz e eu fico observando-o. 

Não iria perguntar o que tinha acontecido, porque não queria que ele levantasse uma bandeira vermelha sobre o meu repentino interesse em sua vida, mas tinha guardado muito bem as palavras do meu pai na mente.

– Obrigado. – digo, bebendo um gole do vinho que ele tinha servido pra mim. – A propósito, quero sair do time. 

– O que? Por quê? 

– Quando decidi que queria fazer parte da sua vida, era de verdade. Quero que me fale da sua empresa, me apresente seus negócios... o outro capitão do meu time sofreu uma lesão, não vai poder assumir o próximo jogo e o treinador vai vir como um gavião me cobrar. Só acho que preciso entender e colocar minhas prioridades no lugar. – respondo e ele parece feliz, já que pela primeira vez em anos o vejo sorrir. 

– É muito bom te ver engajado. Tudo que sempre quis foi um filho herdeiro, com vontade de assumir meu império. Eu criei isso pra ser eterno, não pra acabar de repente quando eu morrer. – diz e eu me forço a sorrir, concordando com a cabeça. – Pode sair do time, se o seu treinador me disser algo, eu calo a boca dele.

– Obrigado... – me engasgo por alguns segundos. – Pai. – ele me olha, como se estivesse verdadeiramente feliz em me ouvir falar isso. 

Dentro de mim meu corpo sangra. Depois do jantar, vou ao banheiro e lá lavo minhas mãos com força, esfregando-as até sentir uma irritação média nelas. Lavo meu rosto e me apoio na pia, olhando para o espelho, com nojo de mim mesmo e na hora de ir embora, sou acompanhado por dois seguranças, que me deixam em casa.

Minha mãe já estava dormindo e eu agradeci silenciosamente por isso, porque ela com certeza iria passar muitas horas me perguntando como tinha sido aquele jantar estúpido. Assim que entro no meu quarto, no entanto, vou tirando a minha roupa e quando me viro, vejo João ali, parado, me observando.

– Como foi? – me pergunta e eu vou até ele, dando-lhe um selinho e abraçando-o em seguida. 

– Que saudade de você. – é tudo o que digo, enquanto ele passa sua mão pela minha nuca, descendo pelas minhas costas. – Ele me deixou sair do time sem mais problemas. Vou me mudar pra casa dele essa semana, já me disse até que posso fazer as malas e tudo. – me solto dele e começo a terminar de tirar minha roupa, desabotoando minha calça e chutando meus sapatos longe.

– Então não vamos mais nos ver? Posso de fato procurar um novo cara? – ele pergunta e eu vou até ele, colocando minha mão em seu pescoço e guiando-o até minha cama. 

João se senta nela e eu o empurro, ainda com a minha mão em seu pescoço, ficando por cima dele. Com a mão livre, desço pela sua barriga, por baixo da blusa, até o botão de sua bermuda e desabotoo, enfiando-a dentro de sua cueca e começando, ali, minha massagem que faz revirar os olhos.

– Experimenta beijar outro cara. – digo e ele sorri, mordendo seu lábio inferior, enquanto continuo o que estava fazendo. 

Ficamos juntos aquele dia e depois assumi o papel ao qual me prestei. Naquela semana me mudei pra casa do meu pai, avisei que iria sair do time e comecei a acompanhá-lo nas reuniões de sua empresa. Ele me apresentou seus sócios e maiores contribuintes. 

Era muito estranho estar ali depois de tanto tempo, com Rômulo me apresentando as pessoas da vida dele, como se sempre tivesse sido um pai exemplar. Muitas vezes me peguei bebendo demais, para tentar acobertar que na verdade estava totalmente incomodado – e também passava muito tempo indo ao banheiro. Foi numa dessas que ouvi a conversa mais estranha da minha vida:

– Esse é outro filho do Rômulo? – um homem que não reconheço a voz, diz.

– Aparentemente sim, provavelmente o outro não teve interesse na carreira do pai. É justo pra ele, porque o universo empresarial é difícil pra algumas pessoas e ele parecia ser bom demais. Esse parece ser carrancudo, como o pai, talvez tenha mais pulso. – o outro homem responde. 

– Só pela forma de desdém que ele olha todos, dá pra perceber que realmente é filho de quem diz ser. – o que começou a conversa termina.

Se isso tivesse acontecido enquanto eu não tinha nenhum plano ou foco, provavelmente teria ido tirar satisfação com esses homens, mas agora não podia. Apenas voltei para a festa e continuei interpretando o papel de filho perfeito para todos que estavam ali. 

– Eu quero dormir na casa de um amigo meu hoje. – falo, enquanto estamos no carro. Já estava morando com meu pai há 3 dias e não aguentava mais não ter o João. 

Eu não tinha o apresentado ao meu pai, porque não queria que meu pai tivesse noção das minhas fraquezas. Não queria que ele o conhecesse, soubesse onde ele morava e qualquer outra coisa que pudesse ser usada contra mim caso meu plano desse um resultado pior do que o esperado. 

– Arthur? – meu pai pergunta. 

– Sim, tá tarde, vou entrar pela janela dele. – falo e meu pai concorda com a cabeça. O motorista, então, vai rumo à casa de Arthur. 

Quando chegamos lá, desci do carro e me despedi do meu pai, me preparando para escalar e entrar pela janela. Ele ficou esperando e eu precisei entrar no quarto do Arthur. Passava das 1h da manhã e o quarto estava vazio – para a minha sorte. Esperei passar alguns minutos e mandei mensagem para João, perguntando se ele estava acordado e quando ele me respondeu positivamente, tirei meus sapatos – para ficar mais fácil de descer –, o blazer e comecei a correr pela avenida em direção à sua casa. 

– O que tá fazendo aqui? – ele pergunta, abrindo a porta. – Pode falar, meus pais estão viajando.

– Tava morrendo de saudade. – respondo e ele sorri, me puxando pra dentro e me beijando ali mesmo, depois de fechar a porta. 

Eu pingava de suor, por isso pedi pra ele para que fosse tomar um banho e ele acabou vindo tomar comigo. Enquanto banhávamos ele ficou na minha frente, enquanto eu o abraçava por trás, beijava seu pescoço e acariciava seu corpo. Estava com tanta saudade que só queria ficar de grude com ele. 

– O que fizeram com você? Chegou aqui e ficou todo de chamego comigo, nem disse nada negativo ou...

– Só quero curtir esse momento. Estava com saudade. – respondo. Estávamos de cueca na cama dele, enquanto na tv passava um filme aleatório que na verdade eu não prestava atenção, porque estava cheirando o cabelo e pele dele. – Espera. – me levanto, indo até minha calça. 

– O que? – ele pergunta, se sentando. 

– Peguei pra você da festa hoje. – tiro do meu bolso da calça algumas trufas de licor e ele sorri quando vê, abrindo e comendo uma no mesmo minuto. 

João faz biquinho pra mim e eu o beijo. É a partir daí que começamos, porque eu simplesmente cedi. Começamos a nos beijar com o gosto daquele chocolate e conforme João ficava ofegante, eu também ficava. Ele mantinha uma de suas mãos na parte de trás do meu pescoço, me pressionando contra sua pele, enquanto eu passeava com a boca por seu peito, mamilos e barriga.

Quando minha boca começou a chupá-lo João mordeu sua mão, tentando não fazer muito barulho, mas quando percebi isso, dei dois tapinhas em sua perna, pedindo suas mãos. Quando ele me entregou, uma coloquei na parte de trás da minha cabeça e a outra segurei, para que ele não reprimisse mais seus gemidos. 

Desde que comecei com João nunca mais fiquei com mulher alguma. Sei que não faço o tipo que jura ser fiel e realmente é, mas não estou aqui para jurar nada, apenas para contar a verdade. É claro que como não mantemos um relacionamento sério, eu até tentei ficar com uma garota que sempre gostei do beijo há um tempo atrás, mas não era mais a mesma coisa. 

Hoje entendi que não é como se eu fosse gay, por exemplo, mas é questão de realmente sentir que encaixou. Isso poderia ter acontecido com uma mulher, mas acabou acontecendo com ele. Quando o vi chorar pela primeira vez por minha causa, me marcou. Quando o beijei pela primeira vez, também... assim como quando transamos pela primeira vez, nunca mais consegui transar com ninguém e por mais que naquela época ainda tentasse ficar com o papo de "não vou beijá-lo, para não criar conexão" a verdade é que se não tivéssemos uma conexão desde a primeira vez que transamos, não teria acontecido todas as outras vezes. 

E foi nesse momento, enquanto tínhamos uma relação voltada apenas para o carinho, que flashes da minha vida conturbada vieram na minha mente e se intercalaram com o calor amoroso daquele minuto. Quando voltei a beijá-lo na boca e ele me empurrou na cama, vindo por cima de mim, parei por alguns segundos, apenas para olhá-lo. 

Me sentia horrível por saber que provavelmente o faria chorar mais uma vez caso seguisse meu plano, mas era como se estivesse em uma sinuca de bico. Passei, então, minha mão pelo rosto de João devagar e ele fechou os olhos, permitindo que eu passasse meu dedão pela sua boca com cuidado e naquele mesmo instante voltamos para nossa frequência de beijos, continuando o que tínhamos começado.

– Seu pai sabe que está aqui? – ele pergunta, enquanto seus dedos passeiam pela minha barriga, depois de transarmos.

– Não quero que ele saiba de você. Posso acabar te colocando em risco, por me meter em assuntos que não são da minha conta. – digo e ele me olha. – Se acontecer alguma coisa com você, eu explodo esse planeta.

– Se alguém me contasse que ouviu você dizendo isso, eu não acreditaria. – ele diz e eu sorrio, beijando-o mais. 

– Eu realmente estava com saudade, João. – repito. – Pode não acreditar ou achar que estou exagerando, mas eu gosto de você. A gente tinha tudo pra dar errado, porque eu fui um lixo com você e comecei tentando te usar pra ter prazer, porque estava frustrado, mas... não é mais assim. 

– Você me assusta quando começa com esses papos, porque eu sei que fala sério, mas não sei se quero que seja. Não quero ser alguém importante pra você, porque isso pode te trazer problemas e eu só quero te trazer coisas boas, como tesão. – ele rebate e eu sorrio, desviando o olhar daquela cara de pervertido dele. 

– Já era. Tô tentando ser alguém melhor, por sua causa. E amanhã tenho uma coisa pra resolver, por causa desse processo. – digo. 

– Você ainda não me contou como tá sendo...

– Reunião atrás de reunião, os sócios do meu pai são tão lixos quanto ele, ficam insinuando que eu não sou filho dele... descobri que tenho um irmão perdido nesse mundo...

– Caralho, isso é novo. E o que mais? Tem conhecido muitas mulheres bonitas? Geralmente nessas reuniões tem várias. – ele pergunta e na hora percebo o que ele realmente queria saber.

– Quer saber se eu tô comendo alguém? – ele desvia o olhar, pensando na resposta. – Sei que tem medo da resposta, então não sabe se realmente quer saber, mas não estou. – ele me olha. – Fugi do meu pai e dos seguranças dele pra vir comer a única pessoa que desejo todos os dias. 

– Os seguranças não entram na escola, né? – ele pergunta. 

– Não. 

– Nosso último horário amanhã é vago e o banheiro de baixo tá interditado... caso queria aliviar um pouco, vou com meu calção. – ele comenta e eu sorrio. – Como nos velhos tempos, lembra? – beija meu rosto, descendo pelo meu pescoço e peito, encostando sua cabeça ali. – Se não quer que os seguranças dele me vejam, a gente precisa dar nosso jeito. Eu também senti a sua falta, Antônio. Sou acostumado a dormir contigo já. – dou um beijo na testa dele. 

Quando João pegou no sono eu fugi. Acabei indo a pé pra casa, no meio da madrugada. Fui direto pro meu quarto e tomei mais um banho. No dia seguinte cheguei no meu grupo de amigos e fiquei ali, viajando em silêncio, até ver Júlia, a amiga de Arthur passar. 

– Júlia, posso conversar com você? – ela para de andar brevemente, mas quando vê que sou eu falando, volta a andar. É aí que me ajoelho no meio da entrada da escola e todos começam a encarar sem entender nada. 

– Que porra você tá fazendo?

– Me desculpa. – ela continua me olhando. – Você não é obrigada a aceitar, mas eu preciso me desculpar pela forma como te tratei quando começou a se aproximar do Arthur. Eu sei que sou problemático e extremamente impulsivo, que faço coisas repulsivas e imperdoáveis, mas preciso te dizer que tenho completa consciência de que o que eu fiz foi errado. Não sou o mesmo do começo do ano passado. – ela apenas concorda com a cabeça e eu me levanto, ouvindo o sinal tocar e os portões abrirem em seguida. 

Ia passar por ela, mas ela segurou meu braço antes que isso acontecesse. 

– Não sei o que está planejando, Antônio, mas eu juro...

– Não é nada. Só estou acertando minhas pendências. – é tudo que digo. – Não precisa acreditar em mim, mas fico feliz que tenha me escutado. – ela me solta e eu continuo andando.

– O que foi aquilo? – um dos meus amigos pergunta e eu o observo rapidamente. 

– Um pedido de desculpas, porque eu sou um bosta. – respondo, andando rapidamente até minha sala. 

Quando chego no meu lugar, me sento e fico em silêncio. Permaneço dessa forma, até ela se sentar na minha frente, me encarando por alguns segundos. 

– O que tá rolando? Você me beija a força, assedia, passa um tempo afastado do Arthur e agora volta com esse papo de pedir desculpas no meio de todo mundo, se humilhando daquele jeito? Quem é você e por qual motivo acha que pode resolver tudo fazendo isso? – ela questiona.

– Sei que não posso mudar as coisas que fiz e te disse, Júlia. Você nunca mais vai me ver como alguém totalmente aleatório, porque eu te prejudiquei e assustei. Eu sei disso. Só fiz o mínimo, porque acredito que não vou ter mais tempo pra lidar com esse tipo de erro do passado. – falo e ela permanece me encarando.

Não demora muito até que ela fique de pé e saia dali. Fico sozinho todos os horários de aula, observando minha turma, como uma despedida silenciosa. Até mesmo quando meus amigos vem conversar comigo, sinto como se estivesse assistindo esse momento por fora e isso se segue por todo o resto do dia escolar, até o horário vago em que tinha marcado o encontro com João.

– E aí. – ele diz, assim que entro no banheiro e eu sorrio, indo até ele, que me puxa para a última repartição do banheiro. – Como foi eu dia? – ele pergunta, se sentando em meu colo, de frente pra mim e eu apoio minhas mãos em suas coxas, acariciando-as.

– Senti sua falta. – é tudo que falo, enterrando meu rosto em seu peito. 

João, então, passa sua mão pelo meu cabelo e nuca, voltando para o meu cabelo e puxando-o para baixo, fazendo com que eu o olhasse. Ele, então, segurou o meu queixo e começou a me beijar devagar. 

– Você precisa parar de demonstrar sentimentos comigo, Antônio. Não quero ficar viciado em você, sabendo que não posso. – diz, depois de pararmos nosso beijo e eu sorrio. – O que vai fazer hoje? 

– Reunião. Meu pai vai me mostrar como fazer o levantamento de dados de carros e funcionários. Vou aproveitar pra investigar, sem chamar atenção. 

– E acha que vai dar certo? – ele pergunta e eu concordo com a cabeça. – É por isso que está com esse tom de despedida que não gosto nem um pouco? – encosto minha cabeça na parede atrás de mim, respirando fundo. 

– Eu comecei a me aproximar do Rômulo, conforme ele ficou indo na minha casa, depois da morte do meu pai. No começo ele ia almoçar ou jantar, além de fazer visitas momentâneas. Não era realmente como se ele estivesse ali de verdade e embora eu me incomodasse demais, minha mãe estava passando por um luto tão afiado, que não tive coragem de dizer pra ela que deveria afastar aquele abutre. 

– Por qual motivo não me contou exatamente isso? – ele pergunta.

– Não contei nem mesmo pro Arthur. Acreditei que isso não iria dar em nada, quando na verdade alguns comentários específicos do meu pai começaram a me deixar com a pulga atrás da orelha e foi aí que quando ganhei minha suspensão pedi para que ele fosse me levando na empresa e ele fez de vez, mas sem me apresentar pra ninguém. Durante esse tempo de investigação, levantei os tempos de atuação de cada funcionário próximo dele e agora eu só preciso saber sobre esses carros. 

– Anota essas coisas, Antônio.

– Já fiz. Vou denunciar ele. – digo e ele sorri, concordando com a cabeça. – Nesses últimos dias não penso em me vingar da forma como vinha dizendo... 

– Por quê? – ele pergunta.

– Só de imaginar te deixar sozinho e mais do que isso, saber que caso isso aconteça você vai seguir sua vida e outro cara vai foder você, já desisto. – ele sorri, segurando meu rosto e olhando nos meus olhos. – Só eu quero ser o insaciável que te come. 

– Então passe a agir com a cabeça mesmo. – ele diz, me beijando. 

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