Festa Desastrosa

~Visão de Binho ~

Eu não queria ir pra uma certa festa que vai acontecer no dia de hoje. Por mim, preferia ficar na casa de Arthur, assistindo alguma coisa com ele. Acontece, no entanto, que ele quer ir pra ver se ajuda Júlia a se divertir um pouco – o que ela e eu sabemos que não vai rolar, porque ela não é exatamente do tipo sociável de ser humano. No final, no entanto, é claro que como eu não tenho vontade própria, aceitei o convite – unicamente para fazer Arthur feliz, porque eu realmente não tinha interesse naquilo. 

Enquanto nos arrumávamos, no entanto, a todo momento ele parava o que estava fazendo pra me beijar e me provocar um pouco. Segundo ele, esses beijos mais quentes era uma forma de me agradecer por ter aceitado fazer o que ele tinha pedido – porque como eu já disse, não estava animado para aquela festa. 

Não demorou muito tempo até que Júlia chegasse e mesmo com nós dois tentando desfazer a vontade de Arthur de ir, ele já tinha tomado sua decisão definitiva, então fomos nós três de mãos dadas para o lugar – e embora visualmente estivéssemos sozinhos, meus olhos treinados conseguiam ver de longe que os seguranças do meu pai nos acompanharam até o local. 

Chegando lá, ele me apresentou para todos que conhecia e logo de cara eu já pude ver no olhar de Vanessa – a dona da festa – o desejo. Ela me olhou de cima a baixo e me deu um abraço mais apertado que as outras ali. Ela ainda elogiou o meu perfume e disse que eu era tão bonito quanto as amigas dela disseram que era – atualmente ela é de outra escola, mas estudou por muitos anos na nossa.

Ficamos conversando por um tempo e depois disso, quando as perguntas de apresentação foram ficando íntimas demais, pedi licença para as pessoas e fui até Antônio, que estava jogando baralho, enquanto bebia e fumava. Olhando de longe, o olhar sem esperança dele me lembrava e muito o meu pai e na nossa rápida conversa, pela forma como nos conectamos, eu sinto que ele também percebeu que alguma coisa estava errada, como se tivéssemos muito  que conversar ainda, mesmo sem saber exatamente o que. 

– Que lugar barulhento. – Júlia reclama pra mim, enquanto Arthur vai ao banheiro. 

– Muito. Preferia estar vendo filme com vocês agora. – concordo e ela me encara.

– Me diz... – olho pra ela. – Tá valendo a pena estar com o Arthur? Eu nunca namorei, então fico curiosa de saber como é, mas se não quiser responder, tudo bem.

– O Arthur é incrível, embora às vezes eu sinta que ele é de papel e vai rasgar a qualquer momento. 

– Como assim? 

– Eu não espero um relacionamento eterno, mas com ele, ainda, é como se eu tivesse certeza que não vai ser. Sinto que não sou a prioridade dele, sabe? No primeiro conflito de ideias que a gente tiver, por exemplo, eu não sei se ele vai tentar me entender ou se vai preferir acabar com tudo. Principalmente porque ainda não estamos juntos de forma oficial. Não sei se sou um tapa buraco de convivência pela amizade dele com Antônio estar em crise. – digo. Meu pai sempre me disse que a única coisa que podia se aproveitar de mim era a minha beleza e meu futebol, porque eu era burro e extremamente substituível. Agora que eu estava com alguém, tinha medo que isso tudo viesse à tona.

– Ele já fez alguma coisa pra parecer isso, ou é só insegurança sua? 

– Insegurança. Em todos os meus relacionamentos eu fui trocado e ele é uma pessoa tão boa que tenho a sensação que a qualquer momento ele vai perceber que eu não sou bom o suficiente e vai embora. – mentira. O maior fator para que eu me sentisse uma pessoa horrível era meu pai, mas é claro que não posso comentar sobre com ninguém.

– Para com isso, você é uma boa pessoa. E assim... acho que está errado sobre tudo. O Arthur não é do tipo que abandona nem quem faz mal a ele, quem dirá quem faz bem. – ela comenta, tomando um pouco de bebida. – Ele foi amigo daquele otário do Antônio por muitos anos e o cara sempre tratou ele como uma barata nojenta. Se liga, para de se colocar pra baixo desse jeito ou o que vai realmente fazer vocês terminarem são as suas paranoias. 

– Voltei, quer beber isso comigo? – Arthur se aproxima, com algo nas mãos e eu fico apenas olhando.

– O que é? – Júlia pergunta.

– Não sei, quer experimentar? – ele rebate e ela parece não querer muito.

– Arthur, tem que tomar cuidado, não pode ficar misturando bebida. – ela diz e ele me olha.

– O Alex cuida da gente, já que ele não bebe. – Arthur diz e eu respiro fundo.

– Não é uma boa ideia. – digo e ele me olha nos olhos, bebendo em seguida. 

Por mais que eu soubesse que ele fazia isso pra me provocar, a única coisa que realmente conseguia tirar de mim era o meu amor. Eu simplesmente ficava bobo de paixão com tudo que ele fazia, incluindo esse tipo de provocação – mas pode ter certeza que quando chegar o momento pra descontar essas provocações, eu irei. 

No geral, a noite foi passando e os assuntos foram se dissolvendo. Consegui conversar bem com todos e todos foram bem respeitosos comigo – embora pra alguns fosse um crime eu não beber. Arthur estava sempre conversando com Júlia e tentando chamar atenção dela pro papo – o que não adiantava muito e eu, enquanto dava atenção para as outras pessoas, deixei meu braço em cima de sua coxa a noite inteira, segurando ela por dentro e mantendo ele com força perto de mim. Ter Arthur perto me dava segurança.

Fora isso, mesmo tentando cortar, Vanessa tocava em mim e a cada momento reforçava minha ideia de que ela estava tentando ter algo comigo. Quando se tornou insuportável, tanto para mim quanto para Arthur. Eu percebi que ele tinha bebido demais e estava avaliando se eu "combinava" com Vanessa. É claro que esse comportamento deixou ele mesmo irritado e Arthur logo se levantou e saiu andando para a cozinha – e eu tentei ir atrás, mas Vanessa ficou me segurando por um tempo. 

Quando enfim consegui me livrar daquela situação, assim que cheguei na cozinha, vi que Antônio estava com ele, ajudando-o. Sabe, pra mim Antônio era um cara bacana que tinha se perdido dele mesmo há bastante tempo atrás e agora teria que realmente lutar fortemente pra conseguir se livrar desse fardo que as pessoas lhe deram. Ele, naquele momento, nem sequer tentou me irritar de qualquer forma, apenas nos deu licença e eu comecei a cuidar de Arthur.

Depois de um tempo, ele conseguiu melhorar um pouco do efeito do álcool e foi encontrar Júlia novamente. Enquanto ele procurava ela, eu decidi ir ao banheiro. Quase me perdi dentro daquela casa imensa. Na saída do banheiro, no entanto, acabei realmente me perdendo e entrei em um quarto. Para a minha infelicidade era o de Vanessa. Ela então apareceu na porta, me fazendo levar um susto.

– Está tudo bem, gatinho? – ela pergunta, entrando dentro do quarto e trancando a porta. Nós dois, então, ficamos frente a frente.

– Ah, oi... me perdi na sua casa, é muito grande, nunca foi minha intenção parecer um bisbilhoteiro. Eu sei que andar pela casa das pessoas sem autorização é errado. – falo e ela sorri.

– Qual é, eu sei que você quer ficar comigo. Pensei que investindo em você fosse perceber e chegar em mim, mas já que não rolou, tô chegando logo. Só não posso perder essa oportunidade. – ela diz e eu penso um pouco em como me sair daquela situação delicada.

– Como é? Não não... eu só quero que me leve até a festa de novo, realmente me perdi. Você é uma menina linda, mas eu não...

– Gatinho, não precisa ter medo. – ela diz, se aproximando e me deixando com a respiração ofegante.

– Vanessa, você tá bêbada, vou desconsiderar essa noite. Com licença. – tento falar de uma forma mais séria, mas não é como se fosse ajudar.

– Vem aqui... – me puxa com força.

Ela me beija e eu, rapidamente, por causa do susto, me saio daquela situação. Sou incapaz de empurrar ou gritar com uma mulher, mas aquilo me deixou irritado. Preferi, no entanto, me acalmar no período curto em que fiquei sozinho depois de sair daquele quarto até quando cheguei em Arthur – período esse que talvez não tenha sido tão curto assim, porque eu me perdi algumas vezes até realmente chegar de volta na festa. 

Acontece que assim que consigo chegar na festa novamente, vejo os meninos fazendo o Arthur virar doses de bebida na boca. O responsável? Antônio. Eu não sabia qual tinha sido a chave que ele tinha virado para do nada querer expor o Arthur ao ridículo, mas me aproximei rapidamente daquele circo de horrores e de cara percebi que Júlia não estava por perto. 

– Arthur, vem... – o ajudo a levantar. 

– Espera aí, cara, ele tá se divertindo. – Antônio comenta, rindo e eu me levanto, olhando seriamente em seus olhos. 

– Quando tá frustrado é isso que você faz? Expõe as pessoas ao ridículo pra se sentir melhor? – pergunto e alguém abaixa o som da festa, provavelmente acreditando que a gente sairia no braço ali mesmo. – Você me lembra alguém que conheço. 

– E ele é uma pessoa incrível? 

– Não. – respondo, sério, e ele fica sério também. – É alguém que tenho um misto de ódio e pena. Ódio, porque não passa de um miserável que paga de grande homem, mas não passa de merda. E pena, porque sei que no final das contas vai acabar sozinho por ser esse lixo. Isso se alguém não acabar com ele antes disso. Pensei que você fosse alguém minimamente decente, Antônio, mas percebi que não é. – olho ao redor. – Nenhum de vocês é e eu não vou me misturar com esse tipo de... – respiro fundo. – Nunca mais. – olho pra Vanessa, que tinha acabado de chegar no local.

Eu me agacho novamente até Arthur e peço para que ele venha comigo. Ele já estava todo suado e com os olhos aparentemente mortos, mas uso toda a força que tinha e não tinha para levantá-lo. Enquanto vou embora, sinto todos nos encarando, mas o olhar de Antônio enfurecido é o que mais pesa.

– Você sabe onde está a nossa amiga que veio com a gente? – pergunto para uma menina e ela nega com a cabeça. – Obrigado. – continuo andando. 

Assim que saio daquele lugar pego meu celular e começo a ligar para Júlia, que atende rapidamente e explica que teve que ir embora, porque seu avô teve algum problema urgente de saúde. Ela diz que o Arthur tinha ficado com Antônio, porque aparentemente ele queria conversar com ele e eu explico o que esse cara fez. É claro que Júlia fica enfurecida, mas não demora muito tempo até que eu ouça a voz da mãe dela chamando, porque o médico tinha chegado com notícias de seu avô. 

Desligo o telefone e continuo andando na rua com Arthur, até ouvir alguém se aproximando e quando olho para trás percebo que se tratava de Antônio. Ele não disse absolutamente nada, apenas me ajudou a levar Arthur pra casa e depois foi embora. Assim que chegamos no segundo andar da casa de Arthur, eu tirei sua blusa, calça, tênis e o levei para o banheiro, colocando-o debaixo do chuveiro gelado. 

Ele reclamou muito pelo o que eu estava fazendo, mas como ele tinha misturado muita bebida, eu precisei fazer isso para que ele melhorasse mais rápido. Enquanto Arthur tomava seu banho, eu fui procurar coisas doces para ele comer e aproveitei pra tomar os meus remédios. Quando voltei para o quarto dele, ele já estava deitado em sua cama, todo coberto. 

– Escovou seus dentes? – pergunto, dando os doces que tinha encontrado pra ele. 

– Não. Imaginei que fosse procurar coisas doces pra eu comer e só vou escovar depois disso. – ele responde e eu sorrio, concordando com a cabeça e dando refrigerante pra ele.  – O que aconteceu? – ele pergunta, percebendo que eu estava um tanto quanto frustrado. 

– Amor, acho melhor a gente conversar sobre isso amanhã... toma, come isso e bebe bastante água. Vou tirar minha calça, tudo bem? Não aguento ficar assim. – pergunto, me virando de costas para ele e abrindo o zíper.

– Tudo bem. Se quiser tomar banho, pode usar meu banheiro. – Arthur dá a ideia e eu acho ótima, por isso só vou no meu quarto pegar uma roupa pra dormir e volto para o banheiro dele, pra tomar meu banho.

Tomo um banho calmo, pensando em como eu contaria pra ele que uma moça me "beijou" e ainda mais do que isso: me questiono várias vezes se seria realmente necessário fazer isso. Acontece que por mais que ele e eu não estivéssemos em um relacionamento sério, não contar o que aconteceu faria esse fato se transformar em um segredo e eu não queria ter mais uma coisa pra esconder dele. 

Quando saio do banheiro, vejo que Arthur ainda estava assistindo série, enquanto comia o que eu tinha trazido pra ele. Aquele rapaz era a coisa mais fofa que eu já tinha visto na minha vida e eu me sentia eternamente sortudo por estar tendo a oportunidade e conviver tanto assim com ele. 

– Vem assistir comigo... – ele me chama e eu concordo com a cabeça, me enfiando debaixo do cobertor. Acontece que quando cheguei perto dele, percebi que Arthur estava apenas de cueca e isso instantaneamente me deixou levemente... alegre.

Eu, então, me sentei um pouco longe dele, mas isso não adiantou muito, porque Arthur acabou se aproximando e se sentando entre as minhas pernas, colocando um travesseiro na barriga e se apoiando nele. Até tentei dizer que talvez aquele não fosse o jeito ideal de ficarmos, mas ele apenas me pediu pra fazer silêncio, porque queria prestar atenção no que estava assistindo. Não tínhamos chegado tão tarde na casa dele, por isso, Arthur ainda teve tempo suficiente pra se livrar do seu quase coma alcoólico. 

– O que o Antônio fez pra você beber tanto? 

– Ele ficou usando meus traumas de infância contra mim. – Arthur responde, pensando um pouco. – Disse que brincar de shot era a oportunidade que eu precisava pra provar que não era mais a criancinha da mamãe. Ele sabe que eu não gosto disso, porque envolve uma história delicada da minha infância.

– Quer compartilhar? 

– No oitavo ano, um menino que fazia "brincadeiras" sem graça comigo me machucou de uma forma muito séria e a minha mãe foi chamada na escola por isso. Pros amigos do Antônio não importava muito o fato de que eu tive que ir pro hospital tomar ponto, eles só se importaram que pela minha mãe ter ido lá, ela ameaçou a escola de processo se o menino não fosse expulso e foi o que aconteceu. – ele explica. – Os amigos dele, que eram os amigos do Antônio, então, começaram a me perseguir no lugar dele, dizendo que eu era um bebê da mamãe. Eles me batiam, me xingavam todos os dias e ele nunca disse nada pra eles em específico, porque não queria perder o poder que tinha. Aí depois mudamos de escola pra cursar o ensino médio em outro lugar e ele passou a me defender de absolutamente todo mundo, como se tentasse compensar alguma coisa.

– E isso adianta? 

– É claro que não. – eu, então, abraço ele com força, porque Arthur começou a chorar silenciosamente. 

– Você não tá mais sozinho. – digo. 

– Obrigado por me tirar de lá. Sozinho eu não conseguiria. – ele se vira pra mim, olhando nos meus olhos. – Tenho muito medo de não ser suficiente pra você, sabia? 

– O que? Por quê? 

– Desde o primeiro dia que convivemos você sempre foi incrivelmente bom pra mim. E eu sei que não cheguei nem perto disso pra você.

– Pode parar. Só de me chamar pra dormir aqui esses dias você já está fazendo muito por mim, mesmo que não saiba. – respondo e ele sorri, me beijando em seguida. Não demora muito tempo até que ele tire o travesseiro que fazia a barreira dele do meu corpo e Arthur logo percebe que eu estava duro, por isso, ele me dá um empurrão leve para que eu me deite. 

Eu, então, deito de costas na cama e Arthur se senta em cima de mim, rebolando em seguida. Nosso beijo continuou e a cada rebolada de Arthur eu sentia que ficava mais "alegre", não conseguindo, muitas vezes, segurar meus gemidinhos curtos. Acontece que mesmo que o efeito do álcool dele tenha passado um pouco, eu não queria fazer nada com alguém nem que estivesse minimamente alterado. Fora que essa conversa dele me agradecer por eu fazer o mínimo pode significar que ele sente a necessidade de me retribuir algo que não tem realmente tal necessidade – e a última coisa que eu quero é que ele se sinta, mesmo que indiretamente, obrigado a fazer algo que não está verdadeiramente pronto pra fazer, levando em consideração o que Júlia me contou sobre o assunto. 

– Espera. – digo, parando nosso beijo. 

– O que aconteceu? 

– Não quero que faça isso por achar que me deve alguma coisa, porque você não deve e além disso ainda está alterado. – digo e ele fica me olhando por um tempo, respirando fundo em seguida.

– Já tá passando. 

– Sei. Se quiser outro motivo pra eu não querer transar com você agora, eu te dou... sei que está decepcionado com o que o Antônio fez e eu não quero ser algo que você usa pra não pensar nesse tipo de frustração. Não sou um vício, Arthur, sou alguém que está verdadeiramente apaixonado por você. 

– Me desculpa. – ele encosta a cabeça no meu peito e eu coloco minha mão em sua nuca, fazendo cafuné.

– Conversa com ele amanhã, tenta se resolver com o seu amigo, mas não comece a fazer nada pra tentar ocupar a mente ou se desviar dos seus problemas, porque isso se torna um vício muito grande. 

– Obrigado. – ele recai com todo o peso de seu corpo sobre minha barriga e peito, me abraçando e ficamos dessa forma por um tempo, enquanto a série continuava passando. 

Enquanto Arthur ficou me abraçando, provavelmente pensando no que eu disse, eu fiquei prestando atenção na série. Nesse meio tempo, ele começou a brincar com a minha barba que começava a nascer e ficou me olhando também, depois disso ele foi escovar seus dentes, mas não demorou muito a voltar correndo pra cama. Dado certo momento, ele começou a enfiar suas mãos por dentro da minha blusa e eu acabei tirando ela, acontecendo a mesma coisa com o meu short de dormir também. Segundo ele, Arthur queria sentir meu calor corporal. 

Acabamos dormindo dessa forma e no dia seguinte, quando acordei, vi que ele tinha rolado até o outro lado da cama. Eu, então, o cobri mais uma vez e me levantei, indo até o quarto onde estavam as minhas coisas pra pegar meus remédios e tomá-los. Olhando a minha bolsa, vi que a minha câmera estava ali e por alguns segundos eu até pensei em tirar fotos de Arthur, mas se meu pai visse provavelmente o caçaria. 

Eu só podia tirar fotos dele, caso Júlia estivesse presente, para se assemelhar sempre a uma relação de amizade. E assim, eu não sou nenhum especialista, mas ter uma foto dele, em sua cama, com pouca roupa, de manhã, com certeza transpareceria mais do que deveria, certo? 

Bom, de qualquer forma, fui ao banheiro, fiz minhas necessidades de higiene e depois disso voltei pro quarto, pra esperar Arthur acordar. Aquele era um dia chuvoso, por isso, quando ele acordou, apenas me puxou para que eu me encaixasse em seu corpo e ficamos curtindo preguiça por mais um tempo. 

Mais tarde, levantamos e ele foi escovar dentes para descermos pra preparar o café. Pra minha surpresa, Arthur achou de bom tom usar apenas cueca e minha blusa naquele dia, o que fazia com que eu me esforçasse e muito em não ficar excitado imaginando coisas o tempo inteiro. 

Quando o café ficou pronto e enfim nos sentamos para comer, achei por bem chamar a atenção dele pra um papo um pouco mais difícil, então eu disse:

– Então, precisamos conversar. 

– Sobre? – ele pergunta.

– Nós. – com isso, ele imediatamente fecha o semblante para sério e percebe que vai ser uma conversa complicada.

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