Capitulo 6

ANY GABRIELLY

A iluminação da casa estava bem fraca, mas já era o suficiente para eu enxergar o caminho.

Em passos lentos eu segui pelo corredor e fiquei atenta a qualquer barulho. Parei na escada e respirei fundo.

Desci aquilo sem muita pressa e assim que cheguei no final voltei a olhar em volta. Se daquela vez eu fui para a direita, creio que é uma boa ir para a esquerda agora... 

Virei meu corpo e segui pela esquerda. Estava crente que isso ia dar bom, mas dei de cara com mais dois lados.

— Não é possível. — resmunguei irritada.

A dor na minha mão estava ficando maior e eu já estava a ponto de chorar.

Chutei o lado direito e vi mais algumas portas. Não vou ter que abrir todas para achar a merda de uma cozinha, né?

Tombei a cabeça para trás e caminhei mais um pouco.

...

Senti um alívio tomar conta do meu corpo quando finalmente achei a cozinha.

— Noah só esqueceu de me dar um mapa mesmo. — digo rindo e acendo a luz do local.

Tentei abrir a porta de um armário, mas a dor estava me impossibilitando até de fazer isso, pra completar a merda essa porra abre puxando pra cima. Que vida bela.

Olhei para o lado e vi a geladeira. Me aproximei dela e encostei meu calcanhar ali. Com uma pequena força, eu consegui abrir ela e sorri. Olhei aquilo rapidamente e levantei as sobrancelhas surpresa. Nunca vi uma geladeira tão cheia em toda minha vida. 

— Ah! — fechei os olhos ao notar a merda do pequeno grito que eu dei, tudo isso porque vi morangos... Foca na água Gabrielly!

Me inclinei um pouco para baixo e vi algumas garrafinhas de água. Peguei uma e me levantei sorridente.

— O que está fazendo? — soltei um grito alto com o susto e minha garrafinha caiu no chão.

— Mas que... — parei de falar ao ver que era o loiro ali. Seus braços estavam cruzados e ele estava sem... ai meus Deus!

Desviei o olhar no mesmo instante e comecei a olhar dentro da geladeira. O cara está de bermuda e sem camisa, me ajuda também né Deus.

— É... — respirei fundo para falar. — A moça que me examinou passou um remédio para tomar caso minhas mãos estivessem doendo muito. — digo ainda olhando dentro da geladeira.

— Não é você que paga a conta de luz. — ele empurrou a porta para fechar e eu fui obrigada a dar um passo para trás.

Virei meu corpo para o outro lado e me agachei pegando a garrafinha.

— Desculpa. — digo indo até o balcão e tento abrir a garrafinha, porém não obtive sucesso.

Eu nunca me senti tão inútil em toda a minha vida. Não consigo abrir a merda de uma garrafinha de água.

Bufei irritada e joguei aquela cartela de comprimido do balcão.

— Será que você po... — paro de falar quando ele aparece do meu lado.

Não consegui evitar e olhei seu abdômen descaradamente. Quem precisa de máquina de lavar quando se tem um tanquinho desses?

Em algum momento desse sequestro eu devo ter batido com a cabeça, porque não é possível eu estar achando esse cara totalmente atraente. Deus, ele me sequestrou! Coloca isso na minha cabeça.

É impossível não imaginar coisa errada com ele... imagina o estrago que ele deve fazer na cama?

Limpei minha garganta voltando à realidade e balancei a cabeça para espantar isso.

— Será que você pode abrir pra mim? — empurrei a garrafinha na sua direção e evitei olhar ele.

— Deveria? — fechei os olhos e me segurei para não chorar com essa dor na mão.

— Por favor. — sussurro com a voz trêmula. — Só quero dormir pra essa dor parar. — ele ficou em silêncio.

Burrice da minha parte achar que esse cara iria me ajudar, o que depender dele eu morro com essa dor.

Suspirei cansada e puxei a garrafinha de volta.

— Não faz mal, vou pedir ao Noah. — me inclinei para pegar o remédio e ele tomou a garrafinha da minha mão.

Olhei rapidamente e ele abriu a garrafinha deixando sobre o balcão.

— Me dê esse comprimido! — disse grosso pegando a cartela.

Ouvi o pequeno estalo e logo depois o comprimido foi colocado na minha frente.

— Obrigada. — digo baixo e coloco o remédio na minha boca. Tomei a água e depois fechei a garrafinha lentamente. — Vou levar ela comigo. — levantei a garrafa e ele não disse nada. — Boa noite. — peguei a cartela e me virei para sair da cozinha.

Parece que o lobo mau não é tão mau... 

— Uma pergunta. — parei de andar ficando de costas.

— Sim? — digo ainda de costas.

— Você está usando alguma coisa por baixo dessa blusa? — abri a boca e senti meu coração disparar.

Ele não fez essa pergunta, não, não, não.

Agora que eu parei para pensar, esse cara deve ter me visto com a bunda empinada, já que me inclinei para pegar a garrafinha. Que maravilha!

Me virei para ele e o mesmo tinha seu corpo inclinado para frente enquanto seus braços estavam apoiados no balcão.

Me perdi naqueles músculos e só consegui imaginar aqueles braços me agarrando com força... GABRIELLY DO CÉU!

— E-eu. — travei mordendo o lábio inferior.

Assim fica difícil Gaby, você não consegue ver um homem sem camisa que perde os sentidos.

— Você? — meu olhar se encontrou com o seu e eu notei que seu rosto não estava tão sério.

Pode ser o remédio fazendo efeito, mas tenho quase certeza de que esse safado está se divertindo com toda essa situação...

— Estou sem nada. — digo com um sorriso. — Quer ver? — ameacei levantar a blusa e ele arqueou uma sobrancelha.

— Não mesmo. — contrai os lábios para segurar minha risada. — São uma da manhã, vai dormir! — disse saindo da sua posição.

— O senhor que manda. — me virei e sai voltando pelo corredor.

Subi as escadas lentamente e assim que virei o corredor olhei para baixo. O loiro estava bem ali, escorado em uma parede e me encarava com os braços cruzados. Que bicho gostoso.

Desviei meu olhar balançando a cabeça e segui para o quarto. Tenho que parar com esses pensamentos urgentemente.

Entrei no quarto e deixei a garrafinha sobre a mesinha. Puxei as cobertas para o lado e me deitei ali sentindo meu sono cada vez mais pesado.

Deus queira que isso não seja um veneno.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top