Capitulo 32

JOSH BEAUCHAMP

Peguei minhas chaves do carro e segui até a porta principal.

— Josh? — me virei vendo os meninos saindo da sala.

— O quê?

— Você não recebeu a ligação do Pepe? — perguntou Bailey e eu assenti. — Tem certeza?

— Tenho? — se olharam.

— É que assim. — disse Krys dando um passo à frente. — Por que essa casa não está destruída? — olhei em volta.

— Porque... — parei de falar ao notar que não tinha resposta.

Por que eu parei de quebrar as coisas mesmo?

— Josh? — Noah me chamou. — O que aconteceu?

— Não sei. — digo rodando a chave do carro no dedo. — A Any veio falar comigo de um filme.

— A Any? — disse Krys e eu assenti. — Veio falar com você e você parou para escutar? — assenti. — Foi por isso que não quebrou a casa?

— Acho que sim. — os três riram. — Tenho que ir comprar um celular novo. — sai de casa.

Entrei no carro e assim que fui colocar o cinto vi a Any se aproximando pelo espelho retrovisor.

— Onde vai? — perguntou apoiando os braços na janela do carro.

— Shopping. — assentiu.

— Me traz um milk-shake? — bati os dedos no volante.

— Ele não vai chegar aqui vivo. — digo e ela ri.

— Bom, então você vai ter que me levar. — abri a boca passando a língua nos dentes com um pequeno sorriso.

— Isso é sério? — olhei ela.

— Ah Josh, você adora minha companhia que eu sei. — neguei colocando meus óculos escuros e liguei o carro. — Vai se arrepender disso. — disse séria e se afastou indo em direção a casa.

Minha vontade era de buzinar e chamar ela, mas isso é deixar ela ter controle sobre mim.

Acelerei o carro e segui em direção ao shopping.

Durante o caminho fui me tocando de algo. Eu estava fervendo de raiva, e Any falou comigo de uma forma tão descontraída que nem percebi o momento que me acalmei.

Como ela conseguiu isso? Gritei tão alto que ela deveria ter saído na primeira oportunidade... Ah Gabrielly.

...

Cheguei no shopping e fui direto na loja da Apple.

Comprei o celular e depois andei pelo local entediado. Acho que vou fazer uma visita para Pepe, conhecer essa tal amiga de Any.

Coloquei o chip no celular e consegui fazer o backup dos contatos. Liguei para Pepe e ele me disse que estava tranquilo.

...

Desci do carro retirando os óculos e Pepe já estava à minha espera. Olhei de relance para a janela de cima da casa e vi uma menina olhando pra mim.

— E aí? — digo cumprimentando ele.

— Ela não sai de lá por nada. — suspirou. — Nem se alimentar está querendo. — entramos na casa.

— Posso ir falar com ela? — assentiu e logo subimos para o segundo andar.

Pepe bateu na porta e segundos depois foi aberta.

— Não estou com... — parou de falar assim que me viu.

— Sabina. — digo entrando no quarto e ela se afasta. — Vim conhecer a nova hóspede do meu amigo. — me virei e vi Pepe sorrir mais atrás.

— Q-quem é você? — disse ela, ajeitando seu cabelo.

— Não interessa. — digo olhando o quarto. — Como andam as coisas?

— Está mesmo fazendo essa pergunta? — deu risada negando. — Estou no meio do nada com um desconhecido, não posso fazer nada e muito menos ver ninguém. — disse irritada e eu olhei para ela.

— O desconhecido tentou te beijar? — pergunto apontando para Pepe e ela nega. — Abusar? — negou. — Tentou te forçar a algo? — ela demorou um pouco, mas logo negou. — Acredite ou não Sabina, te livramos de uma maior, tinha gente pior na mesa.

— E vocês querem o quê? Meus agradecimentos? — disse debochada.

— Que você aprenda a dar valor a chance que a vida te deu. — me aproximei dela. — Se você tivesse a dimensão do problema que estaria se ele não tivesse vencido essa aposta, não estaria sendo ingrata.

— Ah me poupe. — se sentou na cama. — Não tenho mais nada mesmo, morrer agora ou depois não faz diferença. — estreitei meus olhos encarando ela e notei a tatuagem que tinha em seu braço, a mesma de Any. 

— Sabe, fico imaginando como está Any agora. — digo e ela se levanta no mesmo instante. — Morena, cabelos cacheados, sorriso bonito.

— Você não ouse tocar na minha amiga. — disse vindo na minha direção.

— Não toco em ninguém sem a permissão dela. — digo encarando ela. — Mas se eu fosse você voltava a se alimentar, acho que não vai querer ver sua amiga triste. — coloquei meus óculos e deixei o quarto.

Desci para o andar de baixo e Pepe me acompanhou.

— Isso foi para ajudar? — perguntou rindo.

— Ameaçar sempre é o caminho mais fácil. — digo e ele nega. — O que descobriu do carregamento?

— Terei tudo amanhã, vou ser obrigado a ir buscar, então passo lá e te entrego.

— E essa doida? — aponto para o andar de cima.

— Bem, ela tem as mesmas regras que Any, já sabe dos atiradores e o que pode acontecer com sua mãe se tentar alguma gracinha. — assenti lentamente.

— Agora só resta se apaixonar por ela. — digo indo até a porta.

— Igual você com a Any? — escuto sua risada e paro de andar.

— Não começa. — riu mais.

— Josh, Josh, cuidado com essa menina. — suspirei. — Nem é pela confiança, mas sim por ela mesmo, é difícil encontrar meninas assim.

— Ah Pepe, tá bom. — revirei os olhos. — Tenho que ir.

— Vai lá. — sai da casa e segui até o carro.

...

Entrei em casa e escutei risadas vindo da sala.

Segui até lá em silêncio e os meninos estavam no sofá com Any no meio.

— Oi Josh. — disse Noah fazendo todos me olharem, menos Any.

— Essa bagunça? — digo vendo pipoca pra todo lado.

— Vamos arrumar. — disse Krys e eu assenti.

Esperei Any me olhar, mas a mesma ignorou totalmente a minha existência. Ok.

Subi para o quarto e fui tomar banho.

...

Saí com uma toalha na cintura e fui até o closet.

Coloquei apenas uma calça e deixei o quarto indo até a cozinha.

Entrei no cômodo e vi Any de costas preparando algo. Mordi o lábio inferior e me aproximei em silêncio.

— O que faz? — agarrei ela por trás e vi seu corpo saltar com o susto.

— Nada. — disse e logo vejo ela cortando os morangos.

— O que deu em você agora? — pergunto ainda abraçando ela por trás.

— Nada. — revirei os olhos e fiz ela se virar.

Seu olhar percorreu meu abdômen descoberto até chegar nos meus olhos.

— Vai me dar um gelo?

— Eu? — assenti. — Você não faz questão da minha companhia, pois bem, também não faço da sua. — pegou sua tigela e saiu da cozinha.

Encarei aquela porta desacreditado e cruzei os braços. Ele me negou? Que garota...

Comi alguma coisa e depois subi para o quarto.

Terça-feira

Saí do quarto para ir tomar café e Any estava saindo também. A mesma me olhou, mas logo virou o rosto e seguiu seu caminho. É óbvio que ela vai prolongar isso até eu ceder.

Revirei os olhos e segui em direção a cozinha.

Hoje ela sentou na outra ponta e eu fiquei no meu lugar, cheguei a notar os meninos nos olhando, mas resolvi ignorar.

Tomei meu café e quando fui pegar meu celular notei que eles não estavam mexendo nos seus, o que achei estranho.

— Por que estão sem celular? — pergunto e todos olham para Any que parecia segurar o riso.

— Pausa social. — disse Bay fazendo os outros rirem.

— Não é isso.  — disse Krys. — Any só pediu pra gente evitar isso na mesa, fica chato pra ela. — encarei ela que não me olhava.

Neguei lentamente e voltei a tomar meu café.

...

Terminei meu café e recebi uma mensagem de Pepe dizendo que estava chegando.

— Estou indo para o escritório, ninguém. — faço uma pausa encarando Any. — Ouse ir lá.

— Como se alguém quisesse. — resmungou Any fazendo eles rirem.

Resolvi apenas ignorar e subi para o escritório.

...

Fiquei um tempo ali e escutei alguém bater na porta. Pepe apareceu segundos depois e sua cara não parecia muito boa.

— Ah, qual é da vez? — pergunto vendo ele se aproximar.

— A pessoa que roubou a carga. — me entregou a pasta.

Abri ela e quando olhei aquelas fotos senti meu sangue ferver.

— Não está falando sério? — pergunto fechando os olhos.

— Estou, mas eu já esperava. — neguei arremessando a pasta longe.

— Manda a Any vir aqui. — digo indo para trás da mesa.

— Josh, pra quê? Você está... — soquei o computador fazendo ele ir ao chão e se quebrar.

— Manda ela vir agora! — Pepe me olhou assustado e saiu correndo.

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