Capitulo 12
JOSH BEAUCHAMP
O que diabos você está fazendo, Joshua? Está querendo provocar uma menina que deveria estar morta e não vivendo no mesmo teto que você! Que merda!
Não sou o tipo de cara que gosta de ouvir baboseiras saindo da boca de alguém, mas essa garota... essa menina por algum motivo me faz querer escutar cada ponto e vírgula. O que não deveria acontecer!
Ficar vendo ela ontem pelas câmeras de segurança, cozinhando de pijama e se mexendo toda alegre, me fez ficar o caminho inteiro girando o anel no meu dedo. Isso é errado, mas o seu corpo foi apenas o meu foco, e ver isso de perto me causou pensamentos ainda piores.
É como se ela fosse um ímã, eu a vi e quando me dei conta já estava prensando ela nos armários deixando os pensamentos impuros me tomar. Pior de tudo é ela não fazer absolutamente nada para se livrar, é como se quisesse seguir um jogo...
Fechei aquela porta do escritório soltando meu ar de uma vez e quando me aproximei da mesa vi uma pasta em cima. "Any Gabrielly" estava grifado e eu passei a mão no cabelo andando pelo local.
Você não quer saber dela, Josh, você não precisa...
Coloquei as mãos na cintura e encarei aquela pasta de longe.
Você realmente não precisa, mas por algum motivo quer!
Dei a volta na mesa e me sentei na cadeira pegando a pasta.
Devo ter ficado cerca de trinta segundos só olhando aquele nome até criar coragem para abrir.
Meus olhos percorreram aquela primeira folha e eu comecei a ler.
Any Gabrielly Rolim Soares, tem 17 anos, estudou na North-West College e trabalha no bar House Beer. Ali também tinha várias e várias fotos com pessoas que acredito serem amigos, dentre elas tinha uma com um círculo vermelho em volta. Reconheci que ela era a mesma menina que vi no shopping.
María Sabina Hidalgo Paño, estudaram juntas, trabalham juntas mas ela tem um outro emprego pelo turno da manhã. Pais divorciados e sem status de relacionamento.
Virei aquelas folhas e me perguntei o motivo de não ter a data de aniversário dela...
— Não! — me repreendo largando a pasta.
Não interessa, Josh. Não vai mudar em nada na sua vida.
Suspirei passando a mão no rosto e logo escutei alguém bater na porta. Pedi para entrar e assim que a porta abriu vi Pepe.
— Está ocupado? — neguei e ele fechou a porta se aproximando da mesa. — Olha só, resolveu ver a ficha dela? — disse com um sorriso e eu revirei os olhos. — Sabina? — pegou a ficha olhando.
— Melhores amigas. — digo e volto a olhar a ficha dela.
Meu olhar parou no seu local de origem e tive que segurar meu ar surpreso. Ela é brasileira?
— Sabia que ela é brasileira? — pergunto-me virando para Pepe e ele larga a ficha de Sabina.
— Sim. — me olhou. — Mas que fique claro, foi você quem disse que não queria saber nada dela. — assenti lentamente. — Ah, tem uma coisa. — me entregou a pasta que estava com ele.
Abri ela e o que estava ali era basicamente as imagens do jornal, isso deve ter relação com o que ela me falou a pouco.
— Devo me preocupar? — pergunto virando a folha.
— Não. — disse indo para o outro lado da mesa. — Não dá para reconhecer a pessoa da imagem, e mesmo que reconheçam, teremos tempo até a polícia ir no Japão. — deu risada. — O que achou dela? — encarei ele confuso.
— Como? — me escorei na cadeira.
— Any Gabrielly, o que achou dela? — neguei encolhendo os ombros. — Nada? — revirei os olhos. — Tem noção do que fazer com ela em um futuro? — até tenho, mas seria errado da minha parte.
— Não sei Pepe. — organizei aqueles papéis. — Meu medo é esses meninos se apegarem e não ter mais volta.
— Então já era. — disse simples. — Noah vive falando dela, Bay a cada três coisas que ele conta do dia, quatro ele cita ela e o Krys vive falando da beleza dela e de como ela tem lindas curvas. — parei de mexer nos papéis e encarei ele. — Essa última parte foi brincadeira, só queria ver a sua cara. — mostrei o dedo do meio.
— A verdade é que não dá para ficar com essa menina. — abri a gaveta deixando os papéis ali. — Mas também não dá para soltar ela como se nada tivesse acontecido. — ele assentiu.
— Acho que entramos em um beco sem saída Joshua. — disse se jogando na cadeira e eu bati os dedos na mesa.
— Assim, coisas aconteceram que talvez, eu disse talvez. — ressaltei olhando ele. — Demonstre que ela não quer sofrer. — ele se inclinou para frente. — Ontem ela poderia ter pedido ajuda para um desconhecido mas não fez, e também, assim que viu sua amiga no shopping fez questão de me avisar.
— Isso é bom. — voltou a se escorar na cadeira. — Talvez ganhar a confiança dela não seja tão ruim. — neguei.
— De jeito nenhum. — digo me levantando. — Ganhar a confiança dela significa ela saber de muita coisa, não confio nem em mim, Pepe.
— Não exagera. — disse se levantando também. — Posso ir conversar com ela?
— Não sei como não conversou ainda. — digo e ele ri. — Já aviso, se der corda ela fala até não aguentar mais. — assentiu.
Escutamos alguém bater na porta e ela se abriu segundos depois.
— Chefinho, trouxe café. — Noah passou sorridente com uma bandeja em mãos.
— Desde quando você me traz café, Noah? — pergunto vendo ele deixar a bandeja na mesa.
— Desde nunca, mas estava falando com a Any e ela perguntou de você. Tive que explicar que quando você entra nesse escritório ninguém te tira e ela fez esse café. — Noah disse tão rápido que eu só entendi a parte do "ela fez esse café". — A propósito, ela quer saber se tudo bem ir lá fora um pouco durante o dia, quando a gente estiver aqui é claro. — sorriu.
— Por isso ela fez o café? — pergunto cruzando os braços.
— Na verdade ela disse algo sobre o café ser uma refeição importante do dia e que não era bom você pular. — encarei ele desconfiado, se bem que é cara daquela doida falar isso. — Ela também disse que talvez você pensaria que ela estaria tentando te comprar e não teria problema em não deixar ela sair.
Em que momento essa menina me analisou ao ponto de pensar isso? A cada minuto que passa vejo que essa menina é um perigo aqui.
— Vai Noah, vai. — sinalizei com a mão e ele saiu da sala sorrindo.
— Essa garota parece tão legal. — disse Pepe me fazendo olhar ele. — Até te fez café. — sorriu de canto.
— Não começa. — me sentei novamente.
— Aliás, o que decidiu de sábado? — suspirei pegando uma xícara de café.
— Não sei ainda. — liguei as câmeras da casa no computador e deixei rodando.
— Você sabe que pode contar com as meninas, Diarra e Heyoon são...
— Não. — interrompi vendo as imagens. — Já disse que nenhuma das meninas vai voltar a pisar naquele lugar. — vi Noah ao lado de Any e a mesma se agachou olhando as rosas do jardim.
— E o que vai fazer?
— Procura alguma mulher pra mim, pega a numeração da roupa e calçado e providencie também. — olhei ele que assentiu. — E já deixa avisado que é só para acompanhar, não quero ninguém me agarrando ou sentando no meu colo. — escuto sua risada e volto a olhar as câmeras.
— Como quiser. — se levantou. — Agora vou lá conhecer nossa brasileira. — encarei ele novamente.
— Nossa? — pergunto confuso.
— Sua? — arqueio uma sobrancelha. — Aliás Josh, só mais uma coisa. — voltei a tomar meu café. — Você não tem medo dos meninos se apaixonarem por ela? — quase me engasguei com o café e fui para trás com a cadeira.
— O quê? — pergunto pegando um guardanapo para limpar minha boca. — Bebeu logo cedo? — negou.
— São homens e ela é uma mulher, quando pessoas convivem por muito tempo podem surgir sentimentos. — coloquei minha xícara ao lado.
— Primeiro, Noah é apaixonado por Sina, segundo, por mais que só leve fora, Bay gosta da Jojo, e terceiro, o Krys...
— Já entendi. — me cortou. — Sem paixão deles, mas e você? — cruzou os braços. — Any pode ter 17 mas não podemos negar que é uma bela garota.
— É Pepe, mas eu tenho 25.
— Idade é só um número. — sorriu de canto.
— Some daqui! — ordenei apontando para a porta e ele levantou as mãos em sinal de rendição deixando o local.
— Tenha um bom dia. — gritou fechando a porta.
Voltei a olhar as câmeras e Any agora estava sentada nas cadeiras próxima a piscina.
Foi o tempo de ver o Pepe se aproximar dos dois que meu celular começou a tocar. Que ótimo!
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