This Hurts A Lot *Firkus*
Voltando ao capítulo de Firkus...
Linda atirou na parede, Miguel a olhou assustado, mas logo retomou sua pose de macho alfa. Ele pegou a bomba. Meu coração parou por um segundo. A moça respirou pesadamente, senti sua tensão.
O ruivo começou a mecher no explosivo. Tentei me soltar novamente, o pensamento da minha incapacibiladade de andar voltou, mas eu o ignorei, preciso tentar. Linda voltou a confrontar Miguel, a morena segurava os pulsos do ruivo como se fossem produtos em uma liquidação, ela não desviava os olhos de seu pai, senti o ódio daquela briga. Voltei minha atenção aos meus pulsos; amarrados por cordas nos 'pés' da cama, nem me pergunte como. Mechi meus dedos e tentei retirar os nós, obviamente não consegui. Olhei a minha volta, minha cabeça começou a girar, bitch, fudeu.
Encarei a escrivaninha, a garrafa com cerveja quente ainda estava lá, posso usá-la, mas eu não consigo alcança-la. Encarei Linda, ela xingava Miguel por ser tão imbecil, bati minha mão na cama, o barrulho chamou atenção da enfermeira, ela me encarou, apontei para garrafa, Miguel logo olhou para mim, fingi estar entediado, ele disse algo para sua filha.
Não prestei atenção em suas palavras, elas não importam. Linda levou a briga até a escrivaninha, ela conseguiu derrubar o ruivo no chão e apontou a arma para o mesmo. Em um movimento rápido; a louca jogou a garrafa na parede ao meu lado, fechei os olhos. A garrafa quebrou em vários pedaços, alguns afetaram meus machucados, não reagi a dor, eu não preciso dela agora.
Peguei um caco a minha direita e comecei a cortar a corda. Encarei Linda, ela estava em cima do meu padastro chorando a perda de sua mãe. A corda da mão direita se rompeu, eu a encarei, me cortei ao me livrar disso, respirei fundo e com a mão livre cortei o que me separa da liberdade. Me soltei e mechi os pulsos, minhas pernas não estavam presas, tentei mechê-las; não consegui.
O desespero tomou conta de mim, belo plano Brian. Olhei para os dois, a enfermeira ainda estava sobre ele, dessa vez, ao invés de chorar ela mirou no rosto do ruivo. Eu arrepiei, não consegui falar, fiquei confuso, o que ela faria? Miguel tentava alcançar a bomba localizada a minha esquerda. Ele me encarava e dizia com lágrimas nos olhos coisas que eu não entendia, eu não consigo ouvir.
A mulher atirou no pé do ruivo, isso eu ouvi, pulei da cama assustado com o som, meu padastro gritava de dor. É como se ele estivesse dublando sem uma música, sua boca meche sem emitir som. Linda me pegou no colo, sim, ela é forte. Nós saímos da casa, interpretei suas expressões, ela estava tão horrorizada quanto eu.
Um carro freiou bruscamente e Sang desceu do mesmo, ele me colocou no banco de trás, a enfermeira sentou ao seu lado e eles conversaram o caminho inteiro, como minha audição sumiu; decidi encarar a paisagem. Senti saudade dessa vista, essa casa ficava bem afastada de todos, bem no campo.
Deixei as lembranças boas voltarem, eu e McCook andando de mãos dadas na praia enquanto líamos os outros. Saudades Brian. Linda me encarava através do retrovisor, vi seus lábios se mechendo, ela virou a cabeça para conversar com Sang, suas mãos gesticulavam de forma agressiva, o coreano assentia sereno.
* (1 semana depois)
Me recusei a sair de casa, andar nisso me dá arrepios, o meu fisioterapeuta disse que só preciso de um mês com ela. Eu já tentei andar com a cadeira de rodas, mas é impossível, ela fica imperando e eu ODEIO ELA. Vou passar um mês preso em casa vendo RuPaul e jogando vídeo games. Encarei minha janela e voltei a encarar meu novo celular. Perdi o antigo no hospital.
A campainha tocou insistentemente, suspirei. Deve ser ele, sempre é ele. Brian pergunta para Sang todo dia se ele tem novidades, o loiro vem pessoalmente na esperança que eu atenda, mas isso nunca vai rolar; mandei Sang mentir sobre minha presença. Eu não quero vê-lo assim, eu só conversarei com Brian novamente quando eu descobrir o paradeiro de Miguel.
A porta foi batida, ouvi passos vindo até mim, Sang abriu a minha porta dando passagem a uma corrente de ar frio, fingi estar dormindo, ele se afastou encostando a porta, me aconcheguei na cama e voltei a encarar a foto de Brian.
Ele sorrindo me deu paz. Flashback:
Brian se posicionou ao lado de uma árvore e sorriu. Peguei meu celular e registrei o momento, ela ficará linda em um porta retrato. Ele correu até mim e apertou minha bunda, bati nele em meio a risos. Realidade.
O tempo demorou a passar, o sol se pôs. Da minha janela vi a lua, ela não brilhava, a noite estava sombria e o vento frio invadiu meu quarto. Suspirei e me cobri. Sang entrou no quarto com uma bandeja repleta de comidas. Me recusei a comer, não preciso disso, eu preciso do Brian. Se eu o recusei por que eu não recusaria a comida? Ele desistiu e se afastou, encarei a bandeja e senti meu estômago roncar.
Tentei dormir, meu corpo dói, não consigo mecher minhas pernas, reprimi o choro e encarei o teto. A dor tomou conta de mim. Lembrei-me da dona da mansão, ela pagou minha conta do hospital, eu preciso retribuir, preciso me inscrever em RuPaul.
Respirei fundo e em meio a pensamentos; adormeci. Acordei com o sol quente no meu rosto, ouvi vozes. Sang está com alguém. Peguei meu celular e abri em um joguinho qualquer para passar o tempo.
-Esse não era o combinado.
A voz se aproximou da minha porta, ouvi a maçaneta girar, fechei os olhos e joguei a coberta em cima de mim.
-Deixe ele em paz. -Disse Sang, sua voz está claramente abalada.
O outro riu, me arrepiei, essa risada. As coisas começaram a fazer sentido, Miguel está na casa; mas o que ele quer com Sang?
-Você mal ajudou, eu executei os planos praticamente sozinho. Ele nunca vai querer nada contigo.
A voz de Miguel ecoou pelo quarto, o sol não me esquentava mais, comecei a tremer de frio. Meu padastro tocou em minha testa; sua mão fria me lembrou a infância, melhor dizendo; a ausência dela.
-Sai da minha casa.
A voz de Sang oscilava, ele não está confiante, nem passa perto. Miguel saiu do quarto rindo, ouvi a porta sendo destrancada e logo fechada. A batida da porta me fez pular da cama, meu coração disparou; abri os olhos, Sang passava pelo corredor.
-O que Miguel queria?
-Miguel? -Ele se fez de desentendido.
Eu o perdi de vista, logo em seguida ele apareceu com um copo de água e me obrigou a bebê-lo, não tive outra opção a não ser obedecer; assim o fiz.
-Ele estava aqui. -Disse eu entregando o copo em suas mãos.
Sua expressão era surpresa.
-Ele te machucou?
-Sang, ele estava conversando com você.
O coreano colocou a mão no peito quase deixando o copo cair, mas ele o equilibrou. Sua surpresa se transformou em preocupação.
-Os remédios estão te afetando? Está imaginando coisas?
-O quê?
Minha cabeça girou. Eu estou confuso e se for efeito do remédio? Nada terá sido real, mas... Eu senti o toque de Miguel, encarei o menino a minha frente.
-Foi real.
-...
A campainha tocou, tenho certeza que é Brian. Sang se levantou e caminhou até a porta, ouvi a mesma sendo destrancada.
-Notícias?
Ao escutar a voz de Brian meu coração disparou, eu queria gritar, pular, levantar dessa cama e dar um beijo nele. Mas eu estava destemido a apenas vê-lo quando eu me recuperar.
-Nada, sinto muito.
Ouvi os passos tristes se afastarem, deixei as lágrimas caírem, isso dói muito. Sang não voltou mais no meu quarto. Talvez eu esteja enloquecendo, eu posso ter imaginado tudo, o que Sang falaria com Miguel? Nada. Não faz o menor sentido. O sol foi se pondo e a minha dor aumentou, aquela dor difícil de ser curada; coração partido. Eu sinto sua falta Brian, eu te amo. Encarei a cadeira de rodas, preciso andar nela, preciso vê-lo.
-SANG.
Ele veio correndo, pedi sua ajuda. Ele me colocou na cadeira.
*
Minhas semanas seguintes foram treinando meus movimentos na cadeira e visitando o fisioterapeuta.
Durante 3 semanas, eu aguardei na porta de casa uma visita especial; Brian. Mas ele não me visitou, ele desistiu de mim, eu preciso vê-lo. Sang me levou na casa do loiro, ele não atendeu, fui para o meu quarto e com a ajuda do coreano, fui colocado na cama.
Ele apagou a luz e se afastou. Agarrei meu travesseiro com raiva, EU PRECISO VÊ-LO. Enfiei várias agulhas nos meus machucados (já cicatrizados), chorei ao tirá-las. Isso não se compara ao meu vazio. Eu devia ter atendido a campainha, eu não devia ter saído da casa dele; eu devia ter respondido o: eu te amo.
E com esses pensamentos adormeci.
*
Depois da visita que fiz para McCook os meus pensamentos se confundiram ainda mais. Eu o amo, mas preciso manter distância; Miguel está desaparecido. Tentei me concentrar na mala que eu estava fazendo; amanhã irei para o hotel e a corrida das drags começará.
Respirei fundo e terminei minha mala, me sentei na cama e encarei minhas pernas; senti saudades.
Oieee, desculpa a demora, eu estou viajando. Gostaram de capítulo com mais descrição? Se sim eu escrevo mais.
FELIZ NATAL E FELIZ ANO NOVO BITCHES. Obrigada por lerem, meus presentes de Natal são vocês💕
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