Hie *Firkus*
— Está pronto?
— Sim.
Sai do meu quarto vestindo uma calça jeans e uma blusa polo rosa. Kim estava em drag, com make básica e um vestido de penas azuis.
— Vamos pra boate.
Ela pegou em minha mão e juntos fomos de carro para boate gay.
— Vou me apresentar aqui, o qe acha?
— Espaçoso. — comentei.
Ela riu.
— Tenho que ir, se divirta.
— Yay. — fingi estar animado.
Me sentei no sofá, aliviado por estar a só. Logo após, um casal sentou ao meu lado, apenas me levantei frustado. Alguns caras tentaram contato visual e até físico, rejeitei todos.
Eu não quero ninguém, só a Kim já basta. Uma loira abria muitos espacates e fazia coisas relacionadas a ginástica. Não consegui tirar meus olhos dela.
— Meu nome é Yekaterina Petrovna Zamolodchikova, mas seu pai apenas me chama de Katya.
Ela deu uma leve encarada no final e saiu abanando o leque. Kim se apresentou em seguida, ela dublava sem movimentos bruscos, afinal não precisava deles.
Esperei Kim para irmos embora. A drag queen loira sentou a duas mesas de mim junto a outras drags. Nós trocamos muitos olhares. Kim me apressou para irmos embora, troquei meu último olhar com Katya e sai.
— Você gostou da piranha russa.
— O quê?
— Da Katya — ela disse agressivamente. — Eu vi os olhares. Só avisando ela pega todo mundo, bem diferente dele fora de drag.
— Por que está falando isso Kim?
— Vocês dois são introvertidos. Quero dizer, você nem o conhece e já gosta dele.
Eu fiquei confuso, queria perguntar, mas sentia a raiva de Kim e preferi manter a minha cabeça. Finalmente chegamos ao apartamento.
— Desculpa — ela suspirou. — Fiquei com ciúmes e comecei a inventar coisas.
— Você é o meu melhor amigo Kim, não precisa ter ciúmes.
Eu sorri, Kim abaixou a cabeça.
— Amigo.
Ela se trancou no quarto. Decidi deixá-lo quieto e dormir, dessa vez adormeci rápido.
— Bom dia. — disse Sang.
— Bom dia.
— Hoje vou me apresentar em dupla.
— Com quem?
— Alguma veterana, estou esperando a ligação.
Tomei café enquanto observava Sang pulando no apartamento esperando pela ligação.
— TÁ VIBRANDO.
— Atende!
Ele atendeu sentando-se no sofá.
— K_Katya?
Continuei tomando meu café enquanto via a cor sumir de seu rosto.
— Sim, ela pode vir aqui, o endereço é... Como assim ela tem meu endereço? — ele suspirou.
Eu sorri tentando animá-lo, ele parecia zangado.
— Todo mundo menos a Katya.
— Quer que eu vá?
— Si... Não precisa.
— Sang, você continua com ciúmes?
— Não, eu só não gosto dela. Ela é viciada em tudo que possa imaginar — ele suspirou. — Ok, ela pode ter passado por muitas coisas, mas você também e olha, sem vício. — ele apontou pro meu corpo.
— Você não a conhece.
— E você conhece?
— Não Sang...
— Não a defenda.
— Por que não? O que você tem contra ela?
— O vício. — disse ele.
— Cada um lida com a dor de uma forma diferente, infelizmente nem todos lidam de maneira saudável.
Ele bufou.
— Tanto faz, vou ao banheiro.
Fiz uma careta, por que ele precisava anunciar isso?
A campainha tocou, abri a porta e me deparei com um homem loiro de olhos verde e estatura média.
— SANG.
— TÔ INDO.
— Você quer entrar?
— Quero — ele entrou e se sentou no sofá. — Você faz drag?
— Não, mas pretendo.
— Você ficaria bem em drag.
Eu sorri de canto.
— Você é uma boa drag.
Ele sorriu.
— Você vai na boate de novo?
Balancei a cabeça negativamente. Ele me percebeu na boate.
— Por quê?
— Eu não deixei. — disse Kim.
— Ah... — Katya soou chateado. —Vocês namoram?
—Não — me apressei em dizer.
— Brian prefere ficar em casa...
— Brian?
Assenti. Kim encarou o relógio.
— Vamos embora.
Katya levantou.
— Até mais Brian — disse o loiro.
— Até...
— Brian — ele sorriu.
— Até Brian.
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