He's Not Dead *McCook/Katya*
Procurei Lorena, a encontrei prestando depoimento.
-O que aconteceu? -Perguntei assim que os policias se afastaram.
-Eu matei o estuprador. -Notei o brilho em seus olhos e hesitei- Ele me matou por dentro e ainda matou meu filho! Eu apenas me vinguei.
-Como se sente?
Sentei ao seu lado. Ela segurou minha mão, ainda hesitei.
-Eu nunca me senti tão bem em toda minha vida.
Senti loucura em sua fala, um homem se aproximou horrorizado.
-Lorena, o que você fez?
Ela o encarou e soltou minha mão. Os policiais a encararam.
-Eu o matei.
-Por quê? -O homem tentou se acalmar.
-Ele matou nosso filho...
-Essa criança nunca existiu! Você não deveria ter saído do hospício.
Vi raiva em seus olhos.
-HOSPITAL PSIQUIÁTRICO.
O policial mais próximo retirou a arma do bolso.
-Você é louca.
-Nós casamos e decidimos ter um filho. Mas eu não conseguia engravidar, então fiz tratamento e esse idiota abusou de mim.
-Não, você saiu do hospital ontem e foi atrás dele. Lorena, você hospitalizou meu irmão e depois o matou!
Ela começou a chorar.
-EU ESTAVA GRÁVIDA.
-Faz 2 anos que nós nos separamos, mesmo assim eu paguei seu internamento...
Ela se jogou no chão e começou a arrancar os cabelos. Me levantei horrorizado, ficar internado deve ser horrível, eu quase me internei para lidar com o vício.
-Marcos, eu te amo.
O olhar do homem me deu pena, ele realmente estava triste. Tentei me afastar, mas Lorena agarrou minha perna.
-Não me abandone.
*
Sentei no banco, procurei por um cigarro no bolso, infelizmente não o encontrei. Bufei frustado. Brian foi levado por Miguel e Lorena será presa, que legal.
-Ei. -Ela sentou ao meu lado- Meu julgamento será semana que vem, eu tenho certeza que serei presa.
Ela suspirou.
-Primeiro fui internada e agora irei para cadeia. Acho que sou viciada em prisões.
Ela riu mas senti decepção em sua voz. Fitei o chão, fiquei mais triste.
-Obrigada por estar ao meu lado e me perdoe Brian.
Ela afagou seu braço.
-Ele vai voltar e vocês serão muito felizes, eu juro.
Eu sorri e a abracei.
-Boa sorte Lorena.
O policial a chamou, ela se afastou acenando. Seu sorriso me partiu o coração, ela está o forçando. Acenei com a cabeça e continuei a esperar.
-Brian. -Reconheci a voz.
Bárbara sorriu para mim.
-Posso me sentar?
Assenti e assim ela o fez.
-Já se passaram 24 horas, iniciamos nossas buscas.
A encarei esperançoso.
-Ainda não encontramos nada.
Voltei a encarar o chão.
-Entendo.
-Preciso do seu contato...
Sem hesitar eu passei meu número celular. Bárbara o anotou em sua agenda.
-Te manterei informado.
Agradeci e saí da delegacia. Cheguei em casa exausto, me joguei no chão da sala. Saudades da bunda... Quero dizer, do Brian.
*
Sai do palco dançando, comecei a cantar feliz. Comecei a falar sobre Brian e xinguei as meninas.
-ELE MORREU KATYA.
Joguei uma garrafa ao lado de Bianca.
-VOCÊ ENLOQUECEU? -Gritou Adore de volta.
O braço de Bianca começou a sangrar, me senti culpado e logo me desculpei.
-Eu sei que sente saudades dele, mas você deve superar.
Encarei Adore, ela interrompeu a fala ao ver minha cara de morto.
-Já sofri muito com o meu ex noivo, não quero sofrer por Brian.
Me sentei no chão e dei um gole na vodka. Adore puxou Bianca para uma conversa em particular, elas gesticulavam e me encaravam.
-Katya, já se passou um mês, você deve aceitar...
Adore se ajoelhou ao meu lado.
Flashback:
-Me passa o controle, nós não vamos assistir Contact, não hoje Satã! -Disse ele imitando a Bianca.
Eu ri e lhe entreguei o controle. Ele navegou durante horas pela Netflix e não encontrou nada.
-Vamos ver RuPaul e nos imaginar lá. -Sugeri.
-Boa ideia.
Ele colocou no reality, começamos a dublar cenas aleatórias.
-GO BACK TO A PARTY CITY WERE U BELONG.
-BACKROLLS?
Rimos muito. Eu o encarei.
-O quê? -Disse ele docemente.
-Eu vou te fuder forte essa noite.
Ele riu.
-Já que insiste.
Eu o beijei. Realidade.
-Ele não está morto, tenho certeza disso.
Bianca se ajoelhou ao lado de Adore.
-É pelo seu bem...
-ELE ESTÁ VIVO.
Kim passou pelo camarim, ela sabe de algo!
-VEM CÁ COREANA.
Kim entrou no camarim.
-Sim?
-Cadê o Brian?
-Katya, eu não sei.
-MENTIROSA.
Mirei meu salto em seu rosto e o joguei, ela desviou e o sapato acertou a parede.
-Eu estou falando a verdade, aliás. Ele deve ter morrido.
Kim forçou um soluço.
-SUA FALSA. -Me exaltei.
Bianca me segurou.
-PARA KATYA.
Eu respirei fundo e comecei a chorar. Adore me abraçou.
-Tá tudo bem.
-Não tá.
Meu choro se intensificou. Kim se afastou ao ouvir seu celular tocar.
-Eu amo ele e não suporto a ideia de perdê-lo, não de novo.
Adore encarou Bianca e fez sinais com a cabeça. Elas estavam discutindo silenciosamente, Bianca bufou, ela perdeu a discussão.
-Ok. -Começou ela- Para de se lamentar e se prepara para RuPaul, entendeu? Ainda há chance dele estar vivo e aparecer no reality. Katya, você precisa estar pronta.
Enxuguei as lágrimas e me recompus. Adore bateu na mais velha.
-Eu ajudei.
-Dando falsas esperanças.
Eu levantei e me virei para elas.
-Vou pra casa.
-O quê? -Disseram em uníssono.
-Vocês me ouviram.
Me afastei o mais rápido possível. Entrei no carro e dei partida. Ao chegar em casa corri para o armário de bebidas, tomei 3 garrafas de vodka de limão, não senti o efeito, mas decidi parar. Deitei em minha cama, encarei o lado arrumado; o lado dele. Passei a mão, como sempre frio.
-Sinto sua falta.
Agarrei o travesseiro e voltei a chorar.
-Isso dói.
Acabei adormecendo. Virou hábito cair no sono depois de chorar. O lado de Firkus agora está bagunçado, levantei da cama, eu não fiz isso. Toquei no lençol, quente!
-SE ALGUÉM ESTIVER NESSA CASA EU VOU MATAR.
-Calma, é só a gente. - Disse Danny.
Roy se aproximou da porta.
-Alguém deitou aqui?
-Não.
-Mas tá quente! -Pensei um pouco e comecei a sorrir- Ele estava aqui.
Danny e Roy se encararam sem acreditar.
-Katya...
-Eu sei o que vão dizer; "ele morreu".
-Danny, mostra pra ele.
O mais novo suspirou e tirou o celular do bolso. Ele colocou em um vídeo e me mostrou.
"Jovem morreu após ser sequestrado e baleado por padastro. Corpo foi descoberto após 1 mês, assassino ainda desaparecido."
Me segurei na porta tentando me equilibrar. Ficou mais difícil respirar, imaginei uma bala de arma nas minhas vias aéreas. Minha visão foi ficando turva, a minha audição sumiu dando lugar a um intenso zumbido, os meninos pareciam desesperados. Os nós dos meus dedos ficaram brancos pela força que coloquei, decidi soltar a porta, bati as costas no chão. Perdi de vista os meninos, comecei a tremer e chorar, abracei minhas pernas. Danny voltou com o meu remédio e um copo d' água. Me mediquei, fui voltando ao normal aos poucos.
-Eu falei que era uma má ideia.
-Mentir é melhor?
-Eu não menti. -Disse Danny.
Eles demoraram a perceber que voltei ao normal.
-Ei. Melhorou?
Assenti um pouco tonto. Eles sentaram ao meu lado no chão.
-Agora é oficial. -Consegui dizer.
Uma parte de mim não acredita que ele morreu, já a outra está em luto.
-É...
Danny me encarou com pena.
-Sinto muito.
-Eu posso ficar sozinho?
Roy encarou o mais novo, eles assentiram e levantaram. Me deitei na cama e ouvi a porta sendo fechada, tranquei a mesma. Daqui a dois meses começa as gravações pra sétima temporada de RuPaul, eu fui aceita, será que ele foi? Suspirei. Ele não morreu, tenho certeza, eu tenho certeza! Me assustei com as cortinas se mechendo, me aproximei e coloquei a mão para fora, não está ventando. Olhei para baixo, nada. Como ele subiria no segundo andar? Olhei para a direita, uma escada de madeira; comecei a sorrir e encarei a lua. ELE ESTEVE AQUI. Me virei e quase desmaiei.
-Brian...
Ele estava ferido. Como ele passou por mim? Preferi não perguntar.
-Temos que nos separar, eu sinto muito.
As lágrimas desceram de seus olhos. Eu tentei o abraçar, ele hesitou.
-Eu te amo Katya.
-Por favor...
Deixei as lágrimas caírem.
-Miguel quer te matar.
-Eu não tenho medo da morte.
-Eu não sei o que eu faria se você morresse. Prefiro manter distância.
-Um último beijo, por favor.
Ele se aproximou e nós selamos nossos lábios, os dois queriam muito isso. Abri os olhos, eu estou na cama, o quê? Alguém batia forte na porta.
-VOU ARROMBAR. -Roy gritou, ouvi Danny rir.
Destranquei e Roy caiu no chão.
-Você dormiu muito.
Aquilo não foi um sonho, eu tenho certeza.
-Desculpa.
-Melhorou?
Assenti. Me aproximei da janela, eles me seguiram, olhei para a direita, a escada sumiu, suspirei.
-O que está procurando? -Disse Danny ainda olhando pela janela.
Me afastei.
-Uma escada.
-O vizinho pegou.
Meus olhos brilharam e meu coração acelerou. FOI REAL.
-Você está me assustando.
-Desculpa.
-O que foi? -Perguntou Bianca.
-Nada.
-Fala.
Contei sobre a visita. Eles se encararam.
-Nós ouvimos a voz dele.
Eu os encarei.
-Vocês espiaram?
-Não.
-Fala a verdade.
-Só um pouquinho. Roy o viu.
Roy assentiu.
-Ele estava muito machucado.
Eu sorri.
-ELE NÃO MORREU BITCHES.
Eles me encaram.
-Você sempre esteve certo.
Me lembrei das duras palavras de Brian.
-Ele disse para eu não procurá-lo.
-Você contou sobre RuPaul?
-Não posso contar.
-Eu contei pra todos meus amigos. -Continuou Danny.
Roy riu.
-Vou sentir saudade dele.
-VOCÊ VAI DESISTIR BITCH? TÁ ME ZOANDO? -Gritou Roy.
-Eu e ele nunca daremos certo.
Autora: o * representa a passagem de tempo, muitas vezes narrada e outras faladas pelas personagens.
Quando vocês querem o próximo capítulo?
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